Conservador e golpista, por Sergio Saraiva

O jornal O Estado de São Paulo completa hoje 145 anos. Em seu editorial de 04 de janeiro de 2020, reafirma seus valores: o conservadorismo golpista.

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É particularmente interessante como esse golpismo é apresentado como o seu principal valor. O jornal se orgulha dele tanto que o reafirma.

Façamos uma análise do texto – O “Estado” reafirma seus valores.

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Valores e verdades – são sempre construções sociais. Só existem em função do grupo social que caracterizam. Ao defenderemos essas duas causas, inevitavelmente estaremos nos associando a algum grupo social. A qual grupo social pertence os valores e as verdades que o Estadão defende?

Um jornal nascido no Império, em 1875, defendendo valores republicanos “já desde o primeiro número” mostra bem a que veio.

Lembrando que “valores republicanos” nem sempre são o mesmo que “valores democráticos”. O que o editorial deixa claro ao apresentar um breve resumo da sua história

O golpismo sempre presente

O golpe da República.

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Aqui a primeira inverdade histórica. O abolicionismo não foi um valor republicano. A abolição da escravatura se deu no Império – 1888 – por pressão da sociedade majoritariamente monarquista. Mas custou o próprio Império, já que os antigos senhores de escravos e donos das terras retiraram seu apoio ao imperador Pedro II – se alinharam aos republicanos.

A própria república, proclamada sintomaticamente no ano seguinte – 1889, não foi mais que uma quartelada – a primeira. E teve o apoio do Estadão. A manchete que resume os acontecimentos é do jornalista Aristides Lobo , mas não foi publicada por esse jornal:

“O povo assistiu àquilo bestializado, atônito, surpreso, sem conhecer o que significava. Muitos acreditaram seriamente estar vendo uma parada” – publicada no Diário Popular em 18 de novembro de 1889.

E daí em diante, a cada golpe patrocinado pelo Estadão segue-se um novo golpe patrocinado pelo mesmo Estadão.

O Golpe da República Velha

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Ainda haverá Floriano, após quem, os ex-senhores de escravos e donos das terras voltarão a assumir o poder e governarão uma oligarquia pelas três décadas seguintes, até serem apeados do poder por Getúlio Vargas.

Do golpe do Estado Novo e à derrubada de Getúlio.

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Em 45, derrubado Getúlio pelos mesmos militares de sempre, os Mesquita ressumem o jornal. Os prédios estão lá e as máquinas estão funcionando. Não, o Estado Novo não destruiu o Estadão. Contam que ao contrário.

O Golpe de 64.

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Do Golpe do Impeachment a Bolsonaro e ao novo golpe que virá.

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O valor do Estadão

A mentira que fecha o artigo e reafirma os “valores do Estadão”

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O Estadão teve participação relevante “na vida republicana do país”, nas suas próprias palavras, nos últimos 145 anos, não porque tenha defendido valores democráticos; mas porque sempre esteve ao lado dos golpistas de ocasião, todas as vezes que essa ocasião surgiu.

Esse é o valor do Estadão.

PS: Oficina de Concertos Gerais e Poesia – em algum lugar sempre em frente e à esquerda.

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