Contragolpe, por Fernando Nogueira

 

Fernando Nogueira | Do Brasil Debate

 

Contragolpe significa dar um golpe – “pancada”, “ardil”, “ataque” – em reação a golpe recebido. É uma iniciativa que se antecipa a um golpe, a fim de sustá-lo ou de anulá-lo. Os brasileiros democratas necessitam organizar, imediatamente, um contragolpe em reação à ameaça de golpe midiático-parlamentar contra a frágil democracia brasileira!

Por Democracia se foi entendendo, ao longo da história, um método ou um conjunto de regras de procedimento para a constituição de Governo e para a formação das decisões políticas. Estas são decisões que abrangem a toda a comunidade, mais do que uma determinada ideologia em defesa de interesses particulares-corporativos.

Democracia é compatível, de um lado, com doutrinas de diverso conteúdo ideológico, e por outro lado, com uma teoria que pressuponha uma orientação favorável para certos valores normalmente considerados característicos do ideal democrático. São eles o da solução pacífica dos conflitos sociais, o da eliminação da violência institucional no limite do possível, o do frequente revezamento da classe política, o da tolerância, e assim por diante.

Em prevalência nos países de tradição democrático-liberal, as definições de Democracia tendem a resolver-se e a esgotar-se em um elenco de regras do jogo, ou de “procedimentos universais”. Entre estas:

1. o órgão político máximo, a quem é assinalada a função legislativa, deve ser composto de membros direta ou indiretamente eleitos pelo povo, em eleições de primeiro ou de segundo grau;

2. junto do supremo órgão legislativo deverá haver outras instituições com dirigentes eleitos, como os órgãos da administração local ou o chefe de Estado tal como acontece nas Repúblicas;

3. todos os cidadãos que tenham atingido a maioridade, sem distinção de raça, de religião, de censo e possivelmente de sexo, devem ser eleitores;

4. todos os eleitores devem ter voto igual;

5. todos os eleitores devem ser livres em votar segundo a própria opinião formada o mais livremente possível, isto é, em uma disputa livre de partidos políticos que lutam pela formação de uma representação nacional;

6. devem ser livres também no sentido em que devem ser postos em condição de ter reais alternativas, o que exclui como democrática qualquer eleição de lista única ou bloqueada;

7. tanto para as eleições dos representantes como para as decisões do órgão político supremo vale o princípio da maioria numérica, se bem que podem ser estabelecidas várias formas de maioria segundo critérios de oportunidade não definidos de uma vez para sempre;

8. nenhuma decisão tomada por maioria deve limitar os direitos da minoria, de um modo especial o direito de tornar-se maioria, em paridade de condições;

 

9. o órgão do Governo deve gozar de confiança do Parlamento ou do chefe do Poder Executivo, por sua vez, eleito pelo povo.

Como se vê, todas estas regras estabelecem como se deve chegar à decisão política e não o que decidir. Do ponto de vista de o que decidir, o conjunto de regras do jogo democrático não estabelece nada, salvo a exclusão das decisões que de qualquer modo contribuiriam para tornar vãs uma ou mais regras do jogo.

Este é o ponto-chave: a Presidenta da República, Dilma Rousseff, foi eleita, assim como todos os parlamentares, dentro das mesmas regras do jogo democrático em que concorreram também os não eleitos. Tanto os eleitos quanto os que perderam a eleição adotaram as mesmas fontes de financiamento de campanha, praticamente, das mesmas empresas. Sob o ponto de vista dessa alegação, a legitimidade política é a mesma. O que não seria legítimo é a troca da vencedora pelo derrotado.

Respeitar os resultados eleitorais, quer goste ou não, é um pressuposto básico da democracia. Pessoalmente, não gosto nada dos representantes de um sistema partidário fragmentado e fisiológico, que se agrupam em bancadas BBBB: Boi-Bíblia-Bala-Bola.

Não há o quinto “B” de Banco, porque os banqueiros têm linha direta com o Ministro da Fazenda, assim como os ruralistas com a Ministra da Agricultura, os industriais com o Ministro da Indústria e Comércio e os sábios-acadêmicos com o Ministro do Planejamento e da Casa Civil. Todas as castas, inclusive a dos trabalhadores, têm seus representantes.

Não é porque está sendo implementada uma política de ajuste fiscal-tarifário-monetário-cambial, que causa desajuste social temporário, que vou me manifestar a favor de um golpe parlamentar através do impeachment!

A política econômica de curto prazo é transitória; a democracia é um valor permanente a ser defendido. É reconhecido o erro político da Presidenta Dilma: elegeu-se com votos de uma maioria que não pretendia um ajuste na política econômica que representasse um ônus ameaçador das conquistas sociais ocorridas desde a Constituinte de 1988.

No entanto, ao ser convencida a governar com representantes de outras castas que não votaram nela, pois defendiam um programa oposto, acabou por perder o apoio de sua base eleitoral, obviamente, sem ganhar apoio de seus adversários.

Porém, ela garante o livre funcionamento das instituições que vigiam e protegem o patrimônio público, desde os demais Poderes (Legislativo e Judiciário), até os órgãos de vigilância (Ministério Público) e repressão (Polícia Federal).

Então, está sendo realizada uma inédita investigação sobre o relacionamento promíscuo dos políticos fisiológicos com cartéis formados por empreiteiras de obras públicas. Isso ameaça os políticos envolvidos, que jogam uma “cortina-de-fumaça”, golpeando-a, seguidamente, por exemplo, via “PEC 475 da Bengala”, e impondo-a vetos de oportunismos, para desmantelar as investigações sobre si.

Cuidado, pois a opinião pública é a pior entre todas as opiniões. Ela é manipulada pela parcialidade da mídia venal e, aparentemente, expressa por manifestações de rua. Porém, estes manifestantes compõem apenas uma minoria estridente, já que não representam a maioria silenciosa que, em uma democracia, só se expressa, serenamente, depois de um amplo debate nacional, através do voto. Respeitemos, quer gostemos ou não, os eleitos!

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7 comentários

  1. Como Reagir?

    Em alguns momentos na vida a gente deve parar, refletir, analisar acuradamente, observar atentamente o que ocorre à nossa volta e separar erros e acertos.

     

    Tudo isto dentro da nossa própria ótica de mundo, de desejos, de expectativas dos próprios resultados esperados ante as ações decididas para construir um objetivo esperado.

    Depois de feito isto, façamos tudo novamente, só que, agora, dentro da perspectiva daqueles que dominam a narrativa, que nos são OPOSIÇÃO.

    A sabedoria irá nos indicar a saída.

     

    Quando nos encontramos encurralados, ameaçados de aniquilação, os passos a serem tomados tem que ser muito cuidadosos.

    Saber nossas forças e fraquezas e entender o que faz nossos opositores fortes e quais as fraquezas deles. Este é o cerne de tudo. Aquilo que poderá nos fazer capaz de sair da armadilha em que nos metemos.

    Aquilo que vai nos permitir virar o jogo. A análise precisa do momento,, sabendo quando agir, quando dar o golpe certeiro, e, como no Judô, utilizar a força do oponente para desestabilizá-lo e levá-lo ao chão em definitivo.

     

    No entanto, é necessário saber se temos coragem para tanto, porque a covardia a que podemos nos entregar no momento decisivo pode nos levar a uma reconfortante, mesmo que paradoxal, aceitação da aniquilação total.

    Faço uma análise em meu blog sobre a situação política atual e sobre o GOLPE, iminente, agendado, deem uma olhada, deixem seu comentário, e se gostarem e puderem compartilhem. Obrigado.

     

    “Quando me desespero, e me angustio, eu me lembro que durante toda a história o caminho da verdade e do amor sempre ganharam. Tem existido tiranos e assassinos e por um tempo eles parecem invencíveis, mas no final, eles sempre caem – pense nisso, SEMPRE.”

    ―Mahatma Gandhi

     

    https://rebeldesilente.wordpress.com/2015/08/09/o-futuro-incerto-do-brasil-entre-o-golpe-juridico-midiatico-parlamentar-esperado-e-a-guerra-civil-possivel/

  2. Uma preocupação

    Mas cade o juiz? Aguardando acabar a onda do footing do homem branco no domingo nas Avs tipo Atlantica e Paulista para voltar a carga?

    Eles se articulam direitinho, sabem que precisam manter o calor alto portanto se revezam. Galera, preparem os extintores…

  3. O revolta dos Joaquins

    Olá debatedores,

    li, reli e treli o texto acima.

    Em suma, e com devido respetio ao autor,  não gostei deste texto. Está confuso e inconsistente.

    Quanto ao primeiro parágrafo, tudo bem. Não percebi ambiguidades ou pontos que possam gerar problemas hermenêuticos.

    A partir do segundo,no entanto, já nao digo o mesmo. A começar pela definição de DEMOCRACIA. 

    Democracia como método? Ou como conjunto de regras de procedimentos para se alcançar um fim? E ainda, fim este que abranja toda a comunidade,mais do que uma ideologia?

    Difícil concordar com tal definição. Melhor ainda, se esta for realmente a definição de democracia então, no Brasil, é muito provável que não haja democracia.

    Democracia é poder UNO, que emana do povo.É  Governo do povo.

    A direta, dizem é difícil  por questões meramente  “operacionais”. Todavia, no passadão, lá nos tempos do estagira,  quando os cidadãos, não escravos, e  censitariamente, levantavam o braço, aí sim, era possível. Mas agora, precisamos de “representantes”. E que representates não?zzzzzz Vamos combinar né…I .

    Por falar neles, nos abomináveis “representantes” ( do próprio umbigo, egoístas, aliados à mão boba e invisível,.. so que , no fundo, bem visível)   chegamos à democracia indireta  para angariar votos obrigatórios( nosso caso) a fim de  se eleger poucos. Poucos devidamente  financiados por poucos,  é claro. Vamos combinar…II

    Continuando…

    Em seguida, o autor até nos traz algumas reflexões rozoáveis sobre essas questões.  Mas, falar em em democracia-liberal  assim, tão facilmente, não me parece adequado. Com essa rapidez toda acaba provocando aquele sentimento de algo certo, porém, estranho, assim como o  silogismo que nos leva  a uma falácia.

    Notem que a expressão(democracia-liberal)  pode esconder o seu caráter contraditório, vez que é realmente difícil acreditar na existência de uma democracia -liberal. A não ser que essa “liberdade” aí seja aquela que não ADMITE mexer em certos “institutos”. Mas, se somos democráticos, governo do povo, poder uno que emana do povo,  então, nada poderia nos impedir mexer em qualquer instituto. Afinal, é poder que emana do povo. É ou não é? 

    E a soberania que eu passei para formar a “vontade soberana”?

    Noutra passagem do texto acima, vale notar que as bancadas  BBBB  o autor selecionou:

    Boi, bíblia, bala, bola, e ainda a bancos. Poderíamos incluir mais alguns “B´s”. Por exemplo,  a “big brother que representa a “mídia” ( ou “mírdia”) “B”rasileira, que , por sua vez, representa o Big brother SAM, entre outros.

    Há algo em comum nessas bancadas? Ora, sem dúvida. Todas poderosas ECONOMICAMENTE, naquele “modelo” econômico no qual o “homem é racional, atemporal, possue uma mão boba e invisível, egoísta e que quando acorda de manhã, olha para o próprio umbigo, enxerga $$$$$ e, a partir daí, gera “benefício” para os outros… Vamos combinar III

    Money! Get away!

    Pergunta-se: E o dinheiro dos “representantes do povo”, já que todos, segundo o autor, têm seus “representantes”?

    Bom, é certo que dentro do “povo” estão todas as “bancadas”, inclusive, as que acumulam dinheiro. Todavia, a maioria do povo, SOBRETUDO, no BRASIL, não possui dinheiro. 

    Estranho não? 

    Todos eleitores têm um voto igual? Hummm… sei não.

    Média aritmética? Já sabemos. Pé no gelo, cabeça no forno. Na média, tudo ótimo que nem  o “PIB per capta”…baboseira falaciosa de economistas…

    *****

    Por fim, mudando aparentemente de assunto, mas, nem tanto, acho que sua excelência a presidenta( na qual votei e votaria de novo) sofre com a revolta dos joaquins, a saber:

    Joaquim barbosa 

    Joaquim Silvério dos Reis

    Joaquim jose da silva xavier

    Joaquim Levy

    Ufa!

    Saudações 

    • Procede.
      Em última

      Procede.

      Em última instância.

      Que é onde se pretende chegar. 

      A História é a construção do caminho, ‘y se hace camino al andar’.

      Não jogue fora o bebê junto com a água do banho.

      Respeitosamente.

  4. Em relação aos protestos

    Em relação aos protestos de domingo, posso estar enganado, mas creio que não terão o impacto desejado àqueles que querem dar o golpe. Acho que os protestos serão grandes em SP, Rio, BH, Brasília. Mas não creio que se espalharão.

    Hoje aqui em Brasília vi uma imagem curiosa em um tunel. Alguém tatuou uma pixação. Mudaram o “Fora Dilma!” para “Bora Dilma!”. E encheram de corações.

    Tirei umas fotos. 

     

  5. Contra-golpe é povo na rua

    Não me importa o tamanho das manifestações golpistas se assegurarmos, nós, os democratas, que as manifestações do dia 20/08 serão maiores. Contra-golpe é isso. Todos pra rua na defesa da democracia!

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