4 de junho de 2026

Dilema: Moro não é Bebianno, por Gilberto Maringoni

Se Bolsonaro lançar seu ministro às feras, estará se livrando não apenas de seu principal cabo eleitoral, mas do produtor central do cenário político que viabilizou sua vitória eleitoral.
Foto Sapo

Dilema: Moro não é Bebianno

por Gilberto Maringoni

Bolsonaro está diante de um dilema que pode explicar sua conduta dúbia diante do caso Moro. Há dois dias, William Bonner leu seca declaração presidencial de “irrestrito apoio” oficial ao pato manco de Maringá. Ontem, o capitão fugiu de uma coletiva ao ser perguntado sobre o assunto. Seus auxiliares – Heleno, delegado Waldir e outros folclóricos – esfalfam-se em lorotas de baixa credibilidade.

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Se Bolsonaro apoiar decididamente o ex-juiz, corre o sério risco de se lambuzar diante das evidências que podem vir das próximas revelações do Intercept. Se já é difícil manter a cara de paisagem frente ao que veio a público, a vida pode ficar mais difícil nos próximos dias.

Se lançar seu ministro às feras, estará se livrando não apenas de seu principal cabo eleitoral, mas do produtor central do cenário político que viabilizou sua vitória eleitoral: a condenação e prisão de Lula, os vazamentos seletivos que derreteram a imagem do PT em parcelas da opinião pública e a criação de um clima punitivista para a eleição de um salvador da pátria. Em outras palavras, se demitir Moro, tacitamente admitirá que sua chegada ao Planalto está envolta nas brumas da fraude e da manipulação da opinião pública.

Moro não é Gustavo Bebianno, cuja queda preencheu uma lacuna, como diria Stanislaw Ponte Preta.

Com todo o muro de contenção erguido à sua volta – cujo chefe de obras é o Jornal Nacional – a blindagem até aqui construída parece ser de papelão. Papelão como substantivo e como adjetivo.

Gilberto Maringoni

Gilberto Maringoni de Oliveira é um jornalista, cartunista e professor universitário brasileiro. É professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC, tendo lecionado também na Faculdade Cásper Líbero e na Universidade Federal de São Paulo.

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5 Comentários
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  1. Rui Ribeiro

    12 de junho de 2019 12:19 pm

    Se o $érgio Moro não for exonerado, a reforma da previdência vai encalhar ainda mais. Tomara que ele continue no Ministério prá morrer abraçado junto com o Bolsonaro, o Flávio Bolsonaro, o Queiroz e o Chefe do Laranjal lá das Minas Gerais.

    Se o $érgio Moro não guarda mais os registros de suas conversas ao celular, conforme declaração a seguir transcrita, quando o possível hacker invadiu seu celular?

    “Não tem nenhuma orientação ali. Aquelas [mensagens], eu nem posso dizer que são autênticas, porque são coisas que aconteceram, se aconteceram, anos atrás. Não tenho mais essas mensagens, não guardo mais registro disso”. – $érgio Moro

  2. Rui Ribeiro

    12 de junho de 2019 12:21 pm

    Ótima análise, Maringoni

  3. Marcos Videira

    12 de junho de 2019 12:43 pm

    O general Villas Boas, que como um miliciano usa as armas para intimidação e extorsão do que lhe é conveniente, acaba de alterar o slogan fascista usado por Bolsonaro:
    “Bandido bom é bandido Moro”

  4. Dermeval Santos Lopes Junior

    12 de junho de 2019 12:58 pm

    Divirjo Mestre.Moro não é Bebianno.É léguas pior.Quero dizer,sempre foi só que se descobriu agora.Por ironia do destino,um conterrâneo de Trump foi o autor da façanha.

  5. Gonzalo Cáceres

    12 de junho de 2019 2:55 pm

    Quando o Moro cair o Queiroz aparece.

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