Então, em 2020 o Brasil vai crescer 2,68% e não 2,67%, por André Araujo

No Brasil, com a promiscuidade permitida do Banco Central com o mercado financeiro, passou a ser considerado normal dar ao mercado absoluta segurança

Então, em 2020 o Brasil vai crescer 2,68% e não 2,67%

por André Araujo

Serão idiotas, comediantes ou aloprados? A mídia econômica chapa branca divulga sem rir ou sem chorar essa notícia que veio de algum sinédrio de sábios. MAS onde está o comentarista de bom senso que desmistifique essa preciosidade?

Economia é um pouco arte, um pouco ciência, um pouco psicologia mas é, muito mais do que tudo, bom senso. Qual o sentido dessa notícia? Será o ridículo ou será uma demonstração de completa alienação da realidade? Fico imaginando um Celso Furtado, um Roberto Campos, um Delfim Neto proclamando essa idiotice. 

A ciência da Economia exige cultura geral e conhecimento da História econômica mais do que aplicação de fórmulas matemáticas. A partir da entrega de comando do Banco Central aos “economistas de mercado” perdeu-se a visão da política econômica como parte de uma visão geral de País, como parte do rumo geral da política de governo que pode inclinar a economia para situações imprevisíveis um ano antes.

Antes das eleições de 2018, a CBN, por sua comentarista Miriam Leitão, divulgou as projeções do Banco Central para a inflação e o crescimento para 2020 e 2021, sem saber qual seria o Presidente a ser eleito. Quer dizer que a economia de um País independe de que governo terá?

Política monetária é um INSTRUMENTO para governar e não deve ser completamente previsível porque os interesses de um Estado podem não coincidir com o interesse do mercado financeiro, então o Governo precisa guardar para si o comando da mesa de jogo da economia. Não se poder dar ao mercado o pleno conhecimento das intenções do governo em política monetária pois isso é como entregar o jogo ao adversário e facilitar a especulação contra a moeda.

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O FED americano e o Banco Central Europeu NÃO mostram todas as suas cartas ao mercado, não avisam qual vai ser a taxa de juros daqui a dois anos.

No Brasil, com a promiscuidade permitida do Banco Central com o mercado financeiro, passou a ser considerado normal dar ao mercado absoluta segurança para especular com a moeda, fazer operações seguras de carryover, praticamente dar seguro cambial gratuito dentro de faixas de oscilação, algo que vai contra os interesses de qualquer Estado. O mercado precisa correr riscos, não pode jogar com cartas absolutamente conhecidas e sem risco.

A economia passou a ser aplicada e entendida como simples montagem de fórmulas, planilhas e índices, uma redução da economia a uma experiência de laboratório. O Brasil está isolado nessa prática. Não se encontra nos EUA e na União Europeia esse tipo de bobagem de centésimos de percentuais como prognóstico sendo algo importante a ser divulgado, como se fosse possível prever com essa precisão e para o ano seguinte um crescimento que sequer se tem noção que ocorrerá, dadas as incertezas da política geral do País e da economia mundial.

Nenhuma dessas previsões do Boletim Focus, outra tolice nada inocente para prazos largos se materializa, então para que fazer essas construções matemáticas precisas e divulgá-las? Serve a que proposito?

Isso NÃO É CIÊNCIA ECONÔMICA, é então o que? Será marketing? Será demonstração de sapiência?  Está mais para comédia e os cabeças de planilha da mídia econômica com ar de inteligência divulgam SEM NENHUM COMENTÁRIO, batendo palmas para maluco dançar.

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AA

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7 comentários

  1. Obrigado AA só vejo vc em TODA MÍDIA TRADICIONAL E INDEPENDENTE fazer certos questionamentos muitos plausíveis na economia como este artigo e muitos outros,vaaaleu !!
    Obs: Não adianta vc fazer certos artigos muito direitistas aqui como um q lí sobre o Maduro q mesmo assim a GloboNews não irá lhe contratar !!
    Obs da Obs acima: Comentário com alto risco de julgamento errado da sua pessoa,se sim,perdoe-me !!

  2. …É uma varinha pra PAUTAR a politica do dia a dia. Ou seja, um INSTRUMENTO, sim, mas de propaganda, comercial, politica e ideologica, nesta ordem.

  3. O que disse esses dias atrás, em alto e bom som, uma certa “bicho grilo” de Berkeley, sobre a função do Banco Central estadunidense:

    https://www.marketwatch.com/story/yellen-delivers-harshest-criticism-yet-of-trump-who-declined-to-hire-her-for-second-term-2019-02-25

    “I doubt that he (presidente Donald Trump) would even be able to say that the Fed’s goals are maximum employment and price stability, which are the goals that Congress has assigned to the Fed.”

  4. Maluco dançando na Economia é uma tragédia maior. Mas se fosse apenas lá seria menor o total das tragédias. Esse governo montou um anti ministério, parece que em todos foram colocados ministros para destruir a finalidade precípua dos mesmos. Escancarado na Educação, Meio Ambiente, Direitos Humanos e Relações Exteriores.

  5. Eu cá pensando, onde é que eu vi mesmo, na física, discutir que há uma diferença de meio ponto percentual nos resultados.

  6. A utilização dos centavos é a linguagem do mercado financeiro, onde um centavo pode fazer fazer muita diferença.Como já disse um comentarista, indica uma tendência.
    Mas eu estou de acordo com o André. No caso citado, dá a impressão, para os mais desavisados, que as expectativas da economia estão melhorando.
    Acabo de ler que o desemprego está em 12,0%, comparado com 12,2% em 2018.
    Todas as promessas feitas desde o impedimento da Dilma não se realizaram: os cortes de gastos e o teto não estabilizaram a dívida pública, a reforma trabalhista não aumentou o emprego, tão esperado aumento da confiança com o novo presidente não resultou no aumento dos investimentos, a economia patina, com tendência a piorar, a reforma da previdência não vai impactar, no curto/médio prazo, na melhora da economia, já que não aumenta o consumo e não reduz a capacidade ociosa da economia real.
    A política econômica do governo tem uma prioridade: garantir a valorização dos ativos financeiros, nacionais e internacionais.
    A reforma previdenciária, estendendo os prazos, faz sentido, mas a finalidade principal é garantir a capacidade do governo de pagar a dívida pública e os juros extorsivos dos rentistas.

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