Forças Armadas devem servir ao País e não aos interesses de Bolsonaro, por Carlos Zarattini

Em artigo, deputado líder da minoria afirma que presidente ameaça a democracia ao levantar possibilidade de intervenção militar e reedição do AI-5

Foto: Reprodução

Forças Armadas devem servir ao País e não aos interesses de Bolsonaro

Por Carlos Zarattini*

 

Jair Bolsonaro ameaça a democracia e busca intimidar as instituições, Congresso e o Supremo Tribunal Federal, toda a vez que levanta a possibilidade de intervenção militar e de reedição do AI-5, trazendo a lembrança do período mais repressivo da ditadura militar.

Para alimentar a guerra ideológica e impedir qualquer questionamento ou investigação contra o seu governo e sua família, Bolsonaro usa as Forças Armadas como uma instituição a serviço dos seus desejos autoritários. Busca seduzir os militares com sua retórica armamentista e anti-comunista e com milhares de cargos na máquina de governo. Já são três mil contratados.

Bolsonaro e os generais que hoje estão na cúpula do governo deveriam começar a copiar a postura dos militares norte-americanos, que criticaram energicamente o uso político das Forças Armadas. O comandante das Forças Armadas dos EUA, general Mark Milley, o mais alto posto de comando, pediu desculpas por participar de um ato de propaganda política de Trump: “minha presença naquele momento criou a percepção de que os militares estão envolvidos na política doméstica.” Já o chefe do Pentágono, Mark Esper, teve que se retratar e dizer que não concordava com Trump, e que era contra o uso de tropas na repressão às manifestações. O ex-comandante da Defesa, almirante Mike Mullen declarou: “Nossos cidadãos não são nossos inimigos, e nunca serão.”

Aqui no Brasil a tradição intervencionista continua. Bolsonaro, o vice-presidente general Hamilton Mourão e o ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, assinaram nota em que deixaram claro que não aceitam julgamentos contra o governo no STF: “As FFAA do Brasil não aceitam tentativas de tomada de Poder por outro Poder da República, ao arrepio das Leis, ou por conta de julgamentos políticos”. Na mesma linha ao discutir a possibilidade de um golpe militar, o general Luiz Eduardo Ramos, ministro da Secretaria de Governo, fez ameaças explícitas ao alertar a oposição a “não esticar a corda”.

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A verdade é que Bolsonaro ameaça com o uso das Forças Armadas qualquer manifestação contrária ao seu governo ou divergente da sua política ideológica. E busca validar seus anseios antidemocráticos numa interpretação leviana do artigo 142 da Constituição Federal. Uma farsa interpretativa já que o texto da CF não autoriza de forma alguma uma intervenção militar a pretexto de “restaurar a ordem”.

Para combater esse delírio fascista e o oportunismo barato dos bolsonaristas, apresentei uma proposta de emenda à Constituição acabando com qualquer brecha interpretativa sobre o papel das Forças Armadas, que só pode ser o de assegurar a manutenção do nosso território, a independência e a soberania do País, os poderes constitucionais e a ordem constitucional. Ou seja, as Forças Armadas não são braço político de qualquer governo e muito menos um poder moderador.

O STF, numa decisão preliminar do ministro Luis Fux, já deu um passo nesse sentido ao limitar à atuação das Forças Armadas, mas é preciso solidificar a decisão com uma alteração na Constituição. Para além disso, as instituições precisam frear já os surtos antidemocráticos de Bolsonaro e colocar um fim as suas ameaças.

 

 

* Carlos Zarattini é Deputado federal (PT-SP) e líder da minoria no Congresso, é economista formado na USP

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6 comentários

  1. Urgente.
    Cabe aos militares, afastando-se da política que só desmoralização trás a eles, indicar seu afastamento do já morto bolsonaro. Rápido.
    Cabe a sociedade, ainda que pelo stf ou o ste, acelerar os processos que levam o bolsonaro ao afastamento (o impedimento pela congresso seria muito vagaroso e doloroso ao país) e estamos falando de salvar vidas do ataque do corona-vírus.
    A solução imediata é o afastamento do bolsonaro e a tentativa de retomada do país.
    As FFAA devem ao país este desfecho. Pelo menos isto.

  2. Nassif: respeito muito a opinião do Carlos Zarattini. Porém, acho que ele cria um equívoco ao fazer distinção entre as figuras do TenenteJair e dos VerdeSauvas. Obedecidas as devidas proporções (com as exceções que a regra comporta) apostaria dizer que são uma coisa só, farinha do mesmo saco. Cú e cueca, unha e carne. A fome com a vontade de comer, se combinando num festim macabro. Um ou outro general que tenha dado certo na administração democrática-republicana não autoriza a transferir méritos à Arma. Foi como fogo de artífício em festa de fim de ano. Passageiro e entusiástico, mas sem continuidade ou consequências benéficas de longa duração. Tipo FogoFátuo. Gosso modo, são 130 anos de ineficiência comprovada. Incapazes de elucubrar um sistema PolíticoSocial que comporte a índole e os anseios de Povo de Pindorama, vivem de “bater continência à bandeiras alheias”, como que na esperança de ganhar miçangas e espelhinhos, tipo os que PedroAlvaresCabral presentou os locais da época. E, sobretudo, entreguistas das riquezas naturais da Pátria. Isto que se vê pela Amazônia, a Base de Alcântara, o PreSal, mínerios e terras cultiváveis, aos poucos vão entregando a preço de banana, esperando sabe lá Deus o quê retribuição. Uma viagem à Disneylândia ou compras em New York? Talvez, um fim de semana em Miami? Deixam a imressão de sabujos guardando o Quintal onde moramos. Rosnam grosso com os da Senzala, às vezes até mordendo, mas parece cagarem-se de medo do dona da Gleba. Assim, os rompantes do (seu) “eleito” não são atos próprios, mas simples reflexos do que viu e aprendeu, antes de ser expulso do Paraiso. Por isso a distinção feita pelo nobre deputado me parece inapropriada, no artigo, mesmo dando-lhe razão na aplicação das figuras.

    • “Você pode ser macho na periferia, mas aqui você é um bosta. Aqui é Alphaville”.

      Empresário Ivan Satorel, dirigindo-se a um Policial Militar que estava na calçada da sua casa

  3. A ligação de Bolsonaro com a milicia e, por conseguinte, com o crime está comprovada antes e depois da posse. Quem vai sustentar a caneta Bic presidencial na mão de um criminoso? Vamos anotar no presente e registrar para a história estes atores.

  4. A Mulher do Queiroz Rachid foi vista ouvindo Lula Santos na sala de embarque, enquanto aguardava o vôo para a California

    De repente, California
    (Lulu Santos)

    Garoto, eu vou pra Califórnia
    Viver a vida sobre as ondas
    Vou ser artista de cinema
    O meu destino é ser star

    O vento beija meus cabelos
    As ondas lambem minhas pernas
    O sol abraça o meu corpo
    Meu coração canta feliz

    Eu dou a volta, PULO O MURO
    Mergulho no escuro
    Sarto de banda
    Na Califórnia é diferente, Irmão
    É muito mais do que um sonho
    A vida passa lentamente
    E a gente vai tão de repente
    Tão de repente que não sente
    Saudades do que já passou

    Eu dou a volta, PULO O MURO
    Mergulho no escuro
    Sarto de banda
    Na minha vida ninguém manda, não
    Eu vou além desse sonho

    Garoto, eu vou pra Califórnia
    Viver a vida sobre as ondas
    Vou ser artista de cinema
    O meu destino é ser star
    Eh, eh, eh, eh

    Wasseffuder, o Queiroz chegou no teu imóvel em Atibaia voando ou pulando o muro?

    O Bolsonaro não sabia que o Queiroz estava no teu imóvel mas sabia porque ele estava lá, né?

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