4 de junho de 2026

Mal-estar com a democracia se espalha pelo mundo; por Aldo Fornazieri

No trânsito do século XX para o século XXI, a democracia triunfou como forma universal de organização política dos governos. Havia uma expectativa, não só de sua expansão, mas também de que ela pudesse despertar o entusiasmo dos diversos povos.  Mas o que vem se observando é, senão uma desilusão, uma apatia. A democracia passa por dificuldades em quase todos os lugares. Na Europa, as últimas pesquisas disponíveis indicam um descontentamento e queda no apoio à democracia. A Primavera árabe não conseguiu viabilizar novas democracias, talvez com exceção da Tunísia onde o quadro político ainda é instável. Na Rússia, não desabrochou com vigor. Na China há dúvidas de que estejam ocorrendo avanços significativos. Nos Estados Unidos, a democracia também vive seus problemas, seja por conta da crise que gerou mais pobreza, seja pelo radicalismo dos republicanos e pelos impasses políticos no Congresso.
 
Na América Latina, a pesquisa do Instituto chileno Latinobarometro, divulgada em 2012 relativa a 2011, revela uma queda significativa do apoio à democracia. Na região a média do apoio à democracia caiu de 61% para 58% em relação à medição anterior. Guatemala e Honduras acusaram a maior queda, de 10 pontos; Brasil e México de 9 pontos; Nicarágua, 8 pontos e Costa Rica e Venezuela, 7 pontos. O apoio à democracia no Brasil ficou em 45%, acima apenas da Guatemala (36), México(40) e Honduras (43). Outro dado médio relevante da região mostra que 47% avaliam que a democracia tem permanecido invariável, 27% dizem que ela piorou e 21% dizem que ela melhorou.

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A pesquisa mostra que, em regra, a situação econômica – crescimento o decrescimento – produz impacto importante na avaliação da democracia, sendo o seu principal problema. O segundo maior problema é o da violência, que ganhou o status de maior preocupação dos latino-americanos. Em relação a 2010, a importância dos problemas econômicos diminuiu um ponto, passando para 37%, enquanto que e a da delinquência subiu um ponto, chegando a 28%. Os temas que aparecem com maior destaque como problemas que a democracia não resolve são, pela ordem, corrupção, falta de justiça social e distribuição de renda, falta de transparência ao Estado, ausência de participação cidadã e fraqueza dos partidos políticos. Estudos mais recentes mostram que, apesar de a América Latina ter reduzido a pobreza na última década, continua sendo a região mais desigual e mais violenta do mundo. Dos 10 países mais desiguais do mundo, 5 estão na região, e com 9% da população mundial, a América Latina concentra 27% dos homicídios anuais.
 
Na Europa, a crise em curso, reduziu os níveis de bem estar e de direitos dos cidadãos, aumentou a pobreza fragmentando a coesão social. Alguns analistas sugerem que a democracia europeia sofreu uma espécie de sequestro: nos momentos agudas da crise, mas também em outros momentos, os governos vêm adotando decisões segundo o que ditam os mercados e as agências de classificação de risco. Os cidadãos europeus têm visto seus governantes cada vem menos como seus representantes, e cada vez mais como representantes do FMI, do Banco Central Europeu e do sistema financeiro global. As eleições europeias têm varrido os governantes de plantão. Uma das poucas exceções é a Alemanha, que garantiu nova vitória a Angela Merkel. Os novos governantes, liberais ou de centro-esquerda, rezam pelas mesmas cartilhas de seus antecessores derrotados.
 
Além de parecer estar a serviço do poder econômico e financeiro dominante no mundo, outros fatores que provocam o mal-estar com a democracia podem ser sintetizados nos seguintes pontos: desprestígio dos políticos, dos partidos e dos parlamentos; protestos nas ruas contra os efeitos antidemocráticos e antissociais das crises, incapacidade dos governos em solucionar os problemas ou de preveni-los, declínio do valor da igualdade como identidade da democracia, exasperação do egoísmo e da ganância dos mercados e radicalização das tendências individualistas do capitalismo anárquico orientado para o consumo e para o hedonismo fugaz.
 
Alguns estudiosos afirmam, com razão, que outro fator que gera embaraços com a democracia é a hipocrisia dos políticos e do poder. A política internacional dos Estados Unidos (símbolo da democracia) é a expressão maior dessa hipocrisia. Mas os governantes e os partidos, de modo geral, mentem para os cidadãos e se especializaram em usar discursos manipulatórios e pouco transparentes. A hipocrisia e a mentira solapam a confiança nos políticos e nas instituições levando à descrença, ao abstencionismo, à indiferença e a valores antidemocráticos.
 
A falta de confiança e o déficit de legitimidade nas instituições e nas políticas democráticas fez surgir aquilo que alguns consideram uma nova qualidade da democracia: a democracia monitória. Os monitores da democracia são assimilados às instituições sociais e políticas que monitoram, fiscalizam, cobram e denunciam práticas ineficientes, corruptas e não transparentes do poder e dos políticos. Os monitores passaram a fiscalizar também e cada vez mais as instituições privadas. Para se ter uma ideia do que se está falando basta citar o Idec, a Rede Nossa São Paulo e a Transparência Brasil como exemplo de monitores.
 
O fato é que a democracia monitória quebrou o monopólio do discurso político, desmascarou a ambiguidade manipuladora dos políticos e exigiu-lhes um maior compromisso com a transparência, a eficiência e honestidade. Infelizmente, esta cobrança não vem tendo uma contrapartida positiva por parte dos políticos e dos partidos, que buscam expedientes pouco dignificantes para justificar suas atitudes. Isto faz crescer a desconfiança dos cidadãos. Se a desconfiança dos eleitores em relação aos eleitos e às instituições sempre existiu, em maior ou menor grau, o fato é que hoje ela se transformou em mal-estar.
 
Aldo Fornazieri é professor da Escola de Sociologia e Política
 

Aldo Fornazieri

Cientista político e professor da Fundação Escola de Sociologia e Política.

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13 Comentários
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  1. Assis Ribeiro

    16 de dezembro de 2013 6:05 pm

    Governos reféns ou em

    Governos reféns ou em dificuldades em promover mudanças que não sigam a cartilha.

    A grande imprensa é a maior defensora deste “capitalismo mundial” contra governos, daí ela ser macartista com a esquerda que são os que tentam se afastar desta dependência das grandes corporações,é o neoliberalismo e seus mantras de “estado leviatã”, “livre mercado”, “gestão”, “disciplina de mercado”,  e privatizações.

    Esta é a grande luta atual, os movimentos difusos pelo mundo, cada uma com a sua especividade e tendo como pano de fundo a insatisfação com a representatividade dos seus parlamentares que se omitem quanto às mudanças pretendidas.

    Para complementar a leitura deste post: “A guerra política entre capital e trabalho

  2. Joel Miranda

    16 de dezembro de 2013 6:17 pm

    Aldo, nada sobre a imprensa,

    Aldo, nada sobre a imprensa, o braço divulgador de mentiras, sabotadora de governos populares, hoje é a pior instituição da sociedade, tanto em ditaduras, o que é normal e aceitável, mas também em democracias, onde ela se vangloria de ser a fiscalizadora dos governos, confirmando que em todas as sociedades, está a serviço do poder, da concentração das riquezas, da manutenção da ordem vigente!

    Digo, que se fosse possível reformar a sociedade, a primeira seria a imprensa!

  3. Véio Zuza

    16 de dezembro de 2013 6:41 pm

    É, democracia é uma m.
    Bom

    É, democracia é uma m.

    Bom mesmo é ditadura!!! Aí não tem “mal-estar”… na dúvida, executa o tio! O prof. deve estar com saudade do Videla, do Pinochet; ou deve ser fã do “Chico Science” do Oriente!!!

  4. MarcosCN

    16 de dezembro de 2013 7:15 pm

    Meu DEUS!!! O texto parece

    Meu DEUS!!! O texto parece acreditar que temos democracia plena no mundo. Como se os poderosos e financistas não tivessem tomado de assalto as camada decisórias da maioria dos governos dos países. É um texto típico de leitor de veja, da profundidade de um pires. 

  5. Marcuses

    16 de dezembro de 2013 7:31 pm

    Democracia ou Aristocracia?

    Não vivemos uma democracia pura, cujo principal modelo seja a antiga “democracia” ateniense (entre aspas porque somente os homens livres podiam participar – sem escravos e mulheres).

    Talvez nos Cantões da Suíça se pratique a democracia.

    Mas o que temos no mundo da democracia representativa é, na verdade, uma “Aristocracia”, que seria o governo dos “melhores”.

    Na verdade, sempre foi assim.

    Antes, os “melhores” eram os nobres.

    Depois, os “melhores” eram os ricos.

    Agora, os “melhores” são eleitos pelo povo.

    Mas são eles que governam, e não o povo, como seria uma autêntica democracia.

    O problema principal é que os “melhores” são, muitas vezes, os piores em termos de ética e cidadania.

    Como resolver?

    Impedindo os piores de se candidatarem (a Lei da Ficha limpa seria uma das maneiras – poderia ser mais rigorosa).

    Construindo canais que aproximem o povo dos seus representantes (com a Internet isso está cada vez mais viável)

    Aumentando o número de consultas populares (também a Internet poderá, no futuro próximo, permitir maior agilidade).

    Entre outras.

    A solução seria, assim, caminharmos cada vez mais em direção à Democracia, e não o oposto.

    Pois, em um país, o que há de melhor e, portanto, de verdadeiramente Aristocrático, é o seu povo.

  6. Marco Antonio Bergamaschi

    16 de dezembro de 2013 7:34 pm

    Talvez o mais adequado seria

    Talvez o mais adequado seria argumentar que a democracia, na forma como ela é praticada no mundo capitalista, precisa ser aperfeiçoada, incluindo mecanismos de maior participação popular, formas de coibir o abuso do poder econômico e permitir uma distribuição mais justa da riqueza produzida pela humanidade.

    Não acho que a população esteja saturada de democracia, pelo contrário, acho que há um anseio pela ampliação da democracia, o que significa maior igualdade de oportunidade para todos.

     

  7. Ed Döer

    16 de dezembro de 2013 8:20 pm

    Como alguns já apontaram o

    Como alguns já apontaram o problema real é que essa democracia que temos está longe de ser suficiente e nem poderia ser chamada de democracia. Fora os vícios, do sistema como o financiamento de campanhas por pessoas jurídicas. 

    O caminho é mais participação, que é praticamente nula hoje em dia, aproximando a população das decisões políticas. E onde for realmente o caso de manter ou ter técnicos tomando decisões, garantir que os mesmos tenham conhecimento e capacidade para o exercício da posição, e não que estejam ali, apenas, por serem amigos do rei (ou da rainha).

  8. Marcos Chiapas

    16 de dezembro de 2013 9:21 pm

    Democracia no capitalismo é utopia

    O sistema consegue colocar preço em tudo, inclusive nos mandatos e nos votos. No fim, irão governar sempre em favor de quem detém o capital para comprá-los.

     

  9. crisbr

    16 de dezembro de 2013 9:34 pm

    Acho que o que está em crise

    Acho que o que está em crise é a democracia representativa e não a democracia em si.  Essa democracia do século XX esta em crise e não esta conseguindo fazer frente aos desafios desse novo século. Só  um caminho: mais representação popular, mais mecanismos de participação popular devem ser criados se isso não acontecer  a tentação autoritária  das populações sempre aparecerá e então será caminho livre  para as ditaduras. 

  10. Milton43

    17 de dezembro de 2013 12:44 am

    Democracia em crise ?

    Aldo,

    de forma geral, concordo com o teu texto.

    Mas me parece que a história da humanidade não é uma linha reta.

    Temos avanços e recuos naturais dos embates entre as posições assumidas pelos diversos grupos.

    Mas estamos avançando.  Os grandes movimentos populares no mundo árabe, na Europa, nos Estados Unidos e aqui na América Latina são testemunhas da insatisfação com que são conduzidas as políticas públicas.  Já fazia tempo que não víamos tais manifestações.  Isso é participação democrática. Isso é democracia.

    Exageros, descaminhos, enfrentamentos fazem parte do jogo democrático. A origem diversa dos protagonistas e suas participações levam a movimentos desconexos até o aparecimento de líderes que empolgam as massas e dão unidade às idéias apresentadas anarquicamente.

    Vamos torcer e trabalhar para que o processo continue com a necessária depuração e avanço para a continuidade do caminho democrático.

  11. Athos

    17 de dezembro de 2013 3:44 pm

    A democracia está em risco e

    A democracia está em risco e pode vir a ser questionada em sociedades que são ou foram dominadas por interesses estrangeiros no seu passado recente.

     

    Sociedades onde interreses “alienígenas” não florecem, vão muito bem politicamente falando. Não há este FlaxFlu todo que paraliza estes países “novos”.

     

    Sem cortar a carne demora muito mais pra comer…

  12. democracia direta

    17 de dezembro de 2013 5:26 pm

    SEM DEMOCRACIA POLÍTICA NÃO EXISTE CAPITALISMO

    O sistema capitalista exige a livre concorrência, algo extremamente difícil de se chegar; já que requer acima de tudo austeridade. É claro que ninguém é santo, mas um sistema equilibrado pode ser construído, como foi no início dos EUA, após sua independência, impedindo abusos de um setor ou outro da economia. Os americanos ultrapassaram os europeus economicamente em poucos anos depois disso, porque não havia a especulação imobiliária, qualquer um podia pegar o quanto quisesse de terra, indo para o oeste. O dinheiro que não precisava ser entregue ao especulador imobiliário, que não produz absolutamente nada, era entregue para a indústria e o comércio, transformando o país numa locomotiva econômica. A livre concorrência era levada tão a sério, que havia centenas de pequenos bancos em todo o país. Podemos dizer que esse foi o melhor sistema econômico político econômico já visto. E pateticamente é criticado pela extrema esquerda, que confunde o nosso sistema com o americano, dizendo que somos capitalistas. O que tivemos aqui, salvo raras exceções, é um sistema colonial, que ensaiou um pouco de independência no governo do PT, mas agora está novamente se submetendo aos interesses estrangeiros.

    Como política e economia estão intimamente relacionadas, não é difícil verificar as razões do sucesso econômico americano; porque na política, o povo americano conquistou não apenas o direito de reclamar (manifestar-se pacificamente em locais públicos), mas também de peticionar (propor e votar diretamente novas leis, a derrubada das leis existentes, e a cassação de políticos), através de plebiscitos, referendos, e recalls. Com isso, se qualquer grupo de interesse se sentisse prejudicado, poderia dar uma resposta muito rápida politicamente, propondo e aprovando as mudanças necessárias. Se um político desrespeitasse suas funções, poderia ser demitido prontamente. A DEMOCRACIA DIRETA impunha à economia esse dinamismo e austeridade.

    Entretanto, a DEMOCRACIA DIRETA americana ocorre apenas em nível estadual, e a economia do país que era pulverizada, mantendo mais importância nos estados; passou a ganhar extrema relevância a nível nacional, onde não há DEMOCRACIA DIRETA. Poderosos grupos econômicos surgiram nessa economia, associando-se e criando empresas gigantescas; que ganharam dimensões nacionais, e posteriormente multinacionais. Como não há o sistema de DEMOCRACIA DIRETA a nível federal, esses grupos puderam facilmente despejar dinheiro nas campanhas de políticos, que passaram a representar os seus interesses, e não os do povo. Por isso, os EUA se envolveu em tantos escândalos e falcatruas, derrubando governos, instalando ditaduras, e promovendo guerras no mundo inteiro. Porque seu povo não pode influir diretamente no governo federal. Se pudesse, não teria permitido todas essas guerras, e opressões pelo mundo; avalizadas por quem diz representar o povo, mas que no fundo defende os interesses dessas empresas. O povo americano foi enganado nesse processo todo, porque esse sistema representativo federal conseguiu agradar sua população, explorando os países mais pobres; o que permitiu um elevado padrão de vida aos americanos.

    As associações de empresas e grandes conglomerados são interessantes ao povo, porque podem racionalizar sua produção, investir mais em pesquisas, reduzir os preços, e dinamizar a economia; mas isso não quer dizer que devam tomar conta do Estado, sem que ninguém possa lhes colocar freio, como tem ocorrido até hoje. Essas distorções no processo democrático geraram dois problemas imensos, a especulação financeira, e a dilapidação dos recursos naturais com suas consequências climáticas.

    A especulação financeira surgiu naturalmente, na medida em que os grandes conglomerados econômicos perceberam, que as jogadas no mercado podem render muito mais do que a produção. E como a atividade é regulamentada por leis federais, sem a interferência direta do povo, os políticos, os “representantes” da nação, passaram a legislar em benefício desse tipo de trambique, chegando ao absurdo de permitir a criação dos tais derivativos. A ESPECULAÇÃO FINANCEIRA não interessa ao povo, que tem sua força valorizada no trabalho, na produção. Quando se associa a uma empresa, é essa força que contribui para a geração de riquezas, e é ela que deve ser valorizada. A especulação seduz as pessoas, principalmente quem tem economias guardadas, que imagina poder ganhar muito com isso, seja investindo a juros, ou ações. Cria-se algo parecido com uma imensa pirâmide, onde quem vai investindo tem um excelente retorno; mas quem está por trás da especulação, sabe que é uma bolha, quando, como, e onde vai estourar; protege seus investimentos, e sai com o bolso cheio, quando tudo desaba.

    Esse é o preço das pessoas permitirem que a classe especuladora, através da falta de DEMOCRACIA DIRETA, se apodere do controle do país, impondo leis que tornem a especulação mais vantajosa e importante que a força de trabalho e a produção. A partir do momento em que a especulação é privilegiada frente à produção, não existe mais capitalismo. Porque a especulação não produz nem distribui bem algum na sociedade, e não pode ser considerada capital. A classe especuladora não contribui em absolutamente nada para o progresso social, e age como um imenso verme, escoando para si as riquezas que são dos outros. Esse é um processo que pode ser visto, como a retomada de poder pela velha aristocracia da idade média, que de fato nunca deixou de existir, mantendo-se apenas na sombra; e agora tende a retomar o poder, através do neoliberalismo e a especulação financeira.

    Não existe uma divisão muito bem definida entre o que é uma empresa especuladora e uma produtiva. Embora haja empresas puramente especuladoras, e outras puramente produtivas, também existem as que adotam ambas estratégias, já que a atual legislação favorece essa prática. E como os especuladores não dormem em serviço, quando atuam na área produtiva, que passa a ser de segundo plano, são eles que promovem os trusts, dumpings, e carteis, criando verdadeiros monopólios, onde ninguém consegue entrar; quebrando um dos principais pilares do sistema capitalista, a livre concorrência.

    É complicado, porque além dos políticos, eles também compram os meios de comunicação. Ou seja, os nefastos efeitos da especulação, nunca são seriamente debatidos e denunciados nas TVs e jornais. Chegando ao ponto do povo não perceber, que sua força de trabalho foi desvalorizada, em favor da prática especulativa. Acabar com a especulação é algo extremamente simples, que pode ser feito com um imposto progressivo sobre os ganhos no mercado. É preciso estipular o que um grande investimento produtivo pode dar razoavelmente de retorno, e taxar a especulação progressivamente, para que jamais chegue perto disso. O desafio é imenso, e a DEMOCRACIA DIRETA a única ferramenta que existe. Porque num processo de plebiscito, onde podemos propor algo assim, ou ainda numa CONFERÊNCIA PARTICIPATÓRIA DE CONSENSO, como se faz na parte mais rica da Europa, o debate vem a público obrigatoriamente, por iniciativa popular, ganhando espaço nas TVs e jornais, coisa que não seria possível pelos meios tradicionais do sistema representativo.

    Outro efeito trágico da falta de DEMOCRACIA DIRETA a nível federal nos EUA é a dilapidação dos recursos naturais. Quando as multinacionais exploram os países mais pobres, comprando seus políticos, e fazendo o que bem entendem em suas economias; acontece o que se chama de aviltamento dos preços. Matérias primas nobres são extraídas através de trabalho escravo, e enviadas a preço de banana para os países desenvolvidos. O que vem a ser uma fraude à livre concorrência, já que uma empresa honesta, que não pratique o mesmo trambique, jamais conseguirá competir com as que o fazem; perpetuando os trambiqueiros na economia. Não parece tão ruim assim para eles, levando em conta, que os povos americanos e europeus acabam se beneficiando da exploração de suas multinacionais. O problema é que se criou uma sociedade do desperdício nesses países, frente ao consumo irresponsável e o aviltamento dos preços. Agora, que outros países estão se desenvolvendo, como Rússia, China, e Índia (o Brasil ainda se mantém como uma colônia, com seu governo lamentavelmente recebendo dinheiro de uma multinacional especuladora, a VISA NET); seus povos sofrerão muito até atingirem um nível apropriado de consumo. Embora o Brasil dê uma grande força a esses países, submetendo-se aos interesses de suas empresas, que dão “empréstimos” aos nossos políticos, a fim de que reduzam o poder aquisitivo do povo. E uma vez que o povo não tem como consumir o que produz, nossas riquezas podem ser desviadas para o exterior, rendendo gordas propinas aos políticos. Mas esse problema não chega a ser tão grave, se eles conseguirem acabar com o desperdício, superarão sem maiores dramas essa situação; que, como já mencionamos, o Brasil dá uma generosa força.

    O grande desafio é o que fazer com a questão ambiental, pois os povos mais atrasados começam a se desenvolver, e não tem recursos naturais suficientes, para que todos tenham um padrão de vida semelhante nem aos países europeus mais pobres. Não se pode comprar governos facilmente em todo o mundo, como se faz aqui no Brasil. O que foi desperdiçado irracionalmente, fará muita falta no futuro; e poderá provocar sérios conflitos. O problema do aquecimento global, por exemplo, é simplesmente descartado pelos especuladores do mercado, que só conseguem raciocinar no que vão lucrar amanhã. E como são eles que dão as cartas hoje no mundo inteiro, a humanidade pode estar entrando numa era desastrosa, frente ao que nossos cientistas têm alertado. Eu, particularmente, confio muito em quem dedica a vida inteira aos estudos e à humanidade, abrindo mão, inclusive, de uma vida muito mais requintada, repleta de riquezas, frente ao extremo brilhantismo que possuem, dedicado à ciência, em vez do enriquecimento; mas não confio nos políticos, que não têm o menor escrúpulo, já lançaram duas bombas atômicas sobre seres humanos, mataram milhões e milhões de pessoas no holocausto judeu, no comunismo da Ucrânia, e da China. Afinal, devemos esperar sentados, torcendo para que os políticos estejam certos e os cientistas errados? Fora a DEMOCRACIA DIRETA, existe alguma chance de criarmos uma lei para aumentar os impostos sobre os poluentes e subsidiar as tecnologias limpas? Fariam isso, os políticos comprados pelos especuladores do mercado, sabendo que seus lucros serão reduzidos? E os países mais pobres, que começam a se desenvolver, e não têm tecnologia para produzir sem poluir, como resolver essa questão? Pois se eles desenvolverem todo o seu potencial, o problema climático se agravará ainda mais.

    Se o mundo desenvolvido não abrir as portas aos mais pobres, ou pelo menos o bolso e seus laboratórios de pesquisa, poderá estar condenando a sobrevivência das futuras gerações. Mas como mudar essa realidade, enquanto o poder é exercido no mundo por pessoas muito idosas, já esclerosadas, gente amargurada, que odeia a todos, inclusive a própria família; e luta apenas para morrer mais rico um que o outro? Precisamos decidir se queremos continuar nas mãos dos especuladores do mercado, jogando toda a responsabilidade em suas costas, ou se vamos tomar as rédeas do mundo, através da DEMOCRACIA DIRETA.  

  13. Novaes

    17 de dezembro de 2013 10:17 pm

    Sugestão

    Sobre esse assunto ver uma entrevista interessante do filósofo Giorgio Agamben: http://blogdaboitempo.com.br/2012/08/31/deus-nao-morreu-ele-tornou-se-dinheiro-entrevista-com-giorgio-agamben/

     

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