Máquina de fazer dinheiro em favor de especuladores, por J. Carlos de Assis

Aliança pelo Brasil

Máquina de fazer dinheiro em favor de especuladores

por J. Carlos de Assis

Não há nenhuma máfia no mundo, nenhuma quadrilha que opera no lucrativo mercado de drogas que gera mais dinheiro do que o transferido diariamente pelo Banco Central a seus capi do mercado financeiro especulativo. Isso acontece por uma razão muito simples. O BC conta com a ignorância geral a propósito de política monetária para mascarar suas operações secretas, protegidas por sigilo bancário e por uma norma aprovada no governo FHC que os torna virtualmente imunes à fiscalização pelo Congresso.

Uma fórmula matemática hermética para o comum dos mortais, denominada modelo de metas de inflação, se presta à manipulação destinada a justificar aumentos sucessivos e indecentes da taxa básica de juros, ou sua manutenção em patamares extremamente elevados. Todos razoavelmente informados talvez se lembrem de quando, em seu primeiro mandato, Dilma forçou a baixa da taxa de juros. Um rebelião secreta no BC fez com que a Presidenta desistisse e aceitasse novos aumentos a pretexto de combater a inflação.

Trata-se de uma política infame. Em vários momentos escrevi que são uma farsa essas justificativas do BC para aumentar e manter elevados a taxa de juros básicos. Isso porque não há inflação de demanda na economia, ou pressão de consumidores sobre os preços. Em consequência, é inútil aumentar a taxa de juros para reduzir a inflação. Se a despeito disso o BC eleva a taxa de juros devemos buscar outras explicações: os diretores do BC estão trocando favoreces atuais por futuras vantagens junto aos especuladores, quando se aposentarem.

Uma comprovação disso pode ser deduzida dos currículos. A esmagadora maioria dos ex-diretores do BC, quando se aposenta, salta diretamente de suas posições públicas para os gabinetes de bancos e financeiras privados. Levam consigo não apenas uma folha corrida de serviços prestados mas um conjunto de relações especiais e de informações privilegiadas. É difícil enxergar isso como normal mesmo quando alegam que há um período curto de quarentena. Quem paga a conta, em última instância, é o interesse público.

É facílimo explicar por que não há pressão de consumo que justifique uma taxa de juros tão alta: 14,25% no Brasil contra 0,25% nos Estados Unidos e 0% na Europa. Isso porque não há melhor indicador da situação de demanda do que o desempenho do PIB, e tivemos  uma contração do PIB de quase 5% no ano passado. Os pretextos do BC para justificar os altos juros são, pois, simplesmente cínicos. Entretanto, pode-se repetir isso mil vezes sem qualquer efeito. O BC ganhou carta de alforria para não dar qualquer satisfação ao público.

Isso só se resolverá no terreno político. Estamos organizando o eixo de uma ação política vigorosa, com o objetivo de mudar a política econômica e principalmente a política monetária, através da Aliança pelo Brasil, a ser nacionalmente difundida depois do recesso parlamentar. Esclareça-se que não temos apenas esse objetivo econômico. Temos também um objetivo político decisivo: impedir o golpe do impeachment, cuja execução tornaria ainda mais caótico o processo econômico e político brasileiro. Vamos precisar de adesões.

J. Carlos de Assis – Economista, doutor pela Coppe/UFRJ, autor de “Os sete mandamentos do jornalismo investigativo”, Ed. Textonovo, SP, 2015.

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13 comentários

  1. Muito sério

    Essa informação além de muitíssima séria é realmente um caso de polícia, ou melhor, CPI. Com certeza se fosse amplamente divulgada pela mídia séria e comprometida com o Brasil, haveria uma manifestação amplageral e irrestrita pelo população, pois é a que sofre e paga esse patão..

  2. Esse tal do rentismo

    parece ser o que os médicos chamam de “tumor benigno”: um tecido formado por células no corpo que suga as energias para se alimentar, nada dando em troca.

    Aqui: https://en.wikipedia.org/wiki/Benign_tumor (em inglês, que os monetaristas acham que entendem).

    Há tempos apareciam nos jornais algumas pessoas com tumores no corpo pesando vários quilos. Depois de estes tumores serem extirpados por cirurgia, estas pessoas conseguiam tornar suas vidas mais normais. 

    Ora: há tempos o Banco Central lançou títulos da dívida pública na praça para pagar algumas contas para as quais não havia recursos e remunerava estes títulos por meio de uma lógica esquisita, isto é, o rentista só saberia depois de algum tempo os seus ganhos, incluindo-se aí uma certa jaboticaba, chamada “correção monetária”. 

    Na hora do vencimento, em vez de pagar o devido, o governo “rolava” o tal título; para isto necessitava tornar o título mais atrativo, isto é, melhorando a remuneração. 

    Depois de muito tempo, aquela dividazinha pequena originadora do título, com as rolagens se tornava cada vez maior. Tal e qual o tumor – começa pequeno e vai crescendo. 

    Na mesma linha de analogia, que tal o governo “extirpar” esta dívida, simplesmente depositando o valor do título numa conta bancária, para o o portador da mesma (o rentista) tomar o seu de volta ? 

    Claro, aqui os monetaristas berrarão que dinheiro assim emitido “sem lastro” gera hiper-inflação (Segundo suas teorias). 

    Opa, teorias ? Teorias ? Obviamente os rentistas, donos destes títulos, vão tratar de procurar outras aplicações o mais rápido possível. E aqui poderia entrar uma lista de concessões públicas, tipo rodovias, aeroportos, barragens, portos, ferrovias, telecomunicações, etc. etc.  

    Aliás, podia-se lançar concessões novas inclusive para concorrer com concessões antigas, ineficientes, como telecomunicações, energia velha, rodovias paralelas às antigas, etc.

    Daí, esse tumor economico acaba se transformando em um brutal investimento no país e que certamente não gera inflação. 

    Sei, vai ter muito monetarista querendo jogar pedras nisso aí, mas deles não espero solução alguma prar o problema.

    Lembro ainda que uma das heranças do presidente do Banco Central da fase lulística, o Henrique Meirelles, foi a conversão de parte da dívida em dólares para reais.

  3. foco

    Tudo certo quanto ao dito em relação ao BACEN.

    O único problema é associar essa “briga” contra esse pessoal do BC com a questão política do impeachment.

    Sou neutro na questão do impeachment e julgo que o combate à essa bandalheira no BACEN devia ser algo apartidário. Até porque a “presidenta” Dilma vem endossando essa política. Mesmo no contexto da redução de juros em 2012,  2013, ela jogou a responsabilidade nas costas do BC e se “esqueceu” de que ela, Dilma, tem o CMN nas mãos (o CMN é quem define as metas e como e se elas serão perseguidas). Ela não quis assumir o ônus político do ajuste inflacionário que teria de se seguir com a (correta) redução dos juros.

    Como eu já disse várias vezes, cabe a Dilma “amarrar” o Banco Central via CMN. Então ela não é inocente nessa história, e associar a questão do impeachment com a luta contra essa (suposta) política monetária insana (roubalheira mesmo) é um erro.

     

  4. Os desenvolvimentistas optam por inflação e endividamento

    Depois, quando o país está com inflação e endividado, não querem juros para controlar a inflação e não querem pagar os juros da dívida. Vai entender!!!!!! A política de descontrole inflacionário e descontrole fiscal é dos desenvolvimentistas. Se querem gastar sem controle e não querem ter juros, a única opção é a hiperinflação. O ideal desenvolvimentista é a inflação da década de 80 portanto!!! Os desenvolvimentistas foram avisados anos atrás que o resultado seria esse. Se não gostam dos resultados mais que previsíveis das suas políticas, que revejam seu pensamento torto antes de sair reclamando como uma criança que, depois de descer correndo uma escada correndo e ralar o joelho, reclama da lei da gravidade.

  5. até o mundo mineral sabe
    Tomando emprestada a expressão de Mino Carta, obviamente que não há pressões de demanda.
    Está todo mundo com o freio puxado.
    Porque eles insistem nisso?
    O entendimento está mais no campo da psiquiatria.
    Ou não!

  6. A demanda está simplesmente

    A demanda está simplesmente despencando, todos os indicadores mostram isso. Diante desse cenário, aumentar uma despesa que já é de 50% do orçamento com juros da dívida só se explica pelo mais alto grau de estupidez e mau caratismo de quem tomar essa decisão insana. 

  7. José Carlos,
    Aqui você matou

    José Carlos,

    Aqui você matou a charada:

    “Se a despeito disso o BC eleva a taxa de juros devemos buscar outras explicações: os diretores do BC estão trocando favoreces atuais por futuras vantagens junto aos especuladores, quando se aposentarem.”

    Não há outra explicação. Só burrice não dá.

  8. a questão é mesmo

    a questão é mesmo política.

    mas há um paradoxo.

    neste caso, destte comentário, fica mais claro ainda este paradoxo.

    a pressão política dos rentistas é óbvia…

    se não aumentar a taxa de juros, cai o governo….

    se o governo aumentar pouco essa taxa, o  tal mercado

    quer que saia para que os juros subam mais ainda..

    como sair desaa?

    sou contra o impeachment tb…

    é claro que a saída mais viável seria a unificaqção

    dos movimenos sindical e popular.

    todos na rua para solidariar-se com o governo e pedir que baizxe os juros….

     

     

     

  9. O PT perdeu para os rentistas…

    Na tormenta da crise em 2011 a taxa de juros selic que estava proximo de 8% aa e com viés de baixa, foi se recuperando com o factóide criado pelo Meirelles que estava impactando negativamente a poupança e os rendimentos pré fixados e alavancado pela marolinha do LULA que mudaram o viés de baixa para alta e hoje chegando a 15% aa está relacionado a todos or projetos de grande e médio porte onde a TIR (taxa interna de retorno) é avaliada em cima da SELIC. Deste modo tudo que é empreendido no país começa com juros mínimos de 15% aa.

    Como ter juros baixos e inflação baixa se o governo já impõe tarifa mínima de 15% aa???

    O PSDB perdeu e o PT também, o jeito será esperar outro partido para ver se chuta pra fora do país os maus rentistas…

  10. Não era mais fácil evitar a

    Não era mais fácil evitar a necessidade de se financiar pelos agiotas do que culpa los.

    Mais é mais fácil culpar terceiros do que fazer o tema de casa.

     

     

  11. Quanto…………………..

    Quanto amadorismo !!!!!!!!!!!!!

    Acaso não sabem os que propõem abaixarem os juros (o que seria correto, pois a inflação não é de demanda), se a Banca não deixa. Se os governos atrelados aos interesses destes sanguessugas, e talvez até “eleitos” por eles fizerem tais movimentos, não resta a menor dúvida de quem serão defenestrados !!!

    Há vários exemplos na historia sobre o que acontece aos rebelados. O mais recente caso foi o da Grécia.

    Assim meus caros, todos os presidentes (gerentes) que se rebelam, vão para a vala rasa.

    A plebe que paga o pato, quando se rebela, soltam algumas migalhas e fica tudo bem, e quando não, baixam o cacete !!!!

     

  12. Não quer se endividar? Não gaste mais do que arrecada!

    Como os desenvolvimentistas adoram fazer com que o estado gaste mais do que arrecada, eles acabam fazendo a alegria dos especuladores. Devem ser masoquistas…

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