O Brasil está moralmente morto, por Aldo Fornazieri

O Brasil está moralmente morto

por Aldo Fornazieri

Uma das frases mais ouvidas no contexto da tragédia criminosa de Brumadinho é a de que “não se aprendeu nada com a tragédia de Mariana”. Isto não se deve a um mero ato de negligência, o que já seria grave. Mas se deve a um ato deliberado de não querer aprender com os erros do passado, o que é gravíssimo. Não aprender com os erros do passado é o modo de ser e de proceder das elites econômicas e políticas do país. É por isso que naturalizamos as várias tragédias em que estamos afundados e nos mostramos um país incapaz de sair do destino desafortunado e desgraçado em que parecemos estar prisioneiros. Mas essa incapacidade é uma escolha e sempre que acontecem desastres e tragédias os atribuímos ao acaso, ao imprevisto, ao fatal. Esta é uma forma criminosa de proceder, por trás da qual estão emboscadas as elites em sua astúcia predadora, assassina, sanguinária. Esta é também a fórmula secreta da impunidade comprada a peso de ouro junto a escritórios de advocacia e postergada indefinidamente por juízes impiedosos, que não se sensibilizam com as vidas ceifadas, com a dor e com os prejuízos dos que ficam, com a devastação ambiental e com o sacrifício do futuro.

O Brasil está moralmente morto. A vasta corrupção que destruiu as instituições, a impunidade dos corruptores e de muitos corruptos notórios, os privilégios dos políticos e do alto funcionalismo, a incapacidade do Estado e dos políticos em resolver os problemas fundamentais do país e do povo, a vandalização da Constituição pelo Judiciário,  a devastadora destruição de Mariana, as chamas que queimaram a nossa história no Museu Nacional, a vitória de Bolsonaro e a tragédia de Brumadinho são eventos de um único ambiente que provocou a morte moral do Brasil.

Não há limites para os nossos retrocessos. O Brasil está entregue ao grotesco, ao tenebroso, ao assombroso. Os maiores invocadores da pátria não são patriotas. Os maiores invocadores de Deus são sócios do demônio. Em nome do moralismo tosco, criminoso, anti-humano, contrário aos direitos civis, apunhala-se a própria moral, busca-se legitimar a violência como método de solução de conflitos, deixa-se de querer e de fazer o bem comum. Em nome desse moralismo muitas igrejas transformaram-se em templos do cinismo, onde os falsos profetas pregam o retrocesso civilizacional, o conservadorismo enlouquecido, sedento de dinheiro, de poder e de sacrifícios humanos.

O Brasil está moralmente morto porque somos um povo incapaz de acreditar no Brasil e em nós mesmos. Temos o pior índice de confiabilidade interpessoal. Por isso somos dominados pela ausência de um sentido comum e não somos capazes de construir uma comunidade de destino. No Brasil, o senso ético do bem comum foi assassinado, seu corpo foi arrastado pelas ruas das nossas cidades e crucificado nas praças públicas para advertir e impor o medo àqueles que lutam por direitos, justiça e igualdade. Querem que nos curvemos à descrença e que só acreditemos em que nada vale a pena, visando gerar o imobilismo social e político, a impotência para a luta, a incapacidade para a virtude e a descrença do futuro. A morte das vontades e dos desejos de mudança é a morte moral do Brasil e de seu povo.

Um país que tem 106 milhões de pessoas que ganham até um salário mínimo, que tem 54 milhões de pessoas pobres, mais de 15 milhões que vivem abaixo da linha da pobreza e que ocupa a nona posição entre os mais desiguais do mundo não pode ser um país moralmente vivo. Um país que mata 64 mil pessoas por ano pela violência, que destroça milhares de pessoas no trânsito, que ocupa o sétimo lugar entre aqueles países que mais matam jovens e o quinto lugar entre aqueles que mais matam mulheres é um país moralmente morto.

O Brasil terminou de eleger um governo que rompeu com o consenso que havia se construído após a sua redemocratização: o de que o principal problema do país é a desigualdade social e de que só haverá progresso e desenvolvimento se este problema for resolvido. O Brasil não terá futuro e nem dignidade se este consenso não for restabelecido e se os governantes não tiverem mais capacidade e eficiência para resolver este problema. O Brasil também não terá paz social se não houver uma união de uma grande maioria consciente e empenhada em resolver este problema. Sem enfrentar este problema, a decadência do Brasil continuará de forma inapelável e a riqueza que for aqui construída com o sacrifício de muitos será um benefício de poucos, pois será uma riqueza assaltada pelos mecanismos legais e extralegais da exploração despudorada.

Hoje somos 212 milhões de brasileiros, todos estranhos entre si, desconfiados uns com os outros, quase hostis. Vivemos mergulhados na solidão das nossas angústias e dos nossos temores, sem capacidade de transformá-los em ação e furor. Quase não temos vida associativa, os partidos são entes ocos, os sindicatos são comitês de burocratas, a sociedade civil não tem capacidade de reação e de mobilização.

O líder maior do povo está cada vez mais esquecido no cárcere e os líderes que estão por aí pontificam na fraqueza, na debilidade, na vaidade e na arrogância. Somos um povo sem um Moisés, sem uma coluna de fogo a nos guiar, e vagamos perdidos no deserto. Sem líderes ou movimentos que nos unam, muitos de nós fogem para saídas individuais, outros se evadem no amargor por perceberem o absurdo da existência.

Precisamos de líderes e de movimentos que sejam capazes de fazer convergir as múltiplas lutas, as dispersas iniciativas, as fracas vontades. Se o momento é de debilidade, de fraqueza e de desorientação, precisamos pressionar pela unidade, pois é dela que podem ser forjadas novas lutas e novos líderes. Os males provenientes das atuais condições sociais e políticas não podem nos calar e nos matar. Se a razão tem motivos de sobra para ser pessimista, a vontade precisa nos animar, restaurar as nossas virtudes cívicas para as lutas e combates, pois só neles reside a esperança. Somente a restauração das nossas qualidades e virtudes internas, dos nossos desejos e paixões por mudanças e por justiça podem criar novas condições políticas e morais, primeiro, para estancar a decadência e o retrocesso que estão em marcha e, segundo, para criar um movimento comum, transformador, inovador, de sentido universalizante. Somente a nossa vontade militante e atuante poderá restituir a vida a um país que está moralmente morto.

Aldo Fornazieri – Professor da Escola de Sociologia e Política (FESPSP).

 

29 comentários

  1. “Repostando”……

    Postei no clipping do dia como “Constatação”, acho que ajuda no entendimento do tamanho da “falência moral multipla” do organismo Brasil, a que se refere o Aldo…….

    Constatação

    Por ter visto pessoalmente e pela midia, em qualquer canto do planeta em casos de catastrofe natural ou acidente humano de grandes (ou até medias)proporções, um dos primeiros grupos que aparece para prestar ajuda e socorro, são os milicos…..Até ontem em Brumadinho, podemos nos perguntar “onde estão os milicos”……muito ocupados à “traçar” o churrascão dominical?Talvez estivessem no “campeonato nacional de truco” das FFAA……Ou talvez o Faustão estivesse “imperdível”…….

    Por uma vez, vou concordar com o Mourão….Parece que os milicos brazucas são, só e somente só, “Profissionais da violência”………

    Dou espaço a quem escreve e descreve o assunto, muito melhor que este pobre postador…..

    Onde está a intervenção militar em Brumadinho?

    Por Fernando Brito · 27/01/2019

    Chama a atenção nas imagens onipresentes da cobertura da mídia sobre o desastre de Brumadinho o fato de quase não aparecerem mas atividades de resgate militares do Exército Brasileiro.

    Os helicópteros que vi trabalhando no resgate eram quase  todos dos bombeiros e alguns aparentemente civis.

    A contrário a toda hora, hoje, se fala dos 130 militares israelenses que estão voando para apoiar as buscas.

    No site do Exército, até a manhã deste domingo, 48 horas após o rompimento da barragem, nenhum comunicado oficial sobre a mobilização, apenas links para jornais que noticiam uma nota oficial  divulgada sexta-feira que fala no emprego de um helicóptero Jaguar e diz que estão “na situação de “prontidão para emprego imediato” 930 militares.

    Muito, muito menos do que se empregou na intervenção em operações de segurança pública ou dos 3 mil que usou para cercar a comunidade da Mangueira, em 2017.

    E não estamos falando numa área remota: o local do acidente fica a apenas 60 km de Belo Horizonte, que tem toda a infraestrutura para receber um deslocamento de tropas e equipamentos.

    Divulgada  cinco horas depois do acidente, a nota fala que o helicóptero – e dois outros da FAB e da Marinha” iriam pousar no aeroporto de Confins para também “dar apoio ao transporte do presidente da República, Jair Bolsonaro, na manhã do sábado (26)”.

    A ação imediata, ainda mais onde o socorro, como acontece agora, pode ter de ser suspenso por riscos de novos rompimentos ou mesmo por mau tempo, é essencial.

    Já que se fala tanto em “intervenção militar”, seria uma oportuna ocasião de vermos isso acontecer em Brumadinho.

    Capacidade os militares têm. O que falta?

    PS. Agora, às 17 horas de domingo, dois helicopteros do Exército deram o ar da graça em Brumadinho, Um pousou na lama e depois decolou, o outro passou a grande altitude.

     

  2. Do mesmo modo…
    Não aprendemos com o erro da ditadura do passado e, negligentes, permitimos por nossas próprias decisões e atitudes insanas, a volta do mesmo sistema cruel e impiedoso de governar a nação!

    • O BRASIl foi vitima dum GOLPE

      O BRASIL foi vitima dum GOLPE urdido pelos EUA em alinhamento com as FFAA e encampado por outro poder permanente, o JUDICIÀRIO

      ..qto a isso, da forma como se deu, poucos povos teriam condições de resistir

      O POVO não tem nada a ver com isso de forma direta, FOMOS GOLPEADOS  ..é uma guerra aonde a primeira vitima é a verdade

      1/3 dos eleitores não sabe o que era o país antes de LULA  ..só 20% se lembram da ditadura  ..depois de um governo desastroso politicamente como o de DILMA, normal que o número de revoltados subisse

      Com ensino precário  ..midias dominadas por programação ALIENÍGENA à nossa realidade (hoje nossos filhos e netos sabem mais de Washington e Lincohn do que de GV  ..mais de Comanche do que de Tupi Guarani  ..mais da guerra civil americana do que a de Canudos) fica difícil combater  a manipulação geopolítica

      Há que termos líderes pra resistir – combativos, interativos, de RAIZ (daí que prenderam LULA)  ..CRIMINALIZAR a política, este sim, foi o MAIOR DOS CRIMES que a dita sociedade democratica cometeu de forma ingênua e imatura – generalizando os poderes eletivos e livrando justo os VERDADEIROS responsáveis por nosso atrasos, os Poderes Permanentes (o Judiciário e as FFAA)  ..aqui, dando terreno pra que esta sucia crescesse e influenciasse o imaginário das massas desinformadas.

      • Pois é, eu nunca prestei
        Pois é, eu nunca prestei FUVEST, já sabia que com a.minha porca formação em escolas.publicas não teria a mínima chance……

        Mas assistia os.programas da cultura que auxiliavam nos estudos, e em geografia tinha um.professor engraçado, que até ganhou um programa de entrevistas…..pois bem, ele insistia em ensinar sobre a agricultura estadunidense, e tome corn belt daqui e dali……nunca entendi por que os estudantes daqui teriam que saber o de estava a p. do milho estadunidense…..

  3. UMA NAÇÂO se faz, além de

    UMA NAÇÂO se faz, além de território, povo e simbolos  ..com MOEDA e história, com heróis e ídolos (mesmo que fictícios)

    Então  ..agora, pensar que estamos destruídos, isso é o que ELES queriam que o “prof” pensasse, e o “prof” acreditou e hoje repete tal qual um PAPAGAIO

    A maior arma em qq guerra é derrubar a MORAL do adversário, e a vítima acaba sendo sempre a verdade

    E o que vc pensa que os inimigos do país vem tentando a quase DUAS décadas ?

    Será que estamos MORTOS ou desorientados, SEM COMANDO nem líderes como vc lembrou ?

    DESDE 2003 o Brasil RESISTIA a todo tipo de ataque –  ..desde lá a classe política foi atacada e CRIMINALIZADA violentamente por elementos da mídia que tentaram, por um bom tempo sem sucesso, nos jogar a qq crise (teve aftosa, mensalão, apagão de aeroporto e energia, teve dengue, zica, febre amarela e chicungunha, teve tb o  acidente da TAM e da GOL, o “pior natal da fecomercio” seguido de recordes em vendas na industria, comercio e serviços todo ano, por uma década ..e claro, finalmente, teve, com CINCO anos de ATRASO, a crise de 2008 (que bateu em 2013) e o Petrolão de Curitiba. 

    Apesar disso chegamos a ser a 6a economia  ..revelamo-nos e VIABILIZAMOS a MAIOR reserva de óleo do PLANETA  ..tivemos crescimento com desenvolvimento e distribuição de renda com estabilidade, diminuição da divida externa, pagamento de empréstimos, aumento dos programas de assistência, investimentos e consumo.

    Verdade que devo reconhecer que o PODER OBSCURO e permanete DO ESTADO (não confundir com governos), representado aqui pelo Judiciário e FFAA se mostraram incansáveis no objetivo de retomarem o Poder  ..e por enquanto conseguiram, temos que reconhecer. 

    Fato é que apesar das tentativas de escandalo, graças a LULA e seu PODER de coesão, tornamo-nos um BRIC, aceleramos na geopolítica e na política de defesa independente dos EUA e Europa

    ,,sim, TUDO ISSO cobrou dum preço

    Infelizmente isso não foi suficiente diante da FORÇA do Adversário (EUA) e da tibiesa e inexperiência duma certa presidente e EQUIPE.

    HOJE, finalmente, tomados por um GOLPE DE ESTADO, estmos no chão, MAS NÃO MORTOS  ..HOJE TEMOS que ver nossos fantasmas no PLANALTO, E ei de reconhecer que fica fácil voltamos a culpar ao povo desinformado e MAL FORMADO por tudo o que deu de errado.

    Mas “profi”, convenhamos, se formos mesmo observar, a MASSA de brasileiros é tão manipulada e frágil quando inúmeras outras do planeta, a começar pela americana que até hoje se deixa dominar por “conspirações de ESTADO” que sabem como poucos conduzir os parvos passivamente

    Quero acreditar muito mais que o momento é de hibernação, de transição e posterior TRANSFORMAÇÂO, mais do que de morte morrida duma Nação ainda mal desenvolvida, afinal de contas, diz um dos nosso ditados, há males que vem para o bem  ..

    vamos dar uma chance ao tempo tb

    • Enquanto damos chance ao

      Enquanto damos chance ao tempo, são assinados tratados que não poderão ser rasgados.

      O povo é Cretino e mau-carater !!! Nenhum povo que valha a pena elegeria Bolsonaro.

       

  4. O Brasil está moralmente

    O Brasil está moralmente morto porque todos nós vamos morrendo um pouco na fé que temos no nosso país. Como inverter isso? Não sei. Veja bem, o Bolsonaro foi como uma barragem de insatisfação e falta de acreditar que se rompeu nas redes sociais e nos atingiu a todos. O problema é esse, se pelo menos estivessemos mal mas sentissemos que iamos no bom caminho. Mas não…

  5. O BRASIL E A MORTE

    BOM DIA

    Gostaria de dar os parabéns ao Prof. Aldo pelo texto. 

    Venho falando comigo mesmo que o Brasil é uma espécie de barranco, no fundo do qual vive a grande maioria da população e que recebe, todos os dias, sobre suas cabeças, o lixo atirado pela minoria que detém o poder e a riqueza e seus associados oriundos da classe média.

    E o texto do Prof. Aldo é muito feliz ao mostrar claramente que não conseguimos realizar nada que vá além dos nossos interesses imediatos e individuais. O escritor Luiz Ruffato, que nasceu nesse lugar lindo que é Minas Gerais, onde morei também, escreveu em um texto, com muita propriedade que,  “coletivamente, somos um fracasso completo”.

    A chamada classe média escolarizada, ou ao menos boa parte dela, escolheu para a presidência um ser humano que defendeu em toda sua carreira política a tortura e a pena de morte praticada por grupos de extermínio como algo necessário para o país.  Isso sem falar no judiciário parasita e nos chmados evangélicos, cujas lideranças crucificariam Jesus novamente se ele retornasse com as mesmas ideias pregadas há 2000 anos. O programa do atual governo é o de exploração sem limites a ser praticada pelos empresários sobre os trabalhores e natureza. O ideial secreto, para essa gente, é um sistema de exploração tal qual existia nos campos de exterminios dos nazistas. Ou seja, prevalece o interesse dos poderos.Aos demais, resta somente o trabalho e o sofrimento. 

    Creio que talvez o maior problema a ser resolvido no Brasil é esse: romper o isolamento, a passividade, o egoísmo feroz, o cinismo no qual estamos mergulhados. 

     

    Tristeza, amargura, lucidez e verdade é o que nos apresenta o artigo do Prof. Aldo.

     

    Um abraço e vamos à luta

     

    LULA LIVRE!

  6. Não é moral a questão.
    Peço licença aos admiradores do texto e do autor para lançar uma severa crítica:

    Ao fim(ou em meio) a uma cruzada chamada por guerra híbrida, que tem arrastado o mundo todo (principalmente essa parcela Sul do mundo) a mais profunda (certamente não a última) crise capitalista, que alguns (como eu) entendem como sendo a etapa de transição para um pós capitalismo ou anarco-cyber-rentismo, não se tem mais espaço na ciências sociais para argumentos que privilegiem questões de âmbito moral ou “crença no Brasil”.

    Muito próximo da pregação olaviana.

    Ninguém desconhece ou despreza aspectos culturais nas mudanças estruturais da humanidade e, especificamente, dos agrupamentos sociais, mas também essas condições são alteradas pelas construções objetivas históricas nas quais estão inseridas.

    Crer em um espírito ou uma “moral” elevada de certos grupamentos mais bem sucedidas (Nações) em detrimento de sentimentos mais fracos das Nações mais pobres é dar razão a tese nazista e outras do tipo destino manifesto.

    Grave que esse tipo de tese ocupe espaço aqui, escamoteada como pensamento de esquerda ou progressista.

    • O Brasil está moralmente morto

      -> Apesar das conexões globais que distinguem a nova da velha idade media, as pessoas se dividirão entre quem está protegido nos feudos de prosperidade e todos os demais miseráveis e excluídos

      -> a etapa de transição para um pós capitalismo ou anarco-cyber-rentismo

      eu compreendera o seu uso do termo “medieval”.

      o modelo desta “nova idade média” é a Faixa de Gaza. campos de concentração a céu aberto. populações inteiras deixadas para morrer.

      embora o Daesh seja medieval em método e concepção, assim como todos os grupos paramilitares (desde esquadrões da morte até milícias), está a serviço deste projeto de um “pós capitalismo anarco-cyber-rentismo”.

      e nesta definição o cyber tem importância total.

      como se contrapor e construir alternativas?

      para viabilizar qualquer começo, é preciso admitir: Brasil está morto, não apenas “moralmente”, mas literalmente.

      aquele país em que nascemos, aquele sistema de poder no qual viemos aos barrancos e solavancos, acabou-se em definitivo com o Golpeachment.

      a ele não haverá retorno. a pax instituída pela Constituição de 1988 faliu.

      tem um comentário muito interessante, porque revelador, aqui neste link permanente. um relato sobre fato ocorrido num restaurante de condomínio classe média.

      trefere-se a uma agora corriqueira demonstração de ódio de classe. testemunhada, mas também atingindo, alguém que (fica implícito) é também morador do condomínio (ou ao mesmo o frequenta com regularidade).

      o revelador está nesta questão: a posição política determina nossa existência social, ou nossa existência social determina nossa posição política?

      dito de outra forma: minha posição política independe do meu modo de vida, ou o meu modo de vida é de fato minha posição política?

      concretamente: se moro num condomínio fechado, levando aquele mesmo modo de vida dos demais moradores, no que sou diferente deles? nas “idéias”? mas como se escolhas materiais são as mesmas?

      vivemos um modo de vida que já está morto. em certo sentido, somos todos mortos-vivos.

      abraços

      p.s.: até o momento o resultado da cirurgia de Bolsonaro parece estar dando empate.

      .

      • Só poderíamos desejar uma morte rápida!
        E ela não virá.

        Não precisa ir a Gaza. Venha conhecer São Gonçalo.

        Acho que está claro que sua questão é insolúvel, pois tanto nosso ethos de classe determina nossas escolhas políticas e vice-versa.

        “Concretamente”: apesar de ser possível que dentre os moradores do condomínio existam “dissidentes”, o fato é que o pertencimento àquele local de moradia determina uma escolha também política acerca do modelo de urbanização que se idealiza.

        Não se trata de “culpar” essas pessoas, mas entender que estão muito mais próximos ideologicamente de seus pares que dos mais pobres, e que sua “dissidências” têm como limite o limite das escolhas que fizeram: grades, seguranças privados, ocupação desigual do espaço urbano, etc.

        “Concretamente”: não há como imaginar que condominios e shoppings sejam espacos inocentes e pacíficos de convivência social.

        Por isso que teses como essa, com reivindicação de uma “moral perdida” encontra eco nesse mesmo pessoal dissidente da classe média.

        O truque do anarco-cyber-rentismo é tornar turbulentabe confusa nossa percepção sobre as instâncias que são determinantes na evolução do capitalismo (os sete momentos de Marx), e que por tais motivosbtrazem em si essa potência e as contradições que podem precipitar seu fim.

        Enquanto estamos ainda no mundo “moral” e das instâncias da produção social de valor e mais valor, imaginando eficaz o controle político de ferramentas já obsoletad (eleições, partidos, sindicatos, etc), o antivalor (capital fictício) conecta-se as redes neuro-digitais para se replicar de forma fractal e descontrolada.

        • O Brasil está moralmente morto

          -> Não se trata de “culpar” essas pessoas, mas entender que estão muito mais próximos ideologicamente de seus pares que dos mais pobres, e que sua “dissidências” têm como limite o limite das escolhas que fizeram: grades, seguranças privados, ocupação desigual do espaço urbano, etc.

          os mesmos setores médios que execram o “pobre de Direita”, não se dão conta que, muitas vzs, suas opções de vida não são “neutras”, e sim de Direita.

          exemplo:

          ótima pessoa. de Esquerda. mas não consegue disfarçar ser metida a bacana. mora num condomínio fechado, na Barra. me conta que outro dia teve um assalto na entrada do condomínio, protegida por seguranças armados. um carro foi cercado por dois caras. estava só com o motorista, que reagiu e acelerou. os caras dispararam. erraram. um outro morador do condomínio vinha entrando com seu carro em seguida. os caras roubaram o carro e fugiram, antes que a segurança chegasse. ainda bem que ninguém se feriu.

          resultado: agora cada cm2 do condomínio está monitorado 24×7 por câmeras. e o protocolo de segurança para visitantes é como em uma fronteira de regiões em guerra.

          tôu fora.

          .

    • ESQUECIMENTO

      Pois é, Fábio.

      Da mesma forma que a facada salvou o atual  presidente, esse crime de Minas Gerais salvou o filho do energúmeno dos questionamentos sobre sua associação com os esquadrões da morte do Rio de Janeiro. Daqui a seis meses, alguém irá se lembrar mas ele já estará no Senado, o Queiroz com outro laudo médio e o tal Capitão Adriano aparecerá morto em algum buraco.

      Um abraço

  7. Bom texto do prof. Aldo. Mas

    Bom texto do prof. Aldo. Mas o que a gente faz com essa classe média imbecilizada?

    Esses dias estava em um restaurante de um condomínio classe média, e passava na TV um programa desses da Record em que um helicóptero fazia sobrevôo em uma favela mostrando umas mulheres pobres descalças com crianças no colo, no alto de um morro isolado, acenando como se pedissem socorro.

    Mas o reporter se ateve em alguns jovens pobres na porta de um barraco se referindo a eles como se fossem bandidos. Alguem comentou que deveriam ser metralhados, no que foi amplamente assentido por várias pessoas. 

    Então eu comentei que o Brasil só teria solução se acabasse com essa probreza imensa, com essa favelada. Nisso, um camarada conhecido, aposentado do Banco Central, muito bem de vida, partiu pra cima de mim aos berros: voce é petista, comunista. Pensei que fosse me agredir. Quase virou um coro, petista, petista. Eu tive que ir embora e não tenho mais ambiente no lugar. Pessoas (vizinhos) passam por mim rosnando. Essa turma com a camisa da seleção.

    Está difícil.

    • Só existe um solução para

      Só existe um solução para você (nós): se afaste dessa gente. 

      Não há convivência possível. 

      Eu tenho bolsominion na minha própria família. Meu irmão  da Marinha, hoje na reserva.  Odeia a esquerda, PT, Paulo Freire (cujas ideias desconhece), defende Escola sem Partido, militarismo. Evito discutir política com ele. Saio da sala quando isso acontece. Preciso preservar minha sanidade mental. 

    • CLASSE MÉDIA

      Cláudio, boa noite

      Li sua intervenção e  sou solidário. Trabalho em um ambiente no qual as pessoas são de classe média. 

      A coisa é feia. Concluí, lendo livros de sociologia que não tem jeito: parcela da classe média é irrecuperável para a democracia. Viveriam bem se fosse decretada uma ditadura com todas as letras, com a matança de pessoas presas (já ouvi isso onde trabalho) e a criação de campos de concentração.

      Como disse a Adma, o melhor é ficar o mais longe possível desses fascistas.

      Um abraço.

       

    • Quando você têm que

      Quando você têm que argumentar com um animal, você deve falar a linguagem dos animais. Você deveria ter quebrado vários dentes desse “camarada” e quando ele estivesse no chão então você diria de forma bem clara a razão para ele ter perdido os dentes. Animal têm que ser colocado no lugar dele ou rapidamente irá se tornar um problema ainda pior.

  8. Estado sem povo, “político” no poder

    “a incapacidade do Estado e dos políticos em resolver os problemas fundamentais do país e do povo,”

    Aldo Fornazieri, já passou da hora dos cientistas políticos brancos e colonizados perceberem que o problema é exatamente esse: os “políticos” não são do povo e, portanto, o Estado também não.

    O povo não está na burocracia estatal, nem nas universidades. Todos – povão, burocratas e intelectuais burocráticos – acreditam que “político” é quem ocupa função pública.

    Para que o Estado seja capaz de atender aos anseios populares, é preciso descolonizar o país e atribuir direitos políticos a todo e qualquer cidadão. Os colonizadores foram e são muitos eficientes em impedir isso, pois encontraram aqui um vasto território multiétnico e guerreiro, unido apenas pela língua.

    Ainda vamos ter que esperar muito por essa revolução mas ela só poderá ser feita pela multidão excluída, não pelos “políticos” (que só existem porque a multidão foi excluída da”política” e substituída por representantes da elite).

     

  9. La se vão 6 anos desde 2013

    Lá se vão 6 anos, ( para não contar os anteriores), ao longo dos quais, a mídia e as instituições jurídicas e os grupos de interesse vem diuturnamente assassinando a moral do povo brasileiro. Criminalizaram todas as políticas sociais, criando clichês como populismo, para transformar toda política publica e social em  comunismo. Com o clichê da meritocracia, propagaram a idéia da elitocracia, e propagaram a idéia tão cara à classe média de que a cada indivíduo cabe  o que é do indivíduo. E os jornais e a mídia propagando que os emergentes seriam intrusos aos quais não cabe nada, pois não tinham mérito. Mas cada emergente já pensava pertencer à aquela classe. Quando a perderam, se culpabilizaram, afinal se tornaram loosers sem mérito.
        Os jornais e a mídia televisiva estão há mais de 6 anos falando  apenas de corrupção, e violência. Sabendo do efeito moral da realização da  Copa e da Olimpíada transformaram tudo em  apenas  corrupção.Não pensem que não tenho críticas a realização, mas  quando uma rede globo que vive destes eventos , ataca a própria Copa, acusando o governo de fazer o que ela própria fez, seu objetivo é  destruir aquela sensação de orgulho pelo que foi realizado, é destruir a moral.

      A nossa Petrobŕas que descobriu o pré-sal e desenvolveu tecnologia avançadas para explorá-lo, foi transformada na mídia em pura corrupção. Investimentos  públicos com resultados concretos e positivos para o país foram transformados em propina. Isto é para destruir a moral. ( Obviamente a queda da moral significa aumento de lucros para alguns)

    A entrega da EMBRAER á mais um passo na destruição da moral ( e realização de lucros)

    Uma campanha continua de divulgação da violência, um incentivo a delação, uma campanha sempre acompanhada da fala sempre pejorativa sobre o povo brasileiro. O incentivo aos mais baixos instintos de uma classe média que acordou para o seu próprio racismo, e preconceitos de toda ordem, estimulados pelas bolhas da rede.

    O incentivo a convicção acima dos fatos, do pre julgamento acima dos fatos,  A criação de um bode expiatório, que se inicia com o PT alcança  a imagem de todos os partidos ,e mesmo  focando  no PT,  termina com a destruição de toda a política.  E passo a passo de todas as instituições.  E sobretudo a participação intensa  de toda uma turba que se diz elite e que se acha elite, e que agora apoia este governo que aí está na esperança de aumentar seus lucros e privilégios.

    A criação de tribos da internet  que podem dentro de suas bolhas destroçar moralmente o “outro”, pulverizando o ódio, sempre estimulando a desconfiança do ser humano próximo.  E como sabemos, tudo conduzido  por alguns grupos através de seus robots.

    Quando uma  juíza não apenas permite mas incentiva alunos a denunciarem seus professores, ela esta criando e oficializando a delação, agora cada estudante levará sua própria arma para a escola. E cada estudante será uma fonte de perigo para o professor e para os seus colegas. Pois  a denúncia não será apenas de professores, mas também do aluno ao lado.

    Realmente estamos moralmente destroçados.

    Mas o pior é que temos quase todas as nossas instituições destroçadas, e lideradas por pessoas que causaram esta destruição.

    A destruição da moral da ética e do tecido social foi o objetivo mais planejado e perseguido pelos golpistas. Criaram verdadeiros Pinky e o Cérebro, querendo dominar o mundo. Aliás é so nestes personagens que penso quando vejo o roteiro de notícias  escrito por figuras como Kammel e a nível mundial temos agora Bannon.

    Ainda nos restam organizações  civis, e focos de resistência, mas estão invisíveis, pois a invisibilidade deste grupos é central para a quebra da moral. A oposição ao que aí está, ganhou um número imenso de votos, e sabemos que se fosse Lula, o resultado seria outro, mas isto  está ficando invisível. Dia a dia as palavras e os termo vão reafirmar que isto não existe nem nunca existiu. Todo dia vão nos querer acreditar que toda a população apoia o Coiso.

    E muitos na oposição sem se aperceber vão amplificando a destruição da moral. Mesmo quando se percebe um governo incapaz de enxergar a realidade do país não estamos conseguindo
     trazer a realidade para o debate. A destruição da moral depende essencialmente da invisibilidade do real

  10. Sera que vamos ter cair até o

    Sera que vamos ter cair até o fundo do buraco para sairmos dessa condição de moribundos e nos tornarmos um povo, um coletivo, uma nação? 

    A tragédia de Brumadinho é algo incompreensivel quando se pensa que ha formas de impedir esse tipo de “acidente”. Eh a confirmação de que preferem matar pessoas e destruir o meio ambiente do que investir em prevenção porque sabem que nada de sério acontecera e ninguém sera punido. 

    Nos tornamos a confirmação internacional de que o Brasil não é um Pais sério e de que sua casta dirigente é apenas um amontoado de marionetes nas mãos de uma elite predatoria. E o povo segue de cabeça baixa. 

    • Fundo do Poço

      Maria Luisa

      Como escreveu o Leonardo Sakamoto no UOl, no Brasil, quando se chega ao fundo do poço descobrimos que existe um alçapão.

      Essa é nossa realidade. 

      Deveria ter ocorrido, se tivéssemos um mínimo de organização, uma invasão na sede ou sedes dessa companhia e a exigência imediata de que todas as suas atividades fossem suspensas até uma avalição criteriosa das demais barragens e a materialização de providências para que um crime como esse jamais voltasse a ocorrer.

      No entanto, nenhuma manifestação ocorrerá e desse governo nada de bom pode ser esperado.

      E assim, prosseguimos ….

  11. A culpa desaa baixa
    A culpa desaa baixa autoestima do brasileiro é da mídia….

    Tenho 50 anos e leio jornais desde os sete, sempre me espantei com o antinacionalismo da mídia…….são inimigos do Brasil. Nada aqui presta para eles, sempre falando mal do país e do povo……

    Procurem algum artigo que fale bem do Brasil na mídia nacional nos últimos 50 anos, acharão pouquíssimos……e comparem com os que criticam o país e tecem loas aos estrangeiros…… será vergonhosa a desproporção……

    Outro fato, aumentou a violência, eu estou me recuperando de uma agressão gratuita e conheço outroas pessoas na mesma situação, o discurso belicoso do imbecil que hoje desmanda no país soltou uma.malta formada de cachorros loucos sedentos de sangue. Tudo se resolve na porrada, na faca, tirando sangue do outro. Imaginem quando cada um tiver o seu revólver na cintura……..

    A.midia colocou esses parvos no poder, a culpa, jornalixos, pelo sangue, pelas vidas e desgraça dos brasileiros, é de vcs……

  12. ‘Erro favorito’
    Sem líderes ou movimentos que nos unam, muitos de nós fogem para saídas individuais (…). ‘Erro favorito’

    Nesse Brasil atual não existe líderança, que deteve o poder político e não se deixou-se corromper…diante desse fato, mais vale saídas individuais sim. Todos os anônimos podem ser agentes influenciadores exponenciais sim.

  13. Desculpe-me Prof.Aldo,mas
    Desculpe-me Prof.Aldo,mas Graciliano Ramos,o velho Graça para os intimos,já tinha observado esse detalhe,há uns 60 anos atrás,quando,do alto da sua intelectualidade,em resposta a Joel Silveira,verberou para a posteridade,que o Brasil nunca chegaria a lugar algum na Historia,simplesmente porque não tínhamos um Golfo.Ele sabia do que falava.

  14. Pico
    Percepção de corrupção aumenta. A lava a jato foi o ponto de inflexão.
    folha.uol.com.br/poder/2019/01/percepcao-da-corrupcao-aumenta-e-brasil-tem-pior-nota-em-ranking-desde-2012.shtml

  15. Máfia maçonaria tucana dos inférno! Tomaram os 3 poderes e tudo+

    Concordamos também que o Brasil não está moralmente morto… na verdade apenas está morto, já que o que define um país são a maioria de seus habitantes, e esses já eram.

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