Prezado Paulo Skaf, por Paulo Teixeira

Prezado Paulo Skaf

por Paulo Teixeira

Vi minha foto no jornal, numa publicação paga pela FIESP. Ela estava acompanhada por meu email, meu telefone e meu Facebook num anúncio de página inteira no jornal Valor Econômico. “Estes são os deputados que representam São Paulo na comissão do impeachment”, dizia o título do anúncio, impresso em tinta preta sobre fundo amarelo. Logo abaixo, uma questão dirigida ao leitor do jornal: “Pergunte diretamente a eles de que lado eles estão. Você tem o direito de saber quem é contra ou a favor do impeachment.” A página trazia ainda a frase “Impeachment Já!” e o bordão “chega de pagar o pato.”

Votarei contra o impeachment, Skaf. Assim agirei por duas singelas razões:

1) Não há base jurídica para o impeachment da presidenta Dilma. Para se tirar um presidente legitimamente eleito, por meio de impeachment, há que se ter  comprovado crime de responsabilidade. Sem a existência de crime, é golpe. Na democracia, o respeito à Constituição é sagrado. O último golpe apoiado pela FIESP foi um pesadelo que durou 21 anos. Muitas pessoas morreram, outras foram para o exílio, políticos foram cassados e direitos civis foram suprimidos.

2) O impeachment não é o caminho para acalmar o país. Os problemas que temos serão resolvidos pelo diálogo e não jogando gasolina para apagar a fogueira. Não posso deixar de lembrar que o setor representado pela FIESP foi o maior beneficiado pelas desonerações na folha de pagamento e pelos subsídios concedidos pelo Tesouro ao BNDES durante o governo Dilma. Tais benesses são responsáveis pelo déficit orçamentário que alcançamos em 2014 e 2015. E você liderava essa pauta.

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Você tem militância política, é filiado ao PMDB, e isso é bom. Porém, não podemos esconder que dois dos seus companheiros de partido são beneficiários diretos do impeachment, uma vez que Michel Temer aspira à Presidência da República e Eduardo Cunha assumiria a condição de primeiro sucessor. Essa condição tira a imparcialidade que o teu cargo requer.

Você repete o bordão “chega de pagar o pato”. Faz sentido, embora seja recomendável pagar pelo menos os direitos autorais ao autor desse pato. Penso que esse bordão ganharia credibilidade se a entidade que você dirige desse o exemplo, assumindo uma postura de austeridade e equilíbrio. Sobretudo de equilíbrio. Parece estar sobrando dinheiro do sistema S para bancar a publicação desses caros anúncios. Se destinados à previdência social, esses recursos poderiam evitar o déficit anunciado.

Votarei contra o impeachment e, imediatamente após superar essa pauta no Congresso Nacional, vou sugerir à presidenta que promova um diálogo nacional para incentivar o crescimento econômico, a proteção do emprego e da renda das famílias brasileiras, a retomada das reformas de que o Brasil precisa. Esse debate deve ser feito com aqueles que cultivam o diálogo e defendem a democracia, e não com aqueles que repetem os erros do passado e querem fraturar o país.

Paulo Teixeira, deputado federal (PT/SP).

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10 comentários

  1. O pato pateta…

    O pato pateta

    Lá vem o pato…

    (…)

    Pintou o caneco

    Surrou a galinha

    Bateu no marreco

    Pulou do poleiro

    No pé do cavalo

    Levou um coice
     

    Criou um galo

    Comeu um pedaço

    De genipapo

    Ficou engasgado

    Com dor no papo

    Caiu no poço

    Quebrou a tigela

    Tantas fez o moço

    Que foi pra panela

  2. Boa resposta a esse

    Boa resposta a esse oportunista que não perde chance de enganar o povo analfabeto político. Ele encabeçou a campanha 

    para derrubar a CPMF, tirando recursos do SUS, com o argumento esfarrapado de que os alimentos ficariam mais baratos.

    Ficaram? Claro que não! Além disso, os curso do Sistema S são bem caros considerando-se subsidiados com recursos públicos. Os recursos públicos transferidos ao Sistema S servem muito mais para financiar golpes à nossa democracia, isso sim!

     

  3. Nassif;
    Boa resposta do Dep.

    Nassif;

    Boa resposta do Dep. Paulo Teixeira.

    Porém ele poderia ir mais fundo, na condição de deputado federal, poderia arregimentar mais outros parlamentares e propor uma CPI do Sistema S na fiesp.

    Este “industrial” que não tem industria, claramente desvia  recursos do referido sistema para promoção pessoal e disseminação do ódio.

    O cara nunca fez nada que preste, é completamente sem expressão, seu limite de competência é ser lambe botas dos golpistas.

    CPI nele.

    Não vai ter golpe.!!!!!

    Genaro

     

  4. Quem sempre pagou o pato foi o trabalhador

    Ja ha muito tempo que fala-se em desvios no Sistema S e por detras os problemas de corrupção nas federações de industria e comércio nas varias capitais brasileiras. Não interessa a ninguém ir atras desses casos, que ha décadas são conhecidos de todos cidadãos?

     

  5. Carta do Deputado Paulo Teixeira

    Prezado Deputado, muito oportuna sua carta. Bem esclarecedora sobre uns dos responsáveis pela situação que estamos vivendo. Não podemos nos calar nesse momento e o senhor tem sido um defensor insconteste do governo e do Estado de Direito. Parabéns pelo serviço que está prestando à sociedade brasileira. E não se engane, VAI TER LUTA! Já está tendo. Vamos rumo a Reforma Agrária e ao esclarecimento das populações para que não haja discriminação e violência contra os mais necessitados de nossa sociedade excludente.

  6. Áh, e tem mais uma, o PT está

    Áh, e tem mais uma, o PT está comprando o PSB . . . . . só se for com dinheiro da venda dos Patos . . . .

  7. O presidente da Federação das

    O presidente da Federação das INDÚSTRIAS do Estado de São Paulo, surpreendentemente, não é um industrial!

    Scaf é um rentista, vive de rendas, torcendo para que os juros aumentem.  Não produz nem os patos que utiliza para enganar os trouxas deste país.   E, pelo jeito, engana também os industriais que confiam a um RENTISTA a defesa dos seus interesses.

    Coisas do Brasil.

  8. Os termos da réplica a esse

    Os termos da réplica a esse empresário-politiqueiro foram brandos. Deveria tê-lo acusado sem meia palavras de estar instrumentalizando uma entidade para lograr interesses pessoais,  no caso a introjeção e fortalecimento de sua  imagem visando, isso é óbvio, futuros pleitos eleitorais. 

    Trata-se de mais um daqueles aventureiros que são capazes de tudo para alcançar a notoriedade e assim não passarem em branco pela história, mas que de fato nem notas de rodapé conseguirão obter. 

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