5 de junho de 2026

PT, PF, OI e o cenário da TV Globo, por Armando Rodrigues Coelho Neto

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PT, PF, OI e o cenário da TV Globo

por Armando Rodrigues Coelho Neto

Polícia Federal, ano de 1995. O ministro da Justiça era Nelson Jobim, aquele que denunciou mutreta na aprovação da Constituição Federal de 1988. Integrou a era Fernando Henrique Cardoso, foi fértil em ministros da Justiça: Milton Seligman (1997), Iris Rezende (1997/98)… Renan Calheiros entre 1998 e 1999 (aquele que travou o novo passaporte brasileiro, após desconfiar de mutreta que favoreceria um parente do falecido Mário Covas). Teve ainda José Carlos Dias, José Gregori e … Aloysio Nunes – o que sofreu a maior rejeição na Polícia Federal, por ter sido “assaltante de banco”. A mesma PF que (quase unânime) o acolheu como vice-presidente na chapa de Aécio Neves…

O curioso na lista é que todos ou quase todos tiveram algo em comum na PF: todos eram muito bem recepcionados em suas chegadas e partidas no Aeroporto Internacional de Guarulhos/SP. E a polêmica interna era justamente essa. Esperar o ministro na porta da aeronave, não o deixar entrar em filas e ainda ter um policial para segurar sua maleta, valise, o que fosse… Afinal, que importância teria ser gentil numa época em que as autoridades eram respeitadas?

Qual o problema, então? A queixa geral era que, como o policial federal era quase sempre o mesmo, o tal servidor acabava ganhando “muito prestígio”, ao ponto de “mandar mais que alguns chefes”, coisa e tal. Se o ritual gerava prestígio, a função deveria ser deferida a um delegado – hierarquicamente superior… Mas e aí? Ficaria bem para um delegado federal “carregar malinhas” de autoridades, paparicar deputados, coisa e tal? Bajulação seria função menos nobre a ser deferida a um agente? O correto seria crer que agente é função tão nobre quanto o de delegado. O erro era e é a bajulação.

Longe de mim inventariar cicatrizes em tempos de guerra ao Partido dos Trabalhadores. Tenho urgência no tema puxa-saquismo, pois havia um concurso de gentilezas e todo mundo queria cair na graça do ministro A ou B, do deputado federal X ou Y, do empreiteiro W ou Z. Afinal, acesso é sempre acesso, prestígio é sempre prestígio, “fonte é poder” e favorezinhos geravam e geram favorezinhos.

De todo modo, ainda que autoridades (umas mais outras menos), em nome da aura dos seus respectivos cargos, fossem dignas de atenção especial, no frigir dos ovos, o ritual virava mesmo “puxa-saquismo”. Quanto mais “maçaneta”, sabujo, chaleirador, sorrabador ou cheleléu mais eficiente seria o barnabé. Os mais sóbrios nunca foram bem vistos.

Deixemos a Polícia Federal de lado, pois tudo indica que o “puxa-saquismo” foi inventado pelo Partido dos Trabalhadores. E o mais grave: virou crime, e, mais uma vez, serei acusado de defender corruptos. Sim. Nesses tempos de “síndrome de Maria Louca” –  acusado não pode se defender, nem ser defendido e nem pode haver contraponto. 

Lembro, com imprecisão temporal, que a Volkswagen criou um automóvel (Fusca) só para homenagear Itamar Franco. Aliás, a Volkswagen fez isso, nos tempos em que a Alemanha permitia que a propina paga no “Brasil de Itamar/FHC” fosse deduzida no imposto de renda de suas empresas, conforme se infere dos relatórios da Organização de Cooperação para o Desenvolvimento Econômico (OCDE). Tudo era simples “puxa-saquismo”, e mesmo sob o espectro da corrupção, não era crime.

Na diplomacia brasileira, quiçá internacional, o puxa-saquismo tem o pomposo nome de “bons ofícios”, uma gentileza que se estende até aos passaportes diplomáticos com suas imunidades alfandegárias e outras “cositas mas”, que por enquanto não é crime.

Em tempos de microcefalia política, declaro-me mero expositor de fatos e ou circunstâncias. Não ouso enveredar por meandros éticos ou morais de tais práticas, sobretudo quando incorporados à sociedade e já ganham ares daquilo que juristas renomados chamam de “princípio da adequação social” (Hans Welzel  e Mir Puig). Traduzindo: a prática, de tão usual e aceitável, “deixa de ser censurada, deixa de ser crime.”

Fato concreto: autoridades são cercadas de bajuladores, aduladores, puxa-sacos, cheleléus, “maçanetas”, sabujos, chaleiradores, sorrabadores. É na esteira disso que surgem túneis batizados pelo nome de “Tribunal de Contas”, aeroportos em terras dos Neves (Claudio/MG) e as estradas feitas em seus arredores; amigos emprestam helicópteros para transportar sabe-se lá o que, mas depois descobre-se que é cocaína e vai por aí afora.

Tudo não ou mal investigado, o fato é que, de soslaio e à sorrelfa, presente de sabujos, a TV Globo paulista além de “auferir” um terreno público de presente do PSDB, ganhou também um cenário para o jornal Bom dia Brasil. Sim, a Vênus Platinada só teve o trabalho de construir o seu “Glass Studio”, porque o cenário ( Ponte Estaiada) foi presente, construído com o dinheiro público. E o terreno?.

É nesse contexto que sinto saudades do policial federal que carregava a pastinha dos ministros de FHC e me confesso assaz perplexo, que um cheleléu tenha emprestado um sítio pro ex-presidente Lula e que Dona Marisa (deveras agradecida) tenha dado um barquinho de lata de presente para os donos; que o ex-presidente tenha sido paparicado por empresários, incorporadores e até por reitores de universidade internacionais ávidos por conceder-lhe títulos de doutor honoris causa. Como se não bastasse, Obama o agraciou com o título de “O Cara”…

Mas, o que me deixou mais perplexo, perplexo mesmo (!) foi um obnóxio puxa-saco da Operadora OI ter colocado uma antena lá perto do sítio dos amigos do Lula, sendo ele usuário ou não da dita cuja…

Armando Rodrigues Coelho Neto – Delegado de Polícia Federal aposentado e jornalista, ex-representante da Interpol em São Paulo

Armando Coelho Neto

Armando Rodrigues Coelho Neto é jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo.

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5 Comentários
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  1. veras

    29 de fevereiro de 2016 1:44 pm

    Texto delicioso!

    O Sr. Armando tem razão. Nessas circunstâncias, só sendo irônico e dando risada.

    Eu ri muito (pra não chorar).

     

  2. FreitasJr

    29 de fevereiro de 2016 2:02 pm

    Próximo passo da LAVA-JATO

    Próximo passo da LAVA-JATO será investigar os “Doutor Honoris Causa” de Lula. Serão indiciados reitores das universidades estrangeiras e tupiniquins e seu Obama terá que se explicar sobre “O Cara” descaradamente pronunciado para todo mundo ouvir. Afinal, quantos barris de petróleo deve ter custado ao povo brasileiro… 

  3. Carlos Alberto Freitas Lima

    29 de fevereiro de 2016 2:08 pm

    A SENSATEZ É UMA HONRA, POUCO USADA

    Quem escreveu isso é de uma sensatez e censo critico aguçado, fala aos profanos de suas virtudes e defeitos sem os ferir de morte e nem os entorpecer de ego, certo é, quem escreveu isso, entende da classe média de como ela tem inveja do pobre por não ser rica, não rica de dinheiro e possibilidades, mas rica de valores, que falta a boa parte da classe média. A inveja os transformou em fascistas e por tabela e ainda levaram a nossa melhor polícia para o abismo das bestas. Mas continuo afirmando, lá tem gente boa por fora e por dentro é que os maus sempre prosperam pelo discurso fácil, fácil não, fascista. A obsessão em acabar com o PT e prender LULA, os cegaram e transformou a PF num partido político pago com imposto do povo que eles querem ferrar, é triste, mas infelizmente é pura verdade. O que não faz o sonho de serem marajás faz.

  4. Francisco de Assis

    29 de fevereiro de 2016 2:57 pm

    Partido dos Trabalhadores (PT) versus Partido Fascista (PF)

    Partido dos Trabalhadores (PT) versus Partido Fascista (PF)

  5. André Bogdan

    29 de fevereiro de 2016 3:44 pm

    Certeiramente …

    Como ter o DOM da palavra, estar dentro da HISTÓRIA e ter a graça no PODER de falar e dizer o como e quanto o FASCISMO e a HIPOCRISIA andam de mãos dadas. Agora, fico me perguntando, como podemos ou poderíamos quebrar essas correntes dessa escravidão de VIRA-LATAS lambedores de botas e BOLAS do poder? … quicã dos simpatizantes….???? Belo texto Armando.

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