Reflexões sobre o Catolicismo em questões de sexualidade, por Marcos Vinicius de Freitas Reis

A Igreja Católica é contra todos os métodos contraceptivos, exceto a castidade e o controle natural de natalidade.

Foto Observatório do 3º Setor

Religião e Sociedade na Atualidade

Reflexões sobre o Catolicismo em questões de sexualidade

por Marcos Vinicius de Freitas Reis

Projetos que tratam acerca do tema da sexualidade são questões bastante polêmicas e com ampla repercussão na sociedade brasileira, entre as quais estão o uso dos métodos contraceptivos, o aborto e a eutanásia. A Igreja Católica é contra todos os métodos contraceptivos, exceto a castidade e o controle natural de natalidade. Por consequência, também se opõe ao uso do preservativo e da pílula.

Essa posição é criticada por alguns membros da própria Igreja, que alegam que apresenta risco à saúde da sociedade perante Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) e um aumento das situações de gravidez indesejada.

Para a Igreja, a fidelidade no casamento, a castidade e a abstinência sexual são os melhores meios de impedir o avanço do HIV/AIDS. Ela considera que promover o uso de preservativos incentiva o que julga um estilo de vida imoral. Para os críticos dessa posição, ela representa um comportamento que contribui para o alastramento da doença.

De acordo com o projeto, o Estado é proibido de iniciar ações que disseminem a prática do uso dos preservativos. O argumento utilizado é o de que isso fere os valores da família e leva a uma imoralidade da sociedade. Nesta linha de raciocínio, o uso da camisinha masculina e feminina, do diafragma, do DIU, da injeção de hormônios, da esterilização, do aborto induzido, da ligadura de trompas, da vasectomia, da pílula do dia seguinte, dos métodos comportamentais e métodos de monitoramento de fertilidade, do método estatístico, do coito interrompido, dentre outras práticas, seria proibido pelas autoridades públicas. Enfim, o governo brasileiro deveria investir em propagandas de conscientização sobre os riscos da saúde da mulher relacionados ao uso de métodos contraceptivos.

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Relacionada à questão da proibição dos métodos contraceptivos está a questão da sexualidade. Segundo a doutrina católica, o sexo deverá ser prática apenas depois do casamento. O argumento utilizado é o de que a sexualidade é algo criado por Deus, portanto, sagrado. Sendo assim, deverá ser praticado apenas dentro do casamento, que é. também, sagrado. Logo, a finalidade da relação sexual se resume à procriação e ao prazer entre o casal. Aqueles que não se encontram em situação de casados devem comprometer-se a praticarem a castidade.

De acordo com o projeto acima, as cidades do Estado do Rio de Janeiro estariam proibidas de comercializarem material que faz alusão à pornografia, ou mesmo, realizar eventos que aludem ao erotismo. Pessoas ou estabelecimentos comerciais ou artísticos que forem pegos estimulando a pornografia podem ser multados ou, até mesmo, presos. Portanto, é função das autoridades públicas fiscalizarem para que a moralidade seja algo praticado por todos.

Outros projetos estão inseridos na categoria moral, dentre eles: Autoriza O Poder Executivo A Instituir O Dia 25 De Março Como O Dia Do Nascituro No Calendário Oficial Do Estado Do Rio De Janeiro (proposto por Carlos Dias), Proíbe experiências e clonagem de animais e seres humanos (proposto por Salvador Zimbaldi) e Proíbe Experiências Genéticas Envolvendo  Embriões  No Estado Do Rio De Janeiro (proposto por Carlos Dias)

Marcos Vinicius de Freitas Reis – Professor da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP) do Curso de Graduação em Relações Internacionais. Possui graduação em História pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e mestrado em Ciência Política pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR). Doutor em Sociologia pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Docente do Curso de Pós-Graduação em História Social pela UNIFAP, Docente do Curso de Pós-Graduação em Ensino de História (PROFHISTORIA). Membro do Observatório da Democracia da Universidade Federal do Amapá. Docente do Curso de Especialização em Estudos Culturais e Politicas Públicas da UNIFAP.  Líder do Centro de Estudos de Religião, Religiosidades e Políticas Públicas (CEPRES-UNIFAP/CNPq). Interesse em temas de pesquisa: Religião e Politicas Públicas. E-mail para contato: [email protected]

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3 comentários

  1. Esse é um tema muito polêmico agora mesmo, estava lendo uma crítica de uma ministra, sobre o filme lindinhas, Netflix o filme faz uma crítica a pedofilia, imagina se ela tivesse assistido o episódio as filhas do bom pastor, que tratavam dentro dos templos em nome Jesus, pra alugarem hotéis praticarem sexo dentro das piscinas, e todo tipo de orgias.

  2. No início dos anos 90 Dom Paulo Evaristo Arns, deu uma entrevista às vésperas do Carnaval defendendo o uso da camisinha durante o evento. Indagado se não iria de encontro aos dogmas da Igreja, ele falou:
    ” Não sou contra as normas da Igreja, sou pelo mal menor.”

  3. O problema maior da sexualidade dos humanos é que embora mamíferos, a Natureza não preservou em nós o fenômeno do cio.
    Observem: os outros mamíferos em geral (com exceção, talvez, das lebres) vivem suas vidas na maior tranquilidade uns com os outros e com as outras, sem nenhuma dificuldade quanto a gênero – até que advém em cada um o cio, orientando-os e obrigando-os a buscar sexo. Passado esse período, as fêmeas que engravidam (ou não) voltam a viver suas vidas sem que os machos as incomodem – e os machos também se acomodam a seu dia-a-dia convencional. O fenômeno do cio tem a ver com hormônios, que liberam cheiros característicos a cada classe de mamíferos. Ficam protegidas e protegidos fêmeas e machos fora da idade da liberação dos hormônios nos respectivos corpos.
    Humanos, no entanto, somente são controlados em sua sexualidade por meio da educação: palavra aqui usada em seu sentido original (ducere, conduzir, inclusive a cabresto mesmo). É aí que deveriam estar presentes os ensinos/orientações da mãe, do pai, dos familiares, de gente que ensina em creches, em colégios, etc. E, obviamente, em igrejas, quaisquer que sejam elas.

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