Summer is coming, por Arkx

foto: Gisele Arthur

por Arkx

vem vindo o Verão. e o que fizemos neste verão futuro? onde estávamos nós neste verão futuro, no qual todos seremos consumidos por suas inadiáveis labaredas?

já somos hoje apenas os fósseis do amanhã? estamos destinados a traumas futuros? por que esta insistência nas ciências da morte e da castração, seja a paleontologia ou a psicanálise, como se através delas pudéssemos nos libertar de um presente distópico? existe mesmo alguma outra possibilidade de construir uma utopia sem ser através do excesso de lucidez?

winter is now. tudo aquilo que sob o lulismo parecia tão sólido, dissolveu-se no pântano do golpeachment e da decomposição institucional. agora espalham-se por toda a parte as emanações de raiva, hipocrisia, cinismo, melancolia, impotência e depressão. prevalecem os sintomas mórbidos, os fenômenos bizarros e as criaturas monstruosas.

se permanecermos congelados neste interregno, paralisados no inverno de nossas almas, a ex-querda não se renovará. vai fracassar como um monstruoso contingente de zumbis conduzidos por mortos-vivos. e o Brasil será completamente devorado no picnic de abutres desta guerra de famiglias, com cenas cada vez mais violentas de canibalismo explícito.

o que fizemos no verão passado? apesar de todas as evidências, preferimos nos aconchegar na confortável auto-ilusão do verão do lulismo já não trazer em si as larvas de seu inevitável inverno?

o presidencialismo de coalizão pariu o presidencialismo condominial. a não auditoria da privataria tucana e a supressão da Satigraha pariram a Lava Jato. a Lava Jato & Associados destruiu o Brasil tal qual o conhecíamos. não há retorno.

um cadáver ainda carente da necropsia, o lulismo vive sua última quimera: a ilusão de ter sido vítima. mas foram os repetidos e sempre apontados erros do lulismo que nos arrastaram pelo rumo de um golpe anunciado.

Leia também:  E agora, mundo?, por Rômulo Moreira 

o lulismo não é vítima. a ex-querda não é vítima. nenhum de nós é vítima.

somos todos responsáveis por nossas escolhas e por nossos atos. e todos compartilhamos as conseqüências de escolhas e de atos da coletividade na qual vivemos.

não existe essa coisa de indivíduos! indivíduo/sociedade é apenas uma vívida alucinação provocada pela disfuncionalidade do pensamento binário. o que há são fluxos e processos. não há “indivíduos” dentro de uma “sociedade”, e sim pontos de intercessão, nós numa imensa e complexa rede. tudo e todos são relações sociais.

o que deve nos manter unidos e nos dar força para lutar não é nenhum ingênuo otimismo. muito menos uma improvável esperança. mas sim a consciência de ser a união na luta nossa única chance de sobrevivermos: um sentimento radical de solidariedade.

com o golpeachment e a destruição do Brasil, tudo está às claras e revelado: nunca existiu nenhuma “burguesia produtiva nacional”.

por que Marcelo Odebrecht, mesmo condenado a mais de 19 anos e preso desde junho de 2015, com a própria empresa Odebrecht sendo penalizada, não divulga a única “delação premiada” que lhe caberia: expor a Lava Jato e o impeachment como uma intrincada luta política contra os interesses do Brasil, de suas grandes empresas e de sua população?

porque o setor dominante nunca será capaz de solucionar a crise. ele é a crise.

banqueiros, rentistas, empreiteiros, usineiros, exportadores de  commodities e mídia-empresários são todos os atuais piratas pilhando as terras brasileiras. os abutres devorando em seu picnic a cidadania e a soberania, sem qualquer compromisso com o país e sua população.

uma degradada lumpenburguesia sempre parasitando os recursos públicos, eternamente esplêndida em se colocar subalterna a serviço de sua contraparte internacional. sua única grandeza é o tamanho de sua pequenez frente aos desafios de um projeto de país.

Leia também:  Guerras comerciais são lutas de classe - parte II: desequilíbrios globais? Por Michael Roberts

não sairemos deste golpe pelo caminho que a ele nos trouxe. esta é uma guerra de mundos, nenhuma paz nos salvará. um golpe se institui pela força e só um contra-golpe pode detê-lo.

a fratura exposta entre o poder instituinte e os poderes constituídos é irreparável. o poder soberano do povo a ele deve voltar. este é o obrigatório e inadiável passo inicial para a superação do impasse de uma governabilidade inalcançável, nem agora e muito menos em 2018.

golpe é golpe. golpistas são traidores da Democracia e do Brasil. não existe mais Democracia no Brasil. ela terá que ser reconstruída a partir de suas bases, com a refundação de uma República autenticamente popular.

são imensas e inesgotáveis as forças da vida e do desejo que habitam este país. só nos entregando a elas poderemos descongelar este presente distópico, para começar a construir uma utopia tendo como fundamento o excesso de lucidez. o desejo como infindável conexão. a vida como eterna criação.

para não sermos os fósseis do futuro, o trauma do presente precisa ser encarado e superado.

1. instalado com um golpe através de um impeachment inconstitucional, o governo Temer, é ilegítimo. assim sendo, todos seus atos e decisões são ilegítimos;

2. todos os seus contratos, seja de privatizações ou emendas constitucionais, serão sumariamente revogados assim que se reconquiste o governo;

3. todos os responsáveis pelos contratos ilegítimos estabelecidos pelo governo Temer serão sumariamente afastados e processados por crime de traição contra a Democracia Brasileira – sejam membros do Executivo, do Legislativo ou do Judiciário;

4. toda a cadeia hierárquica dos que participaram ou referendaram os contratos ilegítimos do governo Temer serão sumariamente afastados e processados por crime de traição contra a Democracia Brasileira;

Leia também:  Caso Vicentin: expropriação “comunista” ou embargo liberal?, por Camila Koenigstein

5. os que se beneficiaram dos contratos ilegítimos do governo Temer na posição de compradores de ativos públicos, também serão processados por crime de traição contra a Democracia Brasileira, com a imediata perda da posse e do controle do que adquiriram ilegitimamente pela via do golpe;

6. a Lava Jato é uma operação umbilicalmente conectada aos interesses geopolíticos das corporações transnacionais e dentro do escopo de uma guerra mundial híbrida. provas a este respeito são abundantes nos arquivos do Wikileaks e das agências de inteligência de Rússia e China;

7. membros da Lava Jato, e toda a cadeia do Judiciário e do MPF a ela ligados, serão sumariamente afastados e processados por crime de traição contra a Democracia Brasileira.

o Verão virá. ou pelas chamas da barbárie e da extinção ou pela fênix da reconstrução da Democracia e a refundação da República.

o que faremos nós neste inexorável Verão que vem?

Dracarys

https://www.youtube.com/watch?v=8_Xep-807O8

.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

14 comentários

  1. Estarão em casa, passando calor, sem dindin para viajar

    Falta liderança no que se chama esquerda no Brasil. Alquebrataram a imagem de Lula e so vencendo a Lava Jato ele podera voltar a ser a grande liderança de que precisamos, senão, sera a vitima que no proximo verão estara na prisão. E sera que haveria uma catarse caso Lula fosse preso? Sera que para além de um grupo, teremos manifestações contra uma arbitrariedade ou continuarão os Forrest Gump indo em direção ao muro?

    Brizola certamente seria o homem que poderia derrubar os golpistas e remover todo lixo que estão nos impondo. Mas apesar de todo esforço de parte de alguns senadores e deputados, eles não fazem um Brizola…. Precisamos ter midia, precisamos de um grande canal de comunicação, sem isto, a Globo continuara na sua idiotização das massas.

    • Em que pese gostar mais do

      Em que pese gostar mais do Lula que ou do Brizola, acho que mesmo quem gosta de Lula há de convir que o tempo dele passou. Lula é um hábil negociador em um contexto no qual ninguém quer negociar. Brizola é mais combativo e seria o líder ideal para um momento como esse….

      A única saída para o nosso problema atual é a Força. O problema é que eles tem o Exército e as polícias.

    • summer is coming: Dracarys

      ->Brizola certamente seria o homem que poderia derrubar os golpistas e remover todo lixo que estão nos impondo. 

      Brizola resistiu em 1961 e impediu o golpe. Brizola tentou até o fim resistir em 1964 – e poderia ter impedido o golpe. sem dúvida, é grande!

      já o Brizola governador do Rio, sem detrimento de pontos fortes, foi o “pai” de César Maia e Garotinho. sem dúvida, também foram grandes suas contradições…

      ->Alquebrataram a imagem de Lula 

      na última manifestação em Brasília, no dia da votação da PEC no Senado, com o massacre contra os estudantes (vide relato acima), onde estava Lula? e Dilma? e os Senadores e Deputados do PT?

      estavam no alto do carro de som? estavam fazendo um cordão de proteção para os estudantes?

      onde estava a CUT e o “exército” do MST?

      o problema não é o “povo alienado”. nunca foi. o grande problema sempre foram as lideranças.

      assim como o setor dominante jamais solucionará a crise, pois ele é a crise, a crise do movimento sempre foi a crise de suas lideranças.

      abraços

      .

  2. Sina

    Ainda sobre idas e vindas de um pais que, preso ao seu passado infantil como se fosse trauma, não consegue avançar..,…a república começou com um golpe e continua neste ciclo interminável..a população nunca participa, sendo mantida há século do lado de fora do baile…tanto que nem ficou sabendo naquela ocasião que a República havia sido proclamada, o que tomou conhecimento através da imprensa… A partir daí, temos voltado e repetido sempre o nosso passado em fatos e fotos…

    http://www.riodejaneiroaqui.com/portugues/ilha-fiscal-baile.html

     

     

     

     

     

  3. Eita pais que não consegue se libertar

    Eita pais que não consegue se libertar do seu próprio passado e por isso o reproduz a todo instante em forma de lembranças do passado presentes no DNA de uma elite bizarra

    Saiba mais:

    Por ocasião da impixam de Collor, que foi eleito pela Globo, o Estadão publicou um artigo sobre o Baile Fiscal,,.olá imprensa golpista, estamos esperando a atualização do artigo…fatos e fotos de ontem e de hoje é que não faltam

    http://www.novomilenio.inf.br/festas/brasil14.htm

     

     

  4. Casa Grande e Senzala

    Parabéns pelo texto.

    A foto utlizada neste post simboliza a “Casa grande e senzala” dos tempos modernos. Aristocracia confortavelmente assitindo a surra que o capataz emprega nos escravos modernos. E não adianta relevar, a Casa grande não suporta povo, não adimitirá perder o protagonismo do poder novamente.

    Realmente o lulismo paralisou as esquerdas em função da utopia do poder e, consequentemente, o pensamento e os movimentos de esquerdas se estancaram. Agora para retornar terá que se realinhar, vai ser difícil, mas terá que acontecer. É sempre bom lembrar que sem senzala não há Casa grande, esta sempre depende de grande força braçal para manter seus privilégios. Uma hora a luta de base, como diz o texto, deverá ser reconstruída, afinal os louros do golpe não serão saboreados por muitos. 

    • comenta….

      Na foto: 3 perseguidos políticos no governo militar, o neto e o “garoto” de 2 figuras, que diziam seus súditos, simbolos da luta democrática. Será? Todos ligados à centro-esquerda. Estes é que são a Elite, os Rentistas, o povo que sempre defendeu o capital? Esta é a direita brasileira? Ou é a classe que sempre representou o parasitismo do Estado Brasileiro? Ou grande parte da mídia, da imprensa, da pseudo-intelectualidade brasileira continua atirando em “fantasmas”? E crendo piamente que os atingirão? Grande parte do país continua com sua fé inabalável que a culpa nunca foi não ter mudado a sua rota e sim da existência do abismo. Antes de atingir o fundo do precipício, continuam a culpá-lo. Parabéns !!! Logo descobrirão novamente quem estava errado.  

  5. summer is coming: Dracarys

    salve o Povo Brasileiro! salve, salve!

    ——————————————-

    Oi

    Saímos de Campina Grande- PB no domingo, dia 27. Éramos três professores: um do IF e dois da UEPB, e os demais 42 eram estudantes secundaristas e universitários. No dia da nossa chegada, nos concentramos na UNB.

    No dia seguinte, fomos ao local das atividades. Após concentração e distribuição do almoço no MEC, assistimos a fala da Maria Lúcia Fatorelli.

    Em seguida, caminhamos para a concentração no Museu e de lá caminhamos em direção ao Senado. Nunca tinha visto tanta gente na rua lutando pela mesma causa. Não sou a melhor pessoa para números, mas acredito que tínhamos 50.000 pessoas na rua. A energia era forte, uma mistura de determinação e esperança.

    Nosso grupo rapidamente chegou ao gramado que antecede o espelho d’gua. Sem aparente identificação, os policiais já estavam posicionados para nos receber. Até então não tinha havido nenhum tipo de embate, apenas algumas pessoas dentro da água. Do lado oposto em que estávamos, uma mulher dizia algo para os policiais. Nesse momento tive a idéia de abrir a bolsa e pegar o celular. Nessa fração de segundo ouvi uma vaia generalizada e levantei os olhos: a mulher estava inerte na água.

    Todos se revoltaram com o fato do policial jogar spray de pimenta algumas vezes e ela não recuar. No entanto, a maior revolta foi a agressão física que a fez desmaiar na água: enquanto jogava o spray, ele a chutou no rosto. Lembrem- se que ela estava no nível mais baixo ( na água) e ele no terraço do Senado.

    Sim, a polícia provocou e começou as agressões. Aí tudo virou um caos. Um grupo virou um carro branco, acendeu o fogo e em seguida o empurrou em direção aos policiais, numa espécie de barricada para tentar resgatar a moça. Outras pessoas foram de mãos para cima para tentar negociar a retirada garota, mas também levaram spray de pimenta. 

    Nesse momento, as bombas de gás lacrimogêneo começaram a cair por todos os lados. Uma caiu na nossa frente, saímos de lá com aquela sensação de queimor insuportável, mas, ao mesmo tempo, já estávamos com pequenas quantidades de vinagre ( já que este e o leite de magnésio são eficazes para barrar os sintomas que o gás causa).

    Todas essas recomendações recebemos e propagamos na viagem, bem como as estratégias de rota de fuga ( com uma montagem de um mapa do plano piloto) em caso de embate com a polícia, dispersamento ou desencontro. 

    A medida em que recuávamos, a polícia avançava. Ela não poupava ninguém. Quando o protesto começava a tomar corpo, já se aproximava do fim do expediente dos trabalhadores. Ninguém foi poupado. Vi idosos, mulheres com crianças, e nós, os militantes, apanharem muito. O desespero era fugir do gás e, simultaneamente, retirar quem estivesse atingido ao lado: foi a maior lição de solidariedade que vivi. 

    Nossa janela de fuga ( sim, porque 95% das pessoas que lá estavam não foram preparadas para uma guerrilha urbana) foi proporcionada pelos Blacks BLOCKs. Eles retardaram o avanço da polícia e criaram, junto com alguns militantes mais experientes, barricadas para conter o avanço policial. Eles também apanharam muito. Carros foram queimados para distrair atenção dos agressores, painéis e alguns prédios de ministérios foram quebrados na tentativa de diminuir as agressões e salvar as pessoas feridas.

    Nesse momento percebemos os helicópteros ( eu contei 4 diferentes). No início eu achei que era apenas para acompanhamento da movimentação da massa. Já no início da noite, algumas aeronaves começaram a fazer voos mais baixos e, logo em seguida, estourava uma nova bomba. Eu não vi cair nenhuma bomba dos helicópteros, mesmo porque o inferno estava no solo, mas a polícia estava muito longe para que as bombas chegassem a nós.

    O pior aconteceu quando a cavalaria entrou em ação. O pânico tomou de conta. As pessoas corriam enlouquecidas com medo de serem pisoteadas pelos cavalos.

    E o confronto seguiu nesse terror. Estávamos assustados demais para reagir e, em nosso grupo, a prioridade era proteger os alunos já que a maioria deles nunca tinham presenciado embates tão duros. Hoje percebo que o país inteiro não tinha vivido tão recentemente tamanha truculência. 

    Conseguimos enviar boa parte do grupo para o ônibus, mas ainda tínhamos que pegar os outros no nosso ponto de fuga. Criou-se assim uma espécie de equipe de resgate. Nesse momento trocamos de blusas, tiramos bottons/adesivos e jogamos as bandeiras fora. O mais importante era restabelecer em segurança o grupo.

    E as bombas continuavam a cair. Um dos aspectos que a bomba causa é o impacto psicológico: elas tem um som ensurdecedor e treme o chão quando toca o solo.

    Ainda assim, depois de juntarmos quase todos e o clima aparentemente ter  acalmado, ainda tínhamos os desaparecidos. Só tínhamos duas alternativas: hospital ou cadeia.

    A ajuda dos companheiros que não estavam no protesto foi fundamental. Eles nos ajudaram a localizar várias pessoas, entre elas, nossa companheira desaparecida que estava no hospital da UNB. Ela foi socorrida por uma enfermeira que tinha na mão o magnésio e a achou desacordada debaixo de uma árvore. Não sabemos seu nome, apenas que salvou nossa aluna. Para esta pessoa os meus mais sinceros agradecimentos.

    Não são todos que se dispõe a salvar a vida do outro, colocando a sua própria vida em jogo. Não podemos esquecer da equipe médica que a atendeu. Não tenham dúvidas de que foi um belíssimo trabalho, já que nossa aluna possuía uma fragilidade pulmonar que complicou os sintomas do gás em seu corpo. Obrigada equipe médica da UNB.

    Ao acordar, nossa aluna conseguiu passar as informações para o pessoal do hospital, que entraram em contato com familiares e professores de sua unidade de ensino que, por sua vez, entraram em contato conosco. Ela nos relatou que o hospital estava cheio e que, em sua maioria, mulheres eram as principais vítimas, sobretudo as que estavam com os seios desnudos. Impossível não fazer um leitura sociológica desse fenômeno. 

    Ela também nos relatou um caso de uma criança de ( aparente)10 anos. Ela e sua mãe estavam muito machucadas: a mãe com marcas roxas pelo corpo causado pelo cassetete, a criança com 15 pontos na boca em direção às maçãs do rosto. A mãe foi buscá-la na escola vestindo uma camisa do “Fora Temer” e, por azar, estava no olhou do furação. A mãe foi agredida pelo policial que, não satisfeito com o espancamento, partiu para agredir a criança.

    Pude perceber que existia prazer em alguns policiais em agredir as pessoas, outros, nos indicavam com um olhar uma rota de fuga. Pessoas e pessoas. 

    Não posso deixar de mencionar o papel de alguns cidadãos de Brasília. Mesmo não estando no protesto, eles nos indicavam os possíveis caminhos para fugir daquela insanidade. Muito obrigada. 

    Já passava das 21h e ainda tínhamos alunos desaparecidos. Ficamos sabendo que a polícia tinha fechado a rodoviária e estava prendendo militantes dentro dos ônibus estacionados nas imediações da rodoviária. Ao mesmo tempo, dois dos nosso alunos estavam em outra localidade com uma delegação diferente. Decidimos pegar um táxi e entrar na rodoviária para procurarmos o último desaparecido. Para nossa sorte, recebemos mensagem de que ele tinha encontrado nosso transporte e estava a salvo. Assim retornamos ao ônibus e saímos de Brasília naquele mesmo momento.  

    Sentimos falta da presença da CUT e MST.  Acredito que se eles estivessem lá o resultado poderia ser diferente. No entanto, as entidades que estavam, nos deram maior apoio possível, inclusive, de ordem tática. Não foi a toa que a polícia deu voz de prisão aos manifestantes que estavam no alto do trio elétrico chamando a militância a resistir ao avanços dos policiais. 

    Acredito que o protesto de ontem e seus desdobramentos deram início a outro momento na história do país. E o protagonismo será da juventude. Cabe a nós, os professores, o papel de elaborar proteger, orientar, salvar, zelar e agir por nosso jovens. 

    Me desculpem eventuais erros e equívocos, mas ainda estamos na estrada rumo ao nosso destino. Ao menor sinal de Internet, recebemos muitos pedidos de informações e, por este motivo, fiz esse relato.

    Nesse momento, 20:56 do dia 30/11/16, em algum lugar desta enorme Bahia, decidi escrever esse texto como forma de informação, mas também de expurgo para a compreensão geral dos chocantes acontecimentos de ontem.

    É impressionante o crescimento individual deste grupo de alunos. Eles estão mais coesos e solidários. No início da viagem houve pequenos ruídos por causa dos posicionamentos de um grupo de alunos com outro grupo que tinha orientação  LGBT.

    Neste exato momento estou sentada entre dois grandes grupos que estão debatendo questões específicas. Os rapazes mais conservadores estão discutindo gênero com parte do grupo LGBT e o outro discutindo formas de exploração do trabalho. Se tornaram homens e mulheres, literalmente, do dia pra noite.

    Eu apenas os observo, afinal quem mais está aprendendo aqui sou eu. E meu coração está inundando de amor e felicidade.

    A PEC passou e irá passar. Mas o sentimento de que fiz ( fizemos) tudo que estava ao meu (nosso) alcance me conforta, mas não me resigna. Saio mais convicta da necessidade da luta.

    Mauriene Freitas,

    Profa. UEPB.

    .

  6. Resposta

    Arkx, respondendo ao comentário na resposta que agora virou post, dos seus amigos de BH, eu entendo como eles se sentem e me sinto assim. Embora critique Junho de 2013, uma diferença marcante daquela época para agora é que aqueles jovem se sentiam poderosos, confiantes, e acreditavam em poder mudar tudo.

    Hoje, todos nos sentimos impotentes. Temer tem uma base de dar inveja a qualquer coisa que Lula ou Dilma tiveram um dia, e passa o rolo compressor em tudo. Qualquer cosia a direita que ele proponha, até a volta da escravidão, consegue 2/3 na câmara ou no Senado fácil. E o STF não questiona nenhuma medida à direita. 

    Apoio da população ele pode até não ter, mas isso também não é uma coisa boa. A população está enfeitiçada por Moro e pelo Judiciário, que considero atualmente mais perniciosos que Temer ou o Legislativo. 

    Esse golpe só se derruba pela força, mas a esquerda não tem armas ou apoio popular para mobilizar milhões de pessoas no Brasil todos, e fazer os golpistas recuarem, com a ameaça física de extermínio da Casa Grande. 

    Precisamos conquistar a população rápido. Esses larápios vão destruir o Brasil em velocidade espantosa. Mas eles tem Redes de TV´s e igrejas evangélicas para zumbificar o povo constantemente. O povo parece que só vai acordar quando for tarde demais.

    Quanto a Lula, o máximo que ele pode fazer é um pacto de rendição semi-incondicional para ficar livre da cadeia e ter um fim de vida tranquilo. Se não quiser viver em um país extremamente miserável, ele pode sair do Brasil…

    Precisamos esquecer junho de 2013. Tanto esquecer as críticas, quanto esquecer as táticas e conceitos estratégicos, já que aquele movimento não só produziu o resultado desejado, como produziu algo totalmente oposto.

    “o Verão virá. ou pelas chamas da barbárie e da extinção ou pela fênix da reconstrução da Democracia e a refundação da República.”

    A barbárie da extinção tá pagando 1,5 Real por real apostado. A Fênix da reconstrução da democracia tá pagando 150 por real apostado.

    • summer is coming: Dracarys

      -> dos seus amigos de BH, eu entendo como eles se sentem e me sinto assim.

      conheci o casal num ato realizado pela galera do PT na praça central de Caxambu (MG), ainda antes do impeachment. eles estavam na cidade. procuraram se havia alguma manifestação. e encontraram! ficaram muito felizes de participar. muito legal isto. é importante. isto é política. a arte do encontro. parece besteira, mas não é.

      volta e meia eu os encontro durante o almoço. são típicos representantes de nossa geração. envelheceram, não apenas cronologicamente. já não tem a capacidade de transformar a indignação em ação concreta.

      curioso que neste mesmo dia, apareceu um cara sozinho na manifestação. também era de fora. e também estava visitando a cidade. estava agoniado no hotel. saiu prá dar uma volta e procurar se havia algum ato acontecendo. pois é, também encontrou o pequeno grupo na praça (não mais do que 60 pessoas, mas bem razoável para o contexto local).

      este cara é um ex metalúrgico. participou de todas as greves do ABCD e de todo o processo de criação do PT e da CUT. fez uma bela intervenção, inclusive apontando todos os desvios do PT e de Lula.

      logo depois dele, pedi a palavra para comentar sobre a greve de 1980. uma greve derrotada. mas o ponto de partida justamente da criação do PT e da CUT. ele ainda acrescentou passagens que viveu na época.

      mais uma vez, a política como a arte do encontro.

      cito os dois casos porque são complementares, embora opostos. o ex metalúrgico continua na luta. o casal, nem tanto…

      a vida é assim… dura!

      não sou “otimista”. não sou “pessimista”. não sou “cirandeiro”. não sou “extremista”. muito menos “acredito em gnomos”. mas a política não é mesmo a “arte do possível”. ao contrário, a política é a “mágica” através da qual a sociedade se auto transforma.

      -> Hoje, todos nos sentimos impotentes. Temer tem uma base de dar inveja a qualquer coisa que Lula ou Dilma tiveram um dia, e passa o rolo compressor em tudo. Qualquer cosia a direita que ele proponha, até a volta da escravidão, consegue 2/3 na câmara ou no Senado fácil. E o STF não questiona nenhuma medida à direita. 

      sem dúvida. mas é uma questão de paradigmas. já lhe disse isto antes. são paradigmas diferentes. do meu ponto de vista, do ponto de vista do PT em sua fundação, jamais chegaremos a qualquer mudança efetiva priorizando o parlamento e a justiça.

      veja a “mãe de todas as Democracias”: a “democracia” dos EUA. foi concebida para que o voto popular não fosse soberano (mais uma vez isto se confirma com Trump). uma “democracia” para

      garantir os privilégios da minoria.

      James Madison: “A grande preocupação da sociedade deve  ser a proteção da minoria abastada contra a maioria”.

      esta “democracia”, com este congresso e este Judiciário, são e sempre foram uma farsa. agora isto está escancarado. e isto também não terá retorno. é um dura lição, mas não será esquecida. quanto mais rápido for incorporada, mais rápida será a superação.

      -> Precisamos esquecer junho de 2013.

      não vou alimentar polêmicas sobre este tema. já expus o suficiente minha opinião. mas, seria legal vc ler o comentário abaixo com um depoimento de uma professora que esteve em Brasília, no dia da votação da PEC no Senado. Junho de 2013 é o depoimento dela. as coisas estão mudando muito e muito rápido. só que ainda não a ponto se tornarem obviamente flagrantes.

      -> A barbárie da extinção tá pagando 1,5 Real por real apostado. A Fênix da reconstrução da democracia tá pagando 150 por real apostado.

      aposta boa, não? mas não sou chegado a nenhum tipo de jogo ou aposta.

      não é apenas o governo Temer que se esfacela. é todo o background de sustentação do golpe. até Moro já começou a encaminhar seu exílio. a situação como um todo é insustentável. vc está vendo apenas a perspectiva do nosso lado, mas e do lado dos golpistas? os caras estão totalmente perdidos e sem plano de ação. pior, sem rota de fuga. a economia não recupera. e sem recuperação da economia não haverá governabilidade e muito menos estabilidade. o cenário ainda é de total indefinição.

      assim: façam suas apostas.

      p.s.:  e por falar nisto, quanto teria pago a aposta na declaração de Trump?

      “O presidente recém-eleito dos EUA, Donald Trump, confirmou que sua administração não conduzirá uma política externa que vise a “derrubada de regimes”.

      https://br.sputniknews.com/americas/201612027032964-trump-oriente-medio-regime-derrubada/

      .

  7. Caxambú

    Pelo menos você está mais protegido morando em Caxambú 

    as labaredas de São Paulo é que são de lascar. 

    Tenho pensado seriamente em me mudar para algum lugar mais tranquilo até o inferno se esgotar.  

    • summer is coming: Dracarys

      antes de tudo, desculpe a demorar em responder. não tinha visto ainda seu comentário. mas logo agora algo me fez vir dar uma conferida. engraçado é que no momento aqui está faltando energia, mas tenho a própria (solar).

      não moro em Caxambu. divido meu tempo ente o Rio e um sítio nas proximidades de Caxambu e Baependi. as duas cidades são vizinhas, separadas por apenas 6km.

      seja de que jeito for, a imigração das megalópoles é inevitável. as Babilônias irão cair. são inviáveis.

      qualquer projeto de desenvolvimento (entendido aqui como desenvolvimento de qualidade de vida) passa por um novo ciclo rural, baseado numa total inversão de paradigmas: a periferia tem que ser o centro e o interior a capital.

      outra coisa: nenhum lugar é “tranqüilo”. quando as pessoas me dizem como deve ser silencioso de noite no sítio, tenho que decepcioná-las: no Rio as noites tem muito mais silêncio do que num sítio. nas Babilônias a vida foi esterilizada, enquanto na roça o barulho dos bichos é incessante.

      abraços

      .

       

  8. + comentários

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome