Trump em Davos, o circo completo, por Andre Motta Araujo

Trump fala qualquer coisa que lhe dê algum proveito naquele momento, suas falas e promessas têm o valor de um guardanapo e assim o mundo o considera, mas hoje ele inovou.

Foto AFP

Trump em Davos, o circo completo

por Andre Motta Araujo

O Presidente dos EUA fez hoje um surpreendente discurso em Davos onde cantou seus feitos e glórias, como de habitual, MAS tocou em um item que não é sua praia, MEIO AMBIENTE. Reconheceu o problema e diz que os EUA vão aderir ao projeto mundial de PLANTAR UM TRILHÃO DE ÁRVORES.

O Fórum de Davos é um espécie de piquenique anual do capitalismo selvagem, baseado em fusões e não pagamento de impostos, levando o mundo a uma a inédita CONCENTRAÇÃO DE RENDA, permitida e consentida por governos acovardados e rendidos ao neoliberalismo primitivo, com as exceções da França e Alemanha e dos países de economia dirigida pelo Estado, como Rússia e China. Trump fala qualquer coisa que lhe dê algum proveito naquele momento, suas falas e promessas têm o valor de um guardanapo e assim o mundo o considera, mas hoje ele inovou.

O Fórum de Davos é um negócio de eventos, é uma fundação criada por um empreendedor alemão, Klaus Schwab, que vive disso há décadas. O Fórum já teve maior expressão. Seu apogeu se deu no início do novo milênio e antes da crise de 2008. Hoje está em escala descendente, mas ainda é um grande palco para discussão de ideias sobre o mundo dos negócios.

É curioso que o tema central nesta edição do Fórum seja a SUSTENTABILIDADE DO PLANETA DIANTE DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS, um tema consensual entre as lideranças políticas mundiais, entre as grandes corporações e entre os maiores cientistas do mundo, ficando de fora os malucos negacionistas e seus seguidores. Trump era um deles, mas parece que mudou de lado, pelo menos em seu discurso em Davos, viu que o vento está majoritariamente ao lado do meio ambiente e aderiu.

Leia também:  Coluna Econômica: a bolha dos créditos garantidos por imóveis, por Luís Nassif

O tema da CONCENTRAÇÃO DE RENDA, cada vez mais candente no mundo, força sua entrada na pauta de Davos, mas é evidente que é um tema político que depende de ação política. A ideia de Thatcher e Reagan de que REDUZINDO IMPOSTOS PARA OS RICOS E CORPORAÇÕES eles reinvestiriam o dinheiro e criariam mais empregos, revelou-se uma miragem, algo já reconhecido pelos centros mundiais de pensamento econômico. NÃO INVESTIRAM NADA PARA CRIAR EMPREGOS, apenas enriqueceram mais.

Está na hora dos países TAXAREM MUITO MAIS LUCROS E PATRIMÔNIOS para desconcentrar renda e criar recursos para investimentos em educação, saúde, saneamento e moradia. Esta é uma linha já presente nas plataformas das novas ondas de eleições nos grandes países, a começar dos EUA, onde os candidatos Democratas têm a faca pronta sobre a riqueza espantosa dos fundos e bilionários. Trump em Davos tem tudo a ver e mostra que estamos no limiar de grandes transformações na geopolítica econômica.

Pelo menos o Fórum de Davos serve como biruta de aeroporto, capta as ondas que pairam sobre o cotidiano mundial e traz à discussão temas que daqui por diante ocuparão o topo das corporações, das chancelarias, da academia, da mídia e das redes globais de pensamento avançado.

As notícias, certas ou erradas, sobre a presença de Paulo Guedes em Davos, que lá foi para VENDER O BRASIL, assim saiu na mídia nacional, são de um ridículo atroz, Davos não é feirão de saldos, o nível é mais elevado mesmo no conceito capitalista, não é lugar para mascatear, é um fórum de ideias e o Brasil não pode se igualar a um mascate de avenida que oferece amendoim aos motoristas. Ir a Davos para VENDER O BRASIL é demais!

Leia também:  Como o desmonte de órgãos ambientais tem relação direta com o fogo nas florestas

AMA

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

7 comentários

  1. É preciso entender pra parar de se surpreender: essa direita entreguista, golpista, tem compromisso é com IDEOLOGIA. Sim, tudo que acusam nos outros. Construíram suas existências em cima disso. Ganharam até bastante. Não há espaço para critica científica. Pelo contrário, qualquer questionamento derruba toda uma estrutura psicológica, como um edifício que cai. O besteirol ideológico da guerra fria causou neuroses muito profundas. Em muitos casos é pior do que transtorno pós traumático.

  2. É importante repetir uma, duas, mil vezes:

    Estamos numa guerra mundial híbrida há pelo menos uma década. O Brasil era um jogador secundário, mas um jogador. Fomos atacados, com a ajuda consciente ou não de muitos, e fomos derrotados facilmente. Agora somos mero palco de operações, e apenas a nós interessaria que o Brasil tivesse uma indústria nacional.

    A tendência é voltarmos ao estágio de grande fazenda monocultora e, se for lucrativo ao interesse estrangeiro, nem nossa integridade territorial será mantida.

  3. Mas quem tera a coragem de fazer a reforma tributaria nesse Pais?! O PT não teve força nem coragem suficiente no passado.
    Quanto ao vendedor Guedes, esperar alguma sutilidade de um tribo de elefantes é querer algo impossivel… So num proximo governo, na espera que seja civilizado.

  4. Caro Araujo,
    Não dá para dizer que não se leva a sério o presidente da maior potência do planeta. É o cara que anda com uma maleta que pode levar ao fim dos tempos, literalmente. Mas, ninguém leva Trump a sério. Creio, sequer Trump.
    Quanto a “vender o Brasil” na prática, isso já ocorre. Ir a Davos com tal objetivo é redundante. Há excedente de liquidez no mundo. Aos montões. Esse dinheiro está em busca de remuneração. Ainda que os custos de oportunidade sejam referenciados por taxas de juros no rés do chão o que, a priori, serviria para atrair investidores para inversões em ativos produtivos e de infraestrutura o buraco, por aqui, é mais embaixo. Somente promessas de remuneração do capital não bastam. Há que levar em conta o risco político, o nível de segurança jurídica e o nível de demanda. Em nenhum desses itens o Brasil vai bem. Sequer precisa elaborar o argumento de tão batido. Veremos sim, algum investimento estrangeiro, mas focados em projetos onde, pontualmente, os riscos sejam menores ou onde o preço será baixo que fica naquela de “é impossível recusar”.
    De resto, é ridículo. Não vemos um estadista Brasileiro em Davos desde quando? Nem responda…

  5. Davos está mais para um periodo de férias curtas de altos executivos e governantes à custa do dinheiro dos acionistas e contribuintes. E também para trocar cartões pessoais, vai ver que…
    Concordo que já teve melhores dias.

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome