4 de junho de 2026

Cinema: Ensaio Sobre a Cegueira

nsaio Sobre a Cegueira

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Direção: Fernando Meirelles

Elenco: Julianne Moore, Mark Ruffalo, Gael García Bernal, Danny Glover, Alice Braga, Sandra Oh

Blindness, EUA, 2008, Drama, 118 minutos, 16 anos.

Sinopse: Uma inédita e inexplicável epidemia de cegueira atinge uma cidade. Chamada de “cegueira branca”, já que as pessoas atingidas apenas passam a ver uma superfície leitosa, a doença surge inicialmente em um homem no trânsito e, pouco a pouco, se espalha pelo país. À medida que os afetados são colocados em quarentena e os serviços oferecidos pelo Estado começam a falhar as pessoas passam a lutar por suas necessidades básicas, expondo seus instintos primários. Nesta situação a única pessoa que ainda consegue enxergar é a mulher de um médico (Julianne Moore), que juntamente com um grupo de internos tenta encontrar a humanidade perdida.

Mesmo que tenha pouquíssimos longas em seu currículo, o diretor Fernando Meirelles mais uma vez prova que é a melhor figura brasileira trabalhando no exterior. Ele surpreende com um longa diferente na sua estética e que não deve nada ao trabalho de José Saramago.

O título acusa um filme sobre cegueira, mas ele não é bem isso. Não é apenasisso. Ensaio Sobre a Cegueira é uma história sobre a degradação da sociedade, os limites do ser humano, a falta de moralidade e o desespero atordoante. A doença misteriosa que atinge os seres humanos de uma população é mero pretexto para que uma análise do mundo em que vivemos seja feita. Ao mesmo tempo em que os personagens perdem a visão, o lado obscuro de suas respectivas almas vem à tona. Devido a essa temática difícil e a outros inúmeros fatores, o livro homônimo de José Saramago era considerado impossível de ser filmado, e as expectativas em torno do longa de Meirelles eram imensas. É um alívio, ao fim da sessão, constatar que o produto que acabamos de assistir é muito mais que uma missão cumprida, é uma história que ganhou vida própria em uma estética inovadora e diferente.

Depois de comprovar competência com direções arrebatadoras nos longasCidade de Deus e O Jardineiro Fiel – esse último injustiçado nas premiações na categoria de direção – Fernando Meirelles mais uma vez dá orgulho. Em certas partes se limita apenas a fazer o básico e em outras consegue surpreender (a cena do estupro, apesar de reduzida, consegue mexer com os nervos do espectador), dando literalmente vida aos momentos que Saramago criou em sua obra. Mas óbvio que os méritos técnicos não são apenas do diretor. A fotografia branca de César Charlone (ainda bem que colocaram legendas amarelas!) tem sim seus momentos de irregularidade. Contudo, eu quero que alguém me diga quando foi a última vez que uma fotografia tão intrigante como essa foi apresentada? Temos também a bonita trilha de Marcos Antônio Guimarães, que faz lembrar bastante a sonoridade da canção Proven Lands que Jonny Greenwood compôs para Sangue Negro. Eu esperava mais desse setor deEnsaio Sobre a Cegueira, que podia ter criado passagens mais inspiradas como o trailer sugeria.

Ensaio Sobre a Cegueira também é o esperado retorno de Julianne Moore após tantos erros desde sua última aparição no Oscar. Não podia ter um retorno mais recompensador, fazendo com que nós esqueçamos todas as bobagens que ela fez nos seus últimos caminhos. Julianne não cai em excessos, representando a “esperança” do longa da forma mais adequada possível. Nada de berros ou choros compulsivos, a  grande presença dela no longa está em cada olhar triste, em cada expressão de desespero. Ela é a estrela do filme e nenhum outro ator do elenco alcança a mesma qualidade. Eles não têm momentos individuais muito marcantes, mas como um todo funcionam de forma excelente. Danny Glover tem um pouco mais de presença por ter uma ou outra narração. Narrações, aliás, que foram reduzidas. Mas mesmo assim ficaram fora de contexto no longa, não representando muita coisa.

O escritor do livro ficou emocionado ao fim da sessão quando assistiu ao longa. Nada mais justificável. Eu estaria completamente realizado se eu tivesse visto um filme tão competente que foi baseado em uma obra minha. O roteiro segue exatamente o livro, sem grandes liberdades mas ainda excepcional em sua narrativa. É visível que o longa é comprido (são duas notáveis horas), entretanto, é algo necessário para que a história seja contada da forma mais fluente possível. O livro de Saramago está ali, em um filme que não deve nada para a obra. Desde já, um dos melhores do ano.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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