Da esquerda para direita: José Gomes Temporão, Dalia Romero e Maria Fernanda Lima. (Foto): Rafaela Santanna/Icict/Fiocruz

do CEE-Fiocruz
Cuidar da saúde do idoso é cuidar do bem estar durante toda a vida
A defesa de uma agenda baseada na seguridade social e de enfrentamento da desigualdade, que garanta bem estar a todos, em todas as etapas da vida, esteve em pauta no seminário Envelhecimento saudável sem estado de bem estar e sem SUS?, resultado de parceria entre Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz e o Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz). O evento, da série Futuros do Brasil, foi realizado em 17/10/2017, no Salão de Leitura da Biblioteca de Manguinhos, contando, na mesa de abertura, com o vice-presidente de Pesquisa e Coleções Científicas, Rodrigo Correa de Oliveira, o diretor do Icict, Rodrigo Murtinho, e a pesquisadora Dalia Romero, coordenadora do Grupo de Estudos em Saúde e Envelhecimento (Gise/Icict/Fiocruz).
A pesquisadora da Fiocruz Minas Maria Fernanda Lima-Costa, diretora do Núcleo de Estudos em Saúde Púbica e Envelhecimento, deu início ao seminário com uma apresentação sobre o Perfil epidemiológico da população idosa brasileira: desafios para o sistema de saúde. Ela destacou a limitação funcional – relativa à dificuldade de realizar tarefas como tomar banho, fazer compras, utilizar transporte público, entre outras – como um dos problemas de saúde pública mais relevantes do mundo moderno e um dos principais indicadores com que os epidemiologistas do envelhecimento trabalham para analisar essa etapa da vida.
“A limitação funcional significa alto custo para o sistema de saúde e para o sistema social”, observou Maria Fernanda, apontando que mais da metade da população com 75 anos ou mais relatam alguma dificuldade de realizar essas tarefas, sendo que o índice aumenta entre aqueles com baixa escolaridade.
A limitação funcional significa alto custo para o sistema de saúde e para o sistema social (Maria Fernanda Lima-Costa)
Estudo do Banco Mundial apresentado por Maria Fernanda aponta que os desafios do envelhecimento da população nos países de renda média não devem ser enfrentados apenas do ponto de vista financeiro, mas, sobretudo, pela promoção de políticas de seguridade adequadas às necessidades da população. Ela apontou três formas de promover o envelhecimento ativo da população: investindo-se em saúde, com destaque para a política de atenção básica e o cuidado continuado e estendido; incentivando-se a participação, pois na medida em que o idoso tem condições para trabalhar, posterga a aposentadoria e mantém-se produtivo; e garantindo-se o tripé da seguridade social, conforme previsto na Constituição – saúde, previdência e assistência social. “A atual conjuntura, no entanto, representa um risco a esses direitos”, alertou a pesquisadora.
A crítica à ruptura com as garantias de direitos protegidas pela Constituição e pelo Estatuto do Idoso também foi destacada pelo ex-ministro da Saúde e pesquisador da Fiocruz, José Gomes Temporão, em sua exposição, Perspectivas de bem estar e envelhecimento saudável: SUS ou saúde privada? “O sistema de seguridade social que a Constituição criou, com sabedoria, é uma espécie de mecanismo de anulação da máquina capitalista que cria e reproduz sofrimentos no contexto de pós-neoliberalismo”, analisou Temporão. “Na prática, o atual governo produz sentenças de doença e morte para grande parte dos idosos deste país, e o Congresso Nacional cumpre e aprova leis que têm suporte legal para essa barbárie”.
Para o ex-ministro, a garantia de um envelhecimento com menos riscos e mais dignidade, centrado no conceito de cuidado essencial, depende da consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS), do Sistema Único de Assistência Social (Suas) e da Previdência Social. “O impacto negativo das políticas de ajustes recai sobre a política de cuidado essencial”, explica Temporão, acrescentando que qualquer que seja o modelo essencial adotado, deve estar baseado em uma atenção básica de alta qualidade. “A Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), que é hoje, uma porta de entrada para 120 milhões de brasileiros, está sendo ferida de morte pelo atual governo. A grande mídia brasileira tem um discurso de desconstrução em relação ao que é público e ao que é privado, pelo qual tudo que é público é ruim”.
Na prática, o atual governo produz sentenças de doença e morte para grande parte dos idosos deste país, e o Congresso Nacional cumpre e aprova leis que têm suporte legal para essa barbárie (José Gomes Temporão)
A pesquisadora Dalia Romero abordou o tema O envelhecimento na agenda das políticas públicas nacionais e internacionais: avanços ou retrocessos?, apresentando uma linha do tempo com as principais iniciativas governamentais voltadas à saúde do idoso. Ela destacou, entre outras, a Política Nacional do Idoso, de 1994, com uma proposta de transversalidade, considerada como um avanço, em relação a outros países; o Plano de Ação Internacional sobre Envelhecimento, de 2002, relativo à constituição de uma rede de organizações da qual o Brasil passou a fazer parte, introduzindo-se o conceito de envelhecimento saudável. AONU criou rede organizações no país e o brasil entrou nessa rede para criar uma maneira de monitoramento para introduzir o conceito de envelhecimento saudável; o Estatuto do Idoso, de 2003; e a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa, de 2006.
De acordo com Dalia, foram iniciativas importantes que, no que se refere a resultados, levaram a poucos avanços, embora tenham se mostrado positivos no que se refere à conformação de um processo de articulação. “Esses dispositivos de políticas e de portarias são fundamentais para reivindicarmos recursos”, observou.
O estado de bem estar não pode estar baseado em decisões individuais, deve ser formalizada em políticas públicas, em compromisso, em dispositivos sociais (Dalia Romero)
Ainda tratando de avanços e desafios, Dalia destacou também a mudança de paradigma no que diz respeito ao conceito de prematuridade. “Já mudamos bastante a falarmos em morte prematura aos 70 anos, quando prematuridade, poucos anos atrás, se referia a morte no primeiro ano de vida”, considerou. “No entanto, são consideradas prematuras apenas as mortes por doenças crônicas. Não se considera a perda de funcionalidade”.
A pesquisa destacou que cuidar da saúde do idoso é cuidar do bem estar durante a vida toda. “Vivemos num cenário de desmonte social com diminuição do financiamento, aumento da população idosa, que, consequentemente, pode desencadear a morte prematura. O estado de bem estar não pode estar baseado em decisões individuais, deve ser formalizada em políticas públicas, em compromisso, em dispositivos sociais”. (Daiane Batista/CEE-Fiocruz).
maria rodrigues
28 de outubro de 2017 9:39 pmNesta semana em curso, ouvi
Nesta semana em curso, ouvi pela CBN uma entrevista com um médico reumatologista, ou oropedista, do Einstein bastante esclarecedora sobre o problema enfrentado pelos idosos quando à perda óssea e suas consequências.
Para esse Doutor, é do desconhecimento de muitos que as fraturas nos idosos, que os torna incapacitantes para muitas atividades, quando não os levam a óbito, superam as duas doenças mais letais, que são as cardíacas e as de câncer de mama. Para ele, o mal começa pela falta dos exames preventivos, como a Densintometria, que deveria cada mulher e cada homem, a parir de 60 e 65 anos, respectivamente, se submeter pelo menos uma vez ao ano. Discorre sobre os casos em que o problema já foi detectado, bem como a dificuldade que a maioria encontra para voltar a uma vida relativamente normal. Ou seja, uma vez fraturada parte da bacia, ou o fêmur, o paciente é cirurgiado, e depois terá que passar por diversos procedimentos, dependendo de fisioterapeutas, cuidadores, cadeira de rodas, muletas, e, por fim, se tudo correr mais ou menos, a bengala.
Explica o médico como tudo isso gera um custo altíssimo ao Estado, que poderia ser evitado, se os idosos recebessem a devida atenção antes mesmo de atingirem os níveis de degeneração óssea com as consequências de fraturas. Mas, um dado ainda mais importante, e pouco sentido até mesmo pelos que nem dependem tanto de hospitais públicos, é o fato de que, uma vez operado, e recuperando suas marchas, esses idosos não voltam aos hospitais e clínicas para acompanhamentos, nunca mais sendo indicado pra novas Densintometrias; ou seja, a fim de evitar a prostração e a tal morte prematura.
A questão do consumo de cálcio, conjugado com a vitamina D, que se adquire facilmente com a exposição ao sol, tem sido outro caso questionável no Brasil ensolarado. Tem-se colocado, cientificamente, que se uma pessoa tomar sol durante 15 minutos por dia, já terá recebido a vitamina D necessária. Aí, uns médicos recomendam só tomar o sol antes das 10 e depois das 04h, enquanto outros recomendam o sol do meio-dia. Nesse contexto, não sei se podemos admitir a possibilidade de estar havendo supervalorização dos proterores solar para aumento de suas vendas no mercado.
O fato é que são inúmeros os problemas sofridos pelos idosos, desprezados pelos governos, considerando que nem mesmo são divulgadas propagandas esclarecedoras a respeito desse mal grave, que diz respeito à fraturas ósseas em função da carência de minerais e vitaminas. E nem citar a problemática dos menos afortunados, que se conseguirem sobreviver a essas circunstâncias, será muito mais por sua própria genética, se não tem os hospitais públicos as condições necessárias para assisti-los.