O Ministério da Fazenda manteve em 2,3% a projeção de crescimento da economia brasileira em 2026, mas revisou a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 4,5% para 5,1%, refletindo principalmente pressões sobre os preços dos alimentos, os impactos do conflito no Oriente Médio e o risco de um evento climático El Niño mais intenso.
Os dados são do Boletim Macrofiscal de julho, divulgado pela Secretaria de Política Econômica (SPE). No caso do PIB, a expectativa de desaceleração foi mantida uma vez que os efeitos acumulados da política monetária restritiva continuarão limitando o consumo e o investimento, enquanto a recuperação mais consistente da indústria e da construção deve ocorrer apenas no fim do ano.
Na composição do crescimento, a Fazenda elevou a estimativa para a agropecuária, de 1,2% para 1,8%, diante de um desempenho melhor do setor, enquanto reduziu levemente a previsão para a indústria, de 2,2% para 2,1%. Já a expectativa para os serviços permaneceu em 2,4%, sustentada pelo mercado de trabalho ainda aquecido e pela renda das famílias.
Juros elevados continuam freando a atividade
O boletim destaca que a economia brasileira ainda apresenta indicadores positivos, mas já há sinais de perda gradual de ritmo. O crédito mostra desaceleração, a inadimplência voltou a subir e o elevado comprometimento da renda das famílias continua restringindo o consumo. Ao mesmo tempo, a taxa de desemprego permanece próxima das mínimas históricas, embora o crescimento da ocupação e da massa salarial tenha perdido força nos últimos meses.
Para o segundo trimestre, a Secretaria estima crescimento de 0,8% frente ao trimestre anterior, abaixo da expansão de 1,1% registrada no primeiro trimestre. A desaceleração decorre principalmente do menor impulso da agropecuária e da indústria, enquanto os serviços devem apresentar desempenho ligeiramente melhor.
Conflitos internacionais e alimentos pressionam inflação
A principal revisão do boletim ocorreu nas projeções para a inflação. O governo atribui a alta das estimativas ao aumento dos preços dos alimentos, aos efeitos indiretos da guerra no Oriente Médio sobre os custos de energia e ao risco de um El Niño mais intenso afetar a produção agrícola.
Segundo a SPE, embora a queda recente das cotações internacionais do petróleo possa aliviar parte das pressões, o fim do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, ocorrido após a data de fechamento do relatório, representa um fator adicional de risco para os preços da energia e para a inflação global.
Com isso, a previsão para o IPCA em 2026 subiu para 5,1%, enquanto a estimativa para o INPC passou de 4,6% para 5,3%. Para 2027, a projeção do IPCA também foi revisada, de 3,5% para 3,6%.
No caso do setor externo, o boletim afirma que o ambiente internacional permanece marcado por elevada incerteza. Nos Estados Unidos, a atividade econômica continua resiliente, mas a inflação acima da meta mantém o Federal Reserve em postura cautelosa em relação aos juros. Na Europa, a inflação segue persistente, enquanto a China ainda enfrenta dificuldades para estimular sua demanda interna e recuperar o setor imobiliário.
Veja mais a respeito do tema na íntegra do Boletim Macrofiscal
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