5 de junho de 2026

O Gay, o Pastor, a Blogosfera e o PIG

Alguém assistiu o filme de Greenaway, “O Cozinheiro, o Ladrão, sua Mulher e o Amante”? Achei muito bom, soluções estéticas incríveis, muito original no conjunto (mas com uma cena quase no fim que achei horrível…)

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Bom, o que temos em torno do PL 122, mesmo após as concessões feitas pela AGLBT e Marta Suplicy? Notícias devem ser lidas não apenas pelo fato apresentado do momento, mas pelo que elas significam além.

– Tanto a grande imprensa como a imprensa alternativa normalmente são a favor do combate à homofobia. No momento, contudo, a FSP fez um editorial, há duas semanas atrás, favorável à omissão; o Estadão criou um imaginário “lobby” gay e parte significativa da chamada blogosfera progressista silencia. Falta ver o que Veja falará a respeito. Temos mesmo é um lobby religioso que atua em dois campos políticos opostos (de exercício de governo, não de ideologia) e há poucos veículos de informação que sejam relevantes e simultaneamente independentes;

– O Estado continua laico e não existe também concordância teológica entre cristãos à respeito da sexualidade.  Líderes religiosos não são sempre homofóbicos por si, nem necessariamente acreditam no que propagam. Mas precisam sempre de um inimigo externo para seus discursos messiânicos, para exercer o papel de líder. Neste contexto obter  1 milhão de assinaturas para algo não é difícil, basta lembrar os últimos dias de campanha eleitoral às vésperas do 1º turno;

– Os recursos utilizados são semelhantes aos de uma campanha eleitoral, como hackeamento de sites, propagação de mentiras, discurso de medo. Nada novo e, se não envolver direitos civis de um grupo, envolverá aborto, células-tronco, campanhas públicas para uso de preservativos, ensino de criacionismo em escolas públicas. Alguma coisa sempre serve para os propósitos desejados.

Há um tópico recentemente aberto que, aparentemente, pretende falar sobre gays e posicionamento político:

http://www.luisnassif.com/forum/topics/zzzz-em-sursisbarraco-por-uma

O conteúdo parece tão equivocado como falar em “propaganda governamental de opções sexuais”, mas, a partir da página 5 de comentários, aproximadamente, há uma seleção muito interessante de textos, feita pela colega Simone.

Acredito que Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros não devem esperar muito de projetos de poder, sejam políticos ou midiáticos. Cada cabeça é uma sentença, eu represento apenas a mim mesmo. Mas penso em algumas coisas que talvez ajudem a fazer de um limão uma limonada (com direito a adoçante natural e anilina cor-de-rosa…)

– Confiar um pouco mais no poder modernizante do Poder Judiciário. Todos os avanços recentes vieram por ele, não pelo Congresso ou pelo Executivo. A razão é simples : juízes não requerem votos nem anunciantes, nem correm o risco de ficar desempregados;

– Não gastar boa energia digladiando em torno de argumentos fundamentalistas ou homofóbicos. O registro cognitivo é completamente outro, a homofobia é arraigada na nossa cultura e, pelo menos em blogs, não há lembrança que alguém se deixe convencer de nada;

– Apoiar as boas iniciativas de qualquer campo político, afinal as questões de direitos humanos transcendem às simples discussões neoliberalismo x estatismo. Como dizem os políticos, apoio não se rejeita e um adversário político simpatizante dá maior abertura ao diálogo que alguém do mesmo campo “sem noção”. Recentemente o PSoL fez uma campanha interessante, ressaltando-se que é o partido com maior percentual de candidatos que assinam a carta AGLBT. No PT, PSTU, PCdB, PV e PSDB (Diversidade Tucana) também há políticos interessados nas causas LGBT;

– No Estado de SP o governo promulgou em 2001, e regulamentou em 2010, uma lei anti-homofobia que, se não cobre todos os pontos do PL 122, pelo menos aborda vários. A disseminação por outros estados dessa iniciativa pode facilitar um substitutivo ao PL 122 no futuro. Vale conhecer e divulgar:

http://www.luisnassif.com/forum/topics/lei-paulista-contra-a

– Espalhar o conhecimento por redes sociais, mas principalmente para familiares, pessoas que possam se envolver por você. A indiferença e a omissão são coisas difíceis de romper, mas em algum momento pode ocorrer alguma sensibilização.

Jogue-se!

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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