12 de junho de 2026

O namoro de antigamente


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Hoje chamam de “ficar”(seja lá o que signifique tal expressão). No meu tempo era namorar. 

Primeiro a troca de olhares inebriados, fazendo o coração acelerar a mil,   depois o bilhetinho acompanhado do 3×4″ e a indefectível pergunta: “Quer namorar comigo?” O reforço para o apelo muitas vezes ecoava pelas madrugadas frias através das serenatas, cujo reportório traduzia a emergência de mais um apaixonado na praça. 

O primeiro encontro geralmente dava-se na pracinha. Se a deusa retribuisse com um retrato seu o namoro tacitamente estava firmado. Mas isso era exceção. O de práxis era o suspense que fazia a pretendida(valorizar-se, não é mesmo?),o que atiçava ainda mais a paixão do Romeu.   E tome mais bilhetinhos com poesias líricas e apaixonadas. 

Rendida a Julieta, o ritual a seguir era o do primeiro contato corporal. O simples toque de mão carecia de rituais só comparáveis à posse da Rainha da Inglaterra. Após feito, as  mãos entrelaçadas seria o sinal para a cidade e para o mundo que havia dois apaixonados na praça. O beijo? Demoraria ainda um certo tempo e muitas vezes o primeiro  era “roubado”.

Agora dramático mesmo era o fim do namoro de forma unilateral. À donzela, caso fosse preterida, restava enxaguar as lágrimas ouvindo melosas canções na radiola ou vitrola. O contrário, ou seja, o “fora” dado no marmanjo tinha por consequência homéricos porres (se houvesse idade) e a contratação de cancioneiros para, à luz da Lua, traduzir a dor de um coração partido. Em ambos os casos, havia a devolução das fotos e das singelas cartinhas ou, se o motivo fosse traição, eram destruídas pelo fogo o que nasceu por outro: o fogo da paixão e do Amor.

Dedico essas músicas a minha primeira e eterna namorada. Aquela que um dia pelo final da década de setenta fez acelerar um coração solitário,  hoje não tão jovial, mas ainda pulsante pela paixão.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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1 Comentário
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  1. Izaias Filho

    5 de fevereiro de 2014 3:40 am

    Parabéns

    Parabéns!!!

    Excelente texto sobre o assunto em tela.

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