23 de junho de 2026

Os craques ofuscados na seleção de 1982

Por Eduardo Ramos

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Seu Nassif, para desopilar o fígado, nesses tempos sombrios de mídia e STF “confusos”, vamos prosear um pouco sobre futebol! – rs – assunto que todo brasileiro gosta.

Vi agora há pouco o vídeo com os gols da seleção de 82, aquela que encantou o mundo, seleção de craques, alguns, autênticos gênios do futebol, que privilégio o de quem pôde acompanhar aquela geração!

Quantos times/seleções no mundo, puderam juntar em suas equipes, craques como Júnior, Leandro, Falcão, Cerezo, Sócrates e o grande Zico…? Lembrando, que qualquer um deles seria, sozinho, capaz de mudar o resultado de um jogo. Juntos, eram quase imbatíveis! No futebol, como vimos, o “quase” é uma hipótese sempre presente, sempre ali, causando sustos, surpresas que ninguém acredita, só depois, estupefatos, quando o improvável vira realidade… Foi o caso da seleção diante da Itália!

Seis cracaços, seis fenômenos do futebol, e um pouco de desatenção aqui, uma vacilada ali, uma mão do destino, dos deuses, e nem o empate aquela seleção soberba consegue arrancar do mediano time italiano, que quase – de novo…. – rs – não passa nem pela primeira fase….

Lembro tanto de Cerezo falando anos depois, daquela seleção, e apesar de flamenguista, apesar de concordar com ele totalmente, fiquei feliz e surpreso com seu comentário, quando perguntado sobre os craques daquele time. Discorreu sobre todos, mas parou em Leandro. Disse com toda a clareza, que todo o time babava, nos treinos, com a técnica apurada do lateral, que ele era tão magnífico, que tinha a unânime admiração dos companheiros. Não é pouca coisa não… De fato, Leandro foi para mim, que o vi em campo dezenas e dezenas de vezes, o supra-sumo da técnica refinada de jogar futebol. Sua precária condição física, à semelhança de Reinaldo, o fez parar precocemente, e o traiu, no sentido de não deixar que desenvolvesse todo o seu potencial. Com a saúde de um Cafum provavelmente Leandro teria sido o melhor lateral direito do mundo.

Dito tudo isso, minha intenção na verdade é falar daquele que não foi, ao meu ver, injustamente, este sim, gênio, gênio, gênio, o único que conseguiu, em meu imaginário de criança e adolescente, suplantar a adoração pelo ídolo Zico, que vi crescer no Maracanã, desde os juvenis, aquele magricela de 17, 18 anos, que todos já vislumbravam o que veria a ser, tão óbvio o feitiço de seu precoce talento.

Mas… mas… Reinaldo, era Reinaldo! Que tremedeira me dava, pela TV, ou no Maracanã, quando arrancava com a bola dominada, a técnica, o domínio de bola, a criatividade, diabólicos, feiticeiros, destruindo as defesas, quantas vezes, a defesa do meu Flamengo, calando todo o estádio, que, tantas vezes, o aplaudia de pé, incapaz de odiar o craque!

Pois, para mim, e não há quem me tire isso da cabeça, A AUSÊNCIA DE REINALDO FOI O MOTIVO ÚNICO DA PERDA DAQUELA COPA!

Ah!… como acredito nisso!… Os deuses do futebol, têm seus caprichos… Com certeza, amavam Zico, o gênio, Sócrates, o fora-de-série, Leandro, o de maior técnica, Falcão, o extra-classe, Cerezo, o peladeiro de ouro, Júnior, o sucessor da Enciclopédia…. Mas se enfureceram com o tirânico e arrogante Telê Santana, que muito mais por motivos pessoais, birra pessoal, do que pela contusão da qual estava se curando, deixou de levar nosso Garrincha dos anos 70/80, aquele que trazia alegria, vivacidade, aquela coisa inesperada, que gente como Messi, Garrincha, Neymar, sabiam/sabem fazer… Reinaldo pertencia a essa estirpe, esse tipo de gente, esse tipo de gênio, nasceu pronto, talento em extrato puro, a genuína arte do balet chamado esporte, o futebol. Reinaldo era um dos seus Nijinskys!!!

Seu Nassif, juro que vi, eu não mentiria sobre coisa tão séria… Num programa esportivo, o Brasil todo discutindo se Reinaldo deveria ou não ir à copa de 82. No meio da polêmica, um velho jornalista, experiente, pediu a palavra depois de ouvir a todos. Perguntou simplesmente: “Amigos, imaginem uma partida da copa, esse Reinaldo que vocês dizem bichado, recém-saído de uma contusão, naturalizado em um outro país, entra no segundo tempo, para jogar contra o Brasil… como vocês se sentiriam? Como se sentiriam os jogadores do Brasil? Como se sentiriam as torcidas das duas seleções? Quem estaria festejando, cheio de esperanças, e quem estaria de imediato, atemorizado, sem saber o que poderia acontecer a partir da entrada DELE em campo…?”

Silêncio sepulcral, seu Nassif. Ninguém precisou responder o óbvio, que um Reinaldo 80%, 70%, 50%, ainda assim era gênio, ainda assim, seria superior a Serginho Chulapa, um grande goleador, sejamos justos, mas distoando daquela orquestra de finos músicos!

Ao ceder ao seu autoritarismo, ao seu moralismo exacerbado, às suas intransigências psíquicas e morais, Telê Santana castigou a seleção, castigou todo o Brasil, muito além de ter castigado apenas o gênio com quem implicava profundamente. Como fez com Mário Sérgio, o único jogador mais técnico que Leandro, que vi jogar, e que estava em plena forma em 82. Telê não o chamou, apesar de Éder não poder sequer lhe calçar as chuteiras, porque não suportava sua independência de pensamento e suas indisciplinas. Se já irritara os deuses com Mário Sérgio, com certeza os levou à fúria, com Reinaldo. O maior centro-avante do Brasil. Não tivessem destruído seus joelhos, antes de completar vinte e dois anos, nem Romário, nem Ronaldo, teriam tido carreira superior à sua.

Com Reinaldo em campo, os deuses apaziguados, o Brasil teria sido o campeão!

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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4 Comentários
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  1. Marcio Figueiredo

    17 de janeiro de 2014 2:31 pm

    Infelizmente foi mais uma

    Infelizmente foi mais uma seleção que fizemos que foi formada por um punhado de jogadores sem coletividade. Só começamos a mudar isso com ausências de craques a partir de 94, quando não tínhamos um camisa 10 decente. 

    Talvez tenha faltado um jogador ou outro, mas acredito que faltou mesmo foi tática, não adianta mudar as peças se o time continuar desorganizado como estava, sempre precisando de jogadas individuais para conseguir seus objetivos.

    Talvez por isso que confie no trabalho do Felipão, ele tem um material humano muito inferior, mas consegue armar um time melhor, mais organizado, é copeiro e busca resultado. Infelizmente é esse o futebol moderno que surgiu após nossos traumas! 

  2. PAULO CORREIA LIMA NETO

    14 de abril de 2015 12:20 am

    Minha opiniões

    Li todas as postagens colocadas neste bem montado blog e gostaria de deixar a minha opinião. Lembro que respeito tudo o que eu li, porém discordo de alguns posicionamentos aqui apresentados.

    O primeiro ponto que gostaria de lembrar é que no ano de 1982 o futebol brasileiro esbajava talentos em todas as posições, oriundo do final da década de 1970, e os melhores técnicos do mundo teriam uma imensa dificuldade em montar uma seleção brasileira competitiva, cujo principal desafio seria convencer a mídia de que o time montado seria o melhor. É lógico que nem todos concordariam com unanimidade com tal convocação, havendo críticas com imensa naturalidade (todo mundo tem um pouco de técnico dentro do coração – tendência dos apaixonados por futebol). Dessa forma, a convocação do técnico Telê não fugiria de discordâncias.

    1. Acerca dos goleiros escalados, Waldir Peres do São Paulo (titular), Paulo Sérgio do Botafogo RJ e Carlos da AAPP, concordo com o que li e acho que o Waldir Peres não deveria ser o titular. Talvez o Raul do Flamengo e o João Leite do CAM merecessem uma chance de convocação (não discordo de quem os defenda – não os colocaria na titularidade), porém o grande prejudicado para mim foi o goleiro Emerson Leão não ter sido convocado. Apresento as minhas razões logo a seguir:

    1.1 Leão era o goleiro titular absoluto da Seleção de 1978, preferido do Técnico Cláudio Coutinho, e foi goleiro das Seleções de 1974 e 1970. Quer queira, quer não, Leão saberia encarar a pressão de sua quarta Copa e preparo psicológico aliado à grande experiência em momentos decisivos faz a diferença;

    1.2. Em 1978 e 1979, esteve no elenco do Vasco da Gama. Em 1978, esteve no elenco do Vasco vice campeão carioca. Em 1979, participação de ponta nos dois Campeonatos cariocas e vice campeão brasileiro derrotado pelo Internacional. Em 1980, foi campeão gaúcho pelo Grêmio-RS, onde também em 1981, foi campeão brasileiro. Em 1982, vice campeão brasileiro, ao ser derrotado pelo Flamengo. Em outras palavras, sempre em xeque e na “ponta dos cascos”, dando uma enorme contribuição para os elencos em que participou; e

    1.3. Antes da Copa de 1982 poderia ter sido convocado, pois estava fisicamente em forma. Não sei se o Telê brigou com ele – deve ter havido um motivo muito sério para que esse  jogador excepcional ficasse de fora.

    2. A convocação dos laterais titulares foi perfeita – Leandro na direita e Júnior na esquerda, ambos do Flamengo, nem perco tempo em comentar o quanto Telê foi feliz e sábio em dar a eles uma oportunidade de convocação. Os reservas eram Edevaldo do Internacional, na direita, e o Pedrinho do Vasco, na esquerda. Não discordo desta convocação, mas concordaria com outras convocações para os reservas que li. Gostaria apenas de esclarecer que as táticas do futebol evoluíram no tempo e não podemos julgar as táticas do Telê em 1982 com os padrões de hoje. Era normal na época os laterais subirem ao ataque, mesmo que simultaneamente, e no caso da seleção brasileira que não tinha ponta, mais previsível ainda que isso ocorresse.

    3. Os nossos zagueiros titulares eram o Oscar do São Paulo e o Luizinho do CAM, e os reservas eram o Juninho da AAPP e o Edinho do Fluminense. Talvez nesse caso o Mozer e o Figueiredo do Flamengo merecessem uma chance na época, todavia em minha modesta opinião, concordo parcialmente com a convocação do Telê para a zaga.

    4. Toninho Cerezzo do CAM e o Falcão do Roma foram convocados como volantes. Batista do Grêmio foi igualmente selecionado. Concordo com a convocação dos três, porém acho que faltou mais um volante no lugar de um dos meias que foram pouco aproveitados. Esse jogador (volante) sem sombra de dúvidas seria o Andrade do Flamengo. Portanto, apesar de concorcar com o Telê na convocação de Cerezzo, Falcão e Batista, faltou mais um volante. entendo e inocento o Telê pois o número máximo de jogadores eram 22 (vinte e dois), e levar três goleiros era uma prioridade inquestionável.

    5. Peso maior da seleção, os meias armadores convocados foram Paulo Isidoro do Grêmio, Sócrates do Corínthians, Zico do Flamengo e Renato do São Paulo. Acho que o Adílio do Flamengo mereceria a convocação no lugar de Renato (ex-Guarani campeão brasileiro de 1978), conhecido injustamente pelo apelido de pé murcho. Não tenho dúvidas que o Adílio era melhor jogador. O Mendonça do Botafogo era um grande jogador também, mas nessa seleção não teria vaga. O Mário Sérgio, que jogava na época no São Paulo (tinha vindo do Internacional), era muito técnico, mas era lento, e a sua conduta fora de campo deixava a desejar, além de possuir um temperamento descontrolado.

    6. Por fim, chegamos ao ataque. Éder Aleixo, do CAM, Serginho Chulapa, goleador do Santos, Roberto Dinamite do Vasco e Dirceu do Atletico de Madrid foram os atacantes convocados. É evidente que o Reinaldo do CAM era titular absoluto nesta seleção. Porém diferente do que foi falado por alguns, o Telê o considerava um excelente jogador e era titular absoluto nesse time. O que ocorreu explicado pelo filho do Telê que estudava com o Reinaldo (ambos são amigos pessoais) é que o esse centro-avante não foi convocado porque estava machucado. O Telê sempre o quis levar desde o início para a Copa. As posições políticas de esquerda do Reinaldo não interferiram em absolutamente nada. Além disso, não tenho a menor dúvida que o Roberto Dinamite deveria ser o titular no lugar do Serginho Chulapa. Roberto tinha a experiência da Copa de 1978, e no Vasco era “o cara”. Tita do Flamengo perdeu a convocação por ser linguarudo. Manifestou o desejo de jogar no meio, onde não teria a menor chance. No entanto, encaixaria muito bem no lugar de Dirceu talvez.

    7. Em relação ao Telê, ele foi um técnico maravilhoso, vencedor e excepcional. Teve alguns erros táticos claros muito bem analisados neste blog, porém na época (1982), conquistou a posição de técnico da seleção brasileria por mérito. Tinha feito um excelente trabalho no Grêmio, de 1976 a 1978, e no Palmeiras de 1979 a 1980. Outros técnicos na época poderiam ter assumido a seleção, mas não acho ruim ter sido o Telê. Pelo contrário, foi justa a sua escolha.

    Forte abraço amantes do futebol, e obrigado pela atenção. 

    Paulo Correia Lima.

    1. fernando junior

      26 de dezembro de 2016 3:51 am

      Telê foi muito mal em 82. E

      Telê foi muito mal em 82. E em 86 pior ainda. Quis massacrar a Itália. Foi perseguidor em não levar Reinaldo, Leão e Raul. Encheu de jogador do Atletico e do São Paulo, igual 86, onde apareceram Elzo e Edvaldo. Passou 2 anos e 4 meses jogando num 4, 3, 3 e no segundo jogo da copa entrou um 4,4,2. Quando Falcão chegou do Roma, já que num partiicipou da preparação, tirava uma peça e não o esquema. Saía Cerezo, chullapa e Sócrates ía pra falso 9, assim como fez o mestre Zagalo em 70 pra Pelé e Tostão jogarem juntos. NUm era Luisinho, era Edinho, que era mais experiente e mais zagueiro, faltou Batista, num errava um passe e marcava duro na frente da zaga. Foi bem em 78. Num era Chulapa, era Roberto, já que perseguiu o Reinaldo. E ainda teve chance de chamar quando Careca se machucou uma semana antes da Copa, mas o orgulho…

  3. marcello da silva rego

    3 de junho de 2017 8:35 pm

    teimosia e birra

    acredito que  o técnico foi o maior culpado por sua  birra e teimosias .  o texto falou de reinaldo mas não f mas  não falou de dinamite que foi o maior artilheiro dessa época sem jogar  em um gramde time ,  no ano anterior tinha feito  mais de 60  gols , coisa  muito difícil , reinaldo  futebol  bonito roberto mais artilheiro e  e e dava mais assistências que qualquer outro centroavante  que vi. poderia  coloca-lo como titular e  reinaldo reserva.  ainda tinhamos o grnde cláudio adão

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