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WikiLeaks: EUA e o golpe de Honduras

Wikileaks revela que até mesmo os EUA entendem que houve golpe em Honduras:

 “...Washington não tem dúvida de que em Honduras houve um golpe de Estado contra o então presidente, Manuel Zelaya, e agrega que "os militares, a Corte suprema e o Congresso Nacional conspiraram no dia 28 de junho no que constituiu um golpe ilegal e inconstitucional contra o Executivo".

"Não há dúvida de que deste nossa perspectiva de que a chegada ao poder de Roberto Micheletti foi ilegítima"

“...os argumentos apresentados por Micheletti e pelos militares e políticos golpistas "não tem nenhuma validez substancial" e agrega que "algumas são abertamente falsas".

“...medidas executadas pelos golpistas foram "aparentemente ilegais", desde o fato mesmo de que "os militares retiraram Zelaya do país sem autoridade pra fazê-lo", algo que "violou múltiplas garantias constitucionais, incluindo a proibição da expatriação, a presunção da inocência e o direito a um processo legal".

“WikiLeaks revela informe confidencial dos EUA um mês após o golpe de Honduras                                                                                                                                                                                                                                                                                                         Honduras - Direitos nacionais e imperialismo

Segunda, 29 Novembro 2010 01:00

teleSUR -  [Tradução do Diário Liberdade] Um informe confidencial da embaixada de Washington em Honduras revelado neste domingo pelo WikiLeaks mostra que Washington não tem dúvida de que em Honduras houve um golpe de Estado contra o então presidente, Manuel Zelaya, e agrega que "os militares, a Corte suprema e o Congresso Nacional conspiraram no dia 28 de junho no que constituiu um golpe ilegal e inconstitucional contra o Executivo".

Do mesmo modo, no texto, a embaixada dos Estados Unidos em Honduras afirma que o governo de Roberto Micheletti foi completamente ilegítimo.

"Não há dúvida de que deste nossa perspectiva de que a chegada ao poder de Roberto Micheletti foi ilegítima", destaca o informe enviado desde a Embaixada dos Estados Unidos em Tegucigalpa, em nome de seu responsável, o embaixador Hugo Llorens.

A embaixada afirma nas mensagens que os argumentos esgrimidos pelos "defensores do golpe do dia 28 de junho" são "muitas vezes ambíguos", pelo que diz ter consultado a "experts em legislação em Honduras", mas acrescenta entre parêntesis que "(um deles não pode encontrar uma visão profissional não tendenciosa em uma Honduras com um clima politicamente pesado)".

No texto revelado pelo WikiLeaks, a embaixada estadunidense em Honduras reconhece que nunca foi demonstrado que o presidente Zelaya tenha burlado a lei e afirma que o argumento de que tentava se prolongar no poder era uma suposição.

No documento é revelado que os argumentos apresentados por Micheletti e pelos militares e políticos golpistas "não tem nenhuma validez substancial" e agrega que "algumas são abertamente falsas".

O informe considera que várias das medidas executadas pelos golpistas foram "aparentemente ilegais", desde o fato mesmo de que "os militares retiraram Zelaya do país sem autoridade pra fazê-lo", algo que "violou múltiplas garantias constitucionais, incluindo a proibição da expatriação, a presunção da inocência e o direito a um processo legal".

No último dos comentários, diz-se que "não importa quais sejam os pontos fortes do caso contra Zelaya, sua saída forçada do país por parte dos militares foi claramente ilegal, e o acesso de Micheletti como 'presidente interino' foi totalmente ilegítimo".

Entre os destinatários deste informe, aparece o embaixador dos Estados Unidos no Brasil neste momento, Thomas A. Shannon, e o assistente especial de Barack Obama e diretor para Assuntos do Hemisfério Ocidental do Conselho de Segurança Nacional, Dan Restrepo.

A informação fornecida por estes documentos dão luz para entender declarações emitidas em agosto de 2009 pelo presidente de facto de Honduras, Roberto Micheletti, quando expressou seu desejo de que o embaixador dos Estados Unidos nesse país, Hugo Llorens, não volte a retornar ao cargo, logo após o Governo estadunidense ter decidido retirá-lo por supostos "motivos pessoais".

Os EUA foram o país que mais tardou-se em aplicar sanções após a derrubada de Zelaya, enquanto que outros Governos, como os da Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América – ALBA, e do Mercado Comum do Sul (Mercosul), pronunciaram-se contra o golpe quase imediatamente.

Depois de transcorridos 73 dias de sucesso, os EUA decidiram suspender a ajuda da Cuenta Reto del Milenio (CRM) para o país centro-americano, estimada em 11 milhões de dólares.

Passado menos de meio ano do golpe, a secretária de Estado estadunidense, Hillary Clinton, restabeleceu as relações com Tegucigalpa e reativou novamente a ajuda financeira para o presidente sucessor do regime de facto de Porfírio Lobo.

"Acabo de escrever uma carta ao Congresso dos Estados Unidos notificando que vamos restaurar a ajuda financeira a Honduras", manifestou Clinton durante sua participação na II Reunião Ministerial Caminhos para a Prosperidade nas Américas, realizada em San José, Costa Rica, em março passado.

Zelaya sempre sustentou que os EUA interviram no golpe

O ex-presidente Zelaya comentou durante a entrevista com a teleSUR no mês de junho passado que, enquanto foi mandatário de Honduras, os Estados Unidos incomodavam-se quando ele se mostrava solidário ou mantinha relações com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez; o da Bolívia, Evo Morales; o do Equador, Rafael Correa, e outros Governos que discutem as ideias do país do norte.

"Os Estados Unidos me proibia, praticamente, que tivesse relações com Evo Morales, Hugo Chávez, Rafael Correa. Era um incômodo quando eu estabelecia estas relações de solidariedade com estes povos, com Cuba, precisamente quando defendíamos o direito que tem os povos e nossa sociedade de manter níveis de dignidade e democracia", sustentou.

Por último, agregou que a atual ingerência dos EUA cria obstáculos ao processo de reconciliação nacional.

"Se os Estados Unidos tirarem suas mãos de Honduras, nós hondurenhos podemos nos entender", enfatizou Zelaya.

O ex-presidente Manuel Zelaya foi derrubado em um golpe de Estado no dia 28 de junho de 2009, executado por efetivos militares de seu país.

Posteriormente, foi entregue à Costa Rica, mas retornou clandestinamente a Honduras alguns meses depois e refugiou-se na embaixada brasileira em Tegucigalpa até quando assumiu o poder Porfírio Lobo, em janeiro de 2010, momento no qual exilou-se na República Dominicana.

teleSUR - Periodismo Humano / FC/YR

Traduzido para o Diário Liberdade por Lucas Morais (@luckaz)

 

http://www.diarioliberdade.org/index.php?option=com_content&view=article&id=9239:wikileaks-revela-informe-confidencial-dos-eua-um-mes-apos-o-golpe-de-honduras&catid=241:direitos-nacionais-e-imperialismo&Itemid=156

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Mais 1 pro PIG espernear:

Celso Amorim é considerado por publicação conservadora americana como 1 dos 6 maiores atuantes/influentes pensadores globais da atualidade

Aqui em português

Aqui em inglês

 

 

O cara do Wikileaks acabou de virar meu herói pessoal.

 

O artigo com o cópia do texto original no The New York Times

http://www.nytimes.com/interactive/2010/11/28/world/20101128-cables-view...

 

Alô Merval, cê tá me ouvindo?

 

Stanley Burburinho,

Das matérias que eu já li, parece que é a primeira que não é requentada. Agora, mesmo essa serve aos interesses dos Estados Unidos, pois a crer nela cai por terra a afirmação que dá subtítulo a uma parte da reportagem:

"Zelaya sempre sustentou que os EUA interviram no golpe"

Quer dizer, não cai por terra, mas tenta livrar os Estados Unidos de qualquer responsabilidade com o golpe, dando a entender que ele é de responsabilidade dos militares, da Suprema Corte de Honduras e do Congresso Nacional de Honduras tendo à frente Roberto Micheletti e não dos Estados Unidos.

Pelo que me parece no Wikileaks só vai aparecer informação filtrada. O grande golpe de espionagem que aconteceu recente foi a mudança de fluxo de emails. Quem fez, como fez, por que fez são questões importantes demais para a grande imprensa se debruçar sobre elas. Vamos ter que ficar os vasamentos da Wikileaks.

Clever Mendes de Oliveira

BH, 29/11/2010

 

Os blogueiros do Estadão, especificamente Marcos Guterman e Gustavo Chacra, afirmam que não houve golpe em Honduras e que a derrubada do Zelaya foi constitucional. Que vão chorar na cama, que é lugar quente.

 

Só para os golpistas e a grande Mídia brasileira o golpe contra o Zelaya teve algum fundo de legalidade.

Basta se lembrar da atuação do embaixador americano na OEA para se saber de que lado estava Washington, independente das afimações oficiais.

Mais uma vez a atuação da diplomacia e do governo brasileiro foi exemplar, resistindo as pressões dos golpístas, do governo americano de forma velada e da nossa Mídia, sempre disposta a mostrar o Brasil de forma ridícula e sempre depreciativa.

Vamos sentir falta do nosso chanceler Amorim.

 

Qual é o bobo que não sabia disso? Só a grande imprensa , coitadinha. Só dá fora!

 

Quem não desconfia de si próprio não merece a confiança dos outros (ditado árabe).

Lambedor de botas não viu passar o trem do Wikileaks

http://blogdacoroa.wordpress.com/2010/11/29/lambedor-de-botas-nao-viu-passar-o-trem-do-wikileaks/

 

Cadê o Arnaldo JáFoi com seu "GOLPE DEMOCRÁTICO"? O que um lambe botas não faz por um salário heim.

 

Os diplomatas dos EUA nâo sabem nada. Quem manja mesmo do assunto é o Magnolli, R.Azevedo, Dora Kramer e os editorialistas do Estadão.

O Estadão criou até uma nova denominação: "Governo de facto". para não  usar a palavra Golpe. Só faltou combinar com o Wikileaks!!

http://www.estadao.com.br/especiais/para-entender-o-impasse-em-honduras,...

A cada dia que passa, dou ainda mais razâo ao PHA. Além de falha de caráter, a imprensa é , acima de tudo, tecnicamente sofrível.

 

Boa essa, Alexandre. Hoje vamos rir muito..........

 

Os EUA entenderam isso -- de que houve um golpe -- desde o inicio, entao o "até os EUA" nao cola. Assim como FSP, Globo, etc. Pouca gente tratou a deposiçao de Zelaya de outra maneira, e nunca houve esse corte ideologico. Pra ficar so no Brasil, Dalmo Dallari, se nao me engano, chegou a se pronunciar a respeito (que à luz da Constituiçao hondurenha, nao se pode dizer que houve golpe de Estado).

Que enviar Zelaya para o exterior foi flagrantemente ilegal, nao ha duvidas e quem disse o contrario? Mas uma coisa foi a deposiçao de Zelaya, outra seu exilio. Zelaya nunca negou que pretendesse convocar um referendo e esse foi o motivo alegado pra sua deposiçao, ja que isso violava a Constituiçao do pais.

 

  Meu caro, como assim não houve recorte ideológico? Só não viu isso quem passou batido pela imprensa, ano passado. Os comentaristas, analistas, blogueiros, etc etc só faltaram estourar fogos pela deposição de Zelaya, enquanto as manchetes vendiam uma neutralidade forçada - governo "de facto" é de doer tanto quanto as eleições manipuladas no Leste Europeu no pós-guerra.

  Quanto aos argumentos, são fracos, fraquíssimos. O cara pretendia CONVOCAR UM PLEBISCITO que discutiria a POSSIBILIDADE de se CRIAR UM PLEBISCITO prevendo uma mudança Constitucional a respeito da possibilidade de re-eleição. Resumindo: não mudava nada, não permitia nenhuma mudança, apenas consultava a população - mas que absurdo, consultar a população! Mais um pouco e dirão que todos as pessoas são iguais perante a lei. 

  Fosse esse um argumento válido, o que deveríamos ter feito com FHC, na sua opinião?

 

Tem pessoas que não tomam jeito.

Parecem que lêem em Braille. E não entendem.

Afinal, Veiga, o que você quer?

Encher o saco? Parabéns, voce venceu.

 

Touché.....bem na veia !!!

 

Quer dizer, então, que as relações internacionais brasileiras, na época, estavam totalmente certas!!!!! Chora PIG!!!!

 

Na trave: até parece que a embaixada americana em Honduras fala por Washington.

 

Ela fala por quem, então, fodão? Caracas? La Paz? Bujumbura? Andorra La Vella? É, SIM, ÓBVIO, QUE A EMBAIXADA DE PAÍS X REPRESENTA PAÍS X!

 

Guarde tuas grosserias para teus pares cidadão. Aproveite e vá se instruir um pouco sobre a diferença entre representar interesses e vocalizar posições de estado. Embaixadas fornecem informações e subsídios para os governos que elas representam e estes governos nunca usam estas informações isoladamente.

 

1- A retirada de Zelaya foi CLARAMENTE ilegal e foi um golpe de estado, que JAMAIS deve ser perdoado.

2- A Embaixada dos EUA em Honduras trabalha para os EUA. Nada mais. Nada menos.

3- Cabe ao embaixador dos EUA em Honduras passar informações aos EUA sobre Honduras e vice-versa. Ele É a voz de Washington ali e REPRESENTA os interesses americanos ali.

É simples assim. Se você não consegue entender isso, o problema é teu, e mostra quanto conhecimento você vai ter de acumular até se tornar um de "meus pares".

 

 

Tem que mandar este documento para o Noblat, Míriam Leitão, Barbedo, Willian Waack e Ancelmo Góes para que eles não repitam a idiotice daquele chapeludo desclassificado .

 

" A injustiça que se faz a um, é uma ameaça que se faz a todos." - Barão de Montesquieu

 

Olha, um apanhado das abobrinhas dos jornalistas brasileiros aquela altura seria de morrer de rir.

Será que tem algum comentário do Jabor?

 

Boa idéia. Imagine a cara de "Vaca atolada no Brejo"  do Jabor e outros. Realmente não tinham nada para fazer. Vamos ver....

 

Eles sam dessa fácil: vão dizer que o Wikileaks é um "blog sujo" ou "blog de aluguel do Lula".

 

Enterrou de vez os "reporteres" da GLOBO e da FSP. O que o LULA dizia era verdade.   ahahahahah, Bye, Bye, FSP, GLOBO, OESP e a chamada inteligente direita ideologica paulistana. Parabéns para a Diplomacia Brasileira. Cada revelação tenho um "orgasmo" total.

 

 Demorô:

 

Por mcn

A história do WikiLeaks é muito parecida com a de Daniel Ellsberg no caso Watergate, no que se refere ao papel da imprensa. Lógico, estou me referindo ao The New York Times do anos 60, há anos-luz de distância da velha imprensa subdesenvolvida e ideologicamente comprometida que temos hoje no Brasil.

O caso teve impacto impressionante. Os papeis que vieram à luz, na época, (1) mostraram que os 5 últimos presidentes dos EUA haviam mentido para população americana, (2) ajudaram a derrubar o Nixon, após uma manobra patética de espionagem, com 007s fantasiados de encanadores (daí o nome "watergate"), e (3) abriram um precedente inédito para divulgação de outras ações similares, em uma decisão histórica da Suprema Corte americana.

O documentário "O homem mais perigoso da América", indicado ao Oscar em 2010 e exibido recentemente na TV a cabo, conta essa história. Vale a pena ver, principalmente para entender como a imprensa honesta é necessária e pode fazer a diferença.

Acho que a web independente será para o WikiLeaks o que foi o NYT para o caso Watergate.

 

Infelizmente está começando uma campanha para desacreditar o wikileaks.

Prestem atenção, logo logo estaremos lendo nos jornais brasileiros que o site é uma organização terrorista.

Esperem e verão. (Se é que já não começou...)

 

Hum... você está atrasado...

Os EUA já pretendem classificar o Wikileaks como terrorista. A TV se apressou a divulgar isso!! Noutras palavras, Assange pode ir até para Guantánamo, se assim quiser a Hillary (e ela quer, aahh se quer...)