Expansão dos Brics será debatida em agosto com lista de candidatos e divergências a sanar

Renato Santana
Renato Santana é jornalista e escreve para o Jornal GGN desde maio de 2023. Tem passagem pelos portais Infoamazônia, Observatório da Mineração, Le Monde Diplomatique, Brasil de Fato, A Tribuna, além do jornal Porantim, sobre a questão indígena, entre outros. Em 2010, ganhou prêmio Vladimir Herzog por série de reportagens que investigou a atuação de grupos de extermínio em 2006, após ataques do PCC a postos policiais em São Paulo.
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A informação é do governo da Rússia. Argentina, Uruguai, Arábia Saudita, Argélia, Egito, Indonésia, Irã e Turquia são países candidatos

Conforme o porta-voz do governo da Rússia, Dmitri Peskov, a partir de agosto os Brics debatem, em encontro na África do Sul, a incorporação de novos países membros da aliança.  

Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul compõem os Brics. Recentemente, países como Argentina, Uruguai, Arábia Saudita, Argélia, Egito, Indonesia, Irã e Turquia mostraram interesse em aderir ao organismo.

“Está previsto que o encontro dos Brics se realize no final de agosto e precisamente nesse evento se debaterá o processo de ampliação do grupo”, disse Peskov durante entrevista, em São Petersburgo. 

Atualmente a Presidência dos Brics é da África do Sul. O grupo representa mais de 20% do produto interior bruto global e 46% da população mundial. Possui um banco com sede em Xangai, presidido pela ex-presidente Dilma Rousseff. 

Novos países

Para a incorporação de novos países membros, se faz necessária a aprovação de todos os chefes de Estado dos atuais integrantes. Os russos, indicou Peskov, estão entusiasmados por conta do interesse de vários países na aliança 

“Na questão da ampliação, existem determinados aspectos nos enfoques que devem se coordenar e qual a melhor maneira de ampliar a aliança”, ressaltou Peskov. 

Expansão: sem consenso

Em recente visita à China, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva debateu com o presidente chinês, Xi Jinping, o funcionamento dos Brics. Há alguns anos, a China defende a expansão, mas não há consenso interno com o Brasil. 

Especialistas avaliam que a China quer ampliar a composição do Brics para aumentar sua esfera de influência sobre países e regiões onde Estados Unidos e União Europeia estão menos presentes. 

Já no caso do Brasil, dizem diplomatas ouvidos pela BBC, a expansão diminuiria a sua influência no grupo que ajudou a fundar. A África do Sul possui preocupação similar. 

Se por um lado os Brics acabaram com a submissão do Brasil aos Estados Unidos, por outro os Brics não podem gerar uma outra hegemonia, a da China, para o país acabar tendo de se submeter. 

Atual governo nega

Em entrevista concedida ao portal Metrópoles, em fevereiro deste ano, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse não se opor diretamente ao processo. 

Ele afirmou que caso os países do bloco formem um consenso, o Brasil teria, inclusive, um candidato: a Argentina. O Uruguai é o outro país da América latina que possui candidatura em análise pelos Brics. 

“Já foi dito, em mais de uma ocasião, que a Argentina seria a candidata defendida pelo Brasil numa eventual expansão do Brics”, disse Vieira à época, negando que exista uma oposição do Brasil à expansão. 

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Renato Santana

Renato Santana é jornalista e escreve para o Jornal GGN desde maio de 2023. Tem passagem pelos portais Infoamazônia, Observatório da Mineração, Le Monde Diplomatique, Brasil de Fato, A Tribuna, além do jornal Porantim, sobre a questão indígena, entre outros. Em 2010, ganhou prêmio Vladimir Herzog por série de reportagens que investigou a atuação de grupos de extermínio em 2006, após ataques do PCC a postos policiais em São Paulo.

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