Condenado por homossexualidade, homem que quebrou código nazista recebe perdão
O britânico Alan Turing (1912-1954), que ajudou os aliados a vencer a 2ª Guerra Mundial ao quebrar o código secreto nazista, recebeu um perdão real póstumo.
Homossexual, Turing foi punido com a castração química por manter relações com pessoas do mesmo sexo.
Ao ser condenado, o especialista perdeu o acesso a informações sigilosas e teve de interromper o trabalho de quebra de códigos que se provou vital para os aliados durante a 2ª Guerra Mundial.
O perdão foi concedido sob a Real Prerrogativa do Perdão após uma solicitação do ministro da Justiça do Reino Unido, Chris Grayling.
Tratamento ‘terrível’
“Alan Turing foi um homem excepcional com uma mente brilhante”, afirmou Grayling.
Ele disse que a pesquisa de Turing conduzida durante a guerra em Bletchley Park “encurtou o conflito” e “salvou milhares de vidas”.
O trabalho de Turing ajudou os Aliados a ler as mensagens navais alemães cifradas com a máquina Enigma. Ele também contribuiu com um trabalho fundamental na quebra de códigos que só foi divulgado ao público em abril de 2012.
“A sua vida foi ofuscada por sua condenação pela homossexualidade, algo que consideramos injusto e discriminatório e que agora foi finalmente revogada”, afirmou Grayling.
“Turing merece ser lembrado e reconhecido por sua fantástica contribuição ao esforço de guerra e por seu legado à ciência. Um perdão da Rainha é uma homenagem justa a um homem excepcional.”
O perdão passa a ter efeito nesta terça-feira, 24 de dezembro.
Morte
Turing morreu em junho 1954 por envenenamento por cianeto. Um inquérito aberto pela polícia concluiu que ele havia se suicidado.
No entanto, biógrafos , amigos e outros alunos de sua vida contestam o laudo e sugerem que sua morte foi um acidente.
Há anos, muitas pessoas vêm batalhando pela concessão de perdão a Turing.
Em dezembro de 2011, um petição online foi criada no site do governo britânico reivindicando o perdão a Turing.
A campanha reuniu mais de 34 mil assinaturas, mas o pedido acabou negado por Tom McNally, então ministro de Estado no Ministério da Justiça britânico, para quem Turing havia sido “devidamente condenado” pelo que era considerado um crime na época.
Antes disso, em agosto de 2009, uma petição havia sido criada para pedir o perdão a Turing. Na ocasião, o matemático ganhou um pedido de desculpas oficial do então primeiro-ministro Gordon Brown.
Brown definiu como “terrível” a maneira como Turing foi perseguido por sua homossexualidade.
Sapere Aude
24 de dezembro de 2013 10:21 pm1. Não cabe “perdoar” alguém
1. Não cabe “perdoar” alguém que nada fez de errado. Cabe pedir desculpas.
2. Então, se alguém foi um gênio da ciência e homessexual, tudo bem. Já se não foi genio, “só” homossexual, nada de perdão.?
Esses britânicos tem cada uma.
ed. não logado
24 de dezembro de 2013 11:16 pmMas nunca é pior!
Concordo que tardio.
Mas como dizem que antes tarde do que nunca:
Foi tarde, infelizmente, para ele.
Mas seria pior se nunca, por nós.
Com relação ao código (Enigma), sem desmerecer seu trabalho, e sabendo que a História costuma ser contada pelos vencedores, pelo que sei é importante lembrar que ele só foi decifrado depois da captura de um submarino U-### com uma máquina Enigma (e portanto a sua intrincada mecânica computacional/criptografica e tabelas chaves de seu código.
O que não muda nada em relação ao trágico suicídio e suas execráveis razões.
Pior, longe de ter sido o único.
Carla Antonia
24 de dezembro de 2013 11:27 pmAcho que deveriam pedir
Acho que deveriam pedir perdão a ele, não perdoar… perdoar por que?
Luiz Antonio Antunes Machado
24 de dezembro de 2013 11:55 pmSinceridade
É claro que soa para muitos como um gesto hipócrita, destituído da menor sinceridade, tardio, protocolar, etc. Apoio, demoraram muito para alguém que foi leal ao seu país, colaborou muitíssimo para a derrota do nazi-fascismo, e sua vida já foi até filmada, num filme inglês que foi bem discreto quanto à sua orientação sexual. Muitos vão dizer, com alguma razão, que soa como o pronunciamento da Igreja, em relação à Galileu Galilei, se não me engano por intermédio de João Paulo II, na época um gesto criticado por sua falta de propósito, não eram poucos os que exigiam algo mais incisivo, um pedido de perdão por parte da Igreja, não uma “reconcialação”, que Galileu não teve há quatro séculos. Entendo e concordo com este viés crítico , mas ainda acho, em nome da tolerância, que “antes tarde do que nunca”.
jofra
25 de dezembro de 2013 12:06 amMuitos aqui no Brasil que
Muitos aqui no Brasil que foram espizinhados pelo PIG lá pelos idos de 1950/60 e ainda hoje muitos outros que o são jamais terão o pedido de desculpas pronunciados por esses ABUTRES da PÁTRIA! Viva o Brasil, o Lula e a Dilma!!!!!!
ed. não logado
25 de dezembro de 2013 12:12 amE, antes que seja tarde
Não percebi nem sabia que teria sido um acidente, portanto não cabe minha menção ao suposto suicídio, embora não mude nada sobre a ingratidão, desgosto e sofrimento que ele (e ainda, outros) passaram e anda podem passar.
Mais uma a seu favor, o ato final que lhe aliviou, sequer foi uma desistência.
Wilson A.
25 de dezembro de 2013 3:27 pmUm dos pais das Teorias da Ciência da Computação
Até hoje, os computadores modernos e seus softwares funcionam com base nas teorias de Máquinas de Estados proposta por Turing (conhecida como Máquina de Turing). Agradeço ao Turing por todo o legado teórico deixado para a Computação. Quem diria que toda aquela teoria iria dá nesses computadores e softwares que usamos hoje e que norteiam a nossa forma de comunicar.
Carla Antonia
25 de dezembro de 2013 6:39 pmEle “perdoado”? Para perdoar
Ele “perdoado”? Para perdoar alguém precisa haver uma culpa… e que culpa ele teve? Acho que o correto seria “pedir perdão” ao Turing… mas é tarde demais, não é mesmo? Porem, pedir perdão publicamente, como o papa fez para com o Galileu, e como deveriam fazer para com tantas grande pessoas injustiçadas ao longo da história, seria um bom exemplo, pelo menos…
Essa do “perdão” ao Turing é revoltante, decididamente.