4 de junho de 2026

Haddad minimiza taxa de reprovação

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Jornal GGN – Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, Fernando Haddad, prefeito de São Paulo, falou sobre os pontos do Plano Diretor Estratégico e minimizou sua taxa de reprovação: “Se eu for me guiar pelos humores da conjuntura, eu não miro a grandeza que São Paulo tem.” Para o prefeito, o Plano Diretor, que será sancionado hoje, vai direcionar os investimentos para os eixos de mobilidade, e que, em cinco anos, será possível perceber as mudanças. Ele também afirmou que a sociedade está em um momento de mudanças, principalmente na demanda pela melhora das condições de vida nas metrópoles.

Da Folha

SP cobra revolução, desde que não se mexa em nada

NA VÉSPERA DE SANCIONAR O PLANO DIRETOR, PREFEITO DIZ QUE SEGUIRÁ SUA INTUIÇÃO E MINIMIZA POPULARIDADE BAIXA

MARIO CESAR CARVALHODE SÃO PAULO

“Cobra-se muito a revolução desde que não se mexa em nada”. Foi com uma variação da frase-chave do romance “O Leopardo”, de Tomasi di Lampedusa (1896-1957), que o prefeito Fernando Haddad (PT) respondeu à Folha se acha a população de São Paulo conservadora. No livro de Lampedusa, nobres aderem ao novo poder para continuar mandando.

Hoje (31/7) Haddad sanciona o Plano Diretor, com um espírito diferente dos nobres de Lampedusa. O plano pretende mudar a cidade ao aumentar a densidade populacional ao longo das avenidas e destinar um volume inédito de recursos para habitação social. Revolução sem mudança, aliás, não existe, segundo ele.

Veja a seguir os principais trechos da entrevista:

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Folha – O Plano Diretor de 2004 já tinha a principal diretriz do novo plano, o aumento da densidade populacional ao longo de avenidas que concentram o transporte público, mas ela não saiu do papel. Por que seria diferente agora?
Fernando Haddad – Houve um aprendizado. São Paulo tem uma característica política bastante incomum. Tivemos um pêndulo ideológico –Jânio, Erundina, Maluf, Pitta, Marta, Serra, Kassab e Haddad– que acarretou em descontinuidade. No urbanismo não foi diferente.

O plano corrige isso?
Radicalizamos algumas propostas que a prefeita Marta [Suplicy] não conseguiu implantar. Uma delas é o coeficiente básico igual a um.

O que é isso?
Significa que você dá ao proprietário o direito de construir uma vez a área do lote. Tudo que for acima disso ele é obrigado a pagar uma outorga. Isso vai compor um fundo, o Fundurb, que promove políticas de transporte, de moradia, política ambiental. Criamos também uma morfologia nova para a cidade: miolo de bairro terá baixa densidade, eixos de mobilidade terão alta densidade.

As condições da cidade mudaram nos últimos dez anos.
Seria impensável dez anos atrás você implantar 150 km de faixas exclusivas de ônibus em 12 meses. Nós fizemos. Seria impossível fazer um plano cicloviário de 450 km até 2015. Hoje existe mais compreensão de que transporte de massa e ciclista têm prioridade sobre o carro. Houve uma evolução conceitual, que veio de fora do Brasil. As grandes cidades do mundo fizeram isso nos anos 80. São Paulo perdeu tempo e nós estamos recuperando o tempo perdido.

A administração do sr. é reprovada por 47% dos paulistanos, segundo o Datafolha, um dos piores índices, similar ao do Celso Pitta e Kassab. Isso não seria um sinal de desaprovação aos planos do sr.?
Quando eu saí do governo [federal], o Datafolha fez uma pesquisa e a área mais bem avaliada foi educação. Isso foi depois de oito anos de trabalho, não de oito meses. Os projetos têm prazo de maturação. Se eu for me guiar pelos humores da conjuntura –Copa, 7 a 1–, eu não miro a grandeza que São Paulo tem.

A reprovação não o afeta?
Existe uma volubilidade muito grande dos humores desde junho do ano passado, que até tento entender. Mas o prefeito de São Paulo não pode se deixar guiar pelos humores conjunturais, e São Paulo é marcada pelos humores conjunturais.

O que mudou?
A sociedade está num momento de buscas. A minha campanha ajudou a instalar esse clima em certa medida, quando eu disse que de casa para dentro a vida tinha melhorado muito, que precisava melhorar a vida da porta pra fora. Existe uma demanda imediata pela melhora das condições nas metrópoles. Mas não dá para dar uma resposta para isso em um ano.

O ex-presidente Lula diz que já xingou o sr. quando estava preso num congestionamento e frisou que ficou impressionado porque ninguém no ônibus o defendeu.
Eu vivi esse mesmo sentimento no MEC. Cobravam uma revolução, desde que eu não mexesse em nada. Lembra quando eu anunciei que iria acabar com o vestibular? O país quase virou do avesso. Hoje a USP discute a adesão ao Enem, cinco anos depois.

Qual será o impacto concreto do Plano Diretor na cidade?
Terá mais habitação no centro, menos espigões no miolo dos bairros, direcionamento dos investimentos para os eixos de mobilidade e espalhamento do desenvolvimento. Em cinco anos você já começa a ver alteração.

O sr. já sabe se vai ampliar o horário do rodízio ou a área que ele atinge?
Os técnicos da CET tem uma preferência pela ampliação do perímetro. Vou tomar uma decisão técnica. Tem outra característica: São Paulo é pouco simpática a experimentalismo. Isso é cada vez mais comum nas metrópoles –testar hipóteses na prática.

A cidade é conservadora?
Cobra-se muito a revolução desde que não se mexa em nada. Isso é impossível. Como eu estou disposto a mudar a cidade, vou seguir a minha intuição de que existe uma chance de que a cidade descubra um destino para o qual ela está vocacionada. Essa cidade pode mais.

O plano duplicou a área de habitação social. A prefeitura, porém, deve R$ 67 bilhões. De onde virá verba para a área?
O quadro institucional mudou. Hoje temos Minha Casa, Minha Vida, de subsídio federal, o Casa Paulista, estadual. Faltava o município. O plano amplia a área de Zeis (zona de interesse social) e destina 30% de toda a outorga onerosa para subsídio a moradia.

Quanto dá isso?
O Fundurb deve chegar a R$ 500 milhões em 2015. Trinta por cento disso são R$ 150 milhões, só de subsídio municipal. Hoje se aplica R$ 20 milhões em moradia.

A Cohab, que responde por essa área, foi entregue a Paulo Maluf. A Folha mostrou que funcionários faziam campanha em vez de trabalhar.
Eu não gosto de “fulanizar” da maneira como a imprensa “fulaniza”. Fiz um acordo antes das eleições com o PP. Eu preciso do Ministério das Cidades para que a habitação saia do papel.

O ex-presidente Lula tem feito críticas contundentes à política de comunicação da prefeitura. Ele diz que o sr. não tem conseguido mostrar o que faz para a população. Lula está certo?
Nós temos que melhorar muito. Temos de encontrar canais para mostrar melhor o que fazemos. Tem muita coisa boa acontecendo, e as pessoas não sabem quem fez.
A última licitação de hospital na cidade foi no governo Marta [2001-2004]. Eu comprei um hospital privado, o Santa Marina, e este mês vou lançar o edital do hospital de Parelheiros, cuja terra já foi adquirida. Definimos com o Metrô onde será o hospital de Brasilândia, para compatibilizar com a linha 6.
Quantas pessoas sabem que depois de dez anos teremos três novos hospitais em São Paulo, um dos quais será entregue até o final do ano? Não tenho dúvidas que precisamos comunicar melhor.

O PT atribui ao sr. o pífio desempenho do ex-ministro Alexandre Padilha, candidato do PT ao governo paulista. A prefeitura tem culpa?
Quando eu estava com quatro [pontos nas pesquisas], não acusei ninguém e ganhei a eleição. Quando o Padilha apresentar suas propostas, ele será muito bem sucedido.

O Padilha é um quadro muito promissor no partido, mas ministro não é conhecido. Fui ministro por oito anos e comecei com dois pontos. Ninguém sabe quem é o ministro. Tem muito trabalho pela frente.

Redação

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8 Comentários
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  1. Assis Ribeiro

    31 de julho de 2014 2:59 pm

    Alckmin, Haddad e as escolhas da mídia

    Alckmin, Haddad e as escolhas da mídia

    A expressiva diferença de tratamento da imprensa com as ações do Estado e da Prefeitura ajuda a entender a má avaliação de Haddad e a tranquilidade de Alckmin

    Matéria completa:

    http://www.cartacapital.com.br/blogs/midiatico/as-escolhas-da-midia-com-haddad-e-alckmin-4033.html

    1. Sta Catarina

      31 de julho de 2014 3:21 pm

      concordo

      Concordo Assis. A coisa é tão flagrante que chega a ser palpável.

  2. altamiro souza

    31 de julho de 2014 3:09 pm

    boa sacada do haddad – querem

    boa sacada do haddad – querem mudar mas sem mudar nada – é mais do que lampedusa, que querias mudar para deixar a coisa  como está  para elas, as elites.

    aqui as zelites radicalizam e não aceitam qualquer mudança – pior, bem pior, tentam boicotá-las sucessivamente.

  3. Assis Ribeiro

    31 de julho de 2014 3:38 pm

    Um peso, duas medidas. Assim

    Um peso, duas medidas. Assim funciona a justiça no Brasil. O mensalão do PT teve julgamento no STF, o mensalão tucano o STF mandou para as várias instâncias e os crimes já estão prescrevendo. No caso do IPTU, em São Paulo a justiça vetou o aumento de Haddad do PT, muito mais gravoso para a população foi o que ACM Neto implantou em Salvador e a justiça aprovou.

    “Julgamento do IPTU é suspenso com 7 a 1 pela constitucionalidade da cobrança”
    http://www.bocaonews.com.br/noticias/politica/justica/92525,julgamento-d

  4. Casadei

    31 de julho de 2014 3:57 pm

    Haddad

    Continue Querido Prefeito de minha Cidade, continue…

    E muito Obrigada.

  5. Snaporaz

    31 de julho de 2014 4:19 pm

    Alkmin é um fenômeno ! A

    Alkmin é um fenômeno ! A cidade de  São  Paulo  marchando célere  para uma seca sertaneja e o eleitorado  lhe confere  reeleição no primeiro turno! É  o túmulo da democracia como já foi do  samba.

    Enquanto isso, Haddad tem responder  a entrevistas  ginasianas  feitas por um foca graduado….

  6. Augusto Cesar

    31 de julho de 2014 4:31 pm

    Haddad é fera.

    Haddad é uma fera política. Não deixa pergunta sem resposta nem ponto sem nó. Jamais me esquecerei do nó que que ele deu no Alexandre Garcia, no Renato Machado e na Renata Vasconcelos no Bom Dia Brasil.

     

    A transcrição da entrevista você pode conferir aqui:

    http://www.unb.br/noticias/unbagencia/cpmod.php?id=78165

  7. NNN

    31 de julho de 2014 5:14 pm

    Teoria e prática

    Difícil por onde começar. Só pontualmente:
    – “coeficiente básico igual a 1”: excelente!! para quem tem um terreno de trocentos metros quadrados…
    – “150 km de faixas exclusivas de ônibus…”: sem desapropriar um mísero metro quadrado para aumentar a área destinada ao tráfego de todos os veículos (frota crescente não é imprevisto). E tem gente que chama isso de “ampliação”…
    – “… em 12 meses”: o prazo exíguo não teve nada a ver com boa vontade e, sim, com a grita dos protestos, inicialmente pelo aumento da tarifa. Como o intervalo de tempo entre os ônibus foi mantido, mesmo com eles circulando mais rápido, isso só significa uma coisa: a frota circulante diminuiu. Oras, se a quantidade transportada de passageiros é a mesma, o “aumento da tarifa” foi muito maior que os famigerados 20 centavos. Mas eu relevo: aritmética nunca foi o forte de jornalistas.
    – “iria acabar com o vestibular”: pela própria subordinação ao MEC, foi muito fácil “compelir” a adesão das universidades federais. Principalmente pela economia, pois as verbas antes destinadas aos vestibulares foram para… foram para onde mesmo? Quanto às particulares, dizer o quê? Os estudantes são obrigados a prestar o ENEM para poder se inscrever no PROUNI. No meu tempo (PROUNI se chamava CREDUC) isso se chamava “livre e expontânea pressão”.
    – sobre a ampliação do horário do rodízio: é impressionante como a falta de memória ajuda a criação de mitos. Durante alguns dias da Copa se extendeu o horário de rodízio para praticamente o dia inteiro. O resultado? Nenhum! Nos jogos do Brasil, o trânsito foi um inferno no dia do primeiro jogo e suave em todos os outros, EXATAMENTE como a 4 anos atrás.

    Enfim, achar que a população é culpada por seus males é só uma meia verdade. Afinal de contas foi ela que o elegeu…

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