Por Gesil Amarante
Uma coisa danosa que o sistema de financiamento de pesquisa no Brasil não conseguiu resolver é a excessiva burocracia.
Consegue-se verba para montar um supercomputador, por exemplo, mas a burocracia é tão grande que quando consegue-se gastar o dinheiro já se passou mais de um ano, o que é um tempo inexplicável, e aquele equipamento às vezes nem existe mais. Tem que rodar o processo de configuração de novo. Quando isso requer uma mudança de procedimento e pede-se um aval para a agência para fazer esta mudança, a resposta pode demorar meses.
E difícil conseguir verba para espaço físico. Quando se consegue esta verba, há regras estapafúrdias para a execução destas obras… É um atoleiro só!
Se se faz um projeto FINEP multiinstitucional, o documento tem que ficar viajando via SEDEX entre as instituições para assinatura de todos os Reitores e Coordenadores. Na era da internet isso me parece tão desnecessário!
Quando se tem que fazer uma importação, então, é uma novela!
Quando não é a burocracia da própria FINEP é a da Universidade… É extenuante! Deveria haver uma guerra contra todo o procedimento burocrátido desnecessário, já! Toda verba aprovada deveria estar disponível para uso dos coordenadores em menos de um mês, com regras e procedimentos para importação facilitados e assinatura digital para todos os procedimentos e pedidos de projetos.
Alessandro Pereira
28 de dezembro de 2008 12:32 pmObserve-se que o CNPq já
Observe-se que o CNPq já desburocratizou, no que tange ao seu fomento, muitos desses procedimentos. Possui o Programa Importa Fácil, que cuida dos trâmites operacionais e adotou sistema de assinatura digital para que os termos de concessão sejam todos eletrônicos, evitando idas e vindas com correios. Finalmente, observe-se que há a Plataforma Lattes e a Plataforma Carlos Chagas, que informatizaram os currículos e os pedidos de auxílio.
Titina
28 de dezembro de 2008 12:48 pmTalvez a burocracia sirva
Talvez a burocracia sirva para camuflar os desvios de verbas em todas as instâncias pelas quais passam os recursos.
Virge Maria!
Mauro
28 de dezembro de 2008 1:19 pmFaço minhas as palavras do
Faço minhas as palavras do Tato de Macedo.
Mauro
28 de dezembro de 2008 1:22 pmNassif, esse software de
Nassif, esse software de comentários está com algum bug… Não é a primeira vez que coloca um comentário meu no horário errado e antes de comentários aos quais faço referência, o que é uma impossibilidade causal… =)
É algum problema de fuso horário do servidor.
Tato de Macedo
28 de dezembro de 2008 1:55 pmPenso que antes deveria se
Penso que antes deveria se rever todo o sistema de pesquisa no Brasil, a começar pelas definições de inclusão da maioria, que contribui e mantém, as universidades públicas.
Segundo, valorização da carreira de professor e pesquisador.
Terceiro, definições claras de atuações do setor privado nas instituições de pesquisas públicas.
Quarto, redirecionamento do conhecimento à publicidade, i.é, tornar público a geração de conhecimento e não permitir a apropriação indevida do conhecimento gerado em universidades públicos por empresas privadas.
Quinto, fazer uma revolução pela educação e não apenas reformas.
Bruno
28 de dezembro de 2008 2:02 pmEsta cena que o Gesil
Esta cena que o Gesil descreve tem um contrapartida no cotidiano dos pesquisadores, que são na sua esmagadora maioria contratados como professores nas instituições públicas (estaduais e federais) de ensino superior.
Temos uma carga burocrática imensa, e, devido aos baixos salários para o corpo técnico e administrativo, muitos de nós acaba desempenhando o papel de próprio secretário. Quando encontramos por ventura um departamento ou instituto bem-servido, não passa muito tempo para ouvirmos as formas de bonificações e redução de carga horária que os chefes de departamento têm de estabelecer — muitas vezes usando métodos não exatamente canônicos — para segurar os secretários no lugar.
Tudo isso tem seu custo: ao desviar a função do docente do tripé ensino-pesquisa-extensão, não temos nem um servidor que esteja treinado a lidar com a burocracia, nem um servidor que consiga desempenhar seu papel de forma plena: para ensino e pesquisa, por exemplo, todo o tempo disponível costuma ser pouco. E, o que é pior, institui-se em várias universidades a chamada “carreira em Y”, onde o docente pode progredir na carreira pulando de cargos administrativos a cargos administrativos. Na melhor tradição brasileira, premia-se mais o bom burocrata que o bom profissional.
Daniel Campos
28 de dezembro de 2008 2:23 pmA burocracia brasileira foi
A burocracia brasileira foi uma “herança maldita” dada pelos portugueses e que carregamos desde o descobrimento. E à grosso modo, não serve para mais nada que não seja “colocar dificuldades para vender facilidades”, quem duvida basta ler com atenção a zorra que chamamos de constituição e procure por exemplo as leis que entram em conflito umas com as outras e as simplesmente inúteis
Edmar Roberto Prandini
28 de dezembro de 2008 4:12 pmA impressão que tenho é que a
A impressão que tenho é que a fonte desse excessivo burocratismo encontra motivação em uma cultura de submissão e subserviência. O caos justifica-se pela necessidade que possuem os funcionários de nível inferior na escala hierárquica de sempre atribuírem aos seus superiores tanto a decisão quando o encaminhamento das questões. Não existem divisões de atribuições e responsabilidades. Existem tarefeiros e, deste modo, a estes compete apenas preparar processos para a assinatura de outrém – e o nefasto “carimbo” (risos). São meses e meses de papéis saindo de uma mesa para outra à espera de alguém erigido em autoridade para bancar o risco da decisão, ainda que seja sobre coisas mínimas,
O medo dos instrumentos de controle e a ausência da subsidariedade do poder torna a burocracia menos um mecanismo de transparência e universalidade – que seria sua legítima função – e mais um facilitador para que poucos sejam detentores de máximo poder e assim possam, quando corretos, agir com retidão ou, quando, “indignos” (essa expressão tornou-se propriedade do Civita!) agirem com improbidade – corrupção.
João Vicente
28 de dezembro de 2008 4:31 pmé um paradoxo isso, existe
é um paradoxo isso, existe uma corrupção imensurável no país por conta da extrema burocracia, mas não fosse a extrema burocracia, a amazonia já não existiria mais,assim como a mata atlantica, a constituição seria reescrita todos os dias, o problema não é o excesso de leis, mas a falta de comprimento das mais básicas
Navegador
28 de dezembro de 2008 7:02 pmCitando Galeano: “Para toda
Citando Galeano: “Para toda solução a burocracia tem um problema.
peregrino
28 de dezembro de 2008 7:49 pmO que está pegando realmente
O que está pegando realmente é a burocracia…ainda é do tempo do BID, do tempo da defesa do similar nacional, tanto equipamento como conhecimento, apenas para dificultar a utilização das verbas…bah! só de pensar no plano collor, dá nojo! gente em desespero pelos corredores dos grandes centros de pesquisas e as verbas pegas aplicadas em contas particulares.
Foi daí que passei a me ligar nesta podridão !