4 de junho de 2026

A insatisfação da comunidade científica com a troca no MCT

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Do O Vale

 
Ex-diretor do Inpe foi substituído pelo reitor da Universidade de Minas Gerais, Clelio Diniz, em reforma feita por Dilma
 
A saída de Marco Antonio Raupp do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação na última segunda-feira, por determinação da presidente Dilma Rousseff (PT), recebeu críticas da comunidade científica em todo o país. Raupp era ministro desde janeiro de 2012 e vinha fazendo um trabalho elogiado por cientistas, empresários e entidades de classe do setor.
 
Ele foi demitido junto com outros cinco ministros, num pacotão anunciado por Dilma na última sexta-feira. Assumiu o lugar dele o reitor da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), Clelio Campolina Diniz. Antes de comandar o Ministério da Ciência e Tecnologia, Raupp havia sido diretor do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e do Parque Tecnológico de São José dos Campos.

 
Críticas. Uma das reações mais contundentes contra a saída de Raupp veio da presidente da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), Helena Nader. Em artigo publicado no jornal Folha de São Paulo ontem e postado no site da entidade, Helena faz duras críticas à mudança.
 
“O que nos assusta é a mínima falta de consideração com a continuidade de um trabalho tão complexo como são os programas governamentais de ciência, tecnologia e inovação”, assinalou a cientista.
 
“Até se acomodarem a uma nova gestão, já terão consumido boa parte dos apenas nove meses que restam da atual administração federal.”
 
Para Helena, não havia motivo para tirar Raupp do comando do Ministério, o que pode atrapalhar projetos em andamento no setor.
 
“Raupp assumiu a pasta com apoio integral da comunidade científica brasileira que nele reconheceu um legítimo representante, capaz de elevar e certamente lutar pelo tratamento da ciência e tecnologia como uma das políticas de Estado prioritárias na esfera pública nacional”.
 
E concluiu: “Foi o que fez ao longo de sua gestão no ministério, sempre ouvindo e interagindo com as mais diversas sociedades, organizações, instituições e empresas que integram o cenário da ciência, tecnologia e inovação no Brasil”.
 
Raupp não foi localizado ontem para comentar o assunto.
 
Para o Sindicato dos Servidores Públicos de Ciência e Tecnologia, a troca obedece a critérios políticos, e não técnicos, o que é questionável.
 
(Xandu Alves / O Vale)

Redação

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11 Comentários
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  1. Ivan de Union

    21 de março de 2014 10:31 am

    “Para o Sindicato dos

    “Para o Sindicato dos Servidores Públicos de Ciência e Tecnologia, a troca obedece a critérios políticos, e não técnicos, o que é questionável”:

    Trocar um cientista por um reitor de universidade ta mal na fita mesmo.  Qual eh o background cientifico do reitor?

    1. Ivan Arruda

      21 de março de 2014 11:48 am

      Para gerenciar o País tivemos

      Para gerenciar o País tivemos um PHd por um período e um outro não certificado. Quer dizer, hoje está mais certificado do que o primeiro. Quem se saiu melhor? E os dois continuam contribuindo. Um para construir, outro destilando sua inveja junto com indignada massa cheirosa, fazendo cobranças sobre o que ele próprio não fez.

      Quanto a comunidade científica estar  insatisfeita, normal. Se estivesse satisfeita é que seria preocupante. Preocupante também se a insatisfação derivar do que não se fez ou mal feita. A comunidade realmente científica, acha sempre um jeito de fazer bem feito. Além de bons cientistas, são bons garupas também. Para o País não é bom que os garupas fiquem nos laboratórios. Muito menos os papagaios.

       

      1. Ivan de Union

        21 de março de 2014 1:38 pm

        Nao tenho ideia do que voce

        Nao tenho ideia do que voce pensou que acabou de dizer no ultimo paragrafo.  Qual dos dois eh “carona” e qual eh “papagaio”?

    2. Clever Mendes de Oliveira

      21 de março de 2014 5:01 pm

      Um pouco de muita coisa aqui para você

       

      Ivan de Union (sexta-feira, 21/03/2014 às 07:31),

      Não sou da área de tecnologia e não tenho nenhuma predileção especial pelo Clelio Campolina Diniz.

      Lá no post “O Brasil policêntrico” de sexta-feira, 04/11/2011 às 10:31, aqui no blog de Luis Nassif, trazendo, com o título de “País não tem plano para superar desequilíbrios”, a resenha de Lilian Milena, no Brasilianas.org e da Agência Dinheiro Vivo para a exposição de Clelio Campolina Diniz no 16º Fórum de Debates Brasilanas.org há uma boa oportunidade de se saber um pouco sobre ele. A se tomar pelo que ele preconizou no 16º Forum, a reação contra ele é mais de pessoas de regiões menos carentes de ciência e de tecnologia. O endereço do post “O Brasil policêntrico” é:

      https://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/o-brasil-policentrico

      De todo modo como eu disse não tenho nenhuma predileção especial pelo Clelio Campolina Diniz. Há mesmo um crítica indireta a ele em comentário meu enviado quarta-feira, 09/11/2011 às 17:52, para Chico Pedro junto ao comentário dele de sexta-feira, 04/11/2011 às 12:02, lá no post “O Brasil policêntrico”.

      E aproveito para lembrar que achei interessante seu comentário enviado quarta-feira, 19/03/2014 às 11:21, lá no post “Dilma fala sobre a compra da refinaria em Pasadena, em 2006” de quarta-feira, 19/03/2014 às 11:14, aqui no blog de Luis Nassif, trazendo a transcrição da matéria no Estadão intitulada “Dilma apoiou compra de refinaria em 2006; agora culpa ‘documentos falhos’” em que se comenta a resposta da Dilma à reportagem do próprio Estadão que teria revelado que a presidenta Dilma Rousseff votou em 2006 favoravelmente à compra de 50% da polêmica refinaria de Pasadena, no Texas (EUA).

      Bem, achei interessante, mas não concordei muito. Primeiro há que se lembrar que o título do post “Dilma fala sobre a compra da refinaria em Pasadena, em 2006” ficou torto. O certo seria, [“O Estadão comenta a fala da Dilma] sobre a compra da refinaria em Pasadena, em 2006”. O título do post nos direcionou mal sobre a notícia.

      Agora não concordei com você porque me parece que a clausula “Put option”, presente no contrato objeto da polêmica, não pode ser meramente jogatina como você a considerou no seu comentário. Há situações em que os dois lados têm interesse nesta cláusula. Se não houvesse esta possibilidade ela acabaria desaparecendo da prática contratual. É claro que a justiça americana é um tanto diferente, mas no Brasil não imagino que ela tivesse possiblidade de permanecer se fosse assim tão nociva a um dos lados do contrato.

      O que me pareceu estranho foi a resposta da Dilma Rousseff. Aliás, há uma entrevista hoje, sexta-feira, 21/03/2014, do Sérgio Gabrielli que esclareceu bem a questão embora esteja sendo apresentada pela CBN como contrária a Dilma Rousseff. Aliás, a referência a notícia é dada de modo diferente dependendo do site. Não tenho o link para a notícia na CBN, mas no Diário Comércio Indústria & Serviços – DCI, o título da notícia saída hoje, 21/03/2014 às 11:18, falando sobre a entrevista de Sérgio Gabrielli à rádio CBN, está assim: “Sérgio Gabrielli defende Dilma no caso sobre a refinaria de Pasadena” e pode ser vista no seguinte endereço:

      http://www.dci.com.br/politica-economica/sergio-gabrielli-defende-dilma-no-caso-sobre-a-refinaria-de-pasadena-id388890.html

      Já na revista Exame a notícia, embora seja para a entrevista dada no dia anterior para o jornal Nacional e tenha sido publicada ontem, quinta-feira, 20/03/2014 às 21:19, teve o seguinte título: “Gabrielli diz que Dilma tinha conhecimento de cláusulas” e pode ser vista no seguinte endereço:

      http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/gabrielli-diz-que-dilma-tinha-conhecimento-de-clausulas

      Já no Estadão a notícia também surgida ontem, quinta-feira, 20/03/2014 às 21h 49, traz um título que fica um tanto de acordo com o que eu imaginei sobre a cláusula “Put Option” logo que li o seu comentário lá no post “Dilma fala sobre a compra da refinaria em Pasadena, em 2006”. No Estadão o título da notícia é: “Gabrielli e Foster põem em xeque versão de Dilma sobre cláusulas” e ela pode ser vista no seguinte endereço:

      http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,gabrielli-e-foster-poem-em-xeque-versao-de-dilma-sobre-clausulas,1143228,0.htm

      O que me pareceu desde o início foi que a presidenta Dilma Rousseff foi mal orientada ao dar a resposta. Por que a mal orientaram é uma questão a ser resolvida. Ela não precisava dizer que o parecer fora falho. Na entrevista de Sergio Gabrielli fica claro que como um órgão estratégico, o Conselho de Administração da Petrobras não poderia ficar em detalhe técnico. O detalhe técnico é para o setor executivo da empresa . O Conselho de Administração da Petrobras é órgão estratégico. Ele só diz se a estratégia está correta ou não. Aliás, a decisão de compra foi tomada em 1999, ainda no governo de Fernando Henrique Cardoso. Não havia necessidade de Dilma Rousseff fazer referência a clausula “Put option”.

      Pode haver um pouco de correção na afirmação da Dilma Rousseff no sentido que a compra de toda a empresa e não uma parte seria outra decisão estratégica e, neste sentido, o Conselho de Administração da Petrobras deveria ser informado da cláusula “Put option”. Se o Conselho de Administração da Petrobras não tivesse autorizado que a Petrobras comprasse toda a empresa e não foi informado que a cláusula “Put option” fazia parte do contrato, parece-me que Dilma Rousseff tem uma boa dose de razão em dizer que o parecer era falho.

      Não quero com isto dizer que não houve corrupção, nem que não houve incompetência. A corrupção é objetiva. A incompetência é subjetiva. Eu interesso mais pela análise da incompetência que é subjetiva, pois ela serve para nós conseguirmos avaliar a nossa capacidade de prever o futuro. Ela só faz sentido, entretanto, se fôssemos capazes de nos desprender de todo novo conhecimento e avaliarmos como procederíamos no caso concreto na mesma época. Se fôssemos capazes da fazer isto, o que não somos, nós poderíamos avaliar, mas ainda subjetivamente, se houve ou não competência na decisão tomada. É um processo que previamente já sabemos que não nos levará a lugar nenhum, salvo naqueles casos excepcionais em que a decisão contrarie uma lei física qualquer, ou mesmo a lógica, ou uma equação matemática. Nesses casos excepcionais a incompetência fica revelada. E embora não nos leve a lugar nenhum esta busca do entendimento vale a pena ser feita porque nos desenvolve como indivíduos e desenvolve a capacidade da sociedade em se conhecer.

      Quanto à questão da corrupção, eu não dou muita importância porque imagino que sempre que há indícios, deve-se fazer um trabalho exaustivo para a constatar. Trabalho, entretanto, que deve ficar por conta de peritos e não de amadores. E acredito que o Brasil dispõe de órgãos competentes para verificar o que há por trás dos indícios.

      Clever Mendes de Oliveira

      BH, 21/03/2014

      1. Ivan de Union

        21 de março de 2014 5:29 pm

        Obrigadasso, Clever,

        Obrigadasso, Clever, especialmente pelo penultimo paragrafo!  So agora me ocorreu que qualquer vazamento da intencao da Petrobras de comprar a compania toda seria, diretae legalmente, considerado…

        Manipulacao de stocks! Ilegalissimo.

        Eh logico que ninguem foi informado!  Nem era pra ser.

  2. AlvaroTadeu

    21 de março de 2014 10:46 am

    Se com Dilma está ruim, com as cascavéis seria pior.

    Dilma pisou nos tomates com essa troca no MCT. A gente pode criticar, mas olho pros lados e vejo Aécio, Eduardo, Marina, Barbosa, Serra. Pra não ficar pior, volto a votar na Dilma.

    1. Daytona

      21 de março de 2014 12:42 pm

      Estou na mesma situação, já

      Estou na mesma situação, já me vejo votando em Dilma com nojo, pois a considero despreparada, incompetente e autoritária. A volta de Lula seria a melhor alternativa para o Brasil, mas parece que isso ameaça o projeto de continuidade ad eternum do PT e sua banda podre no poder(Palocci, Mercadante, Vaccarezza e afins).

      De certa maneira, a AP 470 serviu para eliminar alguns dos melhores quadros do PT, como José Dirceu, e substituí-los pela escória petista, que não deixa nada a dever ao PSDB.

  3. luiz Carlos Luchini

    21 de março de 2014 11:22 am

    SBPC
    Engraçado não vejo a SBPC preocupada com o desmonte dos Institutos de Pesquisa do Estado de São Paulo e a queda de qualidade das Univerdidades do Estado.

    1. rogerio.bertani

      21 de março de 2014 11:51 am

      Perfeito, Luiz Carlos. Qual a

      Perfeito, Luiz Carlos. Qual a posição da SBPC frente ao desmonte dos Institutos de Pesquisas do estado de São Paulo ?

  4. Schell

    21 de março de 2014 12:27 pm

    O que o brasileiro parece não

    O que o brasileiro parece não aprender é que no sistema atual a pessoa é eleita para praticar suas políticas administrativas, não a dos outros, muito menos a dos perdedores. Assim, se ela entendeu que devia trocar de ministro, troca. Poderão cobrar dela – no futuro – se o novo ministro não atender às necessidades da pasta. Não antes. A tal carta da dita presidenta do SBPC, em si, não significa absolutamente nada. Poderá se manifestar – no futuro – se o novo ministro abandonar os programas que a sua sociedade tanto preza. Apenas.

  5. Mara M. de Andréa

    21 de março de 2014 12:56 pm

    A insatisfação da comunidade científica com a troca no MCT

    O que tem feito a SBPC? Onde estão a inatisfação e os protestos necessários para a falta total de investimento no setor de Ciência e Tecnologia no Estado de São Paulo? Onde estão os debates sobre a falta de investimentos e a decadência das Instituições de Pesquisa do Estado de São Paulo? Onde estão os debates sobre as Universidades Estaduais de São Paulo? Onde está a reação sobre o  absurdo da montagem e do ambiente da USP-Leste? Isto tem me preocupado mais – há anos – do que quem é o ministro no momento. Ministros têm que se pressionados com reivindicações de uma Sociedade (SBPC) preocupada e atuante.

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