1 de julho de 2026

A xepa de Arthur Lira: cassinos e criptomoedas, por Luis Nassif

Daqui a um ano e pouco, vão explodir os mercados de criptoativos, deixando uma legião de famílias iludidas e quebradas. Ao mesmo tempo, o jogo, se implantado, vai deixar um rastro de problemas sociais e criminais.

A xepa da Câmara Federal, comandado pelo deputado Arthur Lira, prepara duas leis escandalosas: uma delas, legalizando os cassinos; a outra, legalizando os criptoativos.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Nas semanas anteriores, grandes jornais se esmeraram em páginas abundantes louvando as criptomoedas. Ao mesmo tempo, a publicidade de cassinos virtuais inundou sites de jornais e da imprensa alternativa. O resultado tem sido um silêncio constrangedor em relação aos dois temas – com exceção de uma boa reportagem da Folha sobre os golpes com criptoativos.

O mercado de criptoativos têm dois tipos de públicos. Um deles, é a contravenção, as organizações criminosas, o dinheiro da corrupção política, que necessita do anonimato. O outro são investidores, correndo atrás da valorização dos ativos. Há dois tipos de investidores: os profissionais e o investidor comum. Sempre foi assim em todas as bolhas registradas nos últimos 50 anos, seja com prata, ouro, obras de arte, ações. Cria-se uma espiral de alta, controlada pelos profissionais. A valorização inicial atrai os amadores. Cria-se uma espiral de alta. Quando chega no pico, os profissionais começam a vender seus ativos. E quem morre com o mico são os amadores.

A razão de Roberto Campos Neto anunciar apenas para o fim do ano o início da regulação dos criptoativos têm uma explicação única: os profissionais estão ganhando dinheiro. Grandes instituições entraram no jogo. Mais que isso, bancos internacionais perderam uma enorme fonte de receita quando teve início o ataque aos paraísos fiscais. As criptomoedas trouxeram de volta ao circuito o dinheiro criminoso.

Hoje em dia, há informações de famílias vendendo bens para aplicar em criptomoedas, da mesma maneira que as vítimas do Boi Gordo, da avestruz, da Telexfree e tantos outros golpes. O problema no Brasil é que as instituições agem apenas quando a bolha explode.

O caso Telexfree foi um exemplo. Aqui no GGN, denunciamos por meses o golpe. Fomos alvos de ataques hackers e de ameaças físicas. Mas a reação do então Ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, é que não havia como atuar sobre a operação, embora fosse óbvio que houvesse transações internacionais de recursos, golpes na poupança popular.

Foi necessário a ação individual de uma juíza, no Norte, para que Ministérios Públicos e poder público em geral atuasse contra o golpe. As autoridades norte-americanas agiram de forma muito mais rápida contra o golpe, que visava exclusivamente a população brasileira no país.

Já os cassinos estão no centro dos maiores escândalos políticos brasileiros desde o governo Itamar, quando Danilo de Castro abriu espaço para a GTec, empresa ligada à máfia de Las Vegas, prestar serviços à Caixa Econômica Federal. Sua entrada no mercado brasileiro levou Carlinhos Cachoeira e se associar à máfia espanhola, deixando um rastro de corrupção na área pública e na mídia – leia, a propósito, “O Caso Veja”, que narra essa parceria criminosa.

Sheldon Adelson, chefe da máfia do jogo de Las Vegas, participou ativamente da eleição de Donald Trump, Jair Bolsonaro e Benjamin Netanyauh. De Israel. A abertura dos cassinos no Brasil foi tratada por Bolsonaro em seu primeiro encontro com Trump. A expansão das milícias para a região de Angra dos Reis coincidiu com as declarações de Bolsonaro, de permitir a abertura de cassinos na região.

Daqui a um ano e pouco, vão explodir os mercados de criptoativos, deixando uma legião de famílias iludidas e quebradas. Ao mesmo tempo, o jogo, se implantado, vai deixar um rastro de problemas sociais e criminais.

Só aí, então, cairá a ficha da mídia, da mesma maneira que em todos os abusos recentes no Brasil.

Receba os artigos de Luís Nassif pelo WhatsApp

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

4 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Flavio

    23 de fevereiro de 2022 8:46 am

    Daí, quando milhares de amadores forem lesados e caírem na real do golpe, os golpistas estarão com os cofres abarrotados, rindo às fanfarras. Não demora, surge no Brasil a consultoria do crime organizado sobre como abrir o seu lucrativo negócio.

  2. FERNANDO BORGOMONI

    23 de fevereiro de 2022 9:30 am

    O neoliberalismo e suas desregulamentações abriu caminho para a anarquia financeira e para a ascensão do crime como atividade econômica lucrativa em escala mundial. O mundo hoje é movimentado pelo dinheiro sujo e pela pilantragem com cara de bons negócios. Tudo para o proveito de poucos e para o prejuízo da grande maioria.

  3. Paulo Dantas

    23 de fevereiro de 2022 10:56 am

    Os cassinos sempre com a desculpa de “gerar empregos”…

  4. Acer Vianna

    23 de fevereiro de 2022 2:10 pm

    Nada mais é do que o famoso golpe da “guitarra”. O bilhete premiado a preço de banana. Fuja!!!!

Recomendados para você

Recomendados