Água: o alerta que vem da África do Sul, por Franklin Frederick

Água: o alerta que vem da África do Sul

por Franklin Frederick

“Durante um cerco militar a uma cidade, um carregador de água gritava: ‘Um balde de água a 6 sols!’ Uma bomba explode e derruba um dos baldes. ‘Um balde de água a 12 sols!’ grita o carregador sem se perturbar.” Caractères et anecdotes – Chamfort  (1740- 1794)

A Cidade do Cabo, capital da África do Sul com cerca de 3.700.000 habitantes, pode ser a primeira metrópole do mundo a ficar completamente sem água. Várias razões estão na origem desta situação extrema, dentre outras a falta de planejamento e de gerenciamento adequado da crise. Mas a causa principal é uma seca que já dura três anos, conseqüência do aquecimento global. No dia 11 de maio próximo, o ‘Dia Zero’, de acordo com predições do governo, caso não chova, todo o abastecimento de água da cidade, com exceção de escolas e hospitais, será suspenso. Os habitantes terão que recorrer a pontos de distribuição de água em garrafões, limitados a 25 litros por pessoa por dia. De acordo com um artigo do ‘TIME’, o anúncio do provável fim do abastecimento de água já está gerando caos na cidade e estima-se que esta crise de água venha a custar cerca de 300.000 postos de trabalho na agricultura e dezenas de milhares mais no setor de serviços, como hotelaria e alimentação. Se os trabalhadores tiverem que dedicar parte de seu tempo para ficar nas filas para obter água, o impacto na economia será ainda maior.

Porém há um setor que está lucrando enormemente com esta crise: a indústria da água engarrafada. A escassez está provocando uma verdadeira corrida aos supermercados da Cidade do Cabo, cada um procurando comprar quantas garrafas puder, como mostram as fotos no artigo citado acima.  Para alívio dos consumidores, aQuelle, uma das marcas mais conhecidas de água engarrafada da África do Sul, anunciou que não aumenta seus preços desde 2016 e que tem enviado caminhões com seus produtos regularmente aos supermercados para ‘ajudar’ a cidade a enfrentar a crise…  

Assim, a realidade da mudança climática no mundo do capitalismo global, acaba por beneficiar as grandes empresas do comércio de água. A crescente escassez da água contribui para aumentar o seu valor econômico. Ainda pior: estas mesmas empresas utilizam as crises hídricas cada vez mais recorrentes como meio para avançar as suas agendas de privatização e de imposição de suas próprias ‘soluções’ ao problema, se apresentando como as detentoras do conhecimento ‘técnico’, da capacidade de ‘gestão’ e da ‘responsabilidade’ necessárias para enfrentar as crises. Nessa visão, cabe aos Estados soberanos entregar o controle desse precioso recurso natural à ‘competência’ do setor privado. Que o capitalismo, sobretudo em sua versão neoliberal atual, seja o maior responsável pelo aquecimento global e suas conseqüências é um fato permanentemente ignorado.

Uma das estratégias utilizadas pelo capital nestes tempos de crise hídrica é limitar o foco de atuação ao nível dos consumidores individuais. Na Cidade do Cabo as autoridades exigem – com razão – dos cidadãos que poupem água. Porém, se isto é uma medida importante e mesmo fundamental numa situação de emergência como esta, as CAUSAS do problema permanecem intocadas. Aproveita-se de uma situação de emergência para apagar da consciência pública o fato de que, por trás da crise, há uma HISTÓRIA, um processo, e que compreendê-los é fundamental para a resolução do problema. É claro que os consumidores devem ter cuidado com o consumo de água e evitar toda forma de desperdício. Mas o que esta abordagem que se limita ao papel do consumidor / cidadão esconde é o enorme desperdício de água inerente ao próprio sistema capitalista e à organização do mercado, esse sim o maior responsável pelas sucessivas crises hídricas.

 

Mas, dentro da lógica capitalista, não cabe questionar a ‘sabedoria’ dos mercados que decidem sobre a utilização de um recurso natural, pois esta é, por definição, racional, assim como o sistema capitalista como um todo. Irracionais são os indivíduos, os simples consumidores a quem é imposto um sistema dentro do qual eles têm cada vez menos opções e controle. Um das principais estratégias de imposição do neoliberalismo como paradigma hegemônico na sociedade contemporânea é a criação da ilusão de vivermos em um presente permanente, sem passado, sem história, sobretudo sem alternativa. Crises hídricas como a enfrentada pela Cidade do Cabo são veículos perfeitos para a construção e imposição desta ilusão neoliberal.

Ninguém menciona o fato, por exemplo, de que a fabricação de uma garrafa PET de um litro exige três outros litros de água; que os materiais utilizados na confecção destas garrafas são derivados de petróleo e que os milhões de garrafas PET produzidos desta forma em todo o mundo representam uma contribuição significativa para o aquecimento global… Que o transporte por caminhões em todo o mundo desses milhões de garrafas também significam gastos de combustível que liberam mais carbono na atmosfera, contribuindo também para a mudança climática…

E ninguém menciona tampouco que em certos lugares estas garrafas PET são produzidas e transportadas segundo uma lógica absolutamente insana. Na Europa, por exemplo, todos os dias dezenas de caminhões transportam garrafas de água SAN PELEGRINO da Itália para a França e outros países europeus. Ao mesmo tempo, outros caminhões transportam outras garrafas de água EVIAN da França para a Itália e outros países, etc. Um gasto absurdo de recursos liberando enormes quantidades de gás carbônico na atmosfera. Se os países da Europa Ocidental levassem a sério o aquecimento global, há muito tempo que teriam banido de seus países a produção e comercialização de garrafas de água, por supérfluo e inútil. Seria uma medida simples, factível, que seria aceita e apoiada por todos os cidadãos com um mínimo de consciência. Em países como a França, a Alemanha, a Suíça ou a Itália – para citar alguns – a água da torneira é perfeitamente segura e de excelente qualidade. Se isso não pode ser feito, não podemos ter muitas esperanças de que outras medidas de diminuição de emissão de carbono na atmosfera que sejam mais complicadas, exigindo mudanças profundas na organização social e na economia, possam vir a ser tomadas.

O impacto da agricultura tanto para o aquecimento global quanto para a produção e conservação da água é imenso. Neste caso, o mercado impõe um modelo baseado na utilização de insumos, principalmente fertilizantes, também derivados do petróleo, que progressivamente destroem os solos e sua capacidade de retenção de água… Sem mencionar o uso indiscriminado, de que o Brasil é campeão mundial, de pesticidas que acabam por contaminar rios, lagos e as águas subterrâneas.

Enfim, como o filósofo marxista István Mészáros, recentemente falecido, escreveu em ‘A teoria da alienação em Marx’:

“Outra contradição básica do sistema de controle capitalista é que este não pode separar ‘avanço’ de destruição, nem progresso de desperdício – não importa o quão catastróficos sejam os resultados. Quanto maior o poder de produção liberado pelo capitalismo, mais destruição é igualmente liberada; e quanto maior o volume de produção alcançado, maior a montanha de dejetos sufocantes produzidos enterrando todo o resto. O conceito de economia é radicalmente incompatível com a ‘economia’ da produção capitalista, a qual, necessariamente, acrescenta injúria à ofensa ao explorar vorazmente os limitados recursos do nosso planeta para depois poluir e envenenar o meio ambiente com sua produção massiva de dejetos e efluentes.”

Algumas grandes cidades que poderão enfrentar séria falta de água no futuro próximo são Melbourne na Austrália, Jacarta na Indonésia, a Cidade do México e, claro, São Paulo. Um terreno fértil para o avanço das ‘soluções’ do capitalismo neoliberal. Estas cidades, por sua vez, acabam por exercer uma enorme pressão sobre o seu entorno, sobretudo sobre o meio rural, na busca desesperada de obter água para o seu consumo. Intensificam-se assim os conflitos entre o meio urbano e rural, bem como a destruição da natureza, já que as megalópoles são obrigadas a buscar água em regiões cada vez mais distantes, privando estas de seu acesso a este recurso, danificando ecossistemas inteiros.

É a ameaça que paira, por exemplo, sobre a região do Circuito das Águas em Minas Gerais, talvez a região com maior diversidade em todo o mundo de fontes de água mineral. Mais ou menos eqüidistante das três maiores capitais brasileiras – São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, as águas desta região são cobiçadas por empresas privadas que prevêem lucros fáceis e exorbitantes vendendo água para estes sedentos grandes centros urbanos. A Nestlé já é proprietária do Parque de Águas do município de São Lourenço, detendo o direito de explorar e comercializar a água de suas fontes. As cidades vizinhas de Caxambu, Cambuquira e Lambari – além de outros municípios menores – ainda preservam suas águas como bem público. Há um forte movimento local contra a privatização da água e a luta que se dá ali deve ter o apoio e o respeito de todos, pois trata-se de uma região com qualidades únicas. Aos olhos da exploração capitalista, a especificidade de cada fonte de água mineral, seus usos terapêuticos, sua importância para o ecossistema local, seu valor cultural, histórico, etc., desaparecem, restando apenas a água como ‘commodity’.

O auto-proclamado ‘Conselho Mundial da Água’, que reúne as grandes empresas privadas de distribuição de água e saneamento, junto com o Water Resources Group – a iniciativa da Nestlé, Coca-cola e Pepsi – são os poderosos lobistas internacionais dispostos a impor a sua agenda de privatizações e ‘soluções’ de mercado aos problemas relacionados com a água. Eles estarão presentes em março próximo no Brasil, em Brasília, por ocasião do ‘Fórum Mundial da Água’. O Diretor Executivo do Fórum, Ricardo Andrade, que também é Diretor de Gestão da ANA – Agência Nacional de Águas – deu recentemente uma entrevista em que, a exemplo das autoridades da Cidade do Cabo, chama a atenção para a necessidade da responsabilidade dos consumidores individuais.

Mas nenhuma palavra na entrevista sobre a responsabilidade do setor privado na origem dos diversos problemas que enfrentamos, nem na necessidade de mudar o próprio sistema econômico se pretendemos DE FATO resolver os prementes problemas relacionados com a água no mundo. Só no Brasil, segundo um estudo publicado em 2016, os conflitos por água aumentaram em 150% em cinco anos

Em todo mundo estes conflitos aumentam e tendem a se tornar cada vez mais violentos. Segundo o World Resources Institute, aproximadamente 3.5 bilhões de pessoas sofrerão com escassez de água no ano de 2025. Com o capitalismo neoliberal em guerra contra o planeta e a sociedade, nada há a esperar por este lado. Ao contrário, este é justamente o principal problema!

Uma preocupação central das autoridades da Cidade do Cabo na situação atual é com o caos e os possíveis conflitos violentos dentro da cidade com a situação de abastecimento de água deteriorando a cada dia. Neste caso, uma medida possível seria o reforço policial ou mesmo o envio de forças armadas para conter a população. Porém, medidas como esta podem ser facilmente tomadas também como meio de impor decisões antidemocráticas favoráveis ao mercado e contra a sociedade e o bem comum. Na verdade, faz parte do planejamento estratégico neoliberal contar com o caos provocado por crises hídricas ou outros eventos extremos ligados ao aquecimento global para impor suas políticas. Manipulado pelo grande capital, a mudança climática pode ser um instrumento poderoso de reversão de direitos e conquistas da democracia, destruição do bem comum e privatização da riqueza pública. Isso é algo que não podemos permitir.

 

 

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19 comentários

  1. Aqui onde eu moro, no RS

    Se tu tomares um copo de água da torneira e um copo de água “mineral” às “cegas” (sem identificar qual é qual), dificilmente saberás qual é da torneira e qual é engarrafada. E, caso digas que uma é melhor do que a outra, com certeza será a da torneira. Claro que isso em casas onde a caixa de água é limpa regularmente ou que venha diretamente do encanamento. E desde que a água mineral não seja com gás, por óbvio. E a empresa é pública.

  2. E aqui, temer, o ordinário;

    E aqui, temer, o ordinário; junta sua quadrilha e vai ao encontro de outra quadrilha numa das cavernas do Inferno (a cidade de Davos, que não tem culpa de ser selecionada pelos serviçais do Maligno para sua demonstração anual de desprezao pelo planeta e pela espécie humana).

    E o que temer, o ordinário faz junto à outra quadrilha (com lemann, criatura abjeta e desprezível, executivos da nestlé e outros piratas?): além de abaixar suas calças, vai vender o Aquifero Guarani.

    Eu sei que caráter, honradez e hombridade são palavras desconhecidas paar esse gente; mas como esses caras dormem à noite? Um por 30 dinheiros vendem NOSSA ÁGUA  (do povo brasileiro), os outros compram um bem público, tremendo de tesão só de pensar em quanto vão lucrar ao aumentar os preços e restringir o consumo da água

    Realmdnte,. o neoliberalismo não é só burro, é suicida

    • Também lembrei do Aquífero Guarani…

      Dizem que do lado do Paraguai, os Bushs já levaram…

      E a Nestlé pode levar o pedaço do Brasil…bem baratinho, seguindo a regra desses tempos sombrios.

    • Água: o alerta que vem da África do Sul

      não é só o Temer não! é o PT também!

      a privatização das águas minerais de Caxambu e Cambuquira

      o Governador de Minas Gerais, Fernando Pimentécio (Pimentel + Aécio), do PT, é o responsável direto pela privatização do envase das águas minerais de Caxambu e Cambuquira.

      Leilão inicialmente marcado para o dia 20/12  foi suspenso por liminar concedida na primeira instância. imediatamente Pimentécio (PT) recorreu.

      numa decisão relâmpago, às vesperas do Natal e em pleno recesso do Judiciário, Desembargador do TJ-MG declara nulidade da liminar, em decisão eivada de ilegalidades, por inclusive aplicar artigo do CPC de 1973 já alterado pelo CPC de 2015.

      além disto, transferiu a competência para a Justiça Federal.

      o governador-companheiro Pimentécio não perdeu tempo e remarcou data do leilão para 27/12.

      cumpre destacar que pelas regras em vigor:

      – a ONG Nova Cambuquira, autora da ação cautelar, tinha que ser ouvida antes de qualquer decisão, em cumprimento ao princípio constitucional do contraditório (Art. 123, §2º, CPC 2015);

      – tratando-se de caso de aplicação da incompetência absoluta deve ser aplicado o Art. 64 (CPC 2015), pelo qual a regra é a manutenção da decisão (§4º), conservando seus efeitos até que outra decisão seja proferida, se for o caso, pelo juízo competente.

      apesar de suas inúmeras irregularidades, o leilão acabou sendo realizado – inclusive contrariando recomendação do MP. a empresa vencedora não atende nem mesmo a algumas exigências do próprio Edital, colocando sob dúvida todo o processo.

      a contestação judicial prossegue em curso, em ação movida pela ONG Nova Cambuquira, com participação da AMPARA e da Caxambu Mais, associações da cidade de Caxambu (MG).

      após o Rio de Janeiro, cidade e estado, terem sido desestruturados por procuração através das alianças espúrias do PT com o PMDB de Sérgio Cabral, Pezão e Eduardo Paes, agora é a vez de Minas Gerais experimentar diretamente o modo Lulista de governar.

      Pimentécio é um Governador que muito prometeu e quase nada até agora honrou. um Governador que escalona e atrasa o salários de servidores públicos. um Governador que não cumpre acordo firmado com os trabalhadores em educação.

      um Governador que não cumpriu sua promessa de auditar os governos anteriores, de Aécio e Anastasia, sabidamente envolvidos em diversas irregularidades. dentre estas um helicóptero com 450kg de pasta base de cocaína.

      se quisermos de fato lutar pela água, e também por justiça e inclusão social, devemos definitivamente abandonar o duplo padrão. e sabermos distinguir com clareza e coragem quem são nossos autênticos aliados – entre eles não está, com toda certeza, o Governador de MG.

      ONGs estão preocupadas com possível privatização de parques no Circuito das Águas

      vídeo: ONGs estão preocupadas com possível privatização de parques no Circuito das Águas

      [video: https://www.youtube.com/watch?v=QB7d9comtEI%5D

      .

  3. Franklin Frederick, concordo
    Franklin Frederick, concordo com o que diz seu artigo.
    Gostaria de acrescentar que PARECE que a Cidade do Cabo vai conseguir evitar o dia zero, pelo menos por este ano. Com sacrifício dos agricultores, é claro! Foi proibida qualquer irrigação na região e vão fazer uso de um açude de propriedade particular, também este construído por agricultores (confisco?)
    Depoimento de um cidadão da Cidade do Cabo:
    “The article was written at probably the most serious moment in the crisis– there were about 3 weeks in Jan when it seemed very likely we would run out of water.

    Since then, two major things have happened, which partly speak to the dynamics of national versus city governance: farms reached their quota of water for the year, and were cut off (with devastating consequences). I don’t think national cutting off agricultural water was anticipated in water projections, as typically this does not happen– partcularly right near harvest time for many fruits etc.

    Second, some additional water has been made available, including from a private dam (built by a group of farmers) close to the city.

    These two things make it much more likely that we will make it to winter rain– though it is not a certainty and we still need to drastically curtail domestic usage.”
    https://permies.com/t/76440/Cape-Town-water-crisis-ideas#632671

    Além disso, o absurdo ambiental das garrafas PET vai se agravar nos próximos anos, segundo este artigo do
    The Guardian: http://peakoil.com/_amp/s/amp.theguardian.com/environment/2017/dec/26/180bn-investment-in-plastic-factories-feeds-global-packaging-binge

  4. Nossa região,no Sul em Minas

    Nossa região,no Sul em Minas Gerais,citada pelo autor do texto,Franklin luta desde 2001,derrubando editais,demandando no MP com incontaveis ACPS,passeatas,representação junto à sucessivos governos a nível estadual e federal,paralisando,engessando essas multinacionais predadoras que tentam avidamente se apossar de nossas águas minerais  medicinais. Conseguimos em Brasília a portaria 971, que nos coloca no devido lugar como medicina alternativa pela propriedade riquíssima de minerais que possuem. Temos água rica em lítio,preventivas de alzheimer e outras.Cambuquira é a primeira Cidade Azul das Américas,pelo seu compromisso com a água da cidade e a não privatizacao. O trabalho de vanguarda se antecipou a Paris que meses depois também se tornou uma Blue Community.Isto não é mais uma causa nobre,para nos,passa disso ,seguiremos Cochabamba…. Nossa água não! 

  5. Água: o alerta que vem da África do Sul

    a resistência dos Guardiões das Águas

    a população que habita a Floresta Amazônica é conhecida como Os Povos da Floresta. a floresta é seu habitat, sua fonte não apenas de sobrevivência como também de cultura. sem a floresta aquele povo perde sua identidade.

    nós que vivemos na Serra da Mantiqueira, onde as pedras vertem água mineral com poder curativo, somos nós Os Povos da Água. é a água o elemento que nos une como Povo. portanto, nada mais justo e necessário nos tornarmos, cada um de nós, pessoas, entidades ou instituições, Os Guardiões das Águas.

    em razão deste sentido e de acordo com este fundamento, Os Guardiões das Águas é um movimento aberto para integrar e organizar todos os que lutam pelas águas na região do Sul de Minas Gerais.

    a preciosidade única que são as Águas de Caxambu e Cambuquira está sob ameaça de ser perdida. e perdida não apenas por nós, como principalmente pelas gerações futuras, que sequer chegarão a conhecê-la tal qual como hoje a vivenciamos.

    as duas cidades estão unidas na luta, com diversas atividades e mobilizações já realizadas nos últimos meses.

    o movimento Os Guardiões das Águas propõe que seja adotado um modelo de Gestão Social, não apenas no caso de Caxambu e de Cambuquira, como para Águas e Parques de todo o circuito do Sul de Minas.

    para implementar esta Gestão Social deve-se formar um Conselho Gestor intermunicipal para as Águas e Parques. um Conselho com poder deliberativo para traçar a estratégia de longo prazo e acompanhar sua execução.

    na composição deste Conselho Gestor devem estar: CODEMIG, Prefeituras, Câmaras Municipais e entidades da sociedade civil organizada. garantindo assim a participação de um amplo e representativo leque de setores sociais.

    devemos nos inspirar no modelo da Noruega.

    a Noruega se tornou um país próspero e com baixa desigualdade social justamente pelo modelo que adotou para a exploração da cadeia de gás e petróleo, do qual é grande produtora. a espinha dorsal responsável pela gestão e planejamento é estatal. nela se integram várias empresas privadas atuando como fornecedoras.

    além disto, como é um recurso natural não renovável, parte dos lucros obtidos são depositados num Fundo Soberano, para também as futuras gerações serem beneficiadas.

    a partir deste modelo de Gestão Social, as Águas e Parques passam a ser os grandes geradores de qualidade de vida, capazes de proporcionar saúde, trabalho, renda, cultura e todo tipo de prosperidade para o conjunto da comunidade.

    só assim Águas e Parques serão um coração pulsando, enviando vida para todas as cidades e para todos que nelas vivem.

    “A Terra é a mãe de tudo que é vivo. A água é o sangue da mãe Terra. É através deste sangue que vivemos.”

    NÃO à privatização da água!

    por uma Gestão Social das Águas e Parques do circuito do Sul de Minas!

    somente a luta muda a vida! unidos somos muito mais fortes!

    vídeo: Privatização da água ameaça meio ambiente e saúde humana

    Moradores reclamam da má conservação do Parque das Águas de Caxambu, MG

    [video: https://www.youtube.com/watch?v=Lg6-zgvtuK4%5D

    .

        • Detalhe

          Detalhe, os cientistas que contestam o aquecimento global são a minoria da minoria. Fato! Então, embora haja controvérsias, estas são reduzidas a um pequeno grupo dissenso, o que não quer dizer que a opinião da maioria seja verdade irrefutável, mas é evidente que nesse contexto a opinião da minoria é a menos provável. 

          O melhor a fazer é conferir os dados mais recentes, ampliados e mais confiáveis. Além, é claro, de consultar o trabalho dos melhores e mais honestos cientistas da área.

          Por fim, basta olharmos para o que está acontecendo a nossa volta…

  6. E no Brasil tem a Ambev que também precisa de muita água

    Três dos mais ricos do país, tem seus interesses como grande utilizadoras de água, já que a principal e majoritária matéria prima para seus produtos é esta. Agora que eles tem um candidato-marionete será que vão politizar para garantir seus rendimentos ou a preocupação e com as cerca de 35 milhões de pessoas que não têm acesso à água potável?

  7. ceticismo

    No dia do arranque da Cimeira do Clima, foi publicado na Nature Climate Change um estudo sobre os céticos do aquecimento global, que identificou 4556 indivíduos e 164 organizações que defendem que o aquecimento global não é causado pelos humanos. O autor do estudo, Justin Farrel, analisou os textos e discursos produzidos por estas organizações sobre as alterações climáticas, de 1993 a 2003. E em seguida tentou perceber quem as financia. A principal conclusão é que quem mais financia os céticos são a Exxon Mobil, empresa petrolífera e de gás norte-americana, e o grupo Koch Industries, liderado pelos dirigentes da Exxon Mobil, os irmãos Charles e David Koch.

    Para Robert Brulle, professor de sociologia da Universidade de Drexel, citado pela Bloomberg, o estudo da Universidade de Yale ajuda a perceber como funciona a negação do aquecimento global. “Empresas criam e financiam grupos de especialistas conservadores” que depois passam informações falsas sobre o aquecimento global, que os meios de comunicação divulgam, defende.

    https://www.dn.pt/mundo/interior/ha-quem-duvide-do-aquecimento-global-e-seja-pago-para-isso-4910247.html

  8. Na última década

    Na última década petrolíferas, montadoras, indústrias químicas, indústria do carvão, siderúrgicas usaram o poder econômico para desacreditar o debate que os cientistas começaram a realizar sobre o aquecimento global e a mudança do clima no planeta. A Exxonmobil, a maior petrolífera do mundo – US$400 bilhões em faturamento – financiou um grupo de 43 organizações para manipular a opinião pública entre 1998-2005. Chegou a criar um time de pesquisadores para escrever artigos contrários às teses de aquecimento global. Gastou pelo menos US$16 milhões. Nada comparado aos investimentos dos irmãos Koch – Charles e David -, que juntos administram uma fortuna de 68 bilhões de dólares. São os donos da Koch Industries – refinarias de petróleo no Alaska, no Texas e em Minnesota – fábricas de celulose como a Geórgia Pacífica e uma ligação umbilical com a ultra-direita estadunidense.

    https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Meio-Ambiente/COP-21-Mudanca-climatica-envolve-poder-manipulacao-e-guerra-psicologica/3/34640

  9. Água de beber ou de vender?

    Excelente a escolha do tema e a qualidade informativa do artigo. 

    Mas infelizmente me pareceu que ao criticar a privatização da água – como recurso e como responsabilidade exclusiva dos cidadãos no discurso oportunista daqueles que lucram com o seu manejo (melhor dizendo, da exploração de seu consumo e de suas crises, no conhecido mecanismo de “produzir dificuldades/necessidades para vender facilidades”, o motor do capitalismo) – o artigo aceita a falsa premissa dos capitalistas “líquidos” de que é possível concentrar a responsabilidade em algum dos pólos que são inarredavelmente, por obra do sistema capitalista, inseparáveis: quem compra a água engarrafada vendida pelas multinacionais que fazem lobby pela privatização definitiva da água e como consumidor alimenta seus lucros, o que move seu negócio e justifica seu lobby? Eu admito que colaborei com essa estupidez por consumir quase diariamente água engarrafada, apesar de ser informada e consciente sobre os danos e por não ter pensado o suficiente sobre o assunto sobre as alternativas mais econômicas e ambientalmente responsáveis.Apenas há poucos anos interrompi o mau hábito mas ainda recorro, contra a vontade e quando à beira da desidratação, à compra de água quando falho em levar de casa e não encontro nos lugares públicos que frequento oferta de água potável em boas condições de acessibilidade. 

    O que os desfiles e blocos de carnaval sempre demonstraram quando tiveram interesse ou oportunidade é que o povo é mais inteligente e apto ao aprendizado e ao entendimento de assuntos complexos do que se pensa habitualmente. 

    Botar o assunto em discussão a partir de seus fundamentos é essencial para não se perder nas malhas do discurso privatizante que, ao jogar para o cidadão que reconhece seu próprio desperdício ainda que nada faça sobre o assunto, imobiliza o debate ao reduzi-lo apenas a um de seus aspectos mais visíveis e tangíveis para o leigo; e para tanto é necessário atacar a ignorância sobre o tema que é da imensa maioria da população, até das pessoas mais escolarizadas que se pensa serem mais preparadas para as discussões públicas: como a água é produzida? (ela não é fabricada pelas empresas, mas criada pela Natureza, e esse aspecto por parecer tão óbvio não é adequadamente discutido e permite que absurdos como a privatização de fontes minerais medicinais seja legalizada, não se fale de sua finitude e da desigualdade de acesso e distribuição, da necessidade de racionalizar todos os usos, do doméstico ao produtivo e portanto, da responsabilidade coletiva e compartilhada, queiram ou não, por ser de interesse público ainda que o tratamento e a distribuição sejam pagos); como a água chega (ou não) nas torneiras?, qual o ciclo de captação, tratamento, distribuição?, como é calculado o valor das contas de água?, como o recurso se distribui no mundo – países, estados, cidades, bairros?, de quem é a responsabilidade pelos usos e distribuição? qual o papel dos governos e cidadãos na regulamentação do tema? qual a participação do insumo nos ciclos de produção e serviços e quais os métodos para diminuir seu impacto através do consumo consciente em geral (parece que há planos na União Européia para disponibilizar acesso público a água filtrada como substituto do uso intensivo de água engarrafada, em projeto de redução do uso de plástico, o que será  uma ótima idéia se associar ao projeto voltado para a eliminação do plástico formas de evitar o desperdício de água através do aproveitamento da oportunidade para discutir com as populações os ciclos e finalidades tanto de embalagens quanto dos insumos que eles envolvem, afinal, são questões interligadas). 

    Ao contrário de serem pólos opostos ou abordagens concorrentes, a conscientização da necessidade de uso racionalizado por todos – da água para bochecho e descarga sanitária ao alto consumo nos processos produtivos – levará necessariamente à conclusão de que a privatização da água é a mais desumana forma de exploração capitalista, pois que sem água nada vive ou pode existir e com água contaminada, enquanto se vive, há sofrimento físico por doenças. 

    A melhor forma de combate ao discurso dos privatistas é reafirmar suas alegações ainda mais profundamente, expondo como empresas, governos e comportamentos individuais são igualmente responsáveis pelo mau uso da água e encarregados da solução dos problemas que nós próprios ajudamos, direta e indiretamente, a criar, manter ou a piorar: a empresa de refrigerante que banca a mecenas financiando boas iniciativas de tratamento de água (documentário Slingshot, máquina de mesmo nome inventada pela equipe de Dean Kamen) mas é ostensiva em uso na sua produção de bebida antinutricional, consumida por bilhões; o governo paulista do santo do discurso oco Alckiminsosso do PSDB, que fez racionamento clandestino nas periferias enquanto o próprio Palácio residencial do mandatário aumentou o consumo de água em plena crise hídrica há poucos anos e escondeu má gestão e incompetência da empresa estatal de saneamento (SABESP); pessoas que lavam seus carros e  calçadas como se regassem imensas plantações ou que atribuem ao tempo de chuveiro o tamanho de sua higiene: todos responsáveis solidários pelo problema porque compartilham o sentimento comum concretizado de exploração individualista e perdulária de algo que não é um mero serviço pelo qual se pensa erradamente ter o direito de consumo ao bel prazer apenas porque faz um pagamento mensal (quantas árvores plantamos para garantir que o ciclo natural de produção da água seja mantido?): água é um direito humano fundamental, independente de pagamento, porque indispensável à vida e assim, cada uso além do necessário é responsável pela falta do recurso para alguém – a ONU estabelece que uma pessoa precisa de 110 litros de água para suas atividades diárias, mas quem de nós é capaz de dizer quanto gasta diariamente ou sequer pensa no assunto? 

    Apenas em épocas de crise grave e ameaça de racionamento são tratadas publicamente formas de economia de água, de hábitos a mudança de procedimentos (lavagem de roupa e louça racionalizada, aparagem de água da chuva e do banho, abertura de torneiras e chuveiros apenas quando necessário para o efetivo uso da água) e instalações (torneiras e vasos sanitários econômicos (geralmente muito caros e inacessíveis à maioria da população)), e dessa maneira não se aprende que o assunto é de importância permanente e não apenas um problema emergencial quando a crise vira assunto e preocupação – ainda que a água caia do céu ela não é infinita e se o assunto não for tratado de maneira direta, objetiva, profunda, permanente e abrangente, nem os cidadãos mais bem intencionados poderão fazer o que cabe a todos, por absoluta falta de outro insumo em grave crise de oferta e distribuição, a boa informação, confiável, compreensível, assimilável em forma de reflexão e conduta. 

     

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=YoB1M7wL49s%5D

    https://www.youtube.com/watch?v=YoB1M7wL49

     

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    https://www.youtube.com/watch?v=Lg6-zgvtuK4

     

    http://m.folha.uol.com.br/cotidiano/2015/03/1606028-critica-documentario-sobre-agua-vale-a-pena-por-imagens-belas-de-seca-e-abundancia.shtml (reportagem da jornalista Eleonora de Lucena)

     

    https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2015/02/05/e-possivel-viver-com-110-litros-de-agua-por-dia-veja-como-seria-a-sua-vida.htm (reportagem da jornalista Fabiana Maranhão)

     

    https://nacoesunidas.org/acao/agua/

     

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=Rs2moBc3KCg&index=7&list=PLUZOt6bFc2fgtpvn08AVOiv4zTY49-INR%5D

    https://www.youtube.com/watch?v=Rs2moBc3KCg&index=7&list=PLUZOt6bFc2fgtpvn08AVOiv4zTY49-INR

     

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=nCIEUIPERfk%5D

    https://www.youtube.com/watch?v=nCIEUIPERfk

     

    Se da África vem o alerta, vem também grandes iniciativas de combate à exploração ambiental associadas ao desenvolvimento social e econômico. 

     

    [video:https://www.youtube.com/watch?list=PLUZOt6bFc2fgtpvn08AVOiv4zTY49-INR&v=IDcW5iLKFas%5D

    https://www.youtube.com/watch?list=PLUZOt6bFc2fgtpvn08AVOiv4zTY49-INR&v=IDcW5iLKFas

     

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=4xls7K_xFBQ

    https://www.youtube.com/watch?v=4xls7K_xFBQ

     

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=HVOYN70scS8%5D

    https://www.youtube.com/watch?v=HVOYN70scS8

     

    No Brasil, o governo progressista do Estado de Minas Gerais já autorizou a exploração de fontes minerais tradicionais e o governo golpista se encontrou com o dono da Nestlé (empresa que passo a boicotar) em Davos para tratar do tema de privatização dos recursos hídricos –  no ainda nosso território estão a maior parte dos dois maiores aquíferos do mundo, o Alter do Chão/SAGA (Sistema Aquífero Grande Amazônia) na região norte e o Guarani, no centro-oeste/sudeste/sul brasileiros e parte em Argentina, Uruguai e Paraguai. 

    Em 2017, o Estado do Rio de Janeiro começou a tratar da privatização da CEDAE, exigência do acordo de recuperação fiscal com o governo golpista, atualmente suspensa por decisão judicial. No mesmo ano, o município baiano de Correntina assistiu um levante popular que engajou a população e atraiu instituições do judiciário e da igreja local para denunciar a morte dos poucos rios da região devida à privatização, após a revolta de moradores contra fazendeiros locais ser transmitida nacionalmente pela Globélica como ato de vandalismo injustificável. 

    http://www.redebrasilatual.com.br/ambiente/2018/01/para-especialista-da-ufsc-privatizacao-da-agua-no-brasil-esta-mais-presente-na-agenda-de-temer

    http://www.valor.com.br/brasil/5293957/privatizacao-da-cedae-e-inexoravel-afirma-meirelles

    https://www.conjur.com.br/2017-dez-20/juiza-trabalho-rio-janeiro-suspende-privatizacao-cedae2

     

    Sem o trabalho permanente de informação e discussão pública sobre o tema, de modo a engajar todos os interessados na mesma proporção em que ele faz parte de nossas vidas, que chance teremos de opor o poder do dinheiro e do interesse privado que supera o direito e o interesse público, que permeiam tanto as ações individuais quanto o enriquecimento de corporações predatórias? Num mundo em que a Natureza é a Geni da canção, todos acham que ela sempre vai, porque seu dever, prover os recursos para nossa sobrevivência que dispensem nossa ação responsável, em especial na fase “adolescente [email protected]” por qual passam as sociedades urbanas digitalizadas – se até o amor pode ser recebido, sem esforço, de uma boneca, depois que as mulheres cansaram do papel e resolveram brincar de querer mais direitos iguais, que dirá a água que sai da torneira sem muita informação de onde vem e para onde vai… Quem precisa de “filosofia naturalmente existencial” se a vida pode ser reduzida a memes e (dis)likes e (ro)bot-ões substituem neurônios, pele, osso e esforço?  

     

    Sampa/SP, 15/02/2018 – 20:03

  10. Amigos, pode ser muito

    Amigos, pode ser muito perigoso falar a verdade sobre este assunto. Quando alguém como o professor da USP Ricardo Felício vem a público denunciar a farsa que é o tal “aquecimento global” começa a sofre ameaças, perseguições, corte de salários, e por aí vai. Basta uma breve pesquisa sobre a relação entre a guerra da Síria e a mudança climática e vcs verão que ela começou com uma longa e inexplicável seca numa região em que desde os tempos de Jesus produz alimentos fartamente.
    Amigos, olhem para o céu e verão que há muito mais entre o céu e a terra do que simples aviões de carreira. A tecnologia espacial hoje pode muito mais do que levar megamilionários ao espaço em vôos de turismo. Ela pode provocar secas ou tempestades destruidoras, e posso garantir a vcs que isso já está ocorrendo no Brasil, principalmente no norte- noroeste de Minas e na bacia so São Francisco, onde, “concidentemente” querem privatizar as hidrelétricas da CHESF.

  11. Quanto menos água, maiores os lucros líquidos…
    Nassif,
    1 – O princípio da escassez como mãe da lucratividade parece guiar a conversão da água em commodity cada vez mais valiosa, o que se aplica como luva à situação do precioso líquido em SP, aonde já foram gastos, desde 1992, mais de R$ 8 bilhões na despoluição do Tietê/Pinheiros, sendo que os seus 33 metros cúbicos de vazão por segundo – o suficiente para atender metade da região metropolitana – continuam altamente contaminados, fluindo em direção ao rio Paraná com uma carga de poluentes que poderia ser eliminada caso pelo menos R$ 1,8 bilhão tivessem sido realmente aplicados em sua efetiva despoluição, como aconteceu com o rio Sena, na França. Sem o Tietê, SP desviou e reverteu para o sistema Cantareira a maior parte das águas dos rios Jaguari e Jacareí, formadores desse rio Paraíba que desagua no litoral do Rio de Janeiro depois de abastecer o vale a que dá nome e a ex-capital da República. Mesmo assim, o colapso hídrico de 2016, com rodízio e cortes seguidos no abastecimento, demonstrou que além da falta de chuvas outro fator regula a “valorização” (do preço, claro) da água na RMSP. Os vazamentos, por falta de manutenção preventiva dos 4700 quilômetros de redes de abastecimento que servem a região, que chegam a desperdiçar quase 40% da água que extrai dos sistemas Cantareira, Guarapiranga, Alto Tietê, Rio Grande, Alto e Baixo Cotia e rios Claro e Estiva, perfazendo cerca de 68 mil litros de água por segundo. Para contrabalançar ou neutralizar tais vazamentos, que permitem a infiltração de esgotos natura na rede de água, são adicionados mais depuradores como o cloro nas estações de tratamento, responsáveis pelo gosto químico que eleva ao máximo o comércio de água engarrafada na Grande São Paulo. Assim como aumenta o valor das ações da Sabesp, desde 1997 e 2002 comercializadas na Bolsa de Valores de SP e de Nova Iorque, respectivamente, preludiando a privatização do serviço e o conflito da escassez determinar a valorização proibitiva de um produto que, como o ar que se respira, é essencial para a vida e saúde da população.
    2 – Há um tabu nessa tentativa de se minimizar as mudanças climáticas provocadas por ações humanas: elas são observáveis via satélites orbitais, que transmitem imagens em tempo real dos “rios voadores” ou correntes de alta altitude que vieram comprovar o que escrevia há quase meio século sobre as consequências do desmatamento que a Transamazônica e os grandes latifúndios da região Norte provocam: sem a evapotranspiração da floresta, os tais rios deixaram de transportar o vapor d´água ou umidade responsável pela chamada “garoa paulistana”. Em compensação, o transporte de sedimentos finos ou areia dos desertos africanos continua ocorrendo, como as imagens demonstram. Os pesquisadores que tem verbas garantidas por fundações amparadas por grandes produtores de petróleo interessados em negar o Efeito Estufa deflagrado pela queimada seus produtos, entretanto, continuam simulando polêmica no que é líquido e certo…
    3 . Apesar de não ser filiado a nenhum partido, lamento que a falta de comunicação do PT em uma webb e mídia como nossa continue a viabilizar críticas e versões fakes da história em curso. Pretender imputar ao governador Fernando Pimentel o tradicional abandono dos circuitos de água mineiros é fazer pouco caso dos governadores que o antecederam, como Aécio Neves e Antônio Anastasia (sim, o relator do impeachment de Dilma), bem como esquecer a intensa cobertura midiática das crises hídricas que o estado sofre desde antes de Aécio se tornar aspone de seu avô, governador Tancredo Neves, em 1983; desde antes do manancial do rio dos peixes ter sido privatizado pela Anglo Gold Anshanti, deixando os belohorizontinos à mercê da boa vontade dessa mineradora em tempos de estiagem. Numa época em que na Europa se multiplicam os sommeliers de águas minerais, permitir que nossas melhores águas continuem sob risco de privatização (como o Aquífero Guarani e o Alter do Chão amazônico) ou sendo contaminados é um crime lesa soberania nacional.
    4 . Nassif, sinto falta de um Xadrez do Plástico, nessa véspera do Fórum Mundial da Água de março vindouro. Como contemporâneos da “era do casco de vidro” retornável e reciclável, seria oportuno poder fazer do blog o catalizador de uma discussão que ninguém ou nenhuma multinacional verde tipo WWF-Greenpeace ousou fazer: por quê motivo a ONU não determina que os grandes produtores de petróleo e as grandes refinarias e indústrias petroquímicas sejam responsabilizadas e obrigadas a coletar as embalagens plásticas que inundam o planeta? Como tal escória ameaça a saúde pública, uma vez que as nanos partículas plásticas são consideradas grandes indutoras de neoplasias, presentes na água que se bebe e nos alimentos que consumimos, sejam os peixes ou animais estabulados dependentes de rações contaminadas, nada mais justo e oportuno que lançar esse desafio ou causa humanitária, não achas?

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