Carta Aberta a Lula, por Henrique Fontana

Carta Aberta a Lula

por Henrique Fontana

Nossa história não é generosa com os que ousaram pensar um futuro diferente para este país e sua gente. De Canudos a Chico Mendes, de Zumbi a Mariele, de Getúlio a Jango, de Olga Benário a Zuzu Angel, de Herzog a Dorothy Stang, um rastro de violência que revela e que revolta.

Sabemos que não são poucos os crimes cometidos pelos donos do poder, do Império à República. Tanto quanto, todas as vezes que ficamos aquém das coisas do nosso tempo. Convivemos, há muito, com “homens cordiais”, que acomodados à “casa grande”, conduzem uma república de aparências, submetida aos maiores ultrajes para que preservem seus lugares na varanda.

Trajetória marcada por gerações de proprietários – uma vez portugueses, depois brasileiros –, brancos e conservadores, responsáveis pelo extermínio indígena e a escravidão negra, indiferentes à fome retirante, às vidas secas. Das armas portuguesas às ditaduras da República, nunca perderam a infinita capacidade de odiar sua própria gente, negar sua história, desconhecer suas origens. Uma classe dirigente, privilegiada e predatória, satisfeita em ser gerente, ou CEO, do mercado na periferia do capitalismo.

Afinal, o que pensava Lula sofrer após retirar mais de 35 milhões de pessoas da miséria? Distribuir dentes em um país de desdentados? Construir casas para sem tetos? Garantir universidade para filhos de trabalhadores? Realmente acreditava que a transposição do Rio São Francisco, levando água ao sertão, comoveria os que tem os bolsos cheios e a alma vazia? Ora, e ainda afrontar os grandes do mundo para mostrar que o Brasil não é um país vira-lata. Quem disse que os donos do tal mercado pretendem que o Brasil não seja mais um devedor no mundo?

Evidente que não tinha ideia do que ainda eram capazes de fazer. Deveríamos saber. Do quão estão dispostos a romper normas, quebrar pactos, desrespeitar constituições, desprezar a democracia. A exceção é sua regra. E o capital financeiro necessita dos seus “capitães do mato”. É preciso matar a esperança para interromper qualquer sentido de mudança.

Em mais de 500 anos, desde as invasões portuguesas, poucas vezes o Brasil soube como é possível construir um país democrático, soberano, justo e includente, que distribui suas riquezas.

O Brasil não era perfeito, por certo, mas Lula, mostrou que era possível. Inconformado, inquieto, indignado, desacomodou os determinismos, e provou que todo o brasileiro e brasileira, venha de onde vier, pode mudar o destino do país, pretensamente traçado em escritórios da Avenida Paulista.

Lula propôs paz e diálogo, e pretendeu promover um novo pacto social para o desenvolvimento com equidade, capaz de conduzir a nação para um outro futuro.

A resposta foi violência. Violência política, violência jurídica, violência institucional, violência midiática, claramente patrocinada e fortemente financiada. O combate à corrupção foi o pano de fundo. Um trapo moral e normativo que não consegue esconder objetivos unicamente políticos, e os tantos rasgões que provocou na Constituição para justificar a exceção e a injustiça.

E é por tudo isso, e pelo que fez e pretende fazer que você merece, Lula.

Merece nossa disposição de lutar por tua liberdade. Merece, como disse, que sejamos tua voz e tuas pernas. Que sejamos tuas mãos. Merece, em memória de todos aqueles que lutaram contra a injustiça neste país, que não desistamos dos nossos ideais e nos mantenhamos animados para tomar as ruas, para lutar, sempre.

Tenha a certeza que somos milhões.

Tenha certeza, Lula, que você merece, e o Brasil precisa.

Henrique Fontana é deputado federal  (PT-RS)

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2 comentários

  1. Um texto lindo, veraz e

    Um texto lindo, veraz e comovente do Deputado Henrique Fontana

    que aproveita pouquissimo esse canal.  Pode chegar, Deputado, 

    abolete-se a casa também é sua.

  2. Medidas essenciais para a reconstrução do Estado Nacional :

    Quando resgatarmos o Brasil, que encontra-se sequestrado por bandidos, a primeira medida que um presidente da república deveria propor, é a criação de uma nova assembléia nacional constituinte para que se possa executar 3 medidas fundamentais para a reconstrução do estado nacional brasileiro :

    a) Reforma total do judiciário e do aparato policial (prisões de delinquentes golpistas e corruptos e reformas ou aposentadorias dos agentes públicos delinquentes e antissociais)

    b) Reformulação total do ensino ideologicamente fascista ministrado nas escolas das forças armadas, e paralelamente, uma ampla reforma (aposentadoria) dos líderes militares politicamente fascistas e antissociais .

    c) Cassação das concessionárias públicas de rádio e TV’s que conspiraram ativamente contra a democracia (Os dirigentes precisarão serem processados e presos por conspiração contra a república)

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