Com presidente interino e decorativo, quem realmente comanda o país?

Jornal GGN – O jornalista Fernando Rosa observou um detalhe da conversa telefônica entre Sérgio Machado e José Sarney e elaborou uma questão, que buscou responder em artigo no blog Senhor X. “Nem Michel eles queriam”, disse Sarney. “Depois de uma conversa do Renan muito longa com eles, eles admitiram, diante de certas condições”. Quem são eles? Pergunta o jornalista.

Sarney parece falar da oposição, do PSDB, mas Fernando Rosa diz que não. O PSDB não seria tão grande e tão forte a ponto de dobrar à sua vontade o maior partido do país, o PMDB. “A força do PSDB na negociação do golpe é a oferta de um programa que o PMDB nunca teve em sua história. É a aliança econômica e financeira, o apoio estratégico, a proteção diplomática dos Estados Unidos”, conclui o jornalista.

Em sua opinião, “eles”, os “golpistas”, são os Estados Unidos. “As pegadas dessa ampla articulação vende-pátria estão todas por ai, nas informações que a mídia golpista não consegue esconder. O centro do golpe é, sempre foi, desde os anos noventa, a entrega da Petrobras, e, agora, do Pré-Sal aos americanos. Os Estados Unidos não vivem sem energia, e ciclicamente promovem uma guerra para garantir seu suprimento ‘de inverno’. O Brasil é a bola da vez”.

Abaixo, a íntegra do artigo:

Do Senhor X

“Eles” quem, cara-pálida?

Por Fernando Rosa

MACHADO – (…) A gente pode tentar, como o Brasil sempre conseguiu, uma solução não sangrenta. Mas se passar do tempo ela vai ser sangrenta. (…) Outra coisa que é importante para a gente, e eu tenho a informação, é que para o PSDB a água bateu aqui também. Eles sabem que são a próxima bola da vez.

SARNEY – Eles sabem que eles não vão se safar.

MACHADO – E não tinham essa consciência. Eles achavam que iam botar todo mundo de bandeja… (…) Tem que construir uma solução. Michel tem que ir para um governo grande, de salvação nacional, de integração e etc etc etc.

SARNEY- Nem Michel eles queriam, eles querem, a oposição. Aceitam o parlamentarismo. Nem Michel eles queriam. Depois de uma conversa do Renan muito longa com eles, eles admitiram, diante de certas condições.

A verdade é dura, mas não é apenas para Rede Globo que apoiou a ditadura. É também para o provisório-golpista Michel Temer. De vice-presidente “decorativo”, passou a presidente “decorativo”. Agora, com direito a coleira de pescoço com a inscrição “Eles”. O “presidente” que “eles” não queriam.

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Mas, deixando de lado as coisas menores, vamos ao que interessa. Afinal de contas, quem são os “eles” citados no diálogo entre Machado e Sarney? Digamos, inicialmente, que se trata do PSDB, de Serra e sua turma. Aqueles que, segundo Machado, “achavam que iam botar todo mundo de bandeja”. Que iam se safar das denúncias de corrupção, como, de certa forma. acontece até hoje com Aécio Neves.

Mas, considerando que Temer era o vice-presidente, qual a força “deles” para impor condições na negociação do golpe? A ponto de Machado dizer que “eles só admitiram (Michel) diante de certas condições – “depois de uma conversa do Renan muito longa com eles”? Aí reside o “x” da questão: quem são “eles”, de fato. E quais seriam essas misteriosas “certas condições”.

“Eles” não são apenas o PSDB, principalmente o PSDB de Aécio Neves. Esse, apesar de voluntarioso, caiu em desgraça por falhar no primeiro assalto do golpe. Aliás, considerando esse fato, qual a força “deles”, pensando apenas no PSDB, para definir as condições do golpe? O que deu ao PSDB tanta força para exigir de Renan, segundo Machado, tamanho esforço para convencê-los?

O plano “A” era ganhar a eleição, em 2014. Para isso, armaram a Lava Jato, a partir das escutas da NSA, e insuflaram a “primavera árabe” de 2013. Queriam Dilma igual Cabral, no Rio, um cadáver – político – insepulto. Mas perderam quando Dilma reagiu à Veja às vésperas da eleição. E também foram derrotados pela esquerda e pelos movimentos sociais, que reagiram.

Ao mesmo tempo, miraram toda a artilharia de criminalização seletiva da Lava Jato para paralisar o PT. E, com isso, carrear a grana da corrupção para eleger um Congresso Nacional totalmente submetido, que aprovasse suas propostas. No comando dessa parte da operação, o deputado Eduardo Cunha pagando “criação” de partidos e financiando campanhas de deputados em todo o país.  O voto “comprado” para servir ao frustrado governo, acabou sendo usado para aprovar a admissibilidade do impeachment.

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Assim como Eduardo Cunha, outro personagem agiu nas sombras, e somente agora dá as caras. É o atual Ministro das Relações Exteriores, José Serra, artífice do golpe desde sempre. Engana-se quem acha que Eduardo Cunha é “parceiro” de Temer no golpe. Ao contrário, ele é aliado de José Serra, e juntos, mantém Temer refém, “diante de certas condições”, como disse Sarney.

Voltando a “eles”, que impõem condições ao PMDB, maior partido do Brasil, chegamos ao já citado “x” da questão. “Eles” é mais do que o PSDB, mais do que o Serra, do que FHC, mais do que o poder do partido – sempre lembrando, derrotado nas eleições. “Eles” é a aliança ideológica, estratégica e também concreta “deles” – o PSDB e os interesses geopolíticos norte-americanos.

A força do PSDB na negociação do golpe é a oferta de um programa que o PMDB nunca teve em sua história. É a aliança econômica e financeira, o apoio estratégico, a proteção diplomática dos Estados Unidos. E também a ilusão vendida de que, com isso, Temer conseguiria construir um “governo de salvação nacional”. “Unir a Nação”, sonhava o provisório-golpista em seu áudio vazado, anunciando a traição.

As pegadas dessa ampla articulação vende-pátria estão todas por ai, nas informações que a mídia golpista não consegue esconder. O centro do golpe é, sempre foi, desde os anos noventa, a entrega da Petrobras, e, agora, do Pré-Sal aos americanos. Os Estados Unidos não vivem sem energia, e ciclicamente promovem uma guerra para garantir seu suprimento “de inverno”. O Brasil é a bola da vez.

Não por acaso o senador José Serra é o autor da lei que altera de partilha para concessão o regime de exploração do Pré-Sal. O governo-provisório-golpista já acabou com o Fundo Soberano advindo da exploração do Pré-Sal. O novo presidente da Petrobras já anunciou a venda de ativos da empresa. O próximo passo é retirar a Petrobras e o governo brasileiro da exploração do petróleo nacional.

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Também não foi apenas devido às circunstâncias que, logo após o afastamento da presidenta Dilma, o senador Aloysio Nunes, do PSDB, foi correndo para Washington. Dizendo que ia conversar com senadores  americanos, na verdade foi encontrar-se com o “terceiro homem” do Departamento de Estado dos Estados Unidos. O resultado imediato foi a troca do embaixador americano no Brasil.

Finalizando, como disse o cientista Miguel Nicolelis, estamos sofrendo dois golpes, ou um “um golpe dentro do golpe”. Um golpe articulado por “eles” que tem como hospedeiro o PMDB, agora alvo “deles”. “Eles” querem ter a segurança de mandar completamente no governo. Para isso, fragilizam o “velho” PMDB de Sarney e Renan e tornam Temer seu refém. Temem que pelo menos parte do PMDB não aceite pagar o preço de tamanha traição ao país? “Eles” não podem sofrer outro revés, como nas eleições passadas. É muita grana investida.

“Eles” já entenderam que, se não tem mais volta em sua aventura golpista, também o povo está disposto a não aceitar um golpe tão baixo quanto esse. “Eles”, com o PSDB à frente,  avançam no desmonte do Estado, da infra-estrutura, da defesa nacional, dos programas sociais. O povo, como nas eleições de 2014, resiste aos ataques e se levanta nas ruas, impondo derrotas aos golpistas. Mas o futuro é incerto, diante da profundidade do ataque à Nação brasileira.

É preciso denunciar o golpe, como vem sendo feito, e trabalhar para devolver a presidente Dilma ao poder e o voto aos brasileiros. Mas isso, diante da guerra geopolítica em curso, é insuficiente para barrar os golpistas. Não é de graça que o novo embaixador americano designado vem do Afeganistão e é “especialista em conflitos”. A sociedade brasileira precisa avançar em sua consciência nacional, ampliar as alianças sociais, econômicas e políticas. É o direito do Brasil ser uma Nação que está em jogo.

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12 comentários

  1. Eles pode ser o STF

    Não é que não faça todo o sentido a participaçãoe aopoio dos americanso no golpe. Até porque o Governo já admitiu formalmente que considerou o processo de impeachemnt válido e legal. Eles são império e pensam e agem como Império, isto é, manipulando, dividindo e roubando os menores à sua volta. mas acho mais lógico que Sarney estivesse falando dos Ministros do STF, pessoas, um grupo físico, que segundo as gravações estariam sim negociando com os parlamentares, e, tendo poder pra validar o impeachemnt, manter o cunha pelo tempo necessário, e claro dar anadamento a processos contra vários parlamentares, teriam poder pra exigir sim quem assumiria e com que limitações. Minha dúvida é: em troca do que os min istros do STF ajudaram isto, negociaram com os paralmentares? O que pediram em troca? O que esperam conseguir? Gimar mendes, Fux e Tóffoli são corruptos sabidos. mas e os outros. Levandowisk, Barroso, Direito, são juízes tidos como honestos, integros,  juristas de vasto conhecimento. Então, se são honestos, como aceitaram tudo isto? Como toparam negociar abertamente com corruptos? O que exigem deste novo governo? O que querem ganahr no final?

  2. Eles pode ser o STF

    Não é que não faça todo o sentido a participaçãoe aopoio dos americanso no golpe. Até porque o Governo já admitiu formalmente que considerou o processo de impeachemnt válido e legal. Eles são império e pensam e agem como Império, isto é, manipulando, dividindo e roubando os menores à sua volta. mas acho mais lógico que Sarney estivesse falando dos Ministros do STF, pessoas, um grupo físico, que segundo as gravações estariam sim negociando com os parlamentares, e, tendo poder pra validar o impeachemnt, manter o cunha pelo tempo necessário, e claro dar anadamento a processos contra vários parlamentares, teriam poder pra exigir sim quem assumiria e com que limitações. Minha dúvida é: em troca do que os min istros do STF ajudaram isto, negociaram com os paralmentares? O que pediram em troca? O que esperam conseguir? Gimar mendes, Fux e Tóffoli são corruptos sabidos. mas e os outros. Levandowisk, Barroso, Direito, são juízes tidos como honestos, integros,  juristas de vasto conhecimento. Então, se são honestos, como aceitaram tudo isto? Como toparam negociar abertamente com corruptos? O que exigem deste novo governo? O que querem ganahr no final?

  3. Perfeito

    Acho que estamos com o xadrez do golpe todo montado. O xeque-mate esta ai. Mas para a verdadeira historia chegar até a maioria do povo brasileiro, eu acho que ainda levam décadas. A esse proposito, outro comentei com uma pessoa, uma advogada, que tinha dedos, mãos, cotovelo, o braço todo, americano por tras desse golpe. A senhora – uma senhora de 64 anos, riu. Ai, falai sobre o golpe de 64, em que muitos também não acreditavam que os americanos estavam financiando. E ela me disse “mas, minha querida (com se eu fosse maluca), de onde você tirou tudo isso? O impeachment é pelo conjunto da obra e, em 64, foram os militares que ficaram com medo do comunista do João Goulart…” Eh, tem mutia gente que interessa essa narrativa.

  4. washington manda e a casagrande abana a cabeça

    Nassif,

    Infelizmente, acertei a respeito deste assunto.

    Em minha opinião, os Irmãos Koch, aqueles que ninguém conhece e que possuem a segunda maior empresa americana, que também ninguém conhece, republicanos até à medula, bancaram $$$$ toda esta operação que tem por objetivo o saque das riquezas naturais do país. 

    Desta maneira protegem o presidente americano, tanto fazendo quem seja ele, da imagem de invasor. De acordo com a rotina utilizada há anos, devem ter sido usados os assassinos financeiros, que certamente obtiveram êxito com as figuras escolhidas a dedo a menos de uma, DRousseff.  Sem ela, tiveram que mandar os chamados  chacais, aqueles que desestabilizam o ambiente a qualquer custo, já que sem limite para agir.

    Como não imaginar que o PGR e o pau mandado do moro não fazem parte do corpo da operação ? Chamo o distinto de pau mandado há muito tempo, prá mim é nítido o papel de um sujeito que funciona sob ordens, fica quieto, avança, recua e por aí vai. Como pode um PGR ir a USA para avacalhar com o interesse nacional ? 

    Esta estratégia é geralmente bem sucedida, haja vista o que ocorreu no Irã ( para impor a entrada de Reza Pahlevi), Panamá, Honduras, Guatemala, etc…

    Na Venezuela não funcionou, pois Chavez era incorruptível e tinha um fortíssimo sistema de segurança, daí possivelmente a enorme raiva de USA com aquele país, haja vista a campanha diuturna da CIA contra o governo eleito. Existe vídeo no You Tube detalhando o eficiente modus operandi.

    Até aqui, somente dois países entendem esta operação tupiniquim como perfeita e legítima, Macri, que já deixou claro ser cachorrinho de estimação de USA e o próprio USA, mas segundo um assessor de primeiro ou segundo escalão, já que BObama e HClinton ficaram mudos.

    Aqui, a operação foi bastante facilitada pelo extremado nível de desonestidade e subserviência que existe na nossa casagrande, a única no mundo capaz de abanar a cabeça para dois golpes de estado em apenas 5 décadas, sendo que neste curto período foi promulgada, quem diria, uma tal de Constituição cidadã. Tudo isto em tão pouco tempo parece piada, mas não é.

  5. Dúvida mais besta

    A globo controla o país. domina por holofote ou por chantagem todos os poderes. Ela (she)  ou quem manda nela.

    Cunha/temer/gilmar /serra é o que ela conseguiu como laranjas. O lava jato é dela e se estes contrariarem… ( o que não vão fazer).

    Ela derrubou a Dilma e não abre mão da posse. 

    Que dúvida mais besta.

    Só uma dúvida: como ela adquiriu estes constitucionalistas que abandonam todo o prestígio de operadores de um país potência em troca da futura chacota nacional e internacional de uma repúbliqueta das bananas que eles avalizaram?

  6. links dois artigos correlacionados imprensa internacional

    Reforçando a argumento do papel dos USA no golpe, dois artigos recentes que sairam na imprensa internacional:

    a) “The U.S.’s shameful silence on Brazil: The insane hypocrisy of the right-wing coup can’t be exaggerated or ignored”

    “O vergonhoso silencio dos USA sobre o Brasil: A hipocrisica insana do golpe de direita que não pode ser exagerado ou ignorado”

    http://www.salon.com/2016/06/01/the_u_s_s_shameful_silence_on_brazil_the_insane_hypocrisy_of_the_right_wing_coup_cant_be_exaggerated_or_ignored/?utm_source=twitter&utm_medium=socialflow

    b) uma matéria interessante da agência RT sobre os petrodoláres, os USA e o golpe no Brasil

    A matéria do dia 24/05/16 discute a preocupação americana em que o comércio de petróleo brasileiro seja feito em dolar e não em euros (com produtores de petróleo como o Irã por exemplo) e a influência destes interesse geopolíticos no golpe brasileiro:https://www.rt.com/op-edge/344231-rousseff-coup-brazil-oil/

  7. Eles, o império

    Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap!

  8. Já que não posso fazer nada,

    Já que não posso fazer nada, além de protestar, diigo com toda a minha alma: EUA, desejo, de todo coração, que vocês se explodam! Miseráveis! Miseráveis! Miseráveis!

  9. + comentários

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