5 de junho de 2026

Nos EUA, parlamentares democratas exigem revogação do visto de Bolsonaro

Ainda não se sabe qual o tipo de visto usado por Bolsonaro para entrar nos Estados Unidos em 30 de dezembro, ao fim de seu mandato presidencial.
Xinhua

Dezenas de legisladores democratas, incluindo alguns dos principais membros do comitê de relações exteriores da Câmara, enviaram uma carta a Joe Biden na quinta-feira exigindo que o visto diplomático do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro seja cancelado após o tumulto na capital do Brasil por seus apoiadores.

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“Solicitamos que reavaliem sua situação no país para verificar se há base legal para sua estada e revoguem qualquer visto diplomático que ele possa possuir”, diz a carta. No texto ainda o alerta de que “Os Estados Unidos não devem fornecer abrigo para ele, ou qualquer autoritário que tenha inspirado tal violência contra as instituições democráticas.”

Os democratas Joaquin Castro, do Texas, Gregory Meeks, de Nova York, Ruben Gallego, do Arizona, Chuy Garcia, de Illinois, e Susan Wild, da Pensilvânia lideraram a carta.

Ainda não se sabe qual o tipo de visto usado por Bolsonaro para entrar nos Estados Unidos em 30 de dezembro, ao fim de seu mandato presidencial. Desde que chegou, ele está hospedado em uma casa nos arredores de Orlando, na Flórida, e aparece constantemente interagindo com apoiadores no condomínio fechado.

O porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price, se recusou a fornecer detalhes sobre o status do visto do ex-presidente, alegando preocupação com privacidade. No entanto, ele disse que qualquer pessoa que entrar no país com o chamado visto A-1, reservado aos chefes de estado em exercício, teria 30 dias para deixar o país ou ajustar seu status com o Departamento de Segurança Interna após a conclusão de seu mandato.

A carta dos deputados norte-americanos afirma ser Bolsonaro o responsável direto pelo caos instalado no Brasil desde 30 de outubro, quando os golpistas começaram a acampar na frente dos prédios do exército até o último domingo, dia 8, quando destruíram o Congresso, a Suprema Corte e o Palácio do Planalto.

Para os deputados, o fato de Jair ter feito insistentes alegações de que as urnas eletrônicas eram suscetíveis a fraudes e não ter admitido a derrota são motivos suficientes para torna-lo responsável pelo caos.

No lugar de uma transição tranquila, Bolsonaro e seu partido deram corda à imaginação popular do golpismo.

“O ataque ilegal e violento em 8 de janeiro contra as instituições do governo brasileiro foi construído sobre meses de invenções pré e pós-eleitorais do Sr. Bolsonaro e seus aliados”, disseram os legisladores na carta.

Uma carta semelhante foi enviada pelo líder da maioria no Senado, Richard Durbin, que anunciou planos para introduzir uma legislação que faria com que aqueles que prejudicassem uma eleição democrática livre e justa ou uma transferência pacífica e democrática de poder no exterior inelegíveis para um visto americano. Durbin apresentará a legislação quando o Senado voltar a funcionar.

Após o ataque, Bolsonaro disse no Twitter que protestos pacíficos fazem parte da democracia, mas destruir prédios públicos passa dos limites.

Com informações do The Guardian

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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