O Rio Guaió, a Sabesp tucana e a transposição do pó, por Fábio de Oliveira Ribeiro

Alckmin, a Sabesp e a impensa tucana venderam a transposição do Rio Guaió como sendo uma solução para a crise hídrica: Rio Guaió, de Suzano, irá fornecer água para o Sistema Alto Tietê.

A obra foi inaugurada ao estilo tucano, com grande visibilidade e elogios para o governador e para a Sabesp privatizada: Alckmin entrega obra no Sistema Alto Tietê e volta a descartar rodízio

Entregue a solução começaram os problemas e as notícias desencontradas. Ora a obra não funcionou, ora está funcionando: Alckmin diz que falta de chuva impede transposião do Rio Guaió após obras e Alckmin diz que transposição do Rio Guaió está funcionando.

Uma amiga que faz mestrado em Planejamento e Gestão do Território e trabalha na Secretaria de Habitação e Desenvolvimento Urbano de Osasco me enviou a seguinte notícia:

“Quase 50 dias após a inauguração, o rio onde a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) investiu R$ 28,9 milhões em uma transposição para “garantir o abastecimento hídrico durante o período seco” e socorrer o Sistema Alto Tietê está sem água.

O objetivo da obra emergencial era levar 1 mil litros por segundo do Guaió para a

 Represa Taiaçupeba, em Suzano, onde fica a estação de tratamento, “beneficiando diretamente mais de 300 mil moradores” da Grande São Paulo. Mas, por causa da estiagem no local, a operação não foi iniciada.

“Não há água para retirar do rio”, admitiu o superintendente de Produção da Sabesp, Marco Antônio Lopez Barros, durante apresentação sobre as obras emergenciais da empresa para o Comitê da Bacia do Alto Tietê, na quinta-feira passada.

Segundo ele, a obra do Rio Guaió ainda está em fase de “pré-operação”.

No dia seguinte, a reportagem visitou as instalações e constatou que as bombas que foram ligadas pessoalmente pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) em um evento para a imprensa no dia 29 de junho estavam desligadas.

Na ocasião, o tucano afirmou que estava “entregando a primeira das três obras importantíssimas para garantir o abastecimento hídrico durante o período seco”, que vai de abril a setembro. As outras duas são a ampliação da capacidade de produção do Sistema Guarapiranga em 1 mil l/s, inaugurada em 20 de julho, mas também em “pré-operação”, e a transposição de 4 mil l/s da Billings para a Taiaçupeba, que está três meses atrasada e só deve entrar em operação em outubro.

“Já era sabido que no período de estiagem não teria essa vazão que eles anunciaram. Com essa seca no Alto Tietê, então, o Guaió não tem nem metade dessa água”, afirma o engenheiro José Roberto Kachel, ex-funcionário da Sabesp e integrante do comitê do Alto Tietê. Ele já havia alertado para esse risco em março. Para Kachel, a obra no rio não vai resolver o problema da região. “Venderam para a população que iam bombear continuamente mil litros por segundo, mas não estão bombeando nada”, diz o engenheiro.

Adutora

O Guaió é um pequeno rio que nasce em Mauá, no ABC, e deságua no Rio Tietê, no limite de Poá com Suzano, após percorrer 20 quilômetros. A Sabesp construiu 9 quilômetros de adutoras para levar água dele até o Ribeirão dos Moraes, um córrego que termina no Rio Taiaçupeba-Mirim, afluente da Represa Taiaçupeba, onde está a estação de tratamento do Sistema Alto Tietê.

Hoje, o manancial que abastece 4,5 milhões de pessoas na porção leste da Grande São Paulo é o que está mais próximo do colapso, com apenas 15,9% da capacidade.

À época da inauguração, a Sabesp afirmou em nota que a obra era “essencial para garantir o abastecimento da população no período de estiagem, que vai até o fim de setembro”. Desde a entrega da estrutura, porém, o Alto Tietê perdeu 25,6 bilhões de litros, ou 4,5% da capacidade. Na sexta-feira, 14, por exemplo, a entrada total de água na Represa Taiaçupeba foi de apenas 660 litros por segundo, abaixo dos 1 mil l/s prometidos.

Agora, a Sabesp afirma que as obras emergenciais “foram concebidas para aumentar a resiliência do sistema produtor de água, ou seja, para captar água onde estiver chovendo e armazenar onde for possível”. Segundo a companhia, “por causa disso, as estruturas não funcionam a toda carga todo tempo”. A empresa afirma que “a previsão de retirada do Guaió para o Alto Tietê, conforme a outorga, é de uma média anual de até 1 mil l/s”, mas “isso não significa que a vazão se mantenha constante nesse valor”.

A reportagem questionou a razão de a transposição do Guaió ainda estar em fase de pré-operação quase 50 dias após a inauguração e qual o volume diário retirado do rio para abastecer o Alto Tietê, mas a Sabesp não respondeu.

Fonte: AE”

http://www.reporterdiario.com.br/Noticia/529497/rio-guaio-seca-e-sabesp-nao-tem-como-captar-agua/

Como dizia a chamada do seriado X-Files (1993-2002) “A verdade está la fora”. Só chegará em casa quando a água acabar. Não sou urbanista, mas não me parece muito lógico transpor pó do Rio Guaió a um custo exorbitante. Em caso de falta de água o governador o apoio midiático ao governador irá secar, ele será responsabilizado ou continuará sendo protegido pela imprensa?

 

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6 comentários

  1. promessa de campanha

    Os inimigos que Goebbels vendia para os alemães eram de ficção, nunca seriam identificados. A falta d’água será sentida até pelos mais estúpidos e crédulos paulistas.

    É bom o Alkimin chamar o exercito para controlar a turba agora com os paneleiros de Higienópolis.

    Na campanha eleitoral de 2018 Alkimin terá como slogan: Falta d’água para todos.

  2. Blindagem à moda tucana

    Antevendo o desastre que se aproxima do Governo deste “estadista” com a prrovável falta de água, principalmente pela falta de planejamento e investimentos da sua “jestão”, a midia aliada (Globo, Folha, Veja e quetais) produz matérias diárias, sobre  secas  em outras partes do País e do mundo, métodos paara economizar e reutilizar água, invvençõess e enjambrações caseiras viram amplas reportagens, efeito estufa, recordes climátticos e dados comparativos desde priscas eras, etc, etc.

    Sobre o repasse criminoso dos lucros aos acionistas (provavelmente laranjas ou sócios) nenhuma virgula…

    Blindagem e mais blindagens da incompetência e das falcatruas tucanas.

    • Muito bem observado!

      Acontece extamente como você mencionou.Há alguns meses atrás, quando estava crítica a situação em S.Paulo, Globo e Band mostravam a seca do rio Paraíba e falavam numa suposta crise de água no Rio. A última vez que ouvi falar em racionamento de água no Rio, eu era menina. É impressionante a blindagem.

  3. Sem dúvida, ele continuará a

    Sem dúvida, ele continuará a ser protegido pela imprensa. Com o apoio da maioria dos paulistas, que preferem morrer de sede a admitir que mantém no poder a vinte anos um partido que está paulatinamente acabando com seu estado. 

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