Adeus João Sinibaldi, primo querido, por Rui Daher

João era Daher por parte de minha tia Sálua, mas ficou registrado como Sinibaldi, ela casada com meu tio Nélson. E este é um causo.

Adeus João Sinibaldi, primo querido, por Rui Daher

Desculpem a não impessoalidade deste texto. No momento, para mim, ele é essencial como homenagem e oferta de gratidão a meu primo João Roberto Sinibaldi, falecido no dia 21, por Covid-19, em São José do Rio Preto, SP.

Adquirira a doença há cerca de quinze dias. Sem qualquer comorbidade e pouco mais de sessenta anos de vida, sempre alegres e saudáveis. Apesar de prontamente atendido, o coronavírus agiu sobre ele de forma rápida e devastadora. Estará ele sendo assim cruel apenas com os bons?

Entre os dias 24 de maio e 16 de junho, publiquei no meu blog deste GGN uma série de seis textos (Que fazer?). Crônicas ficcionais e bem humoradas, onde eu misturava história e política a causos de minha infância e juventude junto à família Daher. Na época, exceção a mim, paulistano, toda concentrada naquela cidade.

No fio de conduta para os textos veio-me a ideia de colocar a história de meus ancestrais árabes, chegados do Líbano (avô Miguel Abdala Daher) e da Síria (avó Maria Abrão Daher), para trabalhar nas lavouras de café da região.

Enquanto escrevia, eu e João conversamos e rimos bastante pelas digitais. Outros primos também ajudaram. Mais uma vez estávamos perto. Pedia-lhes informações sobre nossos avós.

Bem mais novo do que eu, também ele sabia pouco sobre vô e vó. Seus filhos, meus tios e tias, muitos já falecidos, sobrava-me recorrer aos primos. João se ofereceu, inclusive, a pesquisar datas de morte e nascimento em seus túmulos no cemitério da cidade.

A última vez que havia visitado a cidade e a família fora em maio de 2017, para lançar o “Dominó de Botequim”. Com certeza, nos últimos anos, foram os dias mais felizes que tive.

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João era Daher por parte de minha tia Sálua, mas ficou registrado como Sinibaldi, ela casada com meu tio Nélson. E este é um causo.

As duas famílias se amalgamaram de tal forma, que sempre pareceram uma só. Tios, tias, cunhados, cunhadas, sobrinhos e sobrinhas, crianças, depois adolescentes, e novamente adultos, seguiram e continuam seguindo gerações, como uma só trupe do bem.

(Parte da trupe na Livraria Saraiva de SJRP, maio 2017)

Na foto, João está lá no alto. Só poderia. Em espírito, humanismo, alegria de viver, muito provável, estivesse acima de nós.

A um casal, especialmente a amiga Viviane, que acompanhou a mim e a Cléo na viagem, João, diariamente, passou a desejar-lhe bom dia, com mensagens de paz, alegria, esperança. Invariavelmente, com muito de sua religiosidade.

Na ocasião, houve encontros, visitas, almoços, todos muito alegres, que expressavam o quanto vale a pena o pertencimento familiar.

Período tão longo de distância, não poderia deixar de trazer algumas lágrimas, mas de alegria, diferentes das que tivemos nesses últimos dias com a perda de João.

Uma coisa tenho certeza, primo. Você já chegou ao céu. Tem presença garantida no Conselho Consultivo do Dominó de Botequim, criação minha, onde muitos amigos que já se foram me esperam. Com a sua alegria e bondade, lá minha alegoria só irá melhorar.

Sua última mensagem para nós, no dia 6 de julho, foi: “Meu Deus me ajude e me proteja”. Ele o fez, João Sinibaldi. Levou-o à paz.

Beijos, primo querido.

 

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