Com que canalhice eu vou, Noel, de puta ou santa? Por Rui Daher

A quem vocês servem, sacripantas, a não ser aos seus próprios interesses vilões? Estou curioso, e quando assim fico chamo o serial killer Harmônica.

Com que canalhice eu vou, Noel, de puta ou santa? Por Rui Daher

Desde o período da Colônia e até hoje, nunca deixamos de ser conduzidos por um ethos canalha. Os diversos graus deixo para quem estudou ou, ao menos, tangenciou nossos caráter e história.

“Expor aos oprimidos a verdade sobre a situação é abrir-lhes o caminho da revolução”. (Leon Trotsky, 1879-1940)

Não aqui. Estranho país, o nosso. Quanto mais oprimidos somos, maiores nossos gozos. Por que se nem mesmo os pais lusitanos assim o foram? Os escravos negros africanos? Também não. Dominados e torturados foram à luta. Conquistas? Sim. Poucas, talvez. Mas continuam. Então, a partir dos séculos 19 e 20, foram os imigrantes? Leiam as histórias de italianos, espanhóis, alemães, árabes, judeus, japoneses, em seus próprios países, e saibam por que tiveram que imigrar.

Teria sido o fato de que aqui quem chega ou nasce ter à disposição, praias as mais lindas, serras as mais frondosas em flora e fauna, clima para fácil plantio e pastoreio, mandioca para indígenas e jabá para nordestinos, cafés de alta qualidade, cachaças que concorrem a preços de pobres com os destilados mais qualificados do planeta?

Tudo isso teria tornado a nós, 210 milhões de residentes, preguiçosos, inférteis, carneiros emasculados, como indígenas e quilombolas, esperando apenas auferir alguma franja do que sobrará da venda de nossos patrimônio e soberania?

Canalhices auditivas

Almoço em local que frequento há cerca de dez anos. O proprietário, alegre, me saúda:

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– E aí seu Rui, ainda petista?

– Nunca o fui. Apenas, sempre fiz escolhas voltadas para diminuir a desigualdade. E, nelas, nem sempre votei no PT. E você? Contente com seu voto em Jair?

– Mais ou menos. Pelo menos, parou a roubalheira do Lula.

Entra em cena outro comensal frequente, também abastado empresário.

– Rui, um primo de um cunhado meu, influente em Rondônia, mas com ligações em Brasília, me contou que é bilionária a fortuna de Lula, seus filhos, e Zé Dirceu. A roubalheira foi tanta que acabou com a Petrobras.

Vêm-me à cabeça uma série de argumentos e questões. Tipo: “tantos anos de Lava Jato, Moro, conversas privadas com Dallagnol, procuradores, delegados, e só encontraram para condená-lo um apartamento mixuruca na brega Guarujá e um dúbio sítio em Atibaia? Onde esses bilhões”?

Calo-me com singelo sorriso e lembro-me de médico, que cuida de minha saúde há quase 20 anos:

– O cara é uma besta, mas pior será se deixa o PT voltar.

Pago a consulta e saio.

Canalhices impressas

Frequentes nas páginas da Folha de São Paulo, totais em O Globo e Valor.

Na primeira, aquela que quis fantasiar de imperador o Regente Insano Primeiro, e logo recuou, leio artigo assinado por Paulo Hartung, Marcos Lisboa e Samuel Pessôa: “Com radicalismo e sem diálogo, Brasil corre risco de abandonar democracia”.

Mais uma tentativa de contrapor, na mesma proporção, a agressividade antidemocrática de Bolsonaro e a plenitude institucional de Lula e Dilma.

A quem vocês servem, sacripantas, a não ser aos seus próprios interesses vilões? Estou curioso, e quando assim fico chamo o serial killer Harmônica.

Canalhices digitais

Primeira esquina, à direita.

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