Crônica de três jornalistas, por Rui Daher

Encanto mesmo, me trazem Jânio, Mino e Nassif. Sem suspeição ou puxa-saquismo. Meus proventos não vêm deles. Na atividade dos três, não apenas nos textos atuais sempre trouxeram iluminações políticas, econômicas e sociais

Crônica de três jornalistas

Por Rui Daher

Longevidade de leitura e admiração por quem faz jornalismo inteligente, honesto, e voltado para um país mais cidadão e menos injusto, fazem-me, hoje em dia, seguir esperançoso três profissionais, da geração a que pertenço (74). Jânio de Freitas (87), Mino Carta (86) e Luís Nassif (69). Tal indiscrição, se me desculpa o trio, tirei de Wikipedia.

Não os tomo como guias isolados, unívocos ou infalíveis em análises e opiniões. Muitas vezes deles divirjo. Ainda bem. Meu querer é base para pensar livremente, embora Millôr Fernandes dissesse que “pensar livre é só pensar”, no que concordo.

Mas sei que me entendem. Se escrevo publicamente, preciso conformar raciocínios e opiniões baseado em expressões honestas, inconformadas como as minhas. Há quem prefira Augusto Nunes. Eu quero escrever colunas e crônicas para quem sabe funcionalmente ler. Mesmo que tardia, um dia posso aprender.

Estamos em época de trevas democráticas não formais, mas fascistas, sabemos. Nas mãos de Regente Insano, clã, milícias e assessores completamente despreparados, quando não mal-intencionados.

Hoje sim, dominados por quadrilhas, em todas as características intrínsecas a elas.

Não que só existam os três. Há também muitos outros que precisam ser lidos e ouvidos para ajudar-nos a reencontrar os trilhos da democracia e da inserção social. Mantenho-os perto de mim e lamento quando algum deles nos deixa. Lembro-me de Paulo Henrique Amorim.

Mas, encanto mesmo, me trazem Jânio, Mino e Nassif. Sem suspeição ou puxa-saquismo. Meus proventos não vêm deles.

Leia também:  Maradona imortal, por Urariano Mota

Na atividade dos três, não apenas nos textos atuais sempre trouxeram iluminações políticas, econômicas e sociais. Também suas histórias e criações passadas jornalísticas, se pesquisadas, mostram feitos compatíveis com a maravilhosa língua que herdamos dos portugueses.

Biografias esclarecedoras e incontestes do que aqui escrevo. JF: reformulações na revista Manchete e no Jornal do Brasil, redator-chefe dos Correio da Manhã e Última Hora, Jornal dos Sports, sempre do Rio de Janeiro, e a partir de 1983 até hoje colunista da Folha de São Paulo; MC: Quatro Rodas, Jornal da Tarde, Veja, IstoÉ, CartaCapital; LN: Agência Dinheiro Vivo, Jornal da Tarde, Veja, Folha de São Paulo, TV Cultura, TV Gazeta, TVE, Rádio Bandeirantes. A partir daí, pioneiro do jornalismo eletrônico e online, no GGN.

Entre eles, prêmios. Inclusive o Esso e internacionais. Livros publicados. Na sequência, um fã de Fórmula 1, um pintor, e um bandolinista.

Sigo-os, mas ando meio confuso.

Estamos em épocas terraplanistas, com direito a bar em Vila Madalena/SP para adeptos; ministro da Economia anunciando que se extinguíssemos todos os encargos sociais criaríamos milhões de empregos, nem rima e muito menos solução (‘Chicago Boys’ se espantaram com a descoberta); o da Educação, a descobrir “extensivas” plantações de maconha nas federais, por que as persegue; astronauta (?) brasileiro a demitir diretor do INPE, pois concorda que incendiar e desmatar florestas não devem ser combatidos, pois são “culturais”; Damares-Tinder, conduzindo mães evangélicas ao fanatismo religioso.

Como Lênin, o que fazer?

Jânio, se atém a fatos, pouco prognostica, mas suas investigações sabem onde levar os nossos destinos. Mino, pede o confronto. Louva disposição de Lula ao sair da prisão. Nassif, como sempre, pede consenso e pacto.

Leia também:  Ministério da Economia sugeriu "monitorar" posts de Luis Nassif no Jornal GGN

Fico com os três, e ouço o CD, de João Bosco (2017), “Mano que Zuera”.

E, não é?

 

 

 

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora