Experiências Contraditórias na Copa do Mundo de Futebol
por Jorge Alberto Benitz
A Copa do mundo está me proporcionando experiências contraditórias. Começando pelo lado bom e falando sobre jogos mais recentes. O genial Nelson Rodrigues ficaria encantado com a presença forte do Sobrenatural de Almeida, personagem criado por ele, nesta etapa de classificação da Copa. Nada mais empolgante e dramático para quem não está envolvido diretamente – apesar de ter torcido para o Uruguai – foi vê- lo eliminado por causa de uma falha do goleiro Muslera -. Como colorado digo que ainda bem que não foi o Rochet. Uruguai que foi guerreiro como sempre e merecia continuar na competição.
Vibrei com o gol, no último segundo do jogo, do gol da Turquia estragando a festa montada pelos EUA. Foi um desafogo pelo dor de um outro bom time que mesmo com a vitória contra o dono da casa foi desclassificado.
Especial foi o jogo da madrugada entre Egito versus Irã. Dizer que foi um jogo épico não é exagero. O Irã lutou até o fim e foi vencido por um pé em offside, como se dizia nos tempos de antanho e agora reprisado com as legendas em inglês na hora de atuação do VAR , do seu atacante Khalilzadeh flagrado impedido. No fim aquela bola na trave, com o goleiro do Egito já vencido foi para enfartar torcedor do Irã que saiu de cabeça erguida da competi&ccedi l;ão. Não bastasse toda esta angústia no dia em que jogaram, o Irã sofreu no sábado outro golpe, este mortal para suas pretensões de continuar na Copa como um dos melhores terceiro colocados , com o gol de empate da Áustria nos últimos segundos ( 50min05s ) do final da partida contra a Argélia.
Teve mais jogos interessantes, inclusive o último do Brasil que reencontrou um pouco do seu futebol, onde Vini Jr e Alisson brilharam.
Agora vou para o lado ruim da coisa. Está difícil de aturar o estilo oba oba, estilo tik tok, dos repórteres globais e o festival de propaganda das apostas ( Bets) da Globo e CazéTV, com esta última chegando ao extremo de promover palpites e assim induzir o telespectador a fazer apostas, motivo de ação de Ministério Público. Sobre o estilo tik tok refiro- me a todo reporter posando de engraçadinho e com sorriso alegre pra lá de forçado e falso, de fato, “enchendo linguiça” com matérias fúteis e superficiais. Confesso que não sei se este estilo é uma recomendação da chefia de reportagem atendendo orientação da direção das empresas ou é falta de preparo profissional dos jornalistas envolvido na operação Copa do Mundo. Falo isso porque lembrei de uma entrevista do CEO do grupo RBS, retransmissor da TV Globo no Estado do RS, Nelson Sirotsky, tecendo loas ao estilo engraçadinho Tik Tok e o considerando como o futuro do jornalismo. Futuro nada promissor a julgar este vaticínio elogioso ao nivelamento por baixo da programação televisiva da TV Aberta, mas isso é outra história.
Jorge Alberto Benitz é engenheiro.
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