11 de junho de 2026

Os repórteres “independentes” do Fantástico nesse domingo, por Urariano Mota

Percebem? A escolha da independência na mídia do bem, para o bem, a humanidade que se exploda, é para um lado só.
Reprodução

▸Fantástico exibe reportagem com imagens inéditas de megaoperação no Rio, mostrando confrontos entre policiais e criminosos. Repórteres independentes Marcello Dórea e Jadson Marques estiveram presentes.

▸Desconfiança paira sobre reportagem devido à parcialidade dos repórteres independentes em favor da polícia. Registros de ações policiais levantam questionamentos sobre imparcialidade jornalística.

▸Urariano Mota destaca a importância da investigação e da busca pela verdade diante da narrativa tendenciosa dos repórteres independentes durante a cobertura da operação no Rio.

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Os repórteres “independentes” do Fantástico nesse domingo *

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por Urariano Mota

O programa de TV Fantástico mostrou neste domingo a reportagem “Megaoperação no Rio: imagens inéditas mostram criminosos fortemente armados, rendição de suspeitos e resgate de policiais feridos”. No texto, que podemos ver no G1 é informado, ou melhor, é dito:

“Repórteres cinematográficos independentes acompanharam a operação e registraram momentos de tensão e confrontos intensos entre policiais e criminosos. Drones da polícia mostram resgate tenso de delegado ferido… Juntos com esses agentes, estavam Marcello Dórea e Jadson Marques. Eles são repórteres cinematográficos independentes que se especializaram na cobertura de operações policiais no Rio de Janeiro”.

O melhor juízo que podemos fazer de toda reportagem sobre a matança de criminosos no Rio é a desconfiança. Foi o que me ocorreu ao ver as imagens e a narração,  que faz sempre uma nova imagem, pelo que destaca e leva o público a ver o que não vê: 

“Imagens exclusivas exibidas pelo Fantástico neste domingo (2) mostram criminosos fortemente armados aguardando a chegada da polícia no alto do morro durante a megaoperação que deixou 121 mortos no Rio de Janeiro na última semana”. O link aqui

Megaoperação no Rio: imagens inéditas mostram criminosos fortemente armados, rendição de suspeitos e resgate de policiais feridos

Então, desconfiado, fui pesquisar sobre os repórteres independentes a serviço da polícia do Rio de Janeiro. Primeiro, Marcello Dórea. Em todos os links vistos, ele sempre está a documentar as vítimas do lado da polícia. Alguém poderia perguntar: existem ou não mortos e feridos do lado das forças da repressão? Ao que respondo, em primeiro lugar: se só se mostra um lado, não é possível o título de repórter independente. Seria algo como jornalista, em Gaza, autorizado por Netanyahu.  Independente autorizado, percebem o paradoxo? Em segundo lugar: no caso da CAÇA aos criminosos, é impossível que não existam imagens de assassinatos frios contra bandidos e não-bandidos. Ah, mas se tais imagens fossem mostradas, o repórter perderia a sua independência…. Compreendemos!

No caso de Jadson Marques, repete-se a “imparcialidade” jornalística. Mas tudo dentro da sua especialidade. Na pesquisa, vemos o seu norte e bússola: “profissional que começou na atividade em 1999 como repórter fotográfico, mas depois migrou para o vídeo, passando a atuar como repórter cinematográfico, especializando-se na cobertura de ações policiais em todo o estado do Rio de Janeiro”. Muito bem, é justo e necessário esse caminho. Até mesmo para mais um Tropa de Elite. Mas por que o independente sempre registra imagens a favor da polícia? Hem, que pergunta, não é? Mais de um repórter sem um mínimo humanismo estranharia. “Ora, porque é do lado da polícia que está a lei. A polícia sempre está contra o mal”, alguns jornalistas continuariam. Então, vemos uma coisa mais bárbara. Mesmo nas notícias que falam de agressões da polícia contra a imprensa, como na reportagem “Cinegrafista morre após ser baleado durante operação do Bope no Rio de Janeiro”, a foto de Jadson é para outro momento ao lado do bem: “Traficantes foram presos durante ação da PM do Rio. Foto: JADSON MARQUES/AGÊNCIA ESTADO”

Cinegrafista morre após ser baleado durante operação do Bope no Rio de Janeiro

Percebem? A escolha da independência na mídia do bem, para o bem, a humanidade que se exploda, é para um lado só. O mais seguro, por fim, é desconfiar das imagens e de qualquer “independente” narrado para amenizar o massacre. Melhor, é preciso ver e pesquisar depois a verdade. Saudade dos grandes repórteres que documentaram os crimes do imperialismo no Vietnã.

*Vermelho Os repórteres “independentes” do Fantástico nesse domingo – Vermelho

Urariano Mota – Escritor, jornalista. Autor de “A mais longa duração da juventude”, “O filho renegado de Deus” e “Soledad no Recife”. Também publicou o “Dicionário Amoroso do Recife”.

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Urariano Mota

Escritor, jornalista. Autor de “A mais longa duração da juventude”, “O filho renegado de Deus” e “Soledad no Recife”. Também publicou o “Dicionário Amoroso do Recife”.

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  1. Sergio Santos

    4 de novembro de 2025 9:39 am

    E saber que, por décadas, fomos nós, consumidores, que alimentamos esses dragões, hoje, também chamados por “mídia hegemônica”.
    Em tudo que pagamos, produtos ou serviços, tem embutido no preço o percentual para a formação da chamada Verba de Marketing.
    Com esse dinheiro as empresas pagam a criação publicitária, agora com as I.As. casa vez menos dispendiosa, e paga também a mídia, a qual, por sua vez paga os salários todos, inclusive de seus “jornalistas”, humanos (corruptos, capatazes) que se vendem para (dês) informar a população com discursos como: “todo político é corrupto”, “Estado bom é Estado mínimo”, “bandido bom…”, “o Governo tem que gastar menos do que arrecada, como toda boa dona de casa”,…
    Por isso são poucos que, por exemplo, sabem sobre o que fazia o fundador de um importante anunciante, cliente da mídia hegemônica, proprietário da rede de lojas cujo slogan ‘diz’ oferecer: “Dedicação Total a Você”.

    O ICL Instituto Conhecimento Liberta, para evitar essas amarras, decidiu por pagar suas contas com a venda da assinatura de acesso a cursos de todo tipo a diferentes públicos.
    É uma alternativa.

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