4 de junho de 2026

Uma breve explicação sobre o MST aos fariseus da ganância, por Rui Daher

Qual a concepção de vocês, longe do mundo rural, ou perto, mas fariseus da ganância, sobre o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, o MST?
MST

Uma breve explicação sobre o MST aos fariseus da ganância, por Rui Daher

Qual a concepção de vocês, longe do mundo rural, ou perto, mas fariseus da ganância, sobre o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, o MST?

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Como é? Fiz uma pergunta. Não entendo seus grunhidos amorfos. Levanto o som do rádio, opa, ouço algo como invasões de fazendas ‘produtivas’, vagabundos que não produzem, assentados que usam as terras para vende-las ou arrendá-las, selvagens que invadem e destroem campos de experimentos de grandes empresas agropecuárias, escolas que ensinam e alfabetizam usando o “marxista” método Paulo Freire?

É isso, isso mesmo? Então já devem ter visitado vários acampamentos e verificado o apelo comunista do MST. Não? Onde se informaram, pois? Nas folhas e telas cotidianas da conservação do Acordo Secular de Elites? Ah, bom. Imaginava.

O MST nasceu, em 1984, apoiado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), com origem na Igreja Católica e no setorial da Teologia da Libertação, tão bem hoje entendida pelo Papa Francisco, de como Jesus Cristo, um defensor e lutador pelos pobres, pregou este um planeta menos desigual.

Isso, ironicamente, aconteceu em Cascavel, Paraná, no 1º Encontro Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, uma das regiões de muito catolicismo e pouco reconhecimento à distribuição de renda entre caboclos, campesinos e sertanejos. Para eles, apenas os donos de terras, por herança, construíram a riqueza da região.

Hoje em dia, são grandes cabeças empresariais, empreendedoras, com suas enormes John Deere, New Holland, Massey, informatizadas, mandam no exército rural com que antes, descendentes de italianos, alemães e polacos, os ajudavam. Se muito, viraram agricultores familiares, indispostos aos apoios tecnológicos e recursos financeiros, apud Jair Bolsonaro, filhos do capitão, Paulo Guedes, Tereza Cristina e Ricardo Salles (risos), na ordem.

Não sei, com sua força, o que esperam para defenestrar o chanceler Ernesto Araújo, o pior deles, na passageira (creio) crise sojicultora por que passam. Também pode piorar, mantida a guerra entre Trump e Xi Jiping, e a inabilidade do atual governo brasileiro.
Mas voltemos ao MST. Os acima são e continuarão sendo Bolsonaro. Não se envergonham de seus pensamentos e gafes. Nada leram na vida com potencial de fazê-los ver que cercados de miséria se vive mal.

O êxodo rural no Brasil continua. Não pela mecanização ou pela informática, mas ainda pela redução de custos de mão-de-obra. Trabalho manual pouco serve, incomoda, a não ser para manutenção de suas vaidades do prazer.

As Ligas Camponesas, de Francisco Julião, Vitor Nunes Leal, Gondim da Fonseca e Ariano Suassuna (meu senhor!), foram interrompidas pelos militares de 1964.

Lá se vão 55 anos. Onde erramos, então, permitindo a eles novamente nos subjugarem, perguntaria eu às linhas do meu retrós, que os botões são do jornalista Mino Carta?

Está fácil, a cada dia, destruírem aparelhos destinados à inserção social humanista, sempre prioritária. Não pensem nessa facilidade ao enfrentar o MST. Ele está no campo organizado em 25 estados. Tem verticalidade em famílias, direções e instâncias.

Com estudos, pesquisas e, mais do que tudo, experiências pessoais, atuam em Saúde, Direito, Diversidade de Gêneros, Educação, Cultura, Comunicação, Formação, Projetos e Finanças, Produção, Cooperação e Meio Ambiente e Coletivos de Massa.

Há muitos jovens, desde crianças treinados em relações institucionais e internacionais, “buscando sempre a perspectiva camponesa. O movimento recebe apoio de organizações não governamentais e religiosas, do país e do exterior, interessadas em estimular a reforma agrária e a distribuição de renda em países em desenvolvimento. Sua principal fonte de financiamento é a própria base de camponeses já assentados, que contribuem para a continuidade do movimento”.

A Escola Nacional Florestan Fernandes, em Guararema/SP, construída em regime de mutirão, tem cursos em vários níveis, desde a alfabetização até administração cooperativista, pedagogia da terra, saúde comunitária, planejamento agrícola e técnicas agroindustriais.

Consideram excelente a educação promovida pelo MST, intelectuais e ativistas renomados como Noam Chomsky, Sebastião Salgado, Chico Buarque, o saudoso José Saramago, e milhares de intelectuais mundiais.

Vão encarar bolsominions?

Nota: No som o ganhador do Prêmio Camões em homenagem ao MST.

Rui Daher

Rui Daher – administrador, consultor em desenvolvimento agrícola e escritor

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2 Comentários
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  1. Anônimo

    24 de maio de 2019 10:55 am

    É isso Daher, querem que voltemos a cantar Funeral para Um Lavrador, mas os tempos são outros, e cantemos pois Assentamento!

  2. Anônimo

    24 de maio de 2019 3:18 pm

    Querido Rui, para você e para todas as meninas e mulheres nos variados fronts da revolução pacífica e amorosa da ecologia, de Bela Gil no Brasil a Dra. Vandana Shiva na Índia e a grande Greta Thunberg da Suécia para o mundo com sua inspiração e mobilização mundial dos dispersos que hoje fazem a Segunda Greve Mundial da Juventude pelo Clima, as mulheres e os homens de boa vontade vão vencer! Quem diria! Jovens fazendo Greve, e pela Natureza!

    Obrigada pelas crônicas – leio quase sempre ainda que não comente – e pelas músicas sempre perfeitas para o tema e para a emoção envolvida.

    Para acompanhar a reportagem

    Dizem (Quem me dera) – Marisa Monte
    https://www.youtube.com/watch?v=y2u6eAK6xL0

    Do BRASIL DE FATO (https://www.brasildefato.com.br/2019/05/23/bela-gil-visita-assentamento-no-parana-dedicado-a-producao-de-alimentos-saudaveis/)

    ” Vídeo | Bela Gil visita assentamento dedicado à produção de alimentos saudáveis no PR
    Episódio do programa Belas Raízes fala sobre agroecologia, agrofloresta e o uso de ervas medicinais nas plantações
    Redação
    Brasil de Fato | São Paulo (SP) , 23 de Maio de 2019 às 17:21

    A apresentadora e culinarista Bela Gil lançou nesta quarta-feira (22) um documentário sobre a produção de alimentos no assentamento Contestado, do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), no Paraná. O local, resultado da reforma agrária, abriga hoje mais de 100 famílias que se dedicam a produção de alimentos saudáveis.

    :: Bela Gil : “Agroecologia é a única forma de comida sem veneno no prato de todo mundo” ::

    No vídeo, que faz parte do programa Bela Raízes, exibido pelo Canal Futura, a apresentadora fala com duas gerações de mulheres que trabalham com agroecologia e agrofloresta. Priscila e Dona Maria falaram sobre as propriedades medicinais de plantas cultivadas nas plantações. Segundo elas, o uso das ervas é proveniente de conhecimento ancestral e já era realizado por suas avós e bisavós, não apenas como remédio, mas como forma de espantar pragas das plantações.

    As duas também ensinaram Bela Gil a fazer uma salada de Palmito da Bananeira. Assista ao episódio completo:

    https://youtu.be/v9VSHJ9eql8

    Edição: Aline Carrijo”

    Sampa/SP, 24/05/2019 – 15:18

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