3 de junho de 2026

A discussão sobre a arte contemporânea

Por Sérgio Martins

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comentário no post “O recorde de Adriana Varejão”

Nossa, não sei nem por onde começar…

Vai ser por aqui: todo mundo tem direito a achar o que quiser baseado única e exclusivamente em seu gosto pessoal. Daí para ser válido trazer isso como contribuição para um debate público são outros quinhentos. Portanto, quem opina apenas com base em argumentos tipo ‘meu filho faz isso’ deveria ter vergonha de vir a público exibir uma visão tão tacanha de fenômenos culturais. Ou então voltar para a faculdade fazer aula de semiologia I para entender de sistemas de significação e valoração.

Continuando: a notícia em questão é sintomática, claro, de uma contradição existente nas artes visuais. São objetos únicos que por isso alcançam o estatuto de bens de consumo de luxo. Isso torna a reflexão estética neles articulada inválida? Não. A arte não tem a função de dar respostas unívocas (como responder simplesmente ao gosto individual de fulano ou sicrano). Se existe algo de válido em arte contemporânea é o risco da linguagem. Os que se chocam e acham tudo uma porcaria porque um trabalho afronta seu senso comum estão replicando o comportamento dos súditos do PIG que olham para os de esquerda e dizem ‘nossa, que gente anacrônica’.

Não digo isso para defender a arte da Adriana Varejão ou de qualquer outro. Digo apenas para frisar que é necessário pelo menos tentar entender as condições de articulação de uma poética para se pensá-la. Mesmo que seja para discordar de um trabalho e dos valores nele contido, mas para fazê-lo com propriedade e inteligência, de forma a contribuir para uma tomada de posição estética (e muitas vezes ética). Eis o que falta aqui: encarar corajosamente a incerteza. Para endossar, para discordar, para debater… não importa, sem aceitar a diferença como motor da reflexão, não se opera mudança. Sejam mais dialéticos e menos moralistas, por favor.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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