Por Motta Araujo
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Os Sursock, família de origem grega e de religião ortodoxa, fugiu de Constantinopla em 1453 quando os turcos tomaram a antiga capital do Império Romano do Oriente e se estabeleceram no Líbano. Por séculos foram uma das famílias dominantes na então província turca, de lendária riqueza e importância social. Os Sursock controlavam a importação de trigo, tinham navios e armazéns, foram os primeiros a construir uma ferrovia na região.
Havia outras grandes famílias, os Butros, Dagher, Yaziji, Araman, Dagher, Tueni, Trad, mas os Sursock eram o mais proeminentes em Beirute. Em 1882 construíram uma ferrovia ligando a zona rural do Líbano à capital por concessão do Sultão de Constantinopla, então o Chefe de Estado de todo o Império Otomano.
Em 1906 por negócio tiveram grande importância na formação do Estado judeu. Os Sursock tinham uma vastíssima (para a região) área de terras na Palestina, 46.000 hectares, que arrendavam a camponeses árabes. Venderam a área por 750 mil Libras Esterlinas ao Fundo Nacional Judeu, a maior de todas as instituições do judaísmo, que hoje é dona de 13% do território israelense. O Fundo Nacional Judeu foi criado com dinheiro doado pela diáspora americana já naquela época, 1905. Mais de 40 antes da criação de Israel havia imigração de judeus para a Palestina, em terras compradas principalmente pelo Fundo Nacional Judeu.
Os Sursock especularam de tal forma com trigo durante a Primeira Guerra, quando o Líbano passou por um período de grande escassez de alimentos, milhares morreram de fome, que perderam muito de sua influência e respeito durante o mandato francês, que reduziu sua importância política. Eram, porém, o que seria uma aristocracia na então província, tanto que se casavam com nobres europeus como os Príncipes Colnna da Itália.
As grandes famílias eram a pirâmide da organização social nas províncias do Império Otomano. No Egito a família Mehemet Ali, de origem albanesa, atingiu o ranking de realeza, a monarquia egípcia era dessa família, que não era nem egípcia e nem árabe, demonstrando a tolerância e flexibilidade política dos otomanos, refinados conquistadores.
evandro condé de lima
18 de agosto de 2014 12:23 pmCuriosidades
Curiosidade: Mota, qual tua formação acadêmica (acredito que possui). E mais, o que te levou a tantos caminhos?
André LB
18 de agosto de 2014 3:57 pmNão tenho procuração para
Não tenho procuração para falar pelo AA, mas sei que ele compra (e provavelmente lê) livros às dúzias e dúzias, além de não deixar de ter sido um observador privilegiado por décadas.
Cafezá
18 de agosto de 2014 8:56 pmPor que observador
Por que observador privilegiado?
evandro condé de lima
18 de agosto de 2014 9:05 pmQuem sabe?
Informações privilegiadas? No bom sentido, bem entendido.
wendel
18 de agosto de 2014 6:00 pmInteressante…..
O Motta, realmente informa detalhes que eu, que gosto muito de ler, ainda desconheço.
Suas fontes, merecem credibilidade, pois se formos juntar as peças deste grande tabuleiro que é a geopolitica desde tempos remotos, veremos que o que acontece hoje, nada mais é que reflexo do passado.
Assim, agradecemos ao Motta, e ao GGN pela oportunidade de podermos conhecer um pouco mais de história.
Inté…………..
junior50
18 de agosto de 2014 8:06 pmBem lembrado, Terras, Montes e AGUÁS.
Caro Dr. Motta,
Não sei se foi uma de suas intenções, ao publicar este post, instigar ou relembrar uma das etapas mais importantes da colonização judaica, e um dos futuros pilares do Estado de Israel, alem de tambem ser um dos fatos iniciantes da diaspora palestina e um dos iniciais conflitos naquela região. Pois:
1. Os Sursock ao venderem ao NJF, as terras do Norte da Galiléia, especificamente o Vale do Jerzeel, alem de serem as terras agriculturaveis da região , independentemente de algumas extensas areas pantanosas, tambem possibilitaram, no futuro e até hj., o controle por Israel do Mar da Galiléia e por consequencia, do regime das aguás do Rio Jordão, tambem no “pacote” de terras, veio o Monte Tabor, e quem controla este ponto esttatégico, controla os acessos ao Golã e da atual fronteira siria – israel.
2. Estas terras a época da venda, Jerzeel ,Maa’lim e Umm Jummi, eram habitadas, existiam aldeias, pequenas fazendas agricolas, chefiadas por administradores ( effendis) turcos e/ou libaneses, que empregavam e sustentavam uma população arabe-palestina – não eram desabitadas, os Sursock venderam com “população e tudo” ao NJF.
3. Já em 1909 era criado proximo a Umm Jummi, o 1o Kibutz da Palestina, Degania, seguido de varios outros subsequentemente, até os anos 20/30, pelos assim conhecidos em Israel os vindos através da Aliyah “socialista” ou a 4a Imigração, que ao criarem seus kibbutz e moshavs ( outra forma de colonização judaica), expulsaram desta região os palestinos que nela residiam, há séculos.
4. Tanto foi importante esta venda de terras, que após os disturbios, e enfrentamentos ,entre colonos judeus e palestinos, verificados em Jerusalem, Jaffa, Hebron, Haifa e Tel Aviv, durante a década de 20, uma comissão britanica ( o Mandato da palestina era do Reino Unido), referendou que a região do Norte da Galiléia seria “judaica”, e que o controle da imigração seria efetivo, e severo, na medida que mais terras fossem disponiveis para a Agencia Judaica na Palestina.