Com a morte de Ivan Lessa o Brasil perde um grande cronista. E eu, um amigo que nunca cheguei a conhecer pessoalmente.
No período glorioso de O Pasquim, os textos e o bom humor de Ivan marcaram toda uma geração.
Por e-mail, conheci-o depois que outro amigo – Jader de Oliveira, também da BBC, também falecido recentemente – pediu que incluísse Ivan no mailing que montei para distribuir minhas crônicas semanais.
Publiquei na contracapa do livro “A Casa da Minha Infância” o e-mail carinhoso que recebi dele, com comentários sobre as crônicas.
No auge do tiroteio, Ivan chegou no Portal, cadastrou-se. Depois, me escreveu dizendo ter vindo atrás da maravilhosa pesquisa sobre Teatro de Revista – feita por Henrique Marques Porto, Helô Lima, Cafu e Laura Macedo. Confessou não ter conhecido nada que se comparasse.
Cometi a asneira de saudar sua vinda. Uma literata carente acabou pegando no seu pé, obrigando-o a sair do Portal – para, depois, retornar reservadamente (e, mesmo assim, sendo redescoberto pela moça). Escreveu-me se desculpando pela retirada e dizendo-se muito velho e doente para suportar perseguição de fã.
Morreu ontem, de enfizema pulmonar. Em Londres.
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