HOMENAGEM A QUEM MERECE
Dom Pedro Casáldaliga
Contra ele as forças do inferno não prevaleceram. Bravo,
Pálida coragem, serena, atravessando o pântano enlameado,
Flor do lótus assediada pela infâmia,
Frágil lírio que tremeu mas não se dobrou,
Esplendor da justiça.
Esse catalão indefeso, cheio de coragem e bondade,
Vagou pelas selvas de um Mato Grosso cheio de latifúndios, crimes e senzalas.
Meus olhos exultam pelas vezes que se regalaram
Com a sua sublime imagem.
Dom Paulo Evaristo Arns
Príncipe, desprezaste os suntuosos banquetes e as bajulações dos abastados,
O palácio, o conforto e a segurança da riqueza, a beleza dos jardins esmerados e preferiste a paisagem cinza da periferia de São Paulo.
Num tempo de ímpios e torturadores, repreendeste o perverso ao alcance de sua espada,
Acolheste, sob um manto paterno, a frágil carne estremecida dos perseguidos e puseste unguento sobre suas feridas, acalentando o choro de São Paulo e do Brasil.
Fugiste da lisonja dos poderosos. Buscando a retidão, conheceste a injúria.
Nós, porém, estamos presentes para dar testemunho de tua grandeza.
As mães
Uma vez
Para James Joyce, o pequerrucho
Las Madres de la Plaza de Mayo, Argentina
E foi tão triste essa vez
Vinha pela estrada uma vaquinha fazendo muú.
Seus olhinhos coruscavam como brasas acesas e fazia muú
Não sei se era raiva ou pavor
Mas roubaram o bezerro da vaquinha
E ela mugia um pungente muú.
Encontrou na estrada uma ovelhinha balindo beé
A quem tinham também retirado o filhote
As duas subiram até o alto das montanhas gemendo ai, ai
Lá do alto olhavam e faziam muú e faziam beé
Mas não enxergaram nenhum filhote
E os gemidos ficaram intensos
Ninguém, porém, as ajudou,
Ninguém as acolheu naquela hora áspera.
Mas mãe que é mãe vai fazendo muú
Ou fazendo beé,
Ou fazendo ai, ai
Até seu pequeno aparecer
Até seu pequeno aparecer.
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