4 de junho de 2026

O Cinema falado nasceu cantando, por Laura Macedo

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Uma das primeiras tentativas brasileiras de antecipar-se ao cinema falado norte americano utilizou-se de um cantor popular – Paraguassu – interpretando o samba sertanejo “Triste caboclo” e a embolada “Bem ti vi”.

Paraguassu (Roque Ricciardi)

Triste caboclo” (Paraguassu) # Paraguassu. Disco Columbia (5026-B) / Matruz (380092) / Lançamento em 1929.

Bem ti vi” (Paraguassu) # Paraguassu. Disco Columbia (5062-A) / Matriz (380189). Lançamento em 1929.

A tentativa pioneira de se produzir um filme falado é creditado a Luís de Barros, em parceria com Moacir Fenelon (técnico de gravações do selo Columbia). Foram eles quem convidou o cantor Paraguassu para o filme “Bentevi”, rodado no sistema apelidado de Vitaphone.

O processo era o seguinte: “O som era gravado em disco, que um dispositivo permitia disparar e interromper, conforme a entrada das falas ou das músicas. Tal sistema já tinha sido testado nos Estados Unidos, em 1926, ela Warner Brothers quando lançou ‘O cantor de jazz’, o primeiro filme americano falado”.

O filme “Bentivi” ficou como tentativa isolada até 1930, época em que o cinema americano avançava e começava a penetrar no mercado brasileiro com cinco filmes sonorizados pelo sistema “Movietone”.

Foi a organização Byington (explorava o rádio/disco) quem financiou o primeiro filme musical brasileiro – “Coisas Nossas”. Realizado nos moldes do Teatro de Revista que reuniu nomes como, Guilherme de Almeida ao lado de Paraguassu, Alzirinha Camargo e Jaime Redondo, Procópio Ferreira e Príncipe Maluco, Jararaca e Ratinho, Gaó e sua Orquestra e a cantora Estefânia de Macedo, entre outros.

 

Segundo o escritor/pesquisador Miguel Ângelo de Azevedo (Nirez) a reação ao cinema falado, em inglês, fomentou várias composições de protesto feitas por Noel Rosa, Heitor dos Prazeres, David Raw/Victor Simon, Billy Blanco, entre outros.

 

Noel Rosa

 

Não tem tradução [Cinema falado]” (Noel Rosa) # Francisco Alves. Disco Odeon (11057-B) / Matriz (4715). Gravação (23/8/1933) / Lançamento (setembro/1933).

 

 

Heitor dos Prazeres

 

Depois do cinema falado” (Heitor dos Prazeres) # Odaléa Sodré. Disco Columbia (8254-B), 1937.

 

 

 

David Raw e Victor Simon

 

Falso patriota” (David Raw/Victor Simon) # Geraldo Pereira. Disco Victor (801192-A) / Matriz (BE3VB-0185). Gravação (26/6/1953) / Lançamento (setembro/1953).

 

 

 

Billy Blanco

 

João da Silva [também conhecido como ‘O falso moralista‘]” (Billy Blanco) # Nora Ney. Disco Mocambo (15441-A) / Matriz (R-1401). Lançamento (julho de 1962).

 

 

 

 

Desde a época dos filmes citados na foto acima muitas águas rolaram no Cinema Nacional Brasileiro. O certo é que nossos artistas da Música Popular Brasileira deram (com todas as limitações tecnológicas da época) suas contribuições para edifica-lo.

 

 

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Fontes:

– A História Cantada no Brasil em 78 Rotações, de Miguel Ângelo de Azevedo (Nirez). – Fortaleza: Edições UFC, 2012.

– Fotos montagem: Laura Macedo / Demais fotos acervo pessoal/internet).

– História do Samba. Rio de Janeiro: Globo, 1997-1998. Quinzenal. 40 fasc. 40 CDs.

-Site YouTube (Canais: “luciano hortencio”, “Rodrigo Castro Mendonça”, “Ao Chiado Brasileiro”, “Noel Rosa”, “1000amigovelho”).

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Laura Macedo

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6 Comentários
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  1. anarquista sério

    17 de maio de 2015 3:42 pm

    A era do som
    Até então já

    A era do som

    Até então já haviam sido feitos experimentos com som mas com problemas de sincronização e amplificação. Em 1926, a Warner Brothers introduziu o sistema de som Vitaphone (gravação de som sobre um disco) até que em 1927, a Warner lançou o filme “The Jazz Singer”, um musical que pela primeira vez na história do cinema tinha alguns diálogos e cantorias sincronizados aliados a partes totalmente sem som; então em 1928 o filme “The Lights of New York” ,(também daWarner), se tornaria o primeiro filme com som totalmente sincronizado. O som gravado no disco do sistema Vitaphone foi logo sendo substituído por outro sistema como o Movietone da Fox, DeForest Phonofilm e Photophone da RCA com sistema de som no próprio filme.

    O Beijo, lançado em 1929 e protagonizado pela atriz sueca Greta Garbo, foi o último filme mudo da MGM e o último da história de Hollywood, com exceção de duas jóias raras de Chaplin: Luzes da Cidade e Tempos Modernos.

    No final de 1929, o cinema de Hollywood já era quase totalmente falado. No resto do mundo, por razões económicas, a transição do mudo para o falado foi feito mais lentamente. Neste mesmo ano já lançado grandes filmes falados como “Blackmail” de Alfred Hitchcock (o primeiro filme inglês falado), “Applause” do diretor Rouben Mamoulian (um musical em preto e branco) e “Chinatown Nights” de William Wellman (mesmo diretor de “Uma estrela nasce” de 1937). Foi também no ano de 1929 criado o prêmio Oscar ou Prêmios da Academia que serve até os dias atuais como premiação aos melhores do cinema.

    1. Laura Macedo

      19 de maio de 2015 3:17 am

      Grata pelos complementos

      Anarquista sério,

      Grata pelos informações que enriqueceram a postagem

      Abraços.

  2. lucianohortencio

    17 de maio de 2015 8:47 pm

    Vó Maria foi pro céu!!!

    https://jornalggn.com.br/blog/laura-macedo/a-centenaria-vo-maria

     

    Abraço do luciano

    1. Laura Macedo

      19 de maio de 2015 3:20 am

      Vó Maria

      Luciano, que Vó Maria descanse em PAZ.

      Abraços.

      [video:https://www.youtube.com/watch?v=U_JoWvXTQ6o%5D

  3. Gregório Macedo

    18 de maio de 2015 3:34 am

    Benefícios do cinema falado

    Músicas de sucesso de autoria de monstros sagrados, canções brejeiras a exemplo de “Triste caboclo” (que música bonita!)… Como se não bastasse o charme dele mesmo, o cinema falado ainda se encarregou de inspirar belas peças de nosso cancioneiro. Sem contar os frutos que vieram ‘depois do cinema falado’. Post delicioso.

    Beijos.

    1. Laura Macedo

      19 de maio de 2015 3:15 am

      Uma cascata de palmas

      Gregório,

      Uma cascata de palmas para o seu comentário e a música “Sob uma cascata”, do filme “Belezas em revista” (“Footlight parade”, 1933), da Warner, dirigido por Lloyd Bacon e estrelado por Ruby Keeler, Dick Powell e James Cagney. De autoria de Sammy Fain e Irving Kahal, teve letra brasileira por Oswaldo Santiago, gravada na Victor por Francisco Alves em 13 de abril de 1934, com lançamento em maio do mesmo ano, disco 33776-A, matriz 79604.(Samuel Machado Filho).

      Beijos

      [video:https://www.youtube.com/watch?v=Dj_9r22O8XE%5D

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