4 de junho de 2026

Os primórdios e as “ruínas” da Jovem Guarda, por Alfeu

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Haddock, esquina com Matoso e a entrada do antigo Cinema Madrid

No início da década de 50, começava-se a viver mais um período de prosperidade de um pós-guerra, no caso a II Grande Guerra, coisas do século XX. A cultura norte-americana se aprofunda ainda mais em várias partes desse mundo, e atingia a juventude muito através da música, o rock’n’roll.

No Rio de Janeiro um desses pontos se localizava na Tijuca, na Rua Haddock Lobo, num pedaço de calçada entre as esquinas da Rua do Matoso e da Barão de Ubá. Na primeira esquina os jovens da época ali se aglomeravam principalmente por que se localizava o Cinema Madrid, pois os assuntos de maior preferência do pessoal era, além do rock, os quadrinhos e o cinema.

Rua do Matoso e Barão de Ubá à direita (GoogleMaps)

Indo em direção à Barão de Ubá, um outro ponto de encontro, aliás imprescindível para uma aglomeração como essa, um bar que no caso era o Divino Bar, e a festa estava completa.

 

Divino Bar

Na paisagem atual, o Divino Bar ocupava o local onde se vê um letreiro amarelo com o toldo vermelho, incluía também a loja seguinte à direita. (GoogleMaps)

Esse cenário era idêntico a tantos outros, mas o que tornou especial só seria conhecido anos mais tarde quando a Jovem Guarda estourou no mercado e os principais nomes e outros que fizeram parte desse movimento, sairam dessa parte da Tijuca.

Bem, o espaço físico foi apresentado, para humanizá-lo trechos do livro do biógrafo Paulo César Araújo, disponível na nuvem, que dá a noção do que ocorria por lá nessa época:

“O pessoal se reunia então em frente ao Bar Divino, na esquina darua do Matoso com Haddock Lobo, próximo ao Cinema Madri e aoInstituto Lafayette. Espécie de Memphis do rock nacional, aquela esquinada Tijuca atraía garotos como Tim Maia, Erasmo Carlos, Jorge Ben (que nos anos 90 mudou o nome para Jorge Benjor), Lafayette, Wilson Simonal,Arlênio Lívio, Luiz Ayrão, futuros Blue Caps como Renato e Paulo César Barros, futuros Fevers como Luiz Carlos e Liebert Ferreira… Raul Seixas não andava por ali porque morava na Bahia, mas logo, logo, alguém que vivia mais perto, um capixaba chamado Roberto Carlos, estaria se enturmando naquele clube da esquina carioca – ou quase americano.”

“O triunvirato de consumo cultural daqueles garotos era formado basicamente por discos, filmes e revistas em quadrinhos americanos. E disso o que eles reproduziam eram as canções. Não se pode dizer que faziam rock de garagem porque todos cresceram sem automóvel e entre pessoas que também não tinham. Eles faziam rock de rua e, como ficavam até tarde tocando, frequentemente provocavam a ira de alguns moradores, especialmente os da esquina da rua do Matoso com Haddock Lobo. A polícia era então chamada e prendia o violão dos roqueiros. No dia seguinte, o responsável pelo garoto ia até a delegacia e pegava o instrumento de volta. Mas à noite ele estava novamente na mão da turma. Foi quando um delegado da Tijuca ficou invocado e decidiu prender os seresteiros em vez do violão. “Nós passamos várias noites na delegacia por causa dessas noitadas de rock”, afirma Erasmo Carlos, revelando que não foram apenas os antigos sambistas os perseguidos pela polícia. Nos primórdios do rock no Brasil os roqueiros também o foram”

Com o tempo muitos deles ensaiavam em algumas casas da região, e ali amadurecia as carreiras individuais assim como bandas eram formadas, para em seguida tomar rumo aos palcos.

Como pode-se ver, aquela parte da Tijuca tem uma história rica e importante nesse segmento da música feita no Brasil. Apesar disso, ao se falar da Jovem Guarda, parece como um ponto perdido no passado bem remoto e esfumaçado. Não houve continuidade em preservá-la, após o fim do movimento; além do mais a narativa e os locais onde houveram toda essa movimentação ainda permanecem lá, um verdadeiro museu ao ar livre, que o poder público durante esses quase 50 anos, não conseguiu ou não quis implantar um polo de grande apelo turístico.

 

 

A Prefeitura do Rio, em 2014, lançou um cardápio de locais a serem homenageados na comemoração pelos 450 anos da cidade. Não sei qual foi o resultado, mas caso a região tenha sido escolhida, no dia seguinte a lembrança seria novamente colocada dentro da caixinha do esquecimento.

 

www.youtube.com/watch?v=ojRP_LGVEd4 align:center

 

Fontes e Fotos:

Google Maps

http://webinsider.com.br/2013/11/13/as-duas-faces-do-progresso/

http://patota-carioca.blogspot.com.br/2011/11/turma-do-divino-tijuca.html

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Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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5 Comentários
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  1. maria rodrigues

    28 de fevereiro de 2015 1:02 pm

    O esquecimento parece fazer

    O esquecimento parece fazer parte da cultura brasileira. Enquanto isso, na Inglaterra, qualquer objeto de um Beattle é sagrado, e guardado a quatro chaves. 

  2. jc.pompeu

    28 de fevereiro de 2015 1:34 pm

    mister alfeu causará pobremas

    mister alfeu causará pobremas danosos com a lei autoral… para o blog arcar com a dolorosa…

    cadê autorização expressa do rei da cocada preta para usar seu nome e da jovem guarda em vão?

  3. emiliocury

    28 de fevereiro de 2015 1:53 pm

    O incrível é que o mais

    O incrível é que o mais medíocre, em minha opinião, dos integrantes da jovem guarda, é o unico que “sobrevive” até hoje. Tivemos grandes compositores e interpretes, e logo um que cantava no início traduções de musicas norte-americanas, escondendo o máximo possivel, pois todo mundo acreditava que as canções eram dele, como “road hog” (calhambeque) “the wonderer” (o lobo mau) é até hoje endeusado.  Fazer o que, é o show-bizz…

  4. Guarda Velho

    28 de fevereiro de 2015 2:36 pm

    E que vá tudo para o inferno!

    Eu, um guarda velho dos tempos da Jovem Guarda (que não foi inventada pela Record, que apenas aproveitou um nome já fartamente usado) não me lembro de sucesso mais intenso do que este, musica que por motivos religiosos o “rei” hoje nega-se a cantar.

    Nesta época ainda era moderno usar radinhos de pilha (AM), que muitos chamava “Spica” (a marca mais difundida dos portáteis “all transistor” (pouco menores que um tijolo).

    Para se ter uma idéia, em seu auge vc poderia escutar a musica simultaneamente em 2 ou 3 rádios e, se quisesse, poderia escutá-la o dia inteiro trocando de estações. Invariavelmente não levaria mais do que alguns minutos para tanto.

    Era uma época onde havia não apenas uma, mas 2 correntes musicais (Bossa Nova e Jovem Guarda) gestadas pelas descobertas da geração do Brasil Grande, pós-Getulio e JK (cinema, pintura, arquitetura, crescimento industrial…), que foi posteriormente desconstruida a partir das maluquices irresponsáveis de Jânio, o golpe de 64 e a necessária redemocratização, enganosa e matreiramente aproveitada pelos neiliberais para desconstruir o resto.

    A percepção de P.Machado de Carvalho trouxe os 2 movimentos para a TV (Jovem Guarda e O Fino da Bossa), gerando-lhe recordes de audiência, mas…

    No caso da Bossa Nova, os decorrentes festivais que eram eminentemente concursos para criar músicas com o objetivo de ganhar prêmios, o movimento intimista (e financeiramente pouco rico) acabou por começar a desaparecer, inclusive pela geleialização da MPB.

    No caso da Jovem Guarda, como havia um movimento mundial que hoje ainda é acobertado sob a palavra “Rock”, ele se manteve faturando (como já fazia), até ser dissolvido (misturado) pelo volume mundial (eminentemente americano e inglês).

    Enfim, realmente a coisa da Jovem Guarda começou mesmo nas calçadas das turmas da (rua) Haddock Lobo e do Divino Bar, em uma comunhão onde havia ainda a CBS (em cujos estúdios acompanhei algumas gravações de sucesso), Jair de Taumaturgo (rádio Mayrink Veiga, “Peça Bis pelo Telefone” e “Hoje é dia de Rock”), o malandrão Carlos Imperial e outros na divulgação.

    Aqui um link para tempos pré-Jovem Guarda, com a estréia em 1956 de “Ao Balanço das Horas” (Rock Around the Clock) no cine Rian, Rio, tempo dos “brotos”…

    http://brazilian-rock.blogspot.com.br/2014/01/hoje-e-dia-de-rock-radio-mayrink-veiga.html

    Abaixo a onipresente “…pro inferno”, feita pra uma namorada de RC enquanto ela estava nos EUA. Poucos repararão que há uma leve mudança de velocidade, em tempos de fitas magnéticas de 1 pol. de alta velocidade (um rolo grande uma musica, no máximo, nada de trocentos canais, mas muito recorte, montagem e mixagem dos trechos repetidos as vezes dezenas de vezes…) e gravações de muitos dias ou semanas.

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=AlCkAgvvM98%5D

     

     

  5. alexis

    28 de fevereiro de 2015 4:13 pm

    Nueva Ola Musical

    Logo depois da revolução cubana (finais do ano 59), os EUA iniciaram uma forte investida cultural sobre América Latina, tentando evitar a proliferação de compositores e artistas que divulguem ideologicamente a revolução cubana pelos seus respectivos países.

    Começava a florescer o neo folclore e até mesmo as músicas de protesto, num estilo à Geraldo Vandré. Até a Bossa Nova teve algumas composições mais comprometidas e sociais, no começo dos anos sessenta.

    No verão dos anos 60 foi feita uma turnê inacreditável na época, e a preços populares: Paul Anka e Brenda Lee, juntos. Foi fogo de palha, pois não conseguiu tirar da cabeça das pessoas a expectativa popular que sinalizava Cuba.

    Na falta de alguma corrente global pop que, como um tsunami, pudesse invadir os mercados discográficos da América Latina, foi estimulado o movimento Jovem Guarda (que no resto da América Latina chamou-se: Nueva Ola). Assim, surgem os meninos tupiniquins rebatizados com nomes em inglês e, ainda, o apoio incondicional dos selos discográficos, certamente mancomunados com esta ofensiva dos EUA.

    Foram um monte de Patrícios que começaram a se chamar de Pat, Enrique de Henry e diversos nomes que as pessoas lembram com certa saudade da época. No Chile existia um álbum de figurinhas com fotos dos integrantes da Nueva Ola onde apareceram, como “nunca dantes” na história musical do Chile, centenas de cantantes de uma única vez. Em sequencia de poucos dias aparecia: Sussie Vecky; Larry Wilson, Pat Henry, Luiz Dimas, Danny Chilean, Allan, Ferrant Alabert, Os Carr Twins (Eram dois irmãos de sobrenome Carrasco!), e centenas como eles. Aqui no Brasil foram numerosos neocantores de Jovem Guarda, assim com na Argentina, Peru (o pop do momento era o Pepito Perez), México e noutros lugares.

     Até que a pareceram os Beatles……!

    Esses eram bons e, naturalmente, o sistema já não precisou mais daquele monte de barangos cantando em “ingrés”. Foi criado imediatamente o Clube dos Beatles, em todas as emissoras latino-americanas (eu tinha até carteirinha em 1963). Sumiram o Pat Henry, a Sussie Vecky e outros centenas de fantoches transvestidos de cantantes populares, depois dos seus 15 minutos de glória, tempo suficiente para asfixiar o canto popular de uma geração inteira de latino americanos.

    E depois, é claro, a sucessão de golpes de estado e a “idiotização” da juventude.

    Ficou adormecido o sentimento inspirado pela revolução cubana, que somente veio a acordar com a trágica morte do Che Guevara, em 68. Mas, já era tarde demais. Milton Nascimento e Mercedes Sosa tenatram nas décadas de 80 e 90.

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