
por Jota A. Botelho
Disponibilizado no Youtube um grande clássico de Yasujiro Ozu, Era Uma Vez Em Tóquio (Tokyo Monogatari), realizado em 1953, sobre um casal de idosos que saem de sua cidadezinha no litoral para visitar os filhos e netos em Tóquio. Chegando lá, os filhos estão ocupados e a presença dos pais lhes perturbam a rotina. Sem alarde e sem que ninguém admita, a visita não é agradável. O casal retorna para o seu lar. Dias depois a mãe morre. É o momento dos filhos fazerem o percurso inverso. O filme é considerado a obra-prima máxima do diretor. Na definição do crítico de cinema Roger Ebert: “Ozu não é apenas um grande diretor, mas também um grande mestre e, depois que nós o conhecemos em seus filmes, um amigo”.
Era uma vez em Tóquio (1953)
東京物語 / Tokyo Monogatari / Tokyo Story, Japão, 1953, 136 min, P&B. Direção: Yasujiro Ozu. Elenco: Chishû Ryû, Chieko Higashiyama, Sô Yamamura. Distribuição no Brasil: Cinemax (The Criterion Collection).

Pôsteres de Era Uma Vez Em Tóquio (Tokyo Story), 1953
https://www.youtube.com/watch?v=l9HXclDzzpk align:center]

Yasujiro Ozu no set de filmagens
Tributo a Yasujiro Ozu
https://www.youtube.com/watch?v=iGqCx9IXn5o align:center
Yasujiro Ozu: do primeiro aos últimos frames
[video:https://www.youtube.com/watch?v=zV_Vl9JMHTo align:center
DICAS DE LEITURAS (clique nos links):
* O tempo de viver e o tempo de morrer — Ruy Gardnier (Contracampo: Revista de Cinema)
* Era uma Vez em Tóquio: o filme da delicadeza perdida — Luiz Zanin (O Estado de S. Paulo)
* Era Uma Vez em Tóquio: a velhice é a pior das doenças — Rafael Teodoro (Revista Bula)
* Tokyo Story — Roger Ebert (Site Great Movies)
* Sobre Yasujiro Ozu — Aqui & Aqui
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Jair Fonseca
8 de agosto de 2016 6:00 pmOzu por Wenders
Com sua vasta obra, do cinema mudo aos anos 60, praticamente desconhecida no Ocidente, Ozu foi reconhecido e venerado pelos jovens cineastas dos cinemas novos do mundo, entre eles o alemão Wim Wenders, que fez um doc em homenagem ao mestre: Tokyo Ga. Segue um trecho abaixo, que começa com o ator favorito de Ozu visitando o túmulo deste. Como epitáfio na pedra, o ideograma de “Nada”.
[video:https://www.youtube.com/watch?v=wtl558KARx0%5D
Jota A. Botelho
9 de agosto de 2016 6:31 pmWim Wenders e Yasujiro Ozu
Em 1983, Wenders viajou para o Japão com a esperança de filmar um documentário chamado Tokyo-Ga (1985). Um diário cinematográfico sobre a vida e a obra do cineasta japonês Yasujiro Ozu. Ele conduziu entrevistas com Yuharu Atsuta (diretor de fotografia de Ozu), o ator Chishu Ryu (personagem do filme), visitou os locais de gravação, bem como nos mostrou em seu filme a cultura de uma Tóquio contemporânea em comparação com a cultura japonesa tão fortemente impregnada na obra de Ozu. Yasujiro era considerado o mais japonês dos cineastas do país. O documentário resultante é uma homenagem ao diretor Yasujiro Ozu e uma jornada para capturar a essência que Wenders sempre procurou nos revelar por ser tão fascinado pela obra do cineasta. Ao falar sobre o filme Era Uma Vez Em Tóquio, Wenders disse uma vez que “não só para todos os japoneses, e suas famílias sempre presentes na obra de Ozu, o diretor foi também capaz de reconhecer todas as famílias, em todos os países do mundo, assim como meus pais, meu irmão e eu. Para mim, nunca antes e nunca mais o cinema esteve tão perto de sua ideia central e de seu propósito: o de apresentar uma imagem do homem de nosso século, uma imagem útil, verdadeira e válida, na qual o ser humano não só reconhece a si mesmo, mas a partir da qual, e acima de tudo, ele pode aprender sobre si mesmo”. Aqui uma estrevista com Wim Wenders sobre o filme Era Uma Vez Em Tóquio (Contos de Tóquio), onde ele afirma ser o filme de sua vida.
[video:https://www.youtube.com/watch?v=gdhNkOKQgtc align:center]
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P.S.: Para quem como eu e tantos outros que enfrentam e/ou já enfretarem esta drámatica situação, este filme é um alento dos mais preciosos. Talvez por isso preferi indicar as críticas que, além de serem primorosas, não me vi em condições isentas de escrevê-la. A velhice é de fato uma das piores doenças, uma vez que não tem cura, mesmo que haja medicamentos, mas cura, não! E é por isso que fazemos de tudo para que eles continuem vivendo, sobretudo aqueles que mais amamos, embora saibamos que um dia a morte os levarão da vida de todos nós.
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joel lima
8 de agosto de 2016 8:05 pmQuero ver esse clássico de
Quero ver esse clássico de Ozu. Um filme que vi e que aborda a questão da velhice é Umberto D. do Vitório de Sica. Quem ver esse filme e não ficar com um nó na garganta é um Eduardo Cunha rsss
Jota A. Botelho
9 de agosto de 2016 1:31 amUmberto D, 1952
Com roteiro do grande Cesare Zavattini, que ao lado de Vittorio De Sica, formaram os dois grandes ícones do neorrealismo italiano. É também um clássico inesquecível sobre o drama da velhice e marca o apogeu da parceria entre os dois mestres, a dupla responsável por obras-primas como Ladrões de Bicicleta, Milagre em Milão e Vítimas da Tormenta. Umberto D retrata uma Itália do início dos anos 1950, com o país ainda se reerguendo economicamente, onde mais uma vez são as crianças (Ladrões de Bicicleta, 1948) e os idosos que pagam as contas do pós-guerra e, neste caso, é um funcionário público aposentado que sofre com as miseráveis pensões dadas pelo governo. Neste filme, tendo a cidade de Roma como cenário, a personagem Umberto Domenico Ferrari, é despejado por não conseguir pagar o aluguel de seu quarto. Na companhia de seu único amigo, o cachorrinho Flike, ele passa a vagar pelas ruas da cidade, buscando apenas viver com decência e dignidade. Também um belíssimo filme, sobretudo de um humanismo que jamais devemos abandonar. P.S.: c/legendas em espanhol.
[video:https://www.youtube.com/watch?v=npqZnCwfTuw align:left]
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jose antonio santosjj
8 de agosto de 2016 9:33 pmbom, muito bom!
Vi esse filme na TV cultura ( isso mesmo na TV) lá se vão 25 anos.
É simplemente maravilhoso. Acho que foi o melhor filme que já vi!
É um dos poucos filmes que gostaria de ter (juntamente com algo da nouvelle vogue, Orson Wells, Eisentein)
Recomendo a todos!
Jair Fonseca
9 de agosto de 2016 1:24 amEmbora privilegiasse a
Embora privilegiasse a velhice, como bom japonês, Ozu também fez filmes sobre a infância, como o excelente Ohayo (Bom dia!), que além do mais é uma rara comédia do mestre que prezava sempre o tempo presente: para mim, esta é sua grande característica, junto ao estilo rigoroso das composições, dos enquadramentos (com a câmera no nível do tatami), e da montagem de seus filmes. Ozu aparece dirigindo nesse trailer de Ohayo.
[video:https://www.youtube.com/watch?v=UUmC_n0MJnQ%5D
Jota A. Botelho
9 de agosto de 2016 2:18 amTudo nele é bom!
Cenários de Ozu: A presença de pôsteres e cartazes em seus filmes denunciando o processo de urbanização e ocidentalização do Japão.
[video:https://www.youtube.com/watch?v=ZMrsHRSYNhc align:center]
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