4 de junho de 2026

Viva Ivan Lins!, por Aquiles Rique Reis

Ao reverenciá-lo, o maestro George Robert se junta a tantos outros grandes nomes que já declararam seu fascínio pela música de Ivan Lins

Viva Ivan Lins!

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por Aquiles Rique Reis

Quando pinta na praça um disco novo do Ivan, paro tudo. Vou com tudo. Só dá ele em meu som. Assim é agora com Abre Alas (Mil Records), gravado com a Big Band George Robert Jazz Orchestra, em 2009, na Suíça, com arranjos do americano Bob Mintzer. Lançado somente agora, o álbum traz sete músicas do Ivan, ele que, além de cantá-las, por vezes toca um piano elétrico Fender Rhodes. Vamos a algumas delas.

            “Abre Alas” (Ivan Lins e Vitor Martins): a intro é a mesma que Ivan já usou nas primeiras gravações dessa música. Uma virada da batera abe alas para os sopros. O arranjo de Mintzer é pródigo em evoluções orquestrais. Ivan canta em meio a “ataques” dos metais. O resultado é ótimo! Na segunda parte, a banda se espraia em sonoridades que desaguam num solo do guitarrista uruguaio Leonardo Amuedo, que à época tocava com Ivan, tendo apenas baixo, batera e piano a emoldurá-lo. O naipe atiça os ouvidos ao disseminar a harmonia em torno da pegada que novamente remete à intro. Ivan retoma o canto. O maestro, cantando em português, divide o canto com ele, e faz vocalises. Ralentando, os sopros (re)desenham a intro junto com os instrumentos de harmonia.

            Eis que “Madalena”* (Ivan e Ronaldo Monteiro de Souza) pinta na parada. Vem balançando, puro samba jazz – daquele que Joãozinho da Parahyba, o criador do Trio Mocotó (alô, galera, liguem-se, eles estão voltando!), nos ensinou a gostar. E a banda não faz feio, arrasa! O suingue é espantoso. O couro come e todos sentem a pressão nas veias. Ivan canta integrado que está à metaleira, ajustada pela mão do maestro. Cheios de bossa, trombone e trompete arrebentam. A levada jazzística é incrementada pela batera e pelo baixo, que não deixam a peteca cair.

            “Boa Nova” (Ivan, Beto Betuk e Celso Viáfora) inicia com vocalises de Ivan, enquanto o naipe de metais o acompanha. E vem a boa letra de Viáfora. Ivan lhe dá o merecido valor. Novos vocalises antecipam a volta do canto. O trombone emerge num solo contagiante – piano, batera e baixo o amparam, os sopros o instigam. Volta o vocalise, seguido por um improviso do piano e logo por outro da guitarra. Show!

            “Começar de Novo” (Ivan e Vítor Martins): a banda inicia. Ivan canta suavemente, num momento em que rola uma atmosfera afetuosa e doce. O arranjo soa com sobriedade. Reverente ao compositor, o maestro o ilumina com seus ótimos instrumentistas. A guitarra pede passagem e se soma à reverência a Ivan Lins, ele que, depois de Tom Jobim, é um dos compositores brasileiros mais reverenciados pelos grandes músicos norte-americanos e de todo mundo.

            O álbum Abre Alas traz Ivan para o pódio mais alto da música moderna internacional. Ao reverenciá-lo, o maestro George Robert se ajunta a tantos outros grandes nomes que já declararam seu fascínio pela música desse músico consagrado aqui e lá fora. Viva Ivan Lins!

Aquiles Rique Reis

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Aquiles Rique Reis

Músico, integrante do grupo MPB4, dublador e crítico de música.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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2 Comentários
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  1. Renato Terra

    19 de maio de 2024 2:50 am

    Ivan Lins é o maior e melhor compositor contemporâneo brasileiro de melodias e harmonias. O não reconhecimento disto, traduz a mediocridade do povo brasileiro, já que, nos países de 1° mundo, é uma unanimidade…

  2. renato.terra

    19 de maio de 2024 2:55 am

    Ivan Lins, é o maior e melhor compositor contemporâneo brasileiro de melodias e harmonias brasileiro. Não reconhecer isto, traduz a mediocridade do povo brasileiro, já que, nos países desenvolvidos é unanimidade!

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