4 de junho de 2026

While my heart gently weeps, por Sérgio Saraiva

B.B.King, nascido em 16 de setembro de 1925 e falecido em 14 de maio de 2015. Duas informações irrelevantes, é inútil tentar reter o eterno entre dois marcos temporais. Onde e enquanto houver blues, ele estará entre nós.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

 

Divino blues

 

O preto não entendia o que acontecia,

O preto só tocava e sorria.

O preto batia os dedos nas cordas

e tirava delas um som celestial.

O preto tocava do jeito que o diabo gosta,

do jeito que o mundo gosta.

O diabo escutou a música e subiu

para ver o que ouvia, o que havia.

O diabo ouviu, gostou e resolveu ficar,

feliz.

A Terra toda ficou feliz.

De repente, não existiam mais guerras,

só aquela música enchendo o planeta

do desejo de ser feliz.

 

O preto não entendia o que acontecia,

O preto só tocava e sorria.

 

O diabo se juntou com uma negra latina

do Mississippi, chamada Maria Magdalena.

O diabo passava o dia inteiro bêbado

dançando no cais da beira do rio.

Dava gosto ver aquele homem grandão,

ruivo, de cara vermelha

rindo feliz

como um bebê rosado

com a barriga cheia de leite.

Um mundo de bêbados se abraçava a ele.

Passavam-lhe a mão na bunda

e  ele dizia com a língua enrolada:

“Aí não! “.

O bafo de cerveja e enxofre assustava,

mas mais mal do que isso não fazia.

 

O preto não entendia o que acontecia,

O preto só tocava e sorria.

 

Deus entendia.

E não gostava do que via,

daquela quebra de hierarquia.

Aquilo começava nos domínios do demônio,

mas só Deus sabe onde acabaria.

Restabelecer a ordem então cabia.

Matou o preto.

Tomou uma guitarra emprestada com o Papa,

levou o preto pra tocar só para Ele,

no Céu.

 

O preto não entendia o que acontecia,

o preto só tocava e sorria.

 

O diabo acordou com o silêncio, mal humorado.

Abandonou Maria Magdalena e os filhos dela

e enfiou a cara no mundo,

arranjando encrencas por aonde ia.

Tudo voltou ao normal.

 

E, agora, eu estou aqui,

tentando inventar um blues

para distrair o capeta.

Mas nem preto eu sou,

e as coisas não têm andado muito fáceis,

ultimamente.

 

PS : para entregas em domicílio consulte a oficina de concertos gerais e poesia.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

12 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

    1. Plínio J. V. Lins

      15 de maio de 2015 2:13 pm

      Morreu o grande De Biquíni,

      Morreu o grande De Biquíni, daquela canção do Jota Quest:

      “Na madrugada a vitrola rolando um blues / Trocando de biquíni sem parar…”

      1. Sergio Saraiva

        15 de maio de 2015 5:59 pm

        Thrill is gone

        “Thrill is gone”.

        Você, visivelmente, não tem como saber o que isso significa e nem o quanto está perdendo com isso.

        E, a bem da verdade, nem merece saber.

        1. Plínio J. V. Lins

          15 de maio de 2015 7:25 pm

          Ei!

          Saraiva, você imaginou que eu quis denegrir B.B. King?

          Não pense isso, por favor. Ele é um monstro do blues.  Monstro na guitarra e na interpretação de voz. Os duetos dele com Eric Clapton são clássicos, entraram para a história.

          Só quis lembrar a confusão que se fazia, nos anos 90, quando tocava no rádio a canção do Jota Quest com aquele verso “na madrugada a vitrola rolando um blues, tocando BB King sem parar”, e muita gente confundia com “trocando de biquíni sem parar”.

          Enfim, fui me meter a piadista e acabei tendo que explicar a piada, o que é o fracasso.

           

          1. Sergio Saraiva

            15 de maio de 2015 8:43 pm

            Fica frio.

            Parece cocaína, mas é só tristeza.

            PS.: não é o J.Quest, é o Grupo Brilho e a música “chiclete” é “Noite do Prazer”.

  1. AlvaroTadeu

    15 de maio de 2015 1:45 pm

    The Beatles

    While My Guitar Gently Weeps, George Harrison in The Beatles, 1967/70, CD duplo. Não me lembro do nome do disco original. BB King tinha uma canção com nome semelhante? Ou você quis fazer um trocadilho?

    1. Jair Fonseca

      15 de maio de 2015 2:28 pm

      Weep é chorar…

      Weep é chorar…

    2. saulogeo

      15 de maio de 2015 6:57 pm

      Contribuindo

      https://www.youtube.com/watch?v=oDs2Bkq6UU4

  2. Jair Fonseca

    15 de maio de 2015 2:26 pm

    Chora, Lucille.

    Significativo que não haja foto de criança negra tocando guitarra, entre as fotos acima. É que os jovens negros americanos de muito tempo pra cá não se interessam mais pelos blues. Gostam de rap, e outras coisas. Com raríssimas exceções, blues é coisa de velhinhos, que vão morrendo como o grande BB King, agora, e o enorme John Lee Hooker, há 15 anos. O blues veio da escravidão, e os jovens não querem saber disso, embora o rhythm’n’blues, o soul, o funk e o rap venham  também do vovozinho. Mas o interessante nas culturas negras é que elas sempre se reinventam, pois quem fica parado é poste. Agora, só resta a Lucille chorar a falta do companheiro. Bye Bye BB!

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=OzGOg5cYW5w%5D

    1. Sergio Saraiva

      15 de maio de 2015 3:37 pm

      Confesso que busquei.

      Quando busquei uma imagem para o post, digitei “garoto com guitarra”. Coloquei as que encontrei.

      Agora que você chamou me a atenção, voltei a pesquisar especificamente “garoto negro com guitarra”.

      Que coisa, várias imagens de Jimi Hendrix e a foto abaixo:

       

      Fotos não têm som, mas não me parece que estejam tocando blues. 

       

      1. Jair Fonseca

        15 de maio de 2015 8:38 pm

        Olha os garotos aqui.

        Sim, esses kids aí tocam rock: punk e metal. E são ótimos! A maioria dos garotos negros é do rap/música eletrônica. Mas tudo isso veio do blues, em alguma medida, e passou por Hendrix.

        No Brasil, algo semelhante ocorreu com o samba: hoje é coisa de brancos, com raras exceções. Se o Carnaval não fosse oficializado no país, haveria poucos negros às voltas com o samba. A garotada negra está no funk, no rap, na música eletrônica, principalmente.

        [video:https://www.youtube.com/watch?v=Kv7xuXdoaWA%5D

        [video:https://www.youtube.com/watch?v=g2M7Frp85Ck%5D

         

         

  3. Sergio Saraiva

    16 de maio de 2015 10:12 am

    O que eu diria, se falasse em inglês.

    [video:http://youtu.be/XyiHc6bW0X8%5D

Recomendados para você

Recomendados