
Jornal GGN – O publicitário e primeiro brasileiro a assumir como líder criativo, pela rede Publicis, Alexandre Gama, afirmou que o modelo de negócio na indústria da comunicação na internet ainda precisa ficar mais claro. Ele defende que é preciso mudar profundamente a comunicação para se adaptar e sair do campo das incertezas.
Da Folha de S. Paulo
Primeiro brasileiro a assumir o criativo de uma rede global diz que sua meta hoje é fortalecer as lideranças locais
Por Mariana Barbosa
Quando a Publicis adquiriu a rede inglesa BBH e a agência brasileira Neogama/BBH, há dois anos, o publicitário Alexandre Gama foi alçado a líder criativo global da rede –tornando-se o primeiro brasileiro a assumir o posto em uma rede mundial.
“Meu trabalho tem sido tornar as lideranças locais fortes localmente”, diz Gama, que foi entrevistado nesta segunda-feira (25) no Arena do Marketing, evento organizado pela Folha em parceria com a faculdade ESPM.
“Procuramos fazer um intercâmbio das ideias criativas de cada um dos sete escritórios da rede no mundo. Mas não interfiro no trabalho local. Dou as metas e critérios de qualidade e desafio os criativos locais a manter a barra alta.”
Gama diz que segue próximo da criação na agência brasileira, apesar do cargo global. “Quando você se distancia da sua atividade principal ao exercer um cargo superior, é como uma queda para o alto”, diz ele, que hoje busca inspiração em música, videoarte e novas tecnologias.
“O acesso que a tecnologia tem dado a formas de expressão é incrível e muito inspirador. Para quem passou a vida fazendo vídeos, ouvir de um filho que você não sabe fazer um vine’ [serviço de criação e compartilhamento de vídeos curtos lançado pelo Twitter] de 6 segundos é muito revelador.”
Gama assina campanhas famosas como a dos homens azuis da TIM ou o vídeo “Gigante”, para a marca de uísque Johnny Walker.
INCERTEZAS
As transformações provocadas pela internet na indústria da comunicação geram ainda muita incerteza, na visão do publicitário.
“Respeito muito a rede. Decifra-me ou te devoro. Mas não está claro qual o modelo de negócio que vai prevalecer para financiar a comunicação on-line. Ainda está todo mundo tateando.”
Gama diz que as incertezas atingem não apenas as agências tradicionais, mas também aquelas que nasceram no mundo digital. “Tem muita agência digital criando uma divisão off-line para se viabilizar financeiramente.”
Na sua opinião, a comunicação vai precisar “mudar mais profundamente” para poder se adaptar.
“Há uma pressão grande por baixar custos, mas pouca pressão para gerar mais valor. Claro que custo é que nem cabelo, você tem sempre que cortar. Mas tem uma hora em que você tem que estar do lado de quem planta.”
Para Gama, o fato de a publicidade estar incluída no balanço das empresas na coluna de gastos, e não na de investimento, é erro.
“Toda vez, quando o ano acaba, a conversa é a mesma, precisamos conversar sobre custos. É covardia tentar resolver a produtividade só pelo lado do custo.”
Na sua visão, a criatividade da propaganda brasileira, reconhecida mundialmente, tem origem em uma deficiência da indústria cultural nacional. “A propaganda brasileira foi a trincheira cultural do Brasil por muito tempo”, diz. “Não havia mercado de trabalho para escritores, cineastas, artistas plásticos, e essas pessoas foram parar na redação das agências.”
Embora acredite que a publicidade brasileira segue em destaque em termos de criatividade, Gama vê limitações em termos de linguagem. “A publicidade acompanha o que acontece na sociedade. Na Europa, a comunicação das marcas vai no sentido de menos empurrar e mais atrair. Mesmo na comunicação do varejo. Também há uma agressividade, mas é diferente. Fala-se menos, é muito mais visual e conceitual.”
Ivan de Union
27 de agosto de 2014 8:06 pm“Respeito muito a rede.
“Respeito muito a rede. Decifra-me ou te devoro. Mas não está claro qual o modelo de negócio que vai prevalecer para financiar a comunicação on-line”:
Da uma preguiiiiiisssaaaaa…
Comunicacao em rede nao eh “modelo de negocio” pra ser apropriado por qualquer um. Essa eh a mais antiquada ideia que ele tem, e eh a base de varias industrias inteiras empestando esse planeta todo.
Para quem nao sabe -e acabei de descobrir a historia e adorei!- a palavra “email” tem patente. Ela foi inventada em 1978 pelo inventor do primeiro programa de email do mundo, um menino da India estudando na favela -Newark-, sem um unico centavo de patrocinio de ninguem. 3 anos mais tarde ele conseguiu a patente, e varios premios.
Desde o principinho estao tentando cobrar por email, ignorando que voce ja pode (hoje, mas potencialmente desde o comeco com “attachments”, como o menino ja falava em 1979/80), enviar email com foto, video, textos de terceiros, etc. Mais notavel foi a tentativa de cobrar por mes da AOL, que afundou depois de varios anos de tentativas -fui um dos ultimos a parar de pagar, 4 anos atraz, porque eu tinha dois IP’s de cidades diferentes para duas contas, minha e da minha irma que morava em NY e nao queria ter problemas.
Isso tudo eh generalizavel para o resto de TODAS as comunicacaoes eletronicas. Ache uma maneira de cobrar e outra vai ser inventada de nao pagar.
Inimaginavel para quase todo mundo, mas o problema eh esse: dentro de uma rede, seu direito aa comunicacao eh inherente. Ele nao eh alienavel.
Nao, nao vai existir um “modelo de negocios”, jamais, que vai “prevalecer para financiar” rede nenhuma de comunicacao. Repetindo: se a rede ja existe para a comunicacao. Um “modelo de negocios” nao quer “financiar” rede nenhuma -ela ja existe e ja esta funcionando- mas sim gigolar cada um dos usuarios pelo dinheiro privado deles.
Alias, simetricamente, paralelamente, foi por isso que sua comunicacao privada virou propriedade de espioes. Eles querem te gigolar privadamente, a qualquer custo, nas redes publicas que foram construidas para construcao do conhecimento publico.
Eu ja nao escrevo nem sequer cartas eletronicas pra ninguem, eh impossivel ser lido ao vivo em toda puta letra por gigolas. Eu nao nasci pra isso.
Referencias:
The Boy Who Invented Email — History of Email (Part 1)
Larry Weber | Posted 08.26.2014
In 1978, a 14-year-old boy invented email. He created a computer program, which he called “email,” that replicated all the functions of the interoffice mail system: Inbox, Outbox, Folders, Memo, Attachments, Address Book, etc., the now familiar parts of every email system.
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The Invention of Email – History of Email (Part 2)
Leslie P. Michelson | Posted 08.27.2014
In 1978, a passionate 14-year-old boy did what ARPANET experts thought was impossible.