O movimento ambientalista começou tímido, ainda nos anos 70, depois dos terríveis episódios de poluição em Cubatão pela Rhodia. Ganhou algum ímpeto nos anos 80, graças ao ativismo de Paulo Nogueira Neto. Teve um grande impulso após a Constituição de 1988, com a criação do novo Ministério Público e da Rio + 20.
Nos últimos anos, tornou-se uma voz politicamente influente, com a disseminação de ONGs ambientais, o avanço da consciência ambiental nos jovens e, principalmente, com os olhos internacionais sobre o país, monitorando a produção de grãos e, especialmente, a exploração da Amazônia.
***
Na fase infante, há que radicalizar para se fazer ouvir. Na fase do amadurecimento, tem que aprender a negociar e buscar o meio termo. É por aí que deve se entender a discussão sobre a exploração da energia na Amazônia.
O primeiro passo é entender o modelo de consumo atual. Há condições de mudar o perfil do consumo, abrir-se mão das novidades tecnológicas, dos eletrodomésticos? Se não houver, não se pode abrir mão da energia.
O segundo passo é discutir o tipo de país que se pretende. É importante manter a inclusão social, a melhoria da renda? Se for, não haverá como abrir mão de mais energia. Nos próximos anos o consumo de energia aumentará muito mais do que o PIB (Produto Interno Bruto) devido ao ritmo de inclusão social e do aumento de consumo per capita da energia.
O terceiro passo é discutir se se pode abrir mão da hidroeletricidade. Há fontes alternativas de energia limpa, como a eólica, a solar, o biocombustível. Mas nenhum estudo consequente diria que será possível garantir o aumento do consumo sem a hidroeletricidade.
***
Aí se chega ao potencial hídrico brasileiro. A única região disponível está na Amazônia.
Há dois caminhos em relação à exploração hidrelétrica da região, já que o terceiro caminho – a exploração sem se preocupar com o meio ambiente – felizmente está superado.
O caminho trilhado é a exploração racional da energia. Consiste em admitir que qualquer intervenção impacta, sim, o meio ambiente. Mas tratar de cercar os projetos para minimizar ao máximo os impactos ambientais e sociais. Haverá um custo adicional a ser bancado por todos os consumidores brasileiros – e é justo que assim seja.
O segundo caminho é considerar a Amazônia intocável e vetar qualquer projeto de hidroeletricidade.
Nesse caso, o país teria que buscar outras fontes de energia. As energias alternativas não darão conta do recado. Nesse caso, haverá a necessidade de recorrer a energias “sujas’, como as termoelétricas movidas a óleo, o carvão. O custo explodirá sem haver segurança de atendimento das necessidades internas.
Preserva-se a Amazônia mas contem-se o desenvolvimento e espalha-se a poluição (e os custos maiores) com a termoeletricidade.
***
São essas as opções.
Abrir mão da energia da Amazônia significará ou abrir mão do desenvolvimento sustentado e das políticas de inclusão social; ou emporcalhar o país inteiro com energia suja e cara. Por outro lado, em nenhuma hipótese se aceitarão mais modelos predadores do meio ambiente.
Se a lógica for correta, o caminho será acionar os órgãos competentes – IBAMA, Ministério Público, Congresso – para pactos de bom senso que garantam a energia minimizando os impactos sócio-ambientais.
lima.no.stress
11 de dezembro de 2013 9:44 amPois é nobre Nassif. O que
Pois é nobre Nassif. O que permeia essa discussão é a inclusão. Para aqueles que querem manter o Brasil dos 30 milhões realmente não há necessidade de aumentar a produção de energia. É aí que esse ecologismo classe média, aliado de interesses externos, se desnuda. Tudo é uma questão de classe. E não existe almoço grátis. É lindo ser contra as hidrelétricas e não abrir mão do meu conforto. Pergunte ao caboclo como era sua vida à luz de candeeiro. Não tem romantismo que resista.
Rcampos1964
11 de dezembro de 2013 10:06 amFio de água
O país já renuncia ao potencial hidrelétrico da Amazônia construindo usinas a fio d’água.
ruyacquaviva
11 de dezembro de 2013 2:03 pmA sina de quem escolhe o
A sina de quem escolhe o caminho do bom senso é ser atacado pelos dois lados. Assim sendo, de um lado tem as críticas os conservacionistas românticos (e iludidos) não querem nenhum aproveitamento hidroelétrico na Amazônia, de outro as críticas de quem quer botar para quebrar (ou derrubar) na Amazõnia, usando um modelo de exploração hidroelétrica inadequado para a região apenas porque ele apresenta um resultado bruto de produção elétrica maior (essa última turma já foi analisada pelo Nassif em seu livro “Cabeças de Planilha”).
Como os extremiostas de ambos os lados reclamam, deve existir um mérito muito grande nesse tipo de solução técnica para a questão energética na região.
Athos
11 de dezembro de 2013 2:59 pmSó tem um pequeno problema
Só tem um pequeno problema com estas usinas fio dagua.
As turbinas bulbo NÃO estão funcionando.
E agora? Como fica a argumentação?
Essa história de fio d’agua não existe. Só argumento de lobista pra vender turbina. Pronto ta vendida. agora funcionar que é bom, nada.
Se fosse bom mesmo já existiria na europa…. mas o fato é que não existe.
Assis Ribeiro
11 de dezembro de 2013 10:13 amConsumo nos moldes atuais é ideologia que pode ser mudada
O que diz Milton Santos (segue vídeo Zeitgeist Moving Forward ):
“Com a cientifização da produção, com a cientifização da técnica, tudo o que é produzido é precedido de uma idéia… científica. É por isso que a publicidade também precede de produção material. Quer dizer, antes de jogar um produto, faço a propaganda dele. O remédio é um exemplo, 1 por cento de matéria, 99 por cento de propaganda.
Então tudo é feito assim, a produção da política também. A política cientificamente feita, como agora, é precedida pelos marqueteiros. Então, tudo no mundo de hoje tem essa produção ideológica, ou de idéias — para ser neutro — que precedem. Por conseguinte, há um mercado de idéias que antecipa a produção de tudo, pelo menos do que é hegemônico.
E o consumo é o grande portador de tudo isso. Por isso, ele é o grande fundamentalismo hoje”
[video:http://www.youtube.com/watch?v=YyZLoJOKevw%5D
rogerio.bertani
12 de dezembro de 2013 12:55 amPois é, Assis. Parece que
Pois é, Assis. Parece que aqui só se discute $$$$$$$$. Os prejuizos que essas grandes obras podem trazer no futuro, em termos de poluição, doenças e grande sofrimento, não importam. Mesmo que isso custe (no futuro) mais do que o que foi ganho com a geração de energia. Mas isso é para o futuro, até lá o “homem” já conseguiu uma solução para o “problema”. Somos consumistas e imediatistas, então, que nossos filhos e netos se virem. O interessante é que a esquerda brasileira trazia como uma de suas principais bandeiras a defesa do meio ambiente. Parece que estão com a sindrome de FHC e agora pedem para esquecer o que falaram e escreveram. O primeiro ministerio a ser preenchido pelo Presidente Lula em seu primeiro mandato foi o do Meio Ambiente. Falar em Meio Ambiente agora é ser achincalhado e acusado de entreguista ou agente de alguma ONG estrangeira.
Assis Ribeiro
11 de dezembro de 2013 10:44 amCelso Furtado:
“o que
Celso Furtado:
“o que acontecerá se o desenvolvimento econômico, para o qual estão sendo mobilizados todos os povos da terra, chegar efetivamente a concretizar-se, isto é, se as atuais formas de vida dos povos ricos chegam efetivamente a universalizar-se?
A resposta a essa pergunta é clara, sem ambiguidades: se tal acontecesse, a pressão sobre os recursos não renováveis e a poluição do meio ambiente seriam de tal ordem (ou, alternativamente, o custo do controle da poluição seria tão elevado) que o sistema econômico mundial entraria necessariamente em colapso”.
Assis Ribeiro
11 de dezembro de 2013 11:26 amHistórico: esse é o dia em
Histórico: esse é o dia em que Celso Furtado e Milton Santos ganharam uma estrelinha aqui no blog.
JOSÉ MILTON
11 de dezembro de 2013 12:16 pmambientalismo entreguista
Nassif, os marineiros querem preservar o Brasil no atraso economico. A amazonia está cheia de ongs estrangeiras, missionarios biopiratas e reservas indigenas em cima de provincias de minerais estratégicos.
Marina foi homenageada na abertura das olimpiadas, em Londres. O principe de gales é testa de ferro de diversas destas ongs que querem “preservar” a amazonia.
A globo e seus artistas estão firmes nesta cruzada entreguista utilizando seus artistas em causas pseudo ambientalistas.
Enfim, preservar a amazonia para quem? Para eles, os estrangeiros?
Hidreletricas é energia limpa!!! Só no Brasil tem potencial relevante a ser explorado.
E, por oportuno, falta pouco para confundirem o conceito de “povos” indigenas com o de nações “indigenas”. Se marineiros e outros entreguistas conseguirem esta façanha, estará aberta a porta para intervençoes americanas para ‘proteger” os povos “oprimidos” da amazonia.
Raí
11 de dezembro de 2013 12:39 pmAmazônia.
Esta que é a maior reserva de “vida” do planeta, ora respira com certa dificuldade, na medida em que o progresso desenfreado, aproxima suas máquinas de corte e serra, e desmata em dias, o que demorou séculos, para ser construído pela natureza, e ameaça o fim deste verdadeiro oxigênio do mundo, com sua imensidão de recursos naturais, que se bem explorados, recupera-se naturalmente e mantem a qualidade do ar e a reserva natural, de onde podem ser extraídas as matérias-primas necessárias para a fabricação de medicamentos, perfumes e afins.
É perfeitamente possível, retirar dalí, e a baixo custo, a energia hidrelétrica e eólica, que o progresso sustentável precisa, sem destruir a capacidade desta floresta amazônica brasileira, e sem depredar o que ganhamos gratuitamente, e que só pede de volta, que saibamos explorar suas reservas de maneira sustentável .
Assis Ribeiro
11 de dezembro de 2013 1:26 pmFoco
Nassif deixou de incluir a corrente mais forte nesta disputa que são os que querem a exploração da reserva hidrelétrica amazônica de forma cheia, com grandes reservatórios, etc. O que se percebe é que as maiores resistências são contra esse modelo que o artigo defende como o ideal.
Por outro lado a irresponsabilidade das construtoras tem causado prejuízos difíceis de serem reparados, por isso uma leva enorme de ações judiciais.
Outra condição é que se consulte, amplie as conversas e indenize as populações ribeirinhas. Outro ponto deveria ser a obrigatoriedade da disponibilização de parte da energia para polos produtores próximos a serem construídos e a limitação do uso dela para setores devoradores de energia como as siderúrgicas e outras.
rogerio.bertani
11 de dezembro de 2013 1:37 pmParece então que o consumismo
Parece então que o consumismo desenfreado, a alegria do capitalismo, é a unica forma de dignificar a existência humana no planeta. Vamos utilizar todos os recursos naturais de uma só vez, para saciar nossa sede de produzir bugigangas a qualquer custo, de forma a manter o sistema capitalista em pé. Os PIBs aumentam, a população aumenta, inventam-se mais e mais brinquedinhos tecnologicos movidos a energia eletrica. Só faltou inventar uma maneira de reproduzir o planeta terra, pois vamos precisar de varios deles para dar conta do recado. Até mesmo a dita esquerda caiu nesse conto, pois a outrora defensora da preservação ambiental e do humanismo acredita agora que o estilo de vida norte-americano é o objetivo a ser atingido, é a plenitude.
Alan Souza
11 de dezembro de 2013 2:15 pmThis comment has been deleted.
rogerio.bertani
12 de dezembro de 2013 12:35 am“O primeiro passo é entender
“O primeiro passo é entender o modelo de consumo atual. Há condições de mudar o perfil do consumo, abrir-se mão das novidades tecnológicas, dos eletrodomésticos? Se não houver, não se pode abrir mão da energia.”
Eis aqui o texto do Nassif. E há condições de mudar o perfil de consumo ? O proprio Nassif parece concordar que não há. Adotamos o modelo norte-americano. Consumir por consumir.
Athos
11 de dezembro de 2013 3:03 pmBom artigo porém as premissas
Bom artigo porém as premissas estão incorretas o que invalida todo o conteúdo.
Há no Brasil um movimento desenvolvimentista que desqualifica todo e qualquer argumento ambientalista. O artigo do NAssif, mesmo que ele não saiba, está todo embalsamado com esta “ideologia”.
De fato no Brasil o potencial hídrico se esgotou. A grandes estão construídas. A PCHs relevantes estão construídas.
Então o que faremos agora? Iremos pelo caminho fácil ou pelo difícil?
O Nassif escolheu ir pelo fácil e vou explicar o porque.
O caminho fácil.
O caminho fácil é tapar o sol com a peneira e construir hídricas onde elas não deveriam ser construídas, ou seja, em planícies.
Sem entrar no mérito de ser floresta, não precisa ser engenheiro para saber que o potencial hídrico se calcula pelo desnível do solo. Em uma planície esse desnível não existe. Bom, se o desnível é baixo, como faremos para obter grande potência? Simples, faça um reservatório maior.
Isso é matemática simples. O resto é bla bla bla.. O problema, e é por isso que o Nassif foi enganado, é que este bla bla bla é dito por um engenheiro de terno, pessoa séria, com mais de 30 anos de experiência no setor.
O que leva este engenheiro a dizer e se posicionar assim. Os motivos são 3.
O primeiro deles é a tal “ideologia” desenvolvimentista. Isso não é brincadeira e existe mesmo. O segundo, financeiro. O terceiro, o que fará este engenheiro da vida se todo o conhecimento acumulado por ele agora de nada vale porque ele não terá mais nada para fazer?
NAssif, pessoas do setor, sem ser os radicais desenvolvimentistas, reconhecem que a Amazônia NÃO é local apropriado para hídricas. Esse é o conhecimento estabelecido agora, hoje. O seu artigo é uma tentativa de mudar o estabelecido. Vc escutou o lobista errado meu amigo.
A prova disto é que o lobão, quando soube das perspectivas o que fez? Anunciou a construção de 30 nucleares. Nucleares???Estamos falando nisso? Não mas deveríamos.
Voltando ao fio da meada. Se hídricas não são opção, solar é conversa da carochinha e eólica não serve de base pra sistema, o que será da expansão de nossa geração? Quais a opções?
As opções são:
1- Nuclear – Como a França e seus 80% de geração nuclear sem qualquer acidente. Emite zero gases e fator de potência próximo a 100%.
2- As outras são fósseis – que de acordo com a OMS, matam milhares de pessoas no mundo sem qualquer acidente.
Essa é a situação atual. Vamos construir grandes reservatórios na amazônia, Nucleares ou carvão. Faça sua escolha.
PS. Gás, como alguém disse ao Nassif, não é opção. Quem disse isso mentiu! O mercado de gás é monopolizado. Existe o gás mas o monopólio, A Petrobras, não caga e muito menos sai da moita. E isso não vai mudar. Pode esquecer.
Flávio Dias
11 de dezembro de 2013 3:12 pmPotencial hidrelétrico
Prezados,
aproximadamente 40% do potencial hidrelétrico brasileiro, ou +-100 mil MW, estão localizados na região amazônica. Isso é equivalente à atual capacidade instalada do país. Não é nada desprezível. O crescimento econômico necessita de energia, aliás, como qualquer sistema vivo. Não é a toa que qualquer atividade humana causa impactos ambientais. O importante é saber conciliar esses impactos com a preservação ambiental. Logicamente que todo aquele potencial amazônico não será utilizado justamente por impedimentos de carater ambiental. Outras fontes serão exploradas como bem colocou o Nassif. Aqui no Rio Grande do Sul existe potencial para gerar 20 mil MW a partir do carvão durante 100 anos!!! O que causará menos impactos: o aproveitamento hidrelétrico na Amazônia ou a geração a partir do carvão no RS (o Uruguai que o diga com suas reclamações a respeito da chuva ácida devido à usina de Candiota).
Acontece que nenhuma fonte será capaz de, isoladamente, abastecer a demanda energética futura. A energia eólica necessita de um potencial instalado de 4 a 5 vezes a energia média entregue, ou seja, para cada 1,0 MWh de energia gerada são necessários 4,0-5,0 MW de potência instalada, pois esse sistema permanece “parado” durante 75-80% do tempo! (na Alemanha se descobriu que o período de funcionamento dos geradores eólicos foi 30% menor que o esperado!). Qual indústria ou serviço irá se instalar motivado exclusivamente por causa de um parque gerador eólico? Ficará à mercê dos ventos? O mesmo vale para a geração fotovoltaica, que não produz à noite e em menor capacidade em dias nublados. A propósito, essa característica difere essas duas fontes das demais: elas não possuem acumulação (armazenamento), ou a acumulação possui um customuito elevado (baterias, sódio fundido, etc). Aí reside uma outra vantagem das fontes convencionais, que é a acumulação da energia. Nas hidrelétricas, essa energia está armazenada nos reservatórios. Quando a demanda aumenta, turbina-se mais água para aumentar a potência entregue (as usinas a fio d’água perderam boa parte dessa vantagem estratégica!). O carvão ou gás natural também estão armazenados e podem ser consumidos quando necessário. Já o vento… Nem vou discutir a energia nuclear, que também considero fundamental (durante o “apagão” de 2002, as duas usinas nucleares de Angra tornaram-se a segunda maior fonte geradora de energia elétrica do país).
A menos que desenvolvam uma fonte de energia revolucionária, como a fusão nuclear, não teremos condições de abrir mão de qualquer das fontes existentes, sob risco de desabastecimento, fragilidade do sistema, dependência de condições climáticas, geopolíticas, etc.
Victor Amaral
11 de dezembro de 2013 3:19 pmFalsa Questão!
Olha só Nassif… acompanho há tempos suas publicações… mas esta, sinceramente….
Como se fosse a expansão do mercado doméstico que estivesse demandando este aumento absurdo na demanda por hidroeletricidade. Dizer que (e relacionar) que sem o aumento da oferta de energia não há inclusão social, ou que é abrir mão dela, foi o fim da picada! Pior são os comentários que vc angariou para apoiar seu post. Ambientalismo de classe média? É fácil negociar com aquilo que não se faz ideia… Botar a Amazônia em jogo para quem não vive nela é muito cômodo, digo eu. Venha viver e sentir as atrocidades que estes empreendimentos tem cometido sistematicamente com as populações que estão ao entorno destas obras e que têm de pagar o preço do modelo (ideologico) de desenvolvimento que vcs defendem. Enquanto a economia se vira com os números do PIB, as comunidades indígenas, ribeirinhas e de assentados tem de se virar com a extinção de diversas espécies da ictionfauna (muitas delas nem catalogadas pela ciência moderna) e com mudanças drásticas no seu modo de vida, sem nenhuma sustentabilidade prevista pelos planos de mitigação os impactos. Simplesmente, por que não há mitigação possível!
Vamos falar a verdade? Vc conhece, melhor que muita gente aliás, como é determinado o preço da eletricidade e sabe que ela é negociada como commoditie. Porque, se fosse realmente para ampliar o consumo doméstico, como justificar que a França com sua matriz energética nuclear, infinitamente mais cara do que hidroelétrica, paga apenas 2/3 do que nós pagamos?
Sabemos muito bem quem está demandando o aumento da oferta de energia hidroelétrica e vamos dar nomes aos bois: Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão, Oderbrecht, Camargo Correa, Alstom, Andritz, Voith, IMPSA, Vale e outras diversas multinacionais interessadas no nosso “estoque” de energia e o valor altamente convidativo para se compra-la. E EPE atua como um típico pregoeiro da Bolsa, vendendo energia no varejo e vidas no atacado.
Enquanto isso, em Pindorama, quem paga o preço dessa energia “viável, limpa e ‘inclusiva'” são as populações que mal tem acesso a ela e sofrem com impactos incomensuráveis. Digo incomensuráveis para elas, porque para a Economia do PIB e do “desenvolvimento sustentável” tudo é valorável e, na hora de se mensurar o “custo-benefício”, o custo fica com algumas minorias invisíveis e o benefício, mais uma vez, nas corporações e trustes internacionais…
Ambientalismo de classe média? hahaha. Essa é uma classificação que valha, talvez, para quem vive aí no eixo sul-sudeste…
Faltou muita informação neste post para se realmente instigar algum debate sobre o tema…
Melhoras para a próxima tentativa de pautar o debate.
Flavio Martinho
11 de dezembro de 2013 4:25 pmComo “preserva-se a
Como “preserva-se a Amazonia”? São as hidrelétricas quem menos destroi a Amazonia. O índio e o caboclo, DESDE SEMPRE, estão sendo mortos, excluidos, enxotados e não é devido a hidrelétrica.
Paulo Teixeira
11 de dezembro de 2013 4:30 pmA questão para mim é, a quem
A questão para mim é, a quem beneficia essa produção de energia?
Falta transparência no planejamento energético brasileiro. Não é o consumo domiciliar que puxa essa conta, é o consumo industrial, de indústrias intensivas em energia e que reforçam o papel de exportador de matérias-primas e consequentemente de energia barata.
O país e o mundo precisam encontrar outro modelo de desenvolvimento. Essa expansão atual é para atender, principalmente, empresas intensivas em energia, como a indústria de alumínio, que já foi banida de várias partes do mundo, mas continuaremos a insistir nesse modelo absolutamente insustentável.
Estamos largando atrás do mundo inteiro com a falta de regulamentação e incentivo à energia solar e smart grids, investindo no desastroso gás de folhelho (que tem sido chamado de gás de xisto) e sem ter a menor competência para incluir as eólicas no sistema.
Estamos no caminho errado.
Athos
11 de dezembro de 2013 5:43 pmRespondendo, Beneficia o
Respondendo,
Beneficia o FAVELADO que não tem uma TV de 40 polegadas e quer ter.
Vc é contra favelado?
leia o artigo do NAssif, ao qual discordo, mas não quanto a este ponto.
SmartGrid é coisa que não existe no mundo em sistemas relevantes. Só em pequena escala.
A regulação brasileira é uma das melhores do mundo.
A legislação ambiental é uma das melhores do mundo.
O sistema interligado brasileiro é UMA MARAVILHA DA ENGENHARIA HUMANA que vc absolutamente desconhece.
O sistema Brasileiro não é brincadeira de criança. SmartGrid aqui custará um percentual relevante do PIB e levará 20 ou mais anos até ser finalizado.
Acho que vc ainda precisa se informar um pouquinho só.
Gunter Zibell - SP
11 de dezembro de 2013 5:54 pmÉ necessário pensar as coisas de um modo menos colonialista
Há um ponto que não estou vendo ser considerado.
Quando surgem essas discussões “respeito ao meio-ambiente da Amazônia” versus “necessidades do desenvolvimento”, será que são respeitados os interesses regionais?
Qual é a opinião das populações da Amazônia? Elas estão se sentindo devidamente recompensadas com toda essa exploração do potencial energético? Estão sentindo que os eventuais danos valem a pena?
O que as pessoas lá acham disso, dos moradores do Centro-Sul ficarem discutindo o potencial energético da Amazônia como se fosse um direito adquirido sem preocupações com o eventual rastro de destruição que pode ficar?
Os povos da Amazônia são responsáveis por sustentar o consumo de eletrodomésticos do Sudeste? Ou os aparelhos de ar-condicionado do Nordeste? A inclusão social do litoral atlântico deve ser subsidiada com a precipitação e imposição do Governo Federal aos governos estaduais?
Se a Amazônia Legal fosse um país, as ‘conversações’ não se dariam em um outro nível?
Nós, do Centro-Sul, estaríamos anunciando investimentos, concorrendo com potenciais clientes de outros cantos. Estaríamos falando de preços justos, compensações adequadas, respeito ao meio-ambiente do país aonde ocorreriam essas obras. Mais ou menos como foi em relação ao Paraguai e Bolívia para a exploração de Itaipu e do gás, não?
No entanto, não é isso que aparece nos comentários…
É sempre assim: o Centro-Sul precisa de energia e considera a Amazônia como o ‘quintal’ obrigado a fornecê-la.
Fará com energia o que fez, durante os anos 1930 a 1980, com as matérias-primas do Nordeste e de outras regiões. Naquelas décadas, com a economia fechada e o câmbio centralizado, os ‘Estados’ não podiam exportar para quem quisessem, não podiam importar de quem quisessem. E, pelo menos, não a preços internacionais livres de impostos.
Quanto o PIB da Bahia não teria aumentado mais se esse estado tivesse podido vender livremente ao estrangeiro o petróleo, o cacau e o café, e tivesse podido importar produtos acabados diretamente dos EUA, sem passar por todas as intermediações e apropriações de SP e RJ?
E a energia da Amazônia, a partir de agora, só terá canalização para o Centro-Sul, gerando uma relação intrarregional de dependência… Será a preço justo?
Os preços serão manipulados em função de mercado cativo, facilitando, mais uma vez, a concentração de desenvolvimento no Centro-Sul.
E aí ficam os Povos Indígenas desalojados, pescadores e ribeirinhos afetados, o ambiente degradado, as emissões de CO2 desequilibradas.
É necessário pensar as coisas de um modo menos colonialista.
Preço justo, recolhimento de ICMS na origem, compensações devidas e reparações ao meio-ambiente devem fazer parte dessa discussão, não apenas as “necessidades do desenvolvimentismo do Litoral Atlântico”…
Se o Centro-Sul precisa do potencial energético do Norte, da Amazônia, que coloque os custos sociais e ambientais na conversa!
Esta frase do post é crucial: “Consiste em admitir que qualquer intervenção impacta, sim, o meio ambiente. Mas tratar de cercar os projetos para minimizar ao máximo os impactos ambientais e sociais. Haverá um custo adicional a ser bancado por todos os consumidores brasileiros – e é justo que assim seja.”
E o justo é que o Centro-Sul pague o que pagaria (inclusive ambientalmente) se precisasse importar energia, através do uso de termoelétricas.
Não é porque a energia hidrelétrica do Norte terá custos de obtenção mais baixos que deve ficar por isso… Afinal, não pagamos o petróleo pelo custo de extração na Arábia Saudita, certo?
Gilberto Azanha
11 de dezembro de 2013 7:36 pmPerfeito Gunter: é exatamente
Perfeito Gunter: é exatamente disso que se trata, de colocar os danos alhures via o “sistema integrado nacional”: é a integração da amazônia dos militares com nova roupagem. O Nassif é estranho: propaga o + enregia em função do + consumo e ao mesmo tempo fica postando coisas da agricultura orgânica; um – consumo ou a mudança do paradigma deste “consumo” nunca é posto por vc Nassif.
Gunter Zibell - SP
11 de dezembro de 2013 8:49 pmMas uma frase do Nassif é
Mas uma frase do Nassif é justamente a base para o post. Ele fala em cobrir custos (produção, ambientais e humanos), isso é um conceito de justiça.
Eu vou além, isso apropriaria renda da Amazônia para o Centro-Sul.
Acho que o Centro-Sul não deve pagar apenas para cobrir custos, mas compensar a Amazônia tal e qual se ela fosse um país independente.
Já quanto ao paradigma do consumo, o produtivismo, o desenvolvimentismo é outra estória. Precisa-se pensar nisso vis-a-vis ambiente, mas isso não é uma questão Amazônia/Brasil, é algo mundial.
Athos
11 de dezembro de 2013 6:06 pmAcabei de receber este mail,
Acabei de receber este mail, hehehe. Coincidência. Teremos um boom de solar mas, como disse na outra msg, isso não concorre com hídricas, carvão ou nuclear.
Senhores,
Abaixo noticia importante para todos:
NOTÍCIAS DO SETOR ENERGÉTICO
1.Associações preparam proposta para energia solar no Brasil – Associações do setor elétrico estão preparando para entregar ao governo uma proposta para desenvolver a energia solar no Brasil, incluindo leilões específicos para a fonte e outros para geração distribuída.
A proposta está sendo preparada pela Associação da Indústria de Cogeração de Energia (Cogen), junto à Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia (Apine) e à (Associação Brasileira de Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) e deve ser apresentada até dezembro, conforme disse o vice-presidente executivo da Cogen, Leonardo Calabró, em evento do escritório Pinheiro Neto Advogados.
Segundo ele, a proposta é realizar 3 leilões de energia de reserva para a energia solar com contratação de 500 megawatts (MW) cada, a serem realizados em 2014, 2015 e 2016, com entrega da energia a partir de 2016 e prazo de suprimento de 25 anos. Para esses leilões, o preço-teto da energia entre 190 e 200 reais por megawatt-hora (MWh) é considerado “razoável” para viabilizar projetos de energia solar, segundo Calabró.
A proposta ainda inclui outros dois leilões para geração distribuída –projetos que se conectam diretamente ao sistema de distribuição – em 2015 e 2016. Desse leilão, poderiam participar, além da solar, fontes a biomassa, biogás, eólica, pequenas centrais hidrelétricas (PCH) e cogeração a gás natural.
O objetivo das associações é estabelecer um plano que dê um cenário da expansão da energia solar no Brasil, dando segurança para que a indústria desse setor possa se instalar no país.
A energia solar, que poderá participar pela primeira vez de leilões de energia públicos realizados pelo governo federal neste ano, ainda não é competitiva como a eólica, que também disputará os leilões entre outras fontes.
Segundo Calabró, a energia solar não conseguirá viabilizar novos projetos de geração nos leilões de energia A-3 e A-5 deste ano, diante da competição com outras fontes e preço-teto estabelecido. “A energia solar vai seguir a trilha de sucesso da eólica, mas vai demorar um pouco”, disse ele. (Fonte: Exame.com).
2.Esgotamento do potencial hidrelétrico mudará prioridades para geração de energia – O secretário de Planejamento Energético do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura, disse que a geração de energia hidrelétrica, eólica e a partir do bagaço de cana continuará como prioridade nos próximos anos. Ele ressaltou, porém, que a preocupação das autoridades com o setor tem um horizonte mais amplo e abrangerátambém as prioridades que surgirão com o esgotamento do potencial hidrelétrico, previsto para ocorrer entre 2025 e 2030.
Ventura destacou o papel das “últimas fronteiras de grandes usinas”, no caso, Belo Monte e o Complexo de Tapajós – para o país garantir a energianos próximos dez anos e para se aproximar do potencial máximo previsto para a geração de energiahídrica, que é 260 mil megawatts (MW).
“O governo continuará seguindo no caminho da diversidade de matrizes energéticas, mas com prioridade na geração de energia hidrelétrica, da que vem do bagaço de cana e da eólica. Essas matrizes vão atender 80% da expansão prevista para os próximos dez anos”, disse o secretário, durante encontro promovido pela Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica (Apine).
Segundo Ventura, uma das prioridades para a geração de energia a partir de matrizes hidrelétricas é a construção de empreendimentos na Região Norte e de alguns sistemas isolados.
“Porém, com o esgotamento do potencial hidrelétrico, previsto para entre 2025 e 2030, vamos definir uma nova transformação, uma nova prioridade, diferente da matriz hidrelétrica. O gás vai dar nova alternativa importante e, talvez, venha a substituir a matriz hidrelétrica”, destacou.
O secretário informou que a projeção do governo é que o gás venha a agregar mais 15 mil MW à potência instalada do país, mas disse que esse número pode aumentar.
De acordo com Ventura, a geração fotovoltaica ainda não é plenamente competitiva, mas há sinais de que os preços estão caindo internacionalmente. “E sabemos do potencial brasileiro para esta matriz, fazendo com que o Brasil (futuramente) avance também nela.”
Presente ao evento, o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema (ONS), Hermes Chipp, apontou, como fator relevante para diminuir os gastos com o acionamento de usinas térmicas, o investimento em tecnologias que ajudem a prever o comportamento climático no Brasil.
“Vai demorar para estarmos razoavelmente(avançados) em termos de previsão climática. Estamos bem para o prazo de sete ou dez dias, mas isso tem de ser ampliado, para termos melhor previsão sobre a necessidade de ligar ou não usinas térmicas”, disse Chipp.
Para ele, o país precisa priorizar também investimentos em geração de energia térmica na Região Sul e em linhas de transmissão no Nordeste.(Fonte: Agência Brasil.)
3.Celpe instala placas solares para bombear água em Serra Talhada/PE – A Companhia Energética de Pernambuco (Celpe) começou a instalação de sete sistemas solares fotovoltaicos de bombeamento de água em poços da Zona Rural do município de Serra Talhada, no sertão pernambucano. A companhia fará a instalação de sistemas de bombeamento associados a paineis fotovoltaicos, que transformam a luz solar em energia elétrica suficiente para operação das bombas.
A água será armazenada nos reservatórios de 10 mil litros para aproveitamento do recurso quando não houver sol.
Após a instalação dos sistemas, com conclusão prevista para o final do mês de janeiro do ano que vem, e início do bombeamento, os moradores da região poderão aproveitar a água sem necessitar do uso de combustíveis ou da rede elétrica de distribuição.
De acordo com o gestor de Eficiência Energética da Celpe, Daniel Sarmento, durante os primeiros meses de operação, uma equipe permanecerá monitorando o funcionamento das instalações, para analisar possíveis pontos de melhoria e realizar a manutenção, caso necessário.
“Com a utilização de equipamentos nacionais associados ao sistema fotovoltaico, será possível capacitar os técnicos que trabalham com sistemas de bombeamento para operação e manutenção, com facilidade de reposição de peças”, afirmou.
A ação faz parte do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), regulado pela ANEEL, e compõe o projeto que vem sendo desenvolvido há alguns meses pela Celpe em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), a Secretaria de Recursos Hídricos e Energia do Governo do Estado (SRHE) e o Centro Brasileiro de Energia e Mudanças Climáticas (CBEM). (Fonte: G1.)
4.Conheça os planos do país que quer renunciar à energia fóssil até 2050 – A representante política dinamarquesa Lykke Friis fez questão de deixar uma coisa clara: “Não somos hippies”.
Talvez a frase soe um pouco defensiva ao extremo, mas Friis está fazendo a defesa de uma iniciativa ousada: a Dinamarca anunciou que, até o final desta década, produzirá um terço de sua energia a partir de fontes renováveis: poder eólico, principalmente, mas também solar e queima de “biomassa”.
De forma ainda mais ambiciosa, o governo dinamarquês tem como meta alimentar o país inteiro com energia renovável até 2050, abandonando as fontes fósseis.
O que faz desse anúncio algo ainda mais surpreendente é o fato de ele ter recebido o apoio de todo o espectro político do país.
Lykke Friis, por exemplo, é a líder do oposicionista Partido Liberal, de centro-direita e orientação pró-negócios. Para ela, a decisão de erradicar o uso de energia fóssil é uma questão de planejamento financeiro. “Independentemente do que façamos, teremos um aumento no preço da energia, simplesmente porque as pessoas na Índia e na China querem ter seus próprios carros”, justifica.
“É por isso que temos a clara ambição de criar independência em relação aos combustíveis fósseis para não estarmos vulneráveis a grandes flutuações no preço da energia.”
A experiência em curso na Dinamarca tem explicações históricas: o país sofreu de forma especialmente forte com as flutuações do preço do petróleo registradas no início dos anos 1970.
Com poucas opções domésticas de energia, a nação assistiu a uma grande elevação nos custos energéticos, fazendo com que ganhasse força a idéiade que um novo rumo era necessário.
A energia nuclear, por sua vez, sempre foi alvo de oposição por parte de políticos e da opinião pública. Por conta disso, a Dinamarca começou a apostar em fontes renováveis muito antes do que outros países, ganhando a dianteira especialmente na energia eólica.
Na usina de Avedore, nos arredores de Copenhague, quase mil megawatts de energia estão sendo gerados a partir de fontes renováveis, o suficiente para abastecer 250 mil residências. Uma parte disso vem de gigantescas turbinas movidas a vento; outra, vem de usinas de biomassa, que queimam feno e resíduos industriais.
Avedore é administrada pela maior empresa energética dinamarquesa, a Dong Energy, que planeja fornecer toda a eletricidade do país a partir de fontes limpas. “É uma grande transformação da empresa”, diz o vice-presidente executivo Thomas Dalsgaard. “Acreditamos que o futuro não é baseado em carvão. Mas é difícil, você tem que criar um modelo totalmente diferente para operar nos negócios.”
A questão vai além de modificar usinas ou de construir mais parques eólicos. Para começar, existe o desafio de armazenar energia renovável, para usá-la na ausência de sol e de vento.
Engenheiros estudam propostas de armazenar o calor gerado pela eletricidade; de expandir o número de carros elétricos do país, com baterias recarregáveis. Mas tudo isso está em estágio inicial de desenvolvimento.
Outro desafio é a distribuição. Usinas energéticas convencionais estão localizadas nos arredores das cidades. Se plantas eólicas forem construídas em áreas marítimas mais remotas, como planejado, será necessária uma ampla rede de cabeamento para levar a energia gerada aos consumidores urbanos.
“Será preciso um grande investimento”, diz Erik Kristofferson, da Energinet, que administra a rede de eletricidade do país. “E esse investimento deve começar agora. É uma questão política, mas acreditamos que pode ser feito.”
Já Bjorn Lomborg não está convencido. Ele é um dos mais conhecidos críticos da energia renovável no mundo, e lamenta o fato de seu próprio país estar comprometido com um futuro de energia baseada em vento, ondas do mar e paineis solares. “Construir usinas eólicas nos faz sentir bem. Mas isso reduzirá o crescimento econômico”, justifica ele. “A energia verde é muito mais cara do que os combustíveis fósseis. Deveríamos combater o aquecimento global abandonando o carvão, que polui muito, e adotando o gás, que polui muito menos.”
Lomborg alega que existe uma potencial reserva de gás de xisto no subsolo do país. Mas a real extensão das reservas é desconhecida. A Polônia, que inicialmente anunciou que poderia suprir a maioria de suas necessidades energéticas com gás de xisto, recentemente voltou atrás e reduziu as estimativas sobre suas reservas. Além disso, esse tipo de gás é extraído por um processo que, para alguns, é excessivamente danoso ao meio ambiente.
Para o ministro de Energia da Dinamarca, Martin Lidegaard, o xisto não traz vantagens em relação a outros combustíveis fósseis e pode também sofrer com a oscilação de preços. “O risco de subida de preços de combustíveis é real. O que queremos é assegurar um suprimento estável de energia limpa e barata.”
Lidegaard admite que não pode calcular os custos da transição completa às fontes renováveis, mas argumenta que essa transição ainda faz sentido economicamente e não apenas para a Dinamarca.”Tenho certeza não apenas de que outros países poderiam fazer isso, mas que o farão, simplesmente por causa do desenvolvimento dos mercados. Cada país terá que encontrar sua própria solução. Mas isso acontecerá? Sim.”
O compromisso dinarmarquês ainda terá que ser debatido pelo Parlamento do país. Mas, considerando que quase todos os parlamentares demonstraram apoio à medida, a tramitação deverá ser apenas uma formalidade.
Depois disso, porém, é que começará o trabalho de verdade: descobrir como pôr em prática esse ambicioso objetivo.
CordialmenteH Fabiano Nagashima
Athos
11 de dezembro de 2013 6:09 pmDestaco este ponto… NAssif,
Destaco este ponto… NAssif, esse movimento não pe seu. Insisto, vc escutou o lobista errado.
Ventura destacou o papel das “últimas fronteiras de grandes usinas”, no caso, Belo Monte e o Complexo de Tapajós – para o país garantir a energianos próximos dez anos e para se aproximar do potencial máximo previsto para a geração de energiahídrica, que é 260 mil megawatts (MW).
“O governo continuará seguindo no caminho da diversidade de matrizes energéticas, mas com prioridade na geração de energia hidrelétrica, da que vem do bagaço de cana e da eólica. Essas matrizes vão atender 80% da expansão prevista para os próximos dez anos”, disse o secretário, durante encontro promovido pela Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica (Apine).
Segundo Ventura, uma das prioridades para a geração de energia a partir de matrizes hidrelétricas é a construção de empreendimentos na Região Norte e de alguns sistemas isolados.
Gustavo PF
11 de dezembro de 2013 6:21 pmOrgens do movimento ambientalista
Nassif,
Você esqueceu que durante a constituinte havia a frente ambientalista, que estava articulada com diversos movimentos. Desta iniciativa surgiu o embrião do fórum brasileiro de ONGs e movimentos sociais que articulou diversas organizações ambientalistas pré, durante e pós a ECO 92. E desde a Rio+10 tem estado abandonado.
Outro marco importante do movimento no Brasil foi a criação do greenpeace brasil tbm no ano da ECO 92, e que entrou com força no tema nuclear e de lixo tóxico – neste segundo contribuindo para a legislação nacional no tema.
Frederico69
11 de dezembro de 2013 9:04 pmNassif véio de guerra
não dá pra pensar em ecologia sem citar o zé
José Antônio Kroeff Lutzenberger (Porto Alegre, 17 de dezembro de 1926 — Porto Alegre, 14 de maio de 2002) foi um agrônomo, escritor, filósofo, paisagista, ecologista e ambientalista brasileiro que participou ativamente na luta pela preservação ambiental.
Filho de imigrantes alemães, formou-se como agrônomo especializado em adubos, e por muitos anos trabalhou para companhias do setor, a maior parte do tempo para a Basf, viajando a serviço para vários países como um técnico e executivo da empresa. No fim dos anos 1960 começou a se desiludir com as políticas agrícolas danosas para o meio ambiente, e em 1970 deixou seu emprego para dedicar-se à causa da ecologia.
Em 1971, junto com um grupo de simpatizantes de Porto Alegre, fundou a Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), a primeira associação ecológica do Brasil, e à sua testa ganharia projeção local, nacional e internacional em inúmeras campanhas ecológicas, conseguindo importantes conquistas em uma época em que o ambientalismo ainda era coisa desconhecida pela maioria. De fato, conseguiu chamar grande atenção para o tema com sua personalidade enérgica e combativa e seu sólido preparo intelectual e científico. Sua liderança do movimento no Brasil se consolidou em 1976, quando lançou o livro Manifesto Ecológico Brasileiro: O Fim do Futuro?, sua obra mais conhecida. Publicou muitos outros textos e palestrou pelos quatro cantos do mundo, sensibilizando grandes e influentes audiências, e ao mesmo tempo despertando a fúria de outros setores da sociedade, sendo chamado, ao mesmo tempo, de gênio pioneiro e de louco fanático.
Em 1987 se desligou da Agapan e criou a Fundação Gaia, dedicada à promoção de um modelo de vida sustentável, presidindo-a até sua morte. Continuava envolvido em inúmeros outros projetos locais e em outras regiões, conduzindo também uma empresa de reciclagem de resíduos industriais. Em 1990 foi convidado pelo presidente Fernando Collor de Melo para assumir a pasta do Meio Ambiente. Sua atuação foi breve e muito controversa, mas deixou realizadas obras importantes como a demarcação das terras ianomâmis. Seu estilo contundente de crítica, não poupando ninguém, muito menos o governo, não cessou de lhe trazer problemas, e após denunciar a corrupção no Ibama, em 1992, foi demitido.
Afastado da cena política, deu continuidade ao seu trabalho independente, sendo constantemente solicitado a dar entrevistas, palestras e assessorias de várias espécies até o fim da vida, procurando manter-se atento aos novos problemas ambientais que o progresso vem trazendo, e sugerindo soluções que o mesmo progresso pode oferecer se conduzido com sabedoria. O valor de sua contribuição foi reconhecido mundialmente, recebendo inúmeras distinções importantes, como o Prêmio Nobel Alternativo, a Ordem do Ponche Verde, a Ordem de Rio Branco, a Ordem do Mérito da República Italiana e doutorados honoris causa, além de ser celebrado como um dos pioneiros e um dos maiores ícones do movimento ecológico brasileiro.
Chico Pedro
11 de dezembro de 2013 9:40 pmGostaria de ver número maior
Gostaria de ver número maior de possibilidades acerca da estratégia do fornecimento de energia. E também acho que não se leva em conta a crônica dificuldade de salvaguarda a direitos no país.
Parece a precária visão delfiniana que quando não expõe ao ridículo ironiza movimentos ambientalistas. É a opinião da Av. Paulista.
Ninguém está lá para ver mas o que surge aqui e ali é grau considerável de desamparo a populações afetadas, bem como uma completa ausência de organização planejada do território amazonense.
Não é coisa trivial, pelo contrário, deveria fazer parte das maiores estratégias de desenvolvimento do país. Está longe de ser assim.
No máximo, vislbumbram uma segurança energética no médio prazo, nao as soluções sociais, políticas e, finalmente, econômicas para a região.
Planejamento parece coisa de marcianos no país da gambiarra.