
Por Luciano Losekann
Na Espanha, a opção de desenvolver energias renováveis foi impulsionada pelas diretivas europeias, ditadas pelo compromisso de mitigar as emissões de CO2, pelo interesse em reduzir a dependência externa de recursos energéticos (Jiménez et al., 2013) e pelo objetivo de desenvolver a indústria doméstica de equipamentos relacionados à energia renovável. As fontes renováveis experimentaram forte desenvolvimento nos últimos anos. As fontes eólica e solar lideraram a expansão do parque de geração e atualmente representam, respectivamente, 21% e 6% da capacidade de geração.
Figura 1 – Evolução da Matriz de Geração Espanhola (GW)
Fonte: Elaboração própria. Dados Red Eléctrica de España.
Os objetivos delineados anteriormente foram alcançados, o país se colocou em rota para atingir a meta 20/20/20, a dependência externa de suprimento energético foi reduzida e a indústria de equipamentos se desenvolveu e alcançou competitividade internacional (Ferreira, 2013). No entanto, o sucesso na difusão implicou em custos elevados para a sociedade. Como as energias renováveis não eram competitivas frente às alternativas fósseis, o governo espanhol concedeu subsídios para promovê-las. O esquema utilizado na Espanha para promover fontes renováveis combinava tarifas incentivadas (feed-in) e prêmios para fontes de regime especial, que contemplava as fontes eólica, solar fotovoltaica, solar térmica, pequenas hidrelétricas (<50MW), biomassa, resíduos e cogeração.
Sallé Alonso (2012) aponta, com dados até 2011, que a Espanha foi o país da União Europeia que mais gastou para promover a difusão de renováveis. O autor indica que o custo de apoiar renováveis por MWh consumido na Espanha é muito mais elevado que o de outros países, pois a difusão ocorreu antes das tecnologias experimentarem ganhos de aprendizado. Assim, as tarifas (feed-in) foram definidas em patamares muito elevados. Em 2011, o apoio a renováveis implicava em custo de 22 euros/MWh na Espanha, o dobro do valor alcançado na Alemanha.
O comportamento da demanda de eletricidade é um dos determinantes do elevado custo de promover renováveis na Espanha. Devido à crise econômica, a demanda de eletricidade experimentou uma queda acumulada de 8% desde 2009. O consumo atual de eletricidade na Espanha é praticamente o mesmo de dez anos atrás (figura 2). Como a capacidade de geração cresceu bastante no período, seu fator de utilização caiu fortemente. O fator de capacidade médio é de 28%.
As centrais de ciclo combinado, desenhadas para operar na base, são deslocadas pela produção renovável que tem prioridade de despacho e têm fator de capacidade médio de 10% na Espanha. Esse tipo de central só encontra economicidade quando é operada mais de 50% do tempo. A combinação de custos crescentes com demanda em queda foi extremamente nociva ao sistema elétrico da Espanha, pois isso significa que há mais custos a recuperar sobre uma base de receita menor.
Figura 2 – Evolução do consumo de eletricidade na Espanha
Fonte: Elaboração própria. Dados Red Eléctrica de España.
Há uma controvérsia sobre as causas do déficit tarifário na Espanha. Mas, o custo de promover renováveis em um contexto de queda de demanda foi o fator mais representativo (Fabra e Fabra, 2012). O déficit tarifário surgiu como um desajuste pouco significativo entre receitas e custos reconhecidos pelo regulador das empresas de eletricidade da Espanha em 2000. Como as tarifas são definidas anualmente antes da realização dos custos, o valor foi subestimado e o governo espanhol determinou que cinco empresas (Hidrocantábrico, Endesa, EON, Iberdrola e Gas Natural Fenosa) realizassem aportes para compensar esses desajustes que, supostamente, deveriam ser recuperados com brevidade. (…) continua no Blog Infopetro.


Athos
4 de agosto de 2015 12:56 pmQue moleza deve ser planejar
Que moleza deve ser planejar um sistema que não precisa de expansão. ..