4 de junho de 2026

Setor elétrico na Espanha: pagando o preço do pioneirismo, por Luciano Losekann

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Do Blog Infopetro

Por Luciano Losekann

Na Espanha, a opção de desenvolver energias renováveis foi impulsionada pelas diretivas europeias, ditadas pelo compromisso de mitigar as emissões de CO2, pelo interesse em reduzir a dependência externa de recursos energéticos (Jiménez et al., 2013) e pelo objetivo de desenvolver a indústria doméstica de equipamentos relacionados à energia renovável. As fontes renováveis experimentaram forte desenvolvimento nos últimos anos. As fontes eólica e solar lideraram a expansão do parque de geração e atualmente representam, respectivamente, 21% e 6% da capacidade de geração.

Figura 1 – Evolução da Matriz de Geração Espanhola (GW)

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Fonte: Elaboração própria. Dados Red Eléctrica de España.

Os objetivos delineados anteriormente foram alcançados, o país se colocou em rota para atingir a meta 20/20/20, a dependência externa de suprimento energético foi reduzida e a indústria de equipamentos se desenvolveu e alcançou competitividade internacional (Ferreira, 2013). No entanto, o sucesso na difusão implicou em custos elevados para a sociedade. Como as energias renováveis não eram competitivas frente às alternativas fósseis, o governo espanhol concedeu subsídios para promovê-las. O esquema utilizado na Espanha para promover fontes renováveis combinava tarifas incentivadas (feed-in) e prêmios para fontes de regime especial, que contemplava as fontes eólica, solar fotovoltaica, solar térmica, pequenas hidrelétricas (<50MW), biomassa, resíduos e cogeração.

Sallé Alonso (2012) aponta, com dados até 2011, que a Espanha foi o país da União Europeia que mais gastou para promover a difusão de renováveis. O autor indica que o custo de apoiar renováveis por MWh consumido na Espanha é muito mais elevado que o de outros países, pois a difusão ocorreu antes das tecnologias experimentarem ganhos de aprendizado. Assim, as tarifas (feed-in) foram definidas em patamares muito elevados. Em 2011, o apoio a renováveis implicava em custo de 22 euros/MWh na Espanha, o dobro do valor alcançado na Alemanha.

O comportamento da demanda de eletricidade é um dos determinantes do elevado custo de promover renováveis na Espanha. Devido à crise econômica, a demanda de eletricidade experimentou uma queda acumulada de 8% desde 2009. O consumo atual de eletricidade na Espanha é praticamente o mesmo de dez anos atrás (figura 2). Como a capacidade de geração cresceu bastante no período, seu fator de utilização caiu fortemente. O fator de capacidade médio é de 28%.

As centrais de ciclo combinado, desenhadas para operar na base, são deslocadas pela produção renovável que tem prioridade de despacho e têm fator de capacidade médio de 10% na Espanha. Esse tipo de central só encontra economicidade quando é operada mais de 50% do tempo. A combinação de custos crescentes com demanda em queda foi extremamente nociva ao sistema elétrico da Espanha, pois isso significa que há mais custos a recuperar sobre uma base de receita menor.

Figura 2 – Evolução do consumo de eletricidade na Espanha

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Fonte: Elaboração própria. Dados Red Eléctrica de España.

Há uma controvérsia sobre as causas do déficit tarifário na Espanha. Mas, o custo de promover renováveis em um contexto de queda de demanda foi o fator mais representativo (Fabra e Fabra, 2012). O déficit tarifário surgiu como um desajuste pouco significativo entre receitas e custos reconhecidos pelo regulador das empresas de eletricidade da Espanha em 2000. Como as tarifas são definidas anualmente antes da realização dos custos, o valor foi subestimado e o governo espanhol determinou que cinco empresas (Hidrocantábrico, Endesa, EON, Iberdrola e Gas Natural Fenosa) realizassem aportes para compensar esses desajustes que, supostamente, deveriam ser recuperados com brevidade. (…) continua no Blog Infopetro.

Ronaldo Bicalho

Pesquisador na Universidade Federal do Rio de Janeiro.

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1 Comentário
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  1. Athos

    4 de agosto de 2015 12:56 pm

    Que moleza deve ser planejar
    Que moleza deve ser planejar um sistema que não precisa de expansão. ..

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