A França na direção de um Bolsonaro elegante, educado, misógino e extremamente racista, por Rogério Maestri

Zemmour está se lançando a presidência da República, ele é tão direitista que Marine Le Pen está parecendo uma conservadora de centro.

Bertrand GUAY / AFP

A França na direção de um Bolsonaro elegante, educado, misógino e extremamente racista

por Rogério Maestri

Quem não acompanha a política francesa pode se surpreender daqui alguns meses, pois surge um Bolsonaro francês, elegante, bem-educado, mas completamente misógino, racista e chauvinista, o nome dele é Éric Zemmour. 

Nada de surpreendente que Zemmour é um novo tipo de racismo francês, ele já foi condenado por racismo, mas mesmo assim foi mantido como cronista na TV francesa foi demitido do jornal conservador Le Figaro, mas ainda mantém uma coluna na Le Figaro Magazine. 

Zemmour é de ascendência judaica e nasceu na Argélia, cursou a famosa Sciences Po em Paris, escreveu vários livros como “Le premier sexe” (completamente misógino), “Le Suicide français” (que sugere que a França se tornará um país muçulmano) e mais alguns outros livros sempre contra mulheres, estrangeiros e seus descendentes (da África, é claro, europeus e brancos). 

Zemmour está se lançando a presidência da República, ele é tão direitista que Marine Le Pen está parecendo uma conservadora de centro. Apesar de ainda não ter um partido ele nas pesquisas de opinião aparece já em terceiro lugar ameaçando passar para segundo e com fortes chances de chegar em primeiro. 

A plataforma de Zemmour é a expulsão de todos os estrangeiros de origem do norte da África, mesmo os descendentes desses que já são franceses de segunda ou terceira geração ou mais, ou seja, o que Zemmour está propondo é uma verdadeira guerra civil. Além da expulsão ele pretende proibir nomes que não são de origem francesa. 

Em questão de quase um mês que ele lançou sua candidatura ele já conquistou segundo as pesquisas em torno de 16% das intenções de voto. O centrão francês não consegue achar uma candidatura que possa concorrer com Zemmour e o próprio Macron está se aproximando da votação de Zemmour. Se somarmos as intensões de votos de Zeymmour com o de Marine Le Pen eles já ultrapassam as intenções de voto de Macron. 

Os verdes franceses lançaram um candidato muito semelhante à nossa Marina, ou seja, que aceita um projeto ecológico baseado no grande capital, com isso tiram votos de Mélenchon, que é a única posição a esquerda com alguma possibilidade de vitória. 

A alta burguesia francesa olha com bons olhos para Zemmour, mas ainda não apoiou a pleno, porque estão procurando um candidato do centrão. Afinal ele é um intelectual refinado e um excelente debatedor, ele coloca com toda a fineza que as mulheres são inferiores aos homens, que os muçulmanos são todos uns jihadistas e terroristas, mas tudo isso em livros de mais de trezentas páginas, ou seja, um só livro escrito por ele deve ter mais páginas do que Bolsonaro leu em toda a sua vida. 

Não podemos esquecer que os movimentos de extrema-direita apareceram na França antes de aparecer na Alemanha, e devido a forte influência de uma esquerda mais radical que a brasileira foi impedida a ascender no início do século XX. 

O mais fantástico de tudo é que Zemmour nos seus livros pretende reabilitar Petain, pois esse protegeu os judeus franceses e mandou para a câmara de morte os judeus não franceses, quem não acredita em mim assistam o vídeo (Vif échange entre Eric Zemmour et Léa Salamé au sujet de Vichy (2nde Guerre Mondiale) #ONPC https://youtu.be/zULFSA–tnI). 

Este texto não expressa necessariamente a opinião do Jornal GGN

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